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Capítulo 3

ผู้เขียน: Madalena
— Caio, de onde você tirou essa pulseira? Já faz mais de uma hora que você não para de olhar para ela. Não vai me dizer que é daquela mulher?

O camarote estava cheio de jovens de famílias ricas e influentes.

Nenhum deles era alguém com quem uma pessoa comum ousaria mexer.

Naquele momento, todos estavam reunidos em volta de Caio, tentando arrancar algum detalhe da vida amorosa dele.

Caio deu um chute em quem tinha falado e continuou com o cigarro entre os dentes.

— Para de falar besteira. Ela ainda não se divorciou. No máximo, eu sou o amante.

Pietro Teixeira era provavelmente o amigo mais próximo de Caio.

Com um braço em volta da mulher ao seu lado, provocou:

— Quando é outra pessoa, se meter no relacionamento dos outros é falta de vergonha. Quando é você, vira amor verdadeiro, é isso?

Todos caíram na risada.

Outro entrou na brincadeira:

— Caio não é amante coisa nenhuma. Amante é quem não é amado.

Caio deu uma tragada no cigarro.

— Então eu não sou amante.

— Exatamente. Mais cedo ou mais tarde você ainda vai casar com ela...

Caio interrompeu:

— Eu sou o cara que ela está usando.

O grupo ficou sem palavras.

Caio passou os olhos por todos e soltou uma risada de deboche.

— O que foi? Por que ficaram quietos? Até agora vocês não estavam falando tão bem?

Parecia estar brincando, mas quem conhecia Caio sabia muito bem que ele estava irritado.

E estava claro que ele não gostava nem um pouco daquele tipo de piada envolvendo Helena.

Em meio ao clima constrangedor, o celular dele tocou.

Ao ver o número na tela, a irritação em seu rosto desapareceu imediatamente, e suas feições relaxaram.

Ele atendeu e abaixou a voz de propósito:

— Quem fala?

Todo mundo ao redor ficou em silêncio na mesma hora.

Até a música foi pausada.

Pietro quase cuspiu a bebida.

Não conseguia acreditar que Caio fosse capaz de falar com tanta suavidade.

Os dois tinham crescido juntos, e Pietro nunca tinha ouvido Caio falar naquele tom baixo e propositalmente gentil.

Caio, que normalmente tinha um temperamento explosivo, agora até estava bancando o cavalheiro.

Ninguém sabia o que a pessoa do outro lado disse.

Assim que desligou, Caio se levantou e foi embora.

Pietro gritou:

— Não vai mais beber?

Sem olhar para trás, Caio apenas ergueu a mão num gesto de despedida.

......

Helena esperou mais de meia hora do lado de fora do hotel até finalmente ver o Rolls-Royce preto de Caio.

Ele desceu do carro e pegou o celular.

No segundo seguinte, o telefone no bolso de Helena começou a tocar.

Ao ouvir o som, Caio olhou na direção de Helena e caminhou até ela.

Ele tinha um cheiro muito particular, uma fragrância discreta e fresca misturada ao cheiro de cigarro, que envolveu Helena assim que se aproximou.

Aquilo trouxe de volta algumas lembranças confusas, e Helena sentiu o peito apertar.

Caio vestia uma camisa preta com as mangas dobradas, deixando os antebraços fortes à mostra.

Helena não conseguiu evitar a lembrança daquelas mãos apertando sua cintura com força.

Quando ele fazia isso, as veias dos braços ficavam ainda mais salientes, deixando evidente uma força impressionante, como se pudesse partir sua cintura ao meio sem esforço.

Por instinto, Helena recuou um passo e se escondeu ainda mais nas sombras.

Estendeu a mão clara, com a palma aberta.

— A pulseira.

Caio baixou os olhos para aquela mão e conteve o impulso de morder a palma dela.

Então inclinou o corpo na direção de Helena.

— Eu larguei um grupo inteiro de amigos e vim dirigindo até aqui. E você vai me tratar assim?

Enquanto falava, sua respiração roçou a palma da mão de Helena, fazendo os dedos dela se curvarem involuntariamente.

Por um instante, Helena chegou a pensar que Caio fosse apoiar o queixo ali.

Ela respirou fundo e suavizou um pouco o tom:

— Obrigada. Agora, por favor, devolve minha pulseira.

Caio se aproximou ainda mais.

— O que aconteceu com a sua voz?

Ele estava perto demais.

Assustada, Helena recuou mais dois passos e acabou ficando bem sob a luz do poste atrás dela.

As marcas em seu pescoço já estavam roxas e profundas, assustadoras de tão evidentes.

Caio estreitou os olhos.

