FAZER LOGINSílvia soltou um suspiro.Mauro logo apressou ela para dormir.Sílvia viu aquele jeito dele, como se não estivesse tão preocupado, e deu um tapa no ombro dele para descarregar. Só depois disso ela se deitou, ainda contrariada, e tentou dormir....Eliezer estava mal de verdade. Ele não foi direto procurar Inês. Foi sozinho para um bar, beber calado.Enquanto bebia, ele ficou lembrando daquela Lorena macia, frágil, carente de afeto. Se Lorena não tivesse virado a mulher que era hoje, ele ainda ia cuidar dela, proteger ela, tratar ela bem.Lorena tinha sido o primeiro amor de Eliezer. Os dois tinham vivido coisa demais juntos. Ele ainda conseguia achar fotos antigas dos dois, da época de escola, com aquela cara de adolescente.Naquela época, era tudo leve. A cabeça não tinha preocupação nenhuma. Era só aquela felicidade simples.Só que, assim que terminou o ensino médio, Lorena mudou.Naquele tempo, Eliezer tinha planejado uma viagem de formatura tranquila e romântica. Dois meses viajand
Sílvia era mulher e tinha mais sensibilidade para essas coisas. Desde o começo ela já sentia que tinha algo fora do lugar. Agora, aquela sensação sem nome cresceu de repente. Tantos anos separados, mais longe do que perto, será que o sentimento não ia mesmo ter problema?Ela encarou Mauro:— Você vai ou não vai conversar com o seu filho? Eu falo e ele não me escuta. Se você falar, ele talvez escute. Vai lá perguntar o que aconteceu. Com a Lorena eu não tenho muito como perguntar.Sílvia suspirou, abatida:— Olha o que o seu filho fez. Nem morando junto fazia alguns dias e ele já teve coragem de fazer cena, largar a menina e sair. Que absurdo. Ainda bem que é a Lorena, que já é de casa. Se fosse outra pessoa, chegando numa casa estranha, brigando em poucos dias, e o homem vai embora e deixa ela aqui sozinha, o que a família dela ia pensar? Se fosse eu, eu tinha ido embora no mesmo dia. O casamento acabava.Quanto mais ela falava, mais nervosa ficava. Lorena, ali, era como alguém da famí
Depois de entender melhor, Lorena descobriu que quase tudo o que era mais difícil estava nas mãos de Mauro. Eliezer só precisava receber a ordem e fazer. Era ele que não aguentava a pressão.Naquela noite, Eliezer chegou em casa já eram onze. Arrastava o próprio cansaço. E, assim que entrou, viu Lorena de pijama, com uma máscara no rosto, cantarolando e mexendo no computador.A irritação subiu na hora.Ele passava o dia se matando de trabalhar. E Lorena só sabia aproveitar. Vendo ele daquele jeito, ela nem parecia se importar em perguntar.Parecia que o mundo inteiro estava vivendo bem, e só ele estava vivendo mal.A família Reis tinha boas condições. Mesmo assim, ele era o único filho homem, e vivia mais apertado do que gente que ganhava poucos mil por mês.Eliezer apertou os dentes, entrou e bateu a porta com força. O clima ficou pesado.Lorena virou o rosto para ele:— Hoje também foi corrido?— Ver eu me matando assim te deixa bem satisfeita, não deixa? — Eliezer jogou o paletó no
O jeito de Leandro falar era tão natural que parecia que os dois já estavam juntos fazia tempo.Lorena tentou soltar o pulso, mas não conseguiu. No fim, teve que ir almoçar com ele.Leandro com certeza tinha se preparado. O restaurante chinês que ele escolheu era um lugar onde ela nunca tinha ido, e a comida era realmente boa.— Não precisa me mandar tantas mensagens no WhatsApp. Tem muita coisa que eu nem vi. — Lorena disse enquanto comia e conversava com ele.Leandro respondeu:— Você pode não ver. Isso não me impede de mandar.Lorena olhou de lado:— E se eu não te responder, você não fica incomodado?Leandro disse:— Se você enjoar e me bloquear, aí eu fico mal por um tempo.Lorena entrou na brincadeira:— Então eu te bloqueio agora?Leandro respondeu:— Sra. Lorena, pelo amor de Deus. Já que eu estou pagando o almoço, poupa minha vida.Enquanto falava, ele ainda pegou um pedaço de peixe sem espinha e colocou no prato dela.Lorena olhou para o peixe e comeu, dando moral.— Se eu re
