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Capítulo 2

Penulis: Madalena
André ficou claramente atordoado com o tapa.

No instante seguinte, a raiva tomou conta dele.

Agarrou o pulso de Helena e puxou ela para fora do cobertor com violência.

— Criou coragem agora?

Helena se debateu e rosnou:

— Não encosta em mim!

Mas não tinha força suficiente para enfrentar André.

Com uma das mãos, ele prendeu os dois pulsos dela acima da cabeça. Com a outra, segurou seu queixo.

Sua voz saiu baixa e suave, com uma gentileza quase perturbadora.

— Por que você voltou a desobedecer? Lara ainda está no hospital esperando minha medula óssea para sobreviver. Ela só tem quatro anos. Sem mim, o que vai acontecer se ela morrer?

O corpo de Helena ficou completamente rígido.

Ela encarou André, os olhos carregados de um ódio profundo.

André percebeu na mesma hora que ela havia cedido.

Ele riu baixo, abaixou a cabeça e beijou seus olhos.

— Não olha para mim assim. Você sabe que, se Maria não estivesse grávida e eu não tivesse medo de machucar ela, eu nem tocaria em você.

A mão que segurava o queixo de Helena desceu enquanto ele zombava:

— Para que bancar a intocável? Não é como se isso nunca tivesse acontecido antes... O que é isso?

André fixou os olhos na marca de dentes perto da clavícula dela.

Tomado pela raiva, abriu o roupão de Helena e viu as inúmeras marcas de beijo espalhadas por sua pele clara.

Seus olhos se encheram de fúria.

— Estou perguntando o que é isso!

Ao ver André tão furioso, Helena acabou sorrindo.

Parou de resistir e deixou todas aquelas marcas expostas sob a luz.

— Você não está vendo?

André apertou seu pescoço com força.

— Você teve coragem de me trair? Quem é aquele homem?

O rosto de Helena começou a ficar arroxeado pela falta de ar.

Mesmo assim, ela ainda conseguiu sorrir.

De propósito, disse exatamente o que sabia que mais atingiria André.

— Eu me vendi por vinte mil dólares... Ele foi mais generoso que você... E, na cama, também foi melhor...

Ela mal conseguiu terminar a frase, mas fez questão de dizer aquilo para provocar ele.

Poucos homens suportariam uma provocação dessas.

André estava com vontade de matar ela.

— Cala a boca!

Pela reação, até parecia que ele realmente se importava.

Mas Helena sabia que aquilo não passava de possessividade.

Ainda mais vindo de André, um homem obcecado por controle, incapaz de suportar que outra pessoa tocasse no que ele considerava dele.

No passado, bastava alguém olhar por tempo demais para Helena e ele já ficava irritado.

Naquela época, ela ainda não sabia que era apenas uma substituta de Maria e, ingenuamente, acreditava que André sentia ciúme porque amava ela demais.

Só mais tarde entendeu.

Para ele, Helena nunca tinha passado de um brinquedo que pertencia exclusivamente a ele.

Por mais que André pressionasse, Helena não revelou que tinha sido Caio.

Não porque não quisesse, mas porque não tinha coragem.

Comparado a André, Caio era o verdadeiro louco.

André era apenas um canalha hipócrita.

Caio, quando perdia o controle, realmente podia matar alguém.

Helena não queria comprar uma guerra com os dois ao mesmo tempo.

André soltou ela com violência.

O ar invadiu seus pulmões de repente.

Ela levou a mão ao pescoço e começou a tossir sem parar.

Sua voz já estava rouca, e agora sua garganta também tinha sido machucada.

Antes mesmo que conseguisse recuperar o fôlego, André arrastou ela até o banheiro.

A água fria caiu sobre sua cabeça, fazendo seu corpo inteiro tremer de frio.

Mas André já tinha perdido completamente a razão.

Ergueu Helena e prensou seu corpo contra a parede gelada, prestes a forçar uma relação.

Ela tateou ao redor, procurando qualquer coisa que pudesse usar para acertar ele, mas não encontrou nada.

Sem alternativa, parou de lutar.

— André, você não tem medo de eu passar HIV para você?

O corpo dele travou.

Helena continuou, com uma calma assustadora:

— O homem que pagou por mim é um desgraçado. Ouvi dizer que ele tem alguma doença. Se você tocar em mim e depois passar alguma coisa para a sua amada Maria... E se ela acabar tendo um filho doente?

O rosto de André ficou pálido, e os músculos de sua face começaram a se contrair de raiva.

Nesse momento, o celular no bolso dele tocou.

Era o toque exclusivo de Maria.

André soltou Helena na mesma hora e pegou o aparelho.

Sua voz mudou imediatamente, ficando suave.

— O que foi? Eu voltei para casa só para pegar algumas coisas... Claro que não. Você sabe que eu só amo você.

Ele fez uma pausa e logo ficou preocupado.

