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Capítulo 6

Author: Madalena
Helena não falou alto nem baixo demais.

Sua voz estava na medida certa para que todos ao redor ouvissem.

O dono da pintura fechou a cara na mesma hora e já ia rebater quando uma voz envelhecida surgiu ao lado:

— O que fez você concluir que essa obra é uma falsificação?

Quem tinha falado era um senhor de cabelos completamente brancos.

Vestia uma camisa preta simples e parecia apenas um idoso comum passeando por ali.

Mas, assim que abriu a boca, a expressão de todos ao redor mudou, dando lugar a um respeito evidente.

O dono da peça abaixou a voz:

— Sr. Rodrigo, não precisa dar atenção ao que ela está dizendo. Ela é tão nova, quantas peças realmente boas pode ter visto na vida? A minha é autêntica, tenho certeza!

Alguém ao lado concordou:

— Exatamente. Nem todo mundo tem o talento da Maria para reconhecer uma peça de primeira.

Helena não se abalou com o desprezo nem com as provocações.

Sorriu educadamente para Rodrigo.

— Pelo que ouvi na apresentação, essa obra seria do período imperial. Mas, olhando com atenção, dá para perceber que o papel foi envelhecido artificialmente. A camada de pigmento está uniforme demais, as pinceladas são rígidas, e tanto a assinatura no canto inferior direito quanto os selos de coleção parecem recentes demais. Juntando todos esses detalhes, tudo indica que seja uma imitação moderna, sem valor para colecionadores.

Ela fez uma breve pausa e olhou para o dono da obra, falando com sinceridade:

— O original está atualmente em Nova Helênia, na casa do Sr. Valdemar. Se o senhor tiver interesse, outro dia posso levar o senhor para conhecer a peça.

Valdemar era um colecionador renomado de Nova Helênia.

Tinha passado a vida inteira lidando com antiguidades e desfrutava de enorme prestígio no setor.

Pelo modo como Helena falava, parecia ter bastante proximidade com ele.

A atitude das pessoas ao redor mudou imediatamente, agora com muito mais respeito.

Rodrigo também pareceu surpreso.

— Qual é a sua relação com Valdemar?

— Eu...

Helena estava prestes a responder quando uma agitação começou não muito longe dali.

Maria surgiu usando um vestido branco ajustado ao corpo e uma estola de pérolas.

André mantinha o braço em volta da cintura dela enquanto os dois vinham na direção deles, cercados por várias pessoas.

Nos últimos dois anos, Maria havia se tornado um dos maiores nomes entre os novos avaliadores do setor.

Com a aparência delicada e o ar clássico, tinha sido promovida nas redes sociais como uma rara combinação de beleza e genialidade na avaliação de antiguidades.

Ninguém imaginava que aquela suposta genialidade, do começo ao fim, não passasse de uma farsa.

As mãos de Helena se fecharam imediatamente em punhos, mas seu rosto permaneceu frio.

Maria e André apareceram juntos numa postura tão íntima que atraíram todos os olhares na mesma hora.

A barriga de Maria já apresentava uma discreta saliência.

Com uma das mãos apoiada na região lombar, ela caminhou devagar até o grupo e sorriu antes mesmo de falar:

— Sr. Rodrigo, essa é Helena, minha assistente. Ela gosta de chamar atenção quando está em público. Espero que não tenha causado nenhum problema para o senhor.

Rodrigo ficou surpreso.

— Ela é sua assistente? Então não é de admirar que tenha reconhecido uma falsificação de imediato. Você realmente tem gente competente ao seu lado. Pelo visto, fiz muito bem em convidar você hoje.

Maria sorriu e dirigiu a Helena um olhar aparentemente casual.

— Que falsificação?

Antes que Rodrigo respondesse, alguém ao lado já contou tudo o que tinha acontecido.

Ao ouvir o nome de Valdemar, Maria franziu a testa e olhou para Helena em reprovação.

Helena realmente não conseguia ficar na dela.

Maria soltou um suspiro, como se não soubesse mais o que fazer.

— Helena, normalmente eu deixo passar quando você fala coisas sem pensar, mas Valdemar é meu mentor. Só porque uma vez levei você para visitar ele, não significa que pode agir como se tivesse essa mesma relação com ele.

A voz de Helena ficou gelada.

— Ele é seu mentor? Você acha mesmo que merece dizer isso?

Helena tinha Valdemar como mentor desde os cinco anos.

Desde quando ele tinha se tornado mentor de Maria?

André advertiu friamente:

— Já chega.

Helena não deu a mínima.

Continuou olhando diretamente para Maria.