Lorena sabia que Eliezer estava provocando ela.— Dormi muito bem.Por um instante, o rosto de Eliezer ficou duro. Como os pais estavam ali, ele não tinha como explodir. Só engoliu e comeu.Lorena terminou e já foi se preparar para ir trabalhar de carro. Eliezer veio junto, usando a desculpa de acompanhar. Quando Mauro e Sílvia não estavam mais vendo, ele parou de fingir.— Para de bancar a sonsa.— Bancar o quê? — Lorena respondeu. — Você está fazendo teatro o tempo todo. Se isso estourar para os seus pais, você já pensou no que vai dizer?— Você não tem coragem de me expor.— Não mesmo. Por isso eu estou esperando você mesmo contar tudo para eles.Quando isso acontecesse, Lorena não ia mais entrar no teatro dele. Tudo ia acabar ali.Nesse período, ela ia tratar como se estivesse conhecendo Eliezer de novo.E bastou um dia. Lorena já tinha visto um Eliezer completamente diferente. Ela não se colocou dentro da relação. Ela só estava observando, então não tinha como se machucar.Naquele
Lorena mandou:"??""O que um cachorro sabe?"Leandro respondeu:"Finalmente você resolveu me responder. Eu até achei que você e seu noivo estavam grudados e tinham esquecido do mundo.""Não subestime um cachorro. Ele é melhor do que muita gente. Quando sente sua falta, fica latindo para a sua casa sem parar, todo bobo."Em seguida, ele mandou a foto do Toranja."Olha. Hoje ele está sem ânimo, mas comeu um monte.""O que eu faço? Ele já virou um botijão de gás."Lorena teve vontade de perguntar se Leandro era hater do Toranja. Se o cachorro falasse, já teria xingado ele.Ela só respondeu com um figurinha e foi ver os vídeos anteriores. Eram todos gravados nos intervalos em que Leandro estava sem nada para fazer. Comida, treino, trabalho. Às vezes era paisagem, às vezes era a cara dele mesmo, como se estivesse dando satisfação.Depois de ver tudo, Lorena ficou sabendo exatamente o que Leandro tinha feito nas últimas horas.Ela não respondeu mais. Foi se lavar e dormir.O quarto estava d
O rosto de Igor foi ficando cada vez mais fechado. Franziu o cenho com força e olhou para o perfil de Dante: — Eu sei que você tá mal, mas da próxima vez não pode fazer isso. Não tô falando como colega, e sim como amigo.— Não precisa se preocupar comigo, eu tenho noção do que faço. — Respondeu Dan
Leandro, ao perceber que Luana já sabia sobre o desaparecimento das crianças, acabou abrindo o jogo:— O Dante disse que ia te contar assim que você voltasse da viagem. Já que você descobriu, não tem mais o que esconder.Depois começou a reclamar:— Luana, se eu soubesse antes, teria tentado te impe
Henrique nunca teve a menor capacidade de manter uma relação íntima, porque intimidade exige respeito, reconhecimento e companhia, qualidades que ele simplesmente não possuía.— Henrique, mesmo que não fosse eu, seria outra pessoa. Não precisa ficar tão decepcionado nem surpreso. Se você gosta da Lu
Luana viveu vinte e cinco anos inteiros, mas nunca tinha ficado tão furiosa e descontrolada como agora. Era o pior momento de todos, todas as emoções reprimidas por tanto tempo explodiram de uma vez.Depois de gritar, ela jogou o celular com força no chão.Quebrar coisas não era um bom hábito, ainda