— Sua barriga está doendo? Não fica nervosa. Estou indo agora!

André encerrou a ligação e saiu do banheiro.

Ao chegar à porta, porém, parou e encarou Helena com frieza.

— Dessa vez você realmente conseguiu me tirar do sério. Fica aqui e espera eu voltar. Se eu voltar e não encontrar você, já sabe o que eu vou fazer.

Helena curvou os lábios num sorriso carregado de ironia.

Lara estava morta, e André nunca mais conseguiria controlar ela.

Depois daquela confusão, mesmo com uma dor de cabeça terrível, Helena não conseguiu voltar a dormir.

Pegou uma mala e começou a arrumar suas coisas.

No passado, André já tinha tratado ela muito bem.

Fazia questão de dar o melhor em roupas, comida e tudo o que ela usava.

Sempre dizia que uma mulher tão bonita quanto ela merecia ter apenas as melhores coisas.

Mas tudo mudou depois que Maria voltou.

Quando Helena descobriu que não passava de uma substituta dela, teve uma discussão enorme com André e pediu o divórcio.

A partir daquele momento, ele começou a controlar cada aspecto de sua vida.

No início, apenas vigiava Helena de perto.

Depois que Lara adoeceu, passou a usar a doença de Lara para ameaçar ela e intensificou ainda mais aquele controle.

Obrigou Helena a abandonar o trabalho, restringiu sua liberdade e ficou com todos os seus documentos.

Parou de comprar qualquer coisa para ela, proibiu ela de trabalhar e também não dava dinheiro.

Todas as despesas médicas de Lara eram pagas diretamente pela conta dele.

Alguns dias antes, porém, Lara tinha dito que queria ver o mar.

Helena não contou nada a André e tirou Lara do hospital por conta própria.

Aquilo deixou André furioso.

Como punição, ele suspendeu o pagamento do tratamento de Lara.

E Lara morreu depois de uma crise.

No instante em que o médico anunciou a morte da filha, Helena nem conseguia mais lembrar o que tinha sentido.

Dor ou alívio? Ela não sabia.

Mas havia uma coisa da qual tinha certeza: nunca mais aceitaria ser humilhada daquele jeito por Maria.

Helena tinha poucas coisas.

Duas mudas de roupa e uma sacola com os pertences que Lara havia deixado.

Nem chegaram a ocupar a mala inteira.

Quando desceu com a bagagem, todos os empregados viram, mas ninguém tentou impedir.

Helena sorriu.

Melhor assim.

Quando André voltasse e descobrisse que ela tinha ido embora, nenhum deles escaparia da bronca.

Como André tinha retido seus documentos de identidade, Helena nem sequer conseguia fazer check-in em um hotel.

Sem outra opção, no meio da madrugada, bateu na porta da Mansão dos Sampaio.

Quem abriu foi sua madrasta, Vanessa.

Ela parecia irritada por ter sido acordada àquela hora, mas, assim que viu Helena, sua expressão mudou e imediatamente assumiu um ar solícito.

— Por que você voltou tão tarde?

Helena forçou um sorriso.

— Desculpa incomodar. Vim ficar aqui por alguns dias.

— Você brigou com André de novo? Também não devia ficar discutindo com ele por qualquer coisa. André trata você tão bem, ele...

Vanessa percebeu que Helena não estava nada bem e fechou a boca na mesma hora.

— Entra primeiro. Depois a gente conversa.

Ela levou Helena até o sofá e virou a cabeça na direção do quarto, pronta para chamar Fernando Sampaio.

Helena impediu.

— Não precisa acordar ele.

Pegou a mala e seguiu em direção ao antigo quarto.

Vanessa foi atrás e chamou por ela duas vezes, como se quisesse impedir que entrasse.

Mas Helena já tinha aberto a porta.

O quarto que antes pertencia a ela havia sido transformado em uma sala de jogos, e não restava nada de suas coisas ali.

Vanessa explicou, constrangida:

— Eu achei que, depois de se acostumar a morar numa mansão tão grande, você não conseguiria mais ficar confortável num quarto pequeno daqui. E Daniel vivia pedindo uma sala de jogos...

— Tudo bem.

Helena não ficou surpresa.

Seu irmão, Daniel Sampaio, sempre tinha sido obediente e jamais ocuparia por conta própria um quarto que antes pertencia a ela.

Aquilo não passava de uma desculpa de Vanessa.

— Eu durmo no sofá da sala esta noite.

Vanessa ainda parecia querer dizer alguma coisa, mas Helena falou antes:

— Estou muito cansada. Posso descansar primeiro?

— Claro.

Vanessa esquentou um prato de macarrão para ela e voltou para o quarto.

Depois de comer, Helena se deitou no sofá.

Foi só então que percebeu, de repente, que não tinha para onde ir.

Por hábito, levou a mão ao pulso e percebeu que a pulseira não estava mais ali.

Sua expressão mudou na mesma hora.

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