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Capítulo 4

Author: Kester
last update publish date: 2026-09-21 09:37:20

Um silêncio sufocante tomou conta do salão do hotel assim que a porta da sala VIP se fechou completamente. Charlie permaneceu imóvel em seu lugar, respirando pesadamente. O rosto do menino continuava se repetindo em sua mente — o maxilar e o formato dos olhos eram uma réplica perfeita dos seus quando era criança.

— Charlie... — A mão trêmula de Sarah tentou segurar seu braço. — Aquele menino certamente não é seu filho. Elena está tentando armar uma armadilha para você. Ela—

— Cale-se, Sarah!

Charlie afastou aquela mão com brutalidade. Era a primeira vez em cinco anos que ele gritava com Sarah em público. Um rubor de vergonha e raiva espalhou-se pelo pescoço de Sarah ao perceber que alguns membros da elite empresarial agora cochichavam enquanto observavam os dois.

Sem se importar mais com a esposa, Charlie se virou e caminhou a passos largos em direção à sua sala privativa no andar superior. Seu peito parecia sufocado pelo peso daquela realidade. Cinco anos. Elena engravidara e dera à luz seu filho sozinha, longe dali, enquanto ele passava todas as noites ocupado amaldiçoando o nome daquela mulher.

— Assistente Ray! — chamou Charlie com firmeza assim que entrou na sala.

Ray entrou às pressas.

— Sim, Sr. Vane?

— Descubra tudo sobre a Aethel Corp — ordenou Charlie com a voz rouca, escondendo o forte tremor que percorria seu corpo. — Quem é Elena na City-B, como ela conseguiu se reerguer e... descubra tudo sobre aquele menino. Ainda esta noite!

— Sim, senhor. Mas há mais uma coisa que precisa saber sobre a agenda da fusão amanhã de manhã. — Ray engoliu em seco, hesitante. — A CEO da Aethel Corp acabou de enviar uma notificação de cancelamento unilateral da nossa parceria logística. Eles estão transferindo o contrato para o Wyatt Group.

Uma risada amarga escapou dos lábios de Charlie. Elena não havia simplesmente retornado; ela viera para estrangular os negócios da Vane Corp. A mulher que antes sempre baixava a cabeça e pedia desculpas agora controlava a vida e a morte da empresa de Charlie.

Enquanto isso, dentro da limusine que atravessava as ruas da Cidade Capital, o clima era completamente diferente. Leo já dormia profundamente no colo de Elena. Com delicadeza, Elena acariciava os cabelos negros do filho enquanto observava as luzes da cidade do lado de fora da janela.

— A senhora fez isso muito bem, madame — disse Aria, sua secretária pessoal, do assento à sua frente. — Restam apenas 10% das ações da subsidiária da Vane para que possamos assumir o controle total. Charlie Vane está em pânico.

O rosto de Elena permaneceu impassível, sem qualquer sorriso.

— Isso é apenas o começo, Aria. O pânico ainda não é suficiente para pagar pelos cinco anos de inferno que ele me fez viver.

— E quanto a Sarah?

— Deixe-a aproveitar o medo por enquanto — sibilou Elena friamente.

Elena conhecia muito bem o caráter de sua irmã. Sarah era uma parasita que vivia da culpa de Charlie por causa de sua suposta paralisia — que, na verdade, não passava de uma encenação baseada em prontuários médicos reais que agora estavam nas mãos de Elena. Assim que a culpa de Charlie desaparecesse, a proteção de Sarah desmoronaria.

O celular de Elena, sobre o banco, vibrou com uma chamada de um número desconhecido. Elena deslizou o botão verde e levou o celular ao ouvido sem dizer uma palavra.

— Elena...

A voz do outro lado fez o maxilar de Elena se contrair. Era a voz de Charlie — frustrada e tomada por um desespero que Elena jamais ouvira em toda a sua vida.

— Elena, por favor. Onde você está? Eu sei que ele é meu filho. Precisamos conversar! — Charlie falou rapidamente, como se temesse que a ligação fosse encerrada.

Elena respirou lentamente e respondeu com uma calma extrema:

— Você ligou para o número errado, Sr. Vane.

— Não minta para mim! Aquele menino é parecido comigo! — exclamou Charlie, com a voz rouca, quase como um rugido de frustração. — Por que você o escondeu? Por que simplesmente foi embora?!

Elena sorriu com desprezo na escuridão da cabine do carro. Aquele homem realmente havia esquecido da própria crueldade.

— Foi você quem me expulsou com os papéis do divórcio, Sr. Vane. Foi você quem disse que a minha existência era um erro — respondeu Elena, cada palavra saindo como uma lâmina. — Esse menino não tem nada a ver com você. Ele não tem pai.

— Elena—

Clique.

Elena encerrou a chamada e bloqueou imediatamente aquele número. Jogou o celular no chão do carro com uma expressão de repulsa.

Ela voltou a abaixar o olhar para o rosto inocente de Leo, que sonhava tranquilamente, e então cerrou os punhos com força. Uma grande tempestade estava prestes a atingir a Cidade Capital e, desta vez, Elena garantiria que não seria a vítima a ser destruída, mas a própria tempestade.

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