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Capítulo 5.

Author: Kester
last update publish date: 2026-09-21 09:43:48

O celular na mão de Charlie emitiu um longo zumbido. A ligação foi encerrada.

— Droga!

Charlie arremessou o aparelho fino contra a parede, fazendo-o se despedaçar. Sua respiração estava ofegante. Pela primeira vez na vida, ele se sentiu menor do que uma formiga. Ele havia sido ignorado. Bloqueado pela mulher que, no passado, tremia de medo só de ouvir um suspiro de decepção vindo dele.

A porta do quarto foi aberta bruscamente. Sarah entrou com o rosto inchado e os olhos vermelhos.

— Charlie, o que você está fazendo?! — gritou Sarah, sua voz aguda. — Você gritou comigo na frente de todo mundo! Você está defendendo aquela vadia?!

Charlie não se virou. Continuou de costas para Sarah, encarando seu próprio reflexo no vidro escuro da janela.

— Vá para casa, Sarah. Estou cansado.

— Não! Eu não quero!

Sarah abraçou Charlie por trás, agarrando com força o paletó do marido.

— Aquele garoto... aquele garoto com certeza é fruto de uma traição de Elena antes de ir embora! Ela quer te prender de novo, Charlie! Você precisa acreditar em mim!

Ao ouvir a palavra "prender", a memória de Charlie foi lançada de volta àquela noite de cinco anos atrás. A noite em que ele jogou os papéis do divórcio no rosto de Elena porque acreditava que aquela mulher havia sabotado os freios do carro de Sarah, deixando-a paralítica.

Mas, naquela noite, ele vira Elena de pé. E também vira Sarah — que alegava ter voltado a andar graças a um milagre médico — correndo para dentro de sua sala sem qualquer sinal de deficiência.

Havia algo errado.

A culpa que mantivera Charlie preso a Sarah durante todos aqueles anos de repente pareceu uma corrente apertando seu próprio pescoço.

Charlie se virou e afastou o abraço de Sarah com força, mas sem perder a frieza. Seus olhos encararam diretamente os da esposa.

— Você realmente estava paralítica naquela época, Sarah? — perguntou Charlie.

Sua voz estava extremamente baixa, trêmula pela suspeita que ele havia enterrado profundamente durante aqueles cinco anos.

O rosto de Sarah ficou mortalmente pálido.

— C-Charlie... o que você quer dizer? Você está duvidando de mim?

— Vá para casa — interrompeu Charlie, em tom definitivo.

A presença de Sarah de repente lhe causava náuseas.

Na manhã seguinte, a atmosfera da principal sala de reuniões da Vane Corp estava extremamente tensa. Todos os membros da diretoria estavam sentados, cobertos por um suor frio. Na cabeceira da longa mesa, a cadeira principal, pertencente à CEO da Aethel Corp, ainda estava vazia.

Exatamente às nove horas, a porta se abriu.

Elena entrou usando um elegante power suit branco-marfim. Seus passos eram firmes e intimidadores. Atrás dela, Aria carregava uma pilha de documentos pretos.

Charlie imediatamente endireitou o corpo. Seus olhos não desgrudaram do rosto de Elena. Havia olheiras profundas sob seus olhos, uma prova de que ele não havia fechado os olhos nem por um minuto na noite anterior.

Elena se sentou em seu lugar sem sequer olhar para Charlie. Em seguida, voltou os olhos diretamente para os diretores.

— Vamos começar — disse Elena friamente.

— Senhora Elena — um dos diretores seniores pigarreou. — Quanto ao cancelamento unilateral da parceria logística de ontem...

— Não vim aqui para negociar sobre logística — interrompeu Elena, de forma cortante.

Ela estalou os dedos, e Aria imediatamente distribuiu novos documentos diante de todos, incluindo Charlie.

— Vim aqui para exercer meus direitos como nova acionista controladora de uma das subsidiárias da sua empresa.

Charlie abriu o documento. Seus olhos se arregalaram ao ler linha após linha daqueles números. A Aethel Corp havia comprado secretamente todos os títulos de dívida da Vane Logística de um banco estrangeiro.

— Você quer destruir a minha empresa? — A voz rouca de Charlie rompeu o silêncio.

Elena finalmente se virou e encarou diretamente os olhos negros de Charlie. Não havia ódio ali. Havia apenas um vazio muito mais doloroso do que a raiva.

— Isso é apenas negócios, senhor Vane — respondeu Elena calmamente. — Quem é fraco é eliminado. Foi o senhor quem me ensinou isso cinco anos atrás.

O peito de Charlie latejou de dor.

Ele se lembrou de como costumava cortar o orçamento mensal de Elena ou deixá-la passar fome na mansão sempre que aquela mulher cometia o menor erro.

Agora, aquelas palavras haviam se voltado contra ele.

— A reunião está encerrada. Senhor Vane, preciso da sua assinatura para a transferência desses ativos agora mesmo — declarou Elena enquanto se levantava.

Os diretores saíram às pressas, em pânico, deixando Charlie e Elena sozinhos naquela ampla sala.

Charlie se levantou e caminhou até Elena, aproximando-se o suficiente para que a distância entre os dois se tornasse mínima. O elegante perfume de rosas que emanava do corpo de Elena substituía o aroma barato de jasmim que ela costumava usar quando ainda era sua esposa.

— Elena, pelo amor de Deus, aquele garoto... — Charlie apertou a borda da mesa, contendo-se para não tocar na mulher à sua frente. — Ele é meu filho, não é? Por que você está me punindo escondendo-o de mim?!

Elena ajeitou o paletó branco e então ergueu o rosto, exibindo um sorriso de escárnio quase imperceptível.

— Ele não é seu filho, Charlie — sibilou Elena, sua voz muito baixa, mas afiada. — A criança que você chamou de assassino morreu sob a chuva cinco anos atrás. O garoto que você viu ontem é Leo. Ele só tem uma mãe.

— Eu sou o pai dele! Você não pode apagar meu sangue do corpo dele! — exclamou Charlie, com os olhos vermelhos.

Elena deu mais um passo à frente, fazendo Charlie ficar atônito. Ela sussurrou bem diante do rosto dele:

— Então onde estava esse pai quando eu chorava lágrimas de sangue no chão do seu quarto, Charlie? Onde estava esse pai quando sua irmã mais nova tentou matar meu bebê?

As palavras de Elena pararam por aí.

Antes que Charlie pudesse responder, Elena já havia se virado e saído, deixando o homem para trás em um turbilhão de pânico e arrependimento que começava a consumir sua sanidade.

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