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Capítulo 5

ผู้เขียน: Madalena
Helena sentiu um arrepio subir pela nuca.

Vanessa se aproximou, segurou seu braço e arrastou ela até André.

— Pois é. Você passou a noite inteira fora. Nós ficamos morrendo de preocupação.

Fernando repreendeu:

— Dá para parar de ser tão teimosa? Você está cada vez mais impossível. Todo mundo ficou preocupado por sua causa. Você não sente nem um pouco de culpa?

Vanessa puxou o braço dele, tentando acalmar a situação.

Mas Fernando ficou ainda mais irritado.

— Também, ela não foi criada com a gente. Foram os pais adotivos dela que deixaram ela com esse temperamento difícil...

Helena chutou com força a mala que já estava aberta.

— Não fala deles!

Fernando se calou na mesma hora.

Foi então que André falou em tom gentil:

— Não tem problema Helena ter um temperamento mais forte. Eu gosto de mimar ela. Talvez ontem à noite só tenha saído com alguns amigos. Fui eu que fiquei preocupado demais e acabei deixando vocês preocupados também.

Helena riu por dentro.

André era especialista em fingir.

Na frente dos outros, sempre se mostrava como um perfeito cavalheiro, educado e atencioso.

E Helena acabava parecendo uma louca emocionalmente instável.

Quando, na verdade, quem tinha o temperamento mais imprevisível era ele.

Vanessa ficou radiante com as palavras de André.

Quando ele disse que levaria Helena de volta, ela e Fernando ainda insistiram várias vezes para que Helena fosse mais sensata e parasse de criar problemas.

Helena não ouviu uma única palavra.

Ela não tinha crescido na Mansão dos Sampaio.

Antes de Fernando reconhecer ela como filha, Helena tinha uma família feliz.

Seus pais adotivos se amavam, e ela se dava muito bem com a família.

Se Fernando não tivesse insistido tanto em reconhecer Helena naquela época, chorando diante das câmeras e fazendo um grande espetáculo de amor paterno, a ponto de colocar sua família adotiva sob enorme pressão pública, ela jamais teria voltado para aquele lugar onde todos só pensavam em tirar alguma coisa dela.

Vanessa e Fernando também sabiam que Helena não vivia bem na Mansão dos Lima.

Mas, diante de todo o dinheiro que André proporcionava a eles, já tinham aprendido havia muito tempo a fingir que não viam nada.

Mesmo que André já tivesse perdido completamente o interesse por Helena.

Mesmo que os dois já estivessem divorciados.

Enquanto Helena ainda tivesse algum valor para eles, Vanessa e Fernando continuariam se fazendo de cegos, fingindo que ela levava uma vida maravilhosa na Mansão dos Lima.

André puxou Helena para dentro do carro.

Assim que a porta se fechou, segurou o rosto dela com força.

Seu olhar sombrio percorreu o pescoço de Helena, como se procurasse novas marcas.

— Onde você passou a noite ontem?

Helena afastou a mão dele e esfregou o rosto com força.

— Na casa de um amigo.

— Que amigo?

— Não é da sua conta.

A voz de André ficou carregada de ameaça.

— Eu estou muito irritado agora.

— E o que eu tenho a ver com isso?

André estreitou os olhos para Helena, que parecia ter criado coragem de repente.

André se lembrou do momento em que voltou para casa tarde da noite e descobriu que ela tinha ido embora.

Até agora, a raiva que sentiu naquela hora continuava presa em seu peito.

Ele respirou fundo, pegou a mão dela e começou a brincar com seus dedos.

— Me diz quem é aquele homem e promete que, daqui para frente, vai me obedecer. Posso esquecer tudo o que aconteceu.

Helena virou o rosto e encarou ele.

De repente, abriu um sorriso.

Era um sorriso tão bonito e radiante que André sentiu o coração perder o ritmo de um jeito que não acontecia havia muito tempo.

Então Helena falou, com a voz fria:

— Que tal você morrer? Se morrer, eu também esqueço tudo o que você fez.

André soltou a mão dela de repente.

O braço de Helena bateu com força na porta do carro, ficando dolorido e dormente.

Ela massageou o local. O braço já começava a ficar avermelhado.

André ergueu a mão, como se fosse dar um tapa nela.

Mas, por algum motivo, desistiu.

Pegou um vestido de festa no banco de trás e jogou sobre Helena.

— Hoje Maria vai participar de um evento de avaliação de antiguidades. Vou providenciar para você ir como assistente dela. Esse evento é muito importante. Vários especialistas experientes do setor estarão presentes. Não estraga nada para mim. Caso contrário, você sabe quais serão as consequências.

Helena e Maria eram avaliadoras de antiguidades.

Helena tinha crescido cercada pelo conhecimento transmitido dentro da família, enquanto Maria havia recebido formação profissional na área.

