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CAPÍTULO 6

Penulis: Rosa Carmesim
Antes de partir, Afonso visitou o Palácio do Exílio.

Cecília tomava sol no pátio. Ao vê-lo chegar, se levantou e fez uma reverência.

— Passarei alguns dias nas Colinas do Oeste. Você... se cuide e se recupere.

Ele olhou para o rosto ainda inchado dela. Pareceu querer dizer mais alguma coisa, mas engoliu as palavras.

— Eu me despeço de Vossa Majestade.

Afonso permaneceu ali por alguns instantes. Depois, retirou um pequeno frasco de porcelana da manga.

— É uma pomada para o inchaço. Passe no rosto.

Cecília recebeu o frasco sem olhar para ele.

— Obrigada, Majestade.

Ele foi embora.

Cecília segurou o frasco até que o som da comitiva desaparecesse completamente. Só então abriu os dedos.

A porcelana caiu no chão e se despedaçou. A pomada se espalhou entre os cacos.

— Senhora! — Exclamou Dália.

— Varra tudo.

Cecília se virou e voltou para dentro.

Três dias depois, rumores começaram a circular pelo palácio.

Diziam que, antes de entrar no harém, a Consorte Cecília já amava um jovem elegante, e que os dois haviam trocado poemas como promessa de amor.

Se o decreto imperial não tivesse chegado de repente, teriam vivido uma bela história juntos.

Outros afirmavam ter visto Cecília chorar diante do retrato de um rapaz bonito que não era o imperador.

Os rumores se espalharam pelo harém como fogo sobre mato seco, ocupando todo o palácio em uma única noite.

Naquela mesma tarde, Isadora ordenou que Cecília fosse levada do Palácio do