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Capítulo 3

Author: Kester
last update publish date: 2026-09-21 09:37:04

O trem noturno partiu da Estação Capital. Dentro do barulhento vagão da classe econômica, Elena estava sentada, encostada na janela embaçada. Suas mãos protegiam o ventre, sentindo a única razão que a fazia continuar vivendo.

— Perdoe a mamãe — sussurrou baixinho. — Nós vamos começar do zero.

Do outro lado do vidro, ela contemplou o logotipo da Vane Corp, que brilhava arrogantemente no topo do edifício mais alto da Cidade Capital. Elena fechou os olhos, prometendo a si mesma que, um dia, seria ela quem apagaria aquela glória.

Cinco anos depois.

Na City-B, uma cidade portuária implacável, o nome Elena Victoria já não era desconhecido. Ela era a fundadora da Aethel Corp, uma empresa farmacêutica que agora dominava o mercado doméstico. A mulher que, no passado, fora expulsa sem um único centavo agora havia retornado como uma figura fria e respeitada.

Naquela noite, o salão de um hotel cinco estrelas no centro da Cidade Capital estava lotado da elite empresarial. A Aethel Corp estava realizando uma grande expansão, e Elena permanecia atrás da porta de vidro da sala VIP. Seu vestido de cetim preto ajustava-se perfeitamente ao corpo, exalando uma elegância madura. Não havia mais nenhum vestígio da Elena fraca de antigamente.

— Mamãe — uma vozinha puxou a barra de seu vestido.

O olhar frio de Elena suavizou-se instantaneamente. Ela se agachou diante de Leo, seu filho de apenas quatro anos. Olhar para aquele rosto sempre fazia seu coração estremecer; Leo herdara o maxilar definido e os olhos negros e profundos de Charlie.

— Sim, querido? — Elena ajeitou a pequena gravata-borboleta do filho.

— Tem muita gente lá fora — disse Leo, apontando para a porta do salão. — Eles estão esperando pela minha Rainha.

Elena sorriu levemente e beijou a testa de Leo.

— Espere aqui com a tia por um momento, está bem? A mamãe tem algo para resolver.

Elena se levantou, respirou fundo e saiu. Assim que a porta do salão se abriu, centenas de pares de olhos se voltaram imediatamente para ela. A sala ficou em silêncio de repente.

Em um canto do bar, um homem ficou rígido. A taça de champanhe em sua mão quase escorregou.

Aqueles cinco anos não haviam sido fáceis para Charlie. Seu casamento com Sarah fora marcado por cobranças e pressão. Mas, naquela noite, a maior surpresa de sua vida estava bem diante de seus olhos.

Charlie avançou, atravessando a multidão com a respiração ofegante.

— Elena...? — sussurrou, incrédulo.

Elena percebeu a presença daquele homem. Não tentou evitá-lo. Em vez disso, parou exatamente no meio do salão, esperando que Charlie se aproximasse. Quando a distância entre eles se reduziu a apenas dois passos, Charlie parou. Ele encarou Elena, procurando algum vestígio da mulher miserável que um dia expulsara sob uma chuva torrencial. Não havia nenhum. A mulher diante dele irradiava uma presença dominante e sufocante.

— Você... ainda está viva? — a voz de Charlie saiu entrecortada, tremendo violentamente. — Como isso é possível—

— Há quanto tempo, Sr. Vane — interrompeu Elena. Sua voz era calma e extremamente formal, livre de qualquer vestígio do passado.

— Elena, me perdoe. Precisamos conversar — Charlie tentou segurar o pulso de Elena. Uma súbita onda de culpa atingiu seu peito.

Com um movimento elegante, porém vigoroso, Elena afastou aquela mão antes que ela sequer tocasse sua pele. Seu olhar tornou-se afiado como uma lâmina.

— Mantenha a compostura — sibilou Elena em voz baixa. — Estou aqui como CEO da Aethel Corp, principal acionista de uma de suas subsidiárias. Não como uma empregada da sua casa.

Charlie recuou um passo, chocado.

— Ações...?

— Charlie! O que está acontecendo— — Sarah apareceu usando seu luxuoso vestido vermelho. No entanto, sua frase foi interrompida assim que viu a figura diante do marido. O rosto de Sarah empalideceu instantaneamente. — E-Elena?! Você...

Elena não ficou irritada. Apenas encarou a irmã mais nova com indiferença, como se estivesse olhando para algo insignificante.

De repente, a porta da sala VIP atrás de Elena se abriu ligeiramente. O pequeno Leo colocou a cabeça para fora.

— Mamãe, já terminou?

Aquela voz fez Charlie e Sarah se virarem ao mesmo tempo. Assim que os olhos de Charlie captaram a figura do menino cujo rosto era extremamente parecido com o seu, seu coração pareceu parar de bater.

— Aquele... menino...? — Charlie gaguejou, olhando para Leo e depois para Elena com uma expressão horrorizada.

Elena imediatamente deu um passo para trás, bloqueando a visão de Charlie e escondendo o filho de seu olhar. Um sorriso sutil e triunfante surgiu em seu rosto.

— Com licença — disse Elena friamente. — Meu tempo é valioso demais para ser desperdiçado com um passado inútil.

Elena se virou, segurou a mão de Leo e foi embora. Deixando Charlie petrificado no meio do salão, enquanto a realidade começava a destruir sua sanidade.

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