LOGINEles foram até um canto vazio.Lorena queria fazer Eliezer falar, então não foi para cima. Ela só ficou ali, esperando ele se explicar por conta própria.Ali fora, Eliezer ainda queria manter a imagem. Diferente de casa, ele não explodiu nem começou a discutir com Lorena. Ele respirou fundo algumas vezes, forçou o próprio humor a voltar para o lugar e falou, com maldade:— Eu fiz de propósito.Lorena já tinha se chocado com a baixeza dele uma vez. Agora ela nem reagiu.— Por que você fez isso?Eliezer abriu um sorriso nojento, como se tivesse ganhado.— Você pediu explicação na frente de todo mundo porque ficou com raiva, não foi? Se não tivesse ficado com raiva, você não chegava daquele jeito.— Você queria me ver irritada?Ele continuou, sem esconder o deboche.— Queria. Quero que você guarde essa sensação. Porque é isso que eu venho engolindo esses dias. Agora você entendeu, não entendeu?Lorena teve vontade de dizer que não tinha doído. O que tinha batido era nojo. Ela só não acred
Lorena falou sorrindo, mas, no instante em que abriu a boca, todo mundo sentiu uma presença forte, quase por cima de todo mundo ali.Postura, jeito de falar, expressão, tudo isso entrega a segurança de alguém. E o que Lorena mostrava era simples. Ela não era fácil de mexer. Quem tinha falado dela antes ficou com a cara travada.Antes, ainda tinham coragem de cochichar, porque não conheciam, porque tinha muita gente, porque parecia fácil. Agora, olhando de perto, ficou claro que Lorena não era simples. Ninguém se atreveu a continuar. Em vez disso, começaram a ficar curiosos sobre o que Eliezer tinha feito para virar aquela situação.Lorena apareceu, falou uma frase, e o clima virou na hora.Mesmo estando no próprio ambiente, Eliezer ficou por baixo.A presença dele foi engolida pela dela. Parecia que nem estavam no mesmo nível.Lorena era da mesma idade deles, mas tinha um peso que segurava a sala inteira. Só isso já mostrava a diferença. Mesmo quem não conhecia Lorena percebeu que ela
Como a sala reservada era grande, perto da porta tinha um ponto cego. A tosse daquela colega era para avisar Eliezer.Teve gente que não conhecia Lorena e perguntou baixinho o que estava acontecendo.Aí começaram os cochichos.— Ela é a noiva do Eliezer. Eles estão juntos faz tempo.— Mas hoje o Eliezer trouxe a Inês. Ela aparecer do nada não é para ir bater de frente com a Inês? Precisa disso? Deixa todo mundo constrangido. E ela não acha vergonha? Se fosse eu, eu não viria.— Olha a cara dela. Nem fechou a cara. Ela está calma demais. A cabeça dela é forte demais. Se fosse eu, queria sumir.— Para de falar besteira. Se fosse para marcar território, ela chegava com sangue nos olhos. Deve ter alguma coisa por trás.— Espera. Afinal, o Eliezer está com quem?Lorena ouviu algumas dessas falas.Eliezer tinha colocado ela e Inês no fogo, e ele mesmo ficou sumido. Aquilo deu nojo. Aquele jeito baixo, sujo, sem respeito, parecia coisa de homem podre.Lorena já sabia que ele não tinha melhora
Lorena não estava tão atolada de trabalho nos últimos dias. Um encontro de colegas dava para ir.— Tá bom, eu consigo.Eliezer, por algum motivo, não aguentava mais nada nela. Qualquer palavra que Lorena dissesse já irritava.O que era esse "consigo"? Mesmo que não conseguisse, ela tinha que dar um jeito e ir com ele.De mau humor, ele fechou a cara e saiu.Lorena ergueu a sobrancelha.Por que ele vivia fechando a cara para ela? O que passava pela cabeça dele?Sílvia viu Eliezer acompanhando Lorena até o carro e puxou o braço do marido.— Você acha que o seu filho consegue acalmar a Lorena?Mauro não demonstrou interesse e não respondeu.— Fala alguma coisa.Mauro estava decepcionado com Eliezer, mas não jogava isso em cima da esposa.— A gente não tinha combinado de não se meter? Se eles vão dar conta ou não, é com os dois.— Nem curiosidade pode? — Sílvia reclamou.Mauro só ficou sem jeito.Eles tinham acabado de falar disso quando Eliezer voltou. A cara dele ainda estava do mesmo je