Quando falou, sua voz saiu muito baixa:

— Foi André que fez isso?

Helena franziu a testa, sem esconder o desprezo.

— Não é da sua conta. Pode devolver minha pulseira?

— Não.

Helena encarou ele, irritada.

No segundo seguinte, Caio passou um braço pela cintura dela e, com um único movimento, colocou Helena sobre o ombro.

Ao perceber que ele caminhava na direção do Rolls-Royce, Helena começou a se debater furiosamente, batendo nele com as mãos.

— O que você está fazendo? Me põe no chão!

Caio deu um tapa na bunda dela.

— Fica quieta.

O rosto de Helena ficou vermelho de raiva na mesma hora.

Caio abriu a porta do carro e jogou Helena no banco do passageiro.

No segundo seguinte, Caio levou um tapa no rosto. Seu olhar escureceu na mesma hora.

Assim que bateu nele, Helena se arrependeu.

Antes que Caio pudesse dizer qualquer coisa, Helena resolveu se defender primeiro:

— Você bateu em mim antes.

Caio passou a língua por dentro da bochecha e ergueu a mão...

Helena fechou os olhos por instinto.

Mas o tapa que esperava não veio.

Tudo o que ouviu foi o clique do cinto de segurança sendo afivelado.

Logo depois, a risada provocadora de Caio soou junto ao seu ouvido:

— Achou que eu ia bater em você? Eu não sou igual ao André.

Helena abriu os olhos, surpresa, e levou um susto ao perceber o rosto dele tão perto do seu.

Perto o bastante para enxergar perfeitamente a cicatriz que cortava a sobrancelha de Caio.

Perto o bastante para sentir com nitidez o calor que vinha do corpo dele.

Helena cerrou os dentes, e seu rosto perdeu toda a cor num instante.

Sentiu vontade de vomitar.

Virou o rosto depressa e falou entre os dentes:

— Dá para ficar longe de mim?

Caio ergueu uma sobrancelha.

— Você tem medo de mim?

Helena realmente tinha medo dele.

E não era apenas porque Caio era louco.

Ela engoliu a revolta que queimava por dentro e encarou ele com frieza.

— Você sabe que o jeito como olha para mim é nojento?

Caio ficou imóvel por um instante.

Helena não queria provocar ele, mas suportava ainda menos ficar tão perto dele naquele espaço pequeno e fechado.

E, depois que começou a falar, já não conseguiu parar.

Com evidente repulsa, continuou:

— Você sempre quis transar comigo, não é? Desde a primeira vez que vi você no apartamento onde André morava na faculdade, já ficava me olhando daquele jeito nojento.

André e Caio não só tinham crescido juntos como também haviam dividido o mesmo apartamento durante a faculdade.

Depois que Helena começou a namorar André, encontrou Caio em várias ocasiões.

Na primeira vez que beijou André, viu Caio parado não muito longe, encarando ela como um lobo faminto.

Mais tarde, quando André apresentou Helena aos amigos, todos foram muito educados com ela.

Todos, menos Caio, que simplesmente ignorou Helena.

Naquela noite, ela e André tinham bebido demais.

E, no escuro, Caio beijou ela.

Desde aquela época, Helena já sabia que Caio queria levar ela para a cama.

Caso contrário, jamais teria procurado ele no dia anterior.

Além de Caio, ninguém teria coragem de enfrentar André.

Muito menos de cobiçar a mulher dele.

Caio permaneceu em silêncio.

Só então Helena percebeu, tarde demais, o perigo no ar.

Mesmo assim, se obrigou a manter a calma e voltou a pedir a pulseira.

— Eu não quero acabar com a amizade entre você e André. Se ele descobrir que você dormiu comigo, com certeza vai romper com você. Então, se você devolver...

Helena nem conseguiu terminar.

Caio apoiou o queixo na palma da mão dela, como um cachorro esperando carinho da dona.

Um cachorro que, se não recebesse o que queria, podia avançar e morder.

Havia um sorriso no canto da boca, e seus olhos brilhavam com uma excitação quase evidente.

— E daí? Você sabia muito bem o que eu queria e, mesmo assim, veio me procurar ontem. Não me diz que não queria ver eu e André brigando por sua causa.

Helena não demonstrou o menor constrangimento por ter suas intenções expostas.

Cerrou os dentes e tentou puxar a mão de volta, mas Caio segurou seu pulso.

A palma quente dele envolveu o pulso fino de Helena.

Ela conseguia sentir a pulsação sob a pele, quente como fogo.

Caio murmurou, quase para si mesmo.

— Tudo bem. Pode me usar o quanto quiser.

Então abaixou a cabeça e tomou a ponta dos dedos dela entre os lábios.

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