Infelizmente, Maria não tinha talento algum para aquilo.

A fama que conquistara nos últimos dois anos só existia porque Helena fazia as avaliações por ela em segredo.

Helena deixou o vestido bater contra seu corpo e cair no banco.

Um sorriso de deboche surgiu em seus lábios.

— Que consequências? Você não vai doar a medula para Lara? Ou vai cancelar a cirurgia dela daqui a um mês?

André sentiu que Helena tinha mudado.

Mas, naquele momento, não conseguia dizer exatamente em quê.

Continuava tão teimosa quanto antes, tão irritantemente incapaz de obedecer.

Nunca aprendia a baixar a cabeça nem a abandonar aquele orgulho que carregava nos ossos.

Ele soltou uma risada fria.

— Ainda bem que sabe.

Helena ficou em silêncio por alguns instantes.

Depois se inclinou, pegou o vestido e passou os dedos pelos pequenos cristais costurados no tecido.

Com os olhos baixos, parecia finalmente ter sido domada.

— Eu posso ajudar Maria. Mas, depois dessa vez, você devolve meus documentos. Quero levar Lara para passear um pouco.

André relaxou a expressão, satisfeito, e respondeu como se estivesse fazendo um grande favor:

— Tudo bem.

Lara estava doente.

Até onde Helena conseguiria ir levando uma criança naquele estado?

Também não precisava pressionar Helena demais.

Dar um pouco de liberdade de vez em quando não significava que ela conseguiria fugir.

Afinal, o tratamento de Lara ainda dependia dele.

André ficou satisfeito. Helena também.

Ela sempre gostava de levar até o fim aquilo que começava.

Maria tinha roubado dela tantas conquistas, tanta fama e tantos elogios.

Então, naquele dia, Helena daria a ela uma última chance de aproveitar tudo aquilo.

Quanto mais alto Maria subisse, mais dolorosa seria a queda.

......

Às oito da noite, Helena chegou com André ao clube privado onde seria realizado o evento de avaliação de antiguidades.

Assim que entraram no salão de exposições, André levou Helena até um canto e avisou, em tom indiferente:

— Vou buscar Maria. Fica aqui e se comporta. Não esquece qual é o seu papel hoje e não faz nada além do necessário. Se fizer tudo direito, amanhã eu arrumo um tempo para visitar Lara.

Desde que Lara adoeceu, sentia muita falta de André.

Toda vez que Helena ia ao hospital, Lara perguntava quando ele apareceria para ver ela.

Por causa disso, Helena já tinha cedido inúmeras vezes diante de André.

Tudo para que Lara pudesse fazer o tratamento em paz e acreditar que ainda tinha uma família feliz, mesmo que aquela felicidade não passasse de uma mentira.

Mas, por mais bonito que André falasse, nunca cumpria o que prometia.

Ou estava ocupado demais com a empresa, ou não tinha tempo porque estava acompanhando Maria.

Helena e Lara se decepcionavam uma vez após outra, mas ainda assim continuavam acreditando nele.

Agora Lara estava morta.

E Helena, enfim, tinha ganhado uma nova chance de viver.

Ela engoliu toda a revolta e respondeu de rosto fechado:

— Fica tranquilo. Eu não vou decepcionar você.

Como Helena raramente era tão obediente, André ficou satisfeito na mesma hora e, por instinto, passou a mão pelo rosto dela.

— Assim que eu gosto.

Depois que ele foi embora, Helena esfregou o rosto com força algumas vezes.

Ninguém ali prestava atenção nela, mas Helena também não se importava.

Começou a caminhar sozinha pelo salão, observando as peças expostas.

Já tinha ouvido falar daquele evento de avaliação havia algum tempo.

A exposição era idealizada e organizada por Rodrigo, presidente da Associação de Antiquários Aurora do Norte e também da Associação de Colecionadores.

Apesar de Maria ter ganhado bastante destaque nos últimos dois anos, ainda tinha pouca experiência e, em condições normais, nem teria qualificação para participar de um evento daquele nível.

Mas ela tinha André para abrir portas.

Maria queria entrar para o círculo mais influente do setor, e conquistar o reconhecimento de Rodrigo era uma etapa essencial.

Helena percorreu todo o salão e guardou mentalmente as informações sobre cada peça exposta.

Ao passar por um dos estandes, viu várias pessoas reunidas em torno de uma aquarela de paisagem, discutindo a obra.

Hesitou por um instante e se aproximou.

O dono da peça estava ali ao lado, apresentando a pintura com evidente entusiasmo:

— Eu mandei avaliar. Essa obra vale cinquenta mil dólares. Paguei só dez mil nela. Foi um ótimo negócio.

Helena murmurou, quase para si mesma:

— Nem percebeu uma falsificação tão óbvia... Pagou uma fortuna e ainda foi enganado.

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