— Em toda a vida, Valdemar só orientou pessoalmente dois alunos. Um deles é Bruno Vieira, que hoje trabalha no Centro de Pesquisa do Museu Nacional. O outro é...

Maria continuou, naquele mesmo tom suave:

— O outro, claro, sou eu. Não vai dizer que é você, vai? Comecei a estudar com ele aos cinco anos e, aos dezoito, já fazia avaliações de forma independente. Foi depois de ganhar o reconhecimento dos colegas da área que começaram a me chamar de jovem especialista. Você esqueceu que fui eu quem contou tudo isso para você? Mentir assim na minha frente só prova que tenho pegado leve demais com você até agora.

Helena arregalou os olhos.

Se ela própria não fosse a verdadeira "jovem especialista", talvez até tivesse acreditado naquela história inventada por Maria.

A raiva se acumulou em seu peito.

Por instinto, Helena olhou para André e, assim que os olhos dos dois se encontraram, entendeu tudo.

Naquela época, ela só tinha contado essas coisas a André.

O que nunca imaginou era que ele pudesse ser tão descarado a ponto de entregar até mesmo a história dela com Valdemar para Maria.

— Helena, já acabou com esse seu teatro?

André falou com uma expressão indiferente.

Com uma única frase, colocou Helena definitivamente no papel de mentirosa diante de todos.

Em seguida, apertou a mão de Rodrigo com toda a educação.

— Desculpe pelo transtorno.

Os olhares ao redor mudaram imediatamente.

Comentários sarcásticos começaram a surgir de todos os lados, todos direcionados a Helena.

E o homem que um dia tinha prometido tratar ela bem pelo resto da vida agora estava no centro da multidão, com o braço em volta da cintura de outra mulher, assistindo enquanto ela era humilhada e insultada.

André não se importava nem um pouco com a humilhação que ela estava sofrendo.

Afinal, tinha sido ele quem provocara tudo aquilo.

Helena fechou os punhos sem perceber, conteve a raiva e falou com calma:

— Como todos sabem, muitos anos atrás Valdemar encontrou por acaso duas peças de ouro extremamente raras e valiosas. Mais tarde, deu uma para cada um de seus dois alunos. Bruno é um pesquisador renomado do Museu Nacional, então todo mundo conhece ele. Já a outra aluna de Valdemar sempre levou uma vida muito discreta e, ao longo dos anos, não faltaram pessoas tentando se passar por ela.

Helena percebeu claramente que Rodrigo passou a observar ela com mais atenção.

O canto de seus lábios se curvou discretamente.

Pouquíssimas pessoas sabiam daquela história.

Na época, Valdemar inclusive tinha convidado Rodrigo para apreciar as duas peças com ele.

Helena então olhou para Maria com um sorriso carregado de significado.

— Já que você diz que é aluna de Valdemar, deve ter alguma coisa que prove sua identidade, não é? Trabalho como sua assistente há tanto tempo e nunca vi nada.

Rodrigo alternou o olhar entre as duas e ficou pensativo por alguns instantes.

— Isso realmente aconteceu. Aquelas duas peças estão entre as mais raras que já tive a oportunidade de ver na vida. Será que hoje teremos a sorte de apreciar uma delas?

Um lampejo de pânico passou pelos olhos de Maria.

Por instinto, ela olhou para André, que nunca tinha mencionado nenhuma peça daquele tipo.

Mas Maria recuperou a compostura rapidamente.

— Foi Valdemar quem me deu. Sempre guardei a peça com muito cuidado e, por medo de danificar ou arranhar, não costumo carregar comigo. Em outra oportunidade, com certeza vou trazer para todos verem.

O sorriso de Rodrigo perdeu um pouco do entusiasmo.

— Entendo.

De repente, Helena riu.

— Ah, eu me confundi. Valdemar não deu dois pingentes de ouro. Eram duas medalhas comemorativas de ouro. Não é mesmo, Sr. Rodrigo?

A expressão de Maria mudou.

Só então percebeu que Helena tinha armado aquilo de propósito para testar ela.

Imediatamente, olhou para Rodrigo, tentando avaliar sua reação.

Rodrigo continuou sorrindo como antes e dirigiu um olhar a André.

— Estou ficando velho, minha memória já não é mais a mesma. Também não consigo lembrar se eram pingentes ou medalhas. Mas Maria deve saber disso melhor do que ninguém, não é?

Ao ouvir aquilo, a expressão de Maria mudou várias vezes antes que ela conseguisse forçar um sorriso.

Todos os presentes eram experientes o bastante para perceber o que estava acontecendo.

Em um instante, todos os olhares se voltaram para ela.

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Comments (1)
goodnovel comment avatar
Márcia Silva Barbosa
difícil muita sujeição
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