Lorena sorriu para a câmera....No dia seguinte, Lorena desceu para comer. Mauro e Sílvia não tocaram no assunto da noite anterior. A expressão e a reação dos dois estavam normais, não dava para perceber nada de diferente.Lorena fingiu que não sabia de nada e continuou aproveitando aquele dia a dia acolhedor com eles.Na mesa, só os três, como se fossem uma família de três.Só que, naquele dia, Lorena sentiu um aperto.Talvez por ter conversado com Leandro na noite anterior, a cabeça dela estivesse mais clara. Ela sabia que aquilo não ia durar. Em algum momento, sempre vinha a perda.Lorena comeu em silêncio.Sílvia olhou para ela, achou que ela estava magoada, mas não teve coragem de perguntar diretamente. Então falou por outro caminho.— Ontem você não dormiu bem? Você está meio sem energia. Daqui a pouco eu faço um caldo para repor as forças e mando para a sua empresa.— Talvez seja porque eu acabei de acordar, a cabeça ainda está meio pesada. — Lorena não recusou o carinho. — Faz
Lorena também não sabia por que estava contando aquilo para ele. Do jeito que Leandro reagiu, ela ficou sem saída. Agora, se não falasse, parecia que não dava.Só que, de repente, ela achou que não tinha nada para esconder. Voltar para a casa da família Reis era encarar a si mesma.Lorena só precisava estar em paz com ela mesma, então falou.— Eu conheço o Eliezer há tempo demais. O sentimento foi profundo. Eu também não odeio ele. Não é vingança.Leandro chegou perto do microfone e falou baixinho:— Sentimento profundo... Isso me dá um aperto. Eu estou com ciúme.Ciúme, e sem vergonha nenhuma.Ele falou e depois encostou o celular na orelha. Na tela não dava para ver o rosto dele, e Lorena nem tinha como bater de frente com ele.— Continua. — Leandro disse.— Quem liga se você está com ciúme ou não.— Isso, não precisa ligar para mim. — A voz dele veio azeda.Lorena continuou.— Eu também me dou muito bem com os pais dele. Eles sempre me trataram como filha. Eu vim morar aqui e, para
Os pais de Henrique não vieram hoje.Com Dante ali, era certo que haveria confusão, então evitaram, o que até foi bom.O lugar ao lado de Dante ficou reservado para o velho Sr. Ribeiro.Luana olhou para Júlia, que a encarava com ódio.Deu vontade de rir. Ter que jantar com quem você teme… talvez ess
Por isso, Vítor estava determinado a conseguir o que queria.Lucas, por trabalhar com capital de risco, não entrou em detalhes.Mas de repente se lembrou de uma coisa que, embora não tivesse ligação direta, era curiosa, certa vez perguntou a Luana sobre sua formação, e ela disse que era formada em C
Não adiantava explicar nada. Simplesmente não valia a pena.Toda aquela emoção de antes era só pelo trauma do aborto.Quando se acalmou, Luana olhou para Júlia com indiferença:— Você que sabe.Virou as costas e foi embora, deixando só um silêncio gelado atrás de si.Júlia ficou surpresa com essa po
O coração de Luana esfriou por completo. Ela soltou a mão da tia e recuou um passo.Cíntia olhou para a postura defensiva da sobrinha e suspirou:— Luana, tem coisas que eu evito dizer para não te machucar, mas a verdade é que o Henrique já conhecia a Bianca há muito tempo. Eles sim formam um casal.







