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Capítulo 2

Author: Eirlys
— Por quê?

Caleb soltou uma risada sombria e zombeteira, como se tivesse acabado de ouvir a piada mais engraçada do mundo.

— Freya, não me diga que você realmente achou que eu me importava com você. Pare com essas ilusões repugnantes. Só segurei você porque estava saindo para buscar o colar de diamantes que Chloe mandou fazer sob medida. Você simplesmente estava no meu caminho.

Ele se abaixou, agarrou meu queixo com brutalidade e me obrigou a encarar seus olhos lupinos, frios e desprovidos de emoção.

— Se você tivesse morrido no salão de banquetes hoje, traria azar à cerimônia de acasalamento de Chloe. Uma vadia venenosa como você nem sequer merece estragar o dia especial dela com a própria morte.

Meu coração se contraiu violentamente.

Naquele exato instante, a última e patética centelha de esperança que ainda restava dentro de mim se apagou por completo.

Então era isso. Não havia sido por amor, nem sequer por compaixão. Minha morte apenas causaria transtornos e mancharia o grande dia de sua preciosa Chloe.

— Agora volte a pé. Daqui até a sede da alcateia são três horas de caminhada. Perfeito, assim você esfria essa cabeça maluca e fica sem energia para estragar a noite de núpcias de Chloe e Victor. — Ordenou Caleb, soltando meu queixo com repulsa e se endireitando.

Sem demonstrar a menor hesitação, ele se virou e entrou novamente no veículo.

O motor rugiu de maneira ensurdecedora, e Caleb partiu em alta velocidade, deixando-me cercada pelo silêncio absoluto e pela escuridão.

A dor provocada pela degeneração da minha loba interior assolava todo o meu corpo, como se milhões de formigas roessem meus ossos.

Baixei os olhos para meus pés ensanguentados e soltei uma risada amarga, zombando de mim mesma.

De que tinha adiantado tudo o que fiz durante os últimos cinco anos?

Para conquistar o afeto de Caleb, quando ele caiu em uma emboscada de uma alcateia rival, passei três dias e três noites sem dormir, elaborando estratégias de batalha. Cheguei até mesmo a me oferecer como isca para afastar os inimigos.

Quando ele foi envenenado com acônito e sua vida ficou por um fio, suguei com a própria boca o sangue contaminado de seu corpo. Por causa disso, passei meio ano presa a uma cama.

Naquela época, o nível de afeição dele por mim chegou a noventa e oito por cento.

Caleb segurou meu corpo debilitado nos braços e, com os olhos avermelhados, jurou que sempre seria o irmão que me protegeria.

No entanto, tudo mudou quando Chloe apareceu. Bastou que ela chorasse e alegasse que eu contratei lobos renegados para atacá-la, que Caleb imediatamente fez desaparecer todo o carinho que me oferecia.

"Freya, você me dá nojo."

Aquela foi a primeira crueldade que ele disse a mim.

A partir de então, todos os meus sacrifícios passaram a ser vistos como manipulação, e minha doença não era nada além de um truque barato para chamar atenção.

Respirei fundo, forcei meu corpo arruinado a se levantar e comecei a me arrastar lentamente em direção à cidade.

A cada passo, o cascalho afiado se enterrava ainda mais fundo em minha carne. No entanto, aquela dor física não era nada quando comparada à agonia da minha loba interior, cuja presença se tornava cada vez mais fraca.

Eu ia morrer.

Se morresse, Caleb, Victor e os outros provavelmente soltariam fogos de artifício para comemorar.

Ninguém recolheria meu corpo. Ninguém prepararia um funeral para mim. Provavelmente acabaria apodrecendo naquela floresta como um cão abandonado.

Não. Eu não podia permitir que meu fim fosse tão miserável.

Já não sabia por quanto tempo vinha cambaleando quando, pouco antes de minha visão ficar completamente turva, avistei as luzes fracas de uma funerária aberta durante toda a noite.

Arrastei meu corpo destruído para dentro.

A atendente atrás do balcão se assustou quando me viu, pois eu estava pálida como um fantasma e coberta de terra e sangue.

— Senhora... precisa de ajuda?

— Quero... organizar um funeral. Para mim mesma. — Respondi com a voz rouca, empurrando pelo balcão o cartão que guardava todas as minhas últimas economias.

— Quero ser cremada daqui a sete dias. Encontre apenas um jazigo tranquilo e afastado para mim. Este valor é suficiente?

A atendente me encarou em choque. Depois de um longo silêncio, pegou o cartão.

— É claro.

Assim que tudo ficou acertado, o último fio que ainda me mantinha de pé finalmente se rompeu.

Uma escuridão infinita me engoliu por completo, e meu corpo desabou no chão.

Em meio à névoa que dominava minha consciência, tive a impressão de sentir um par de braços fortes me erguer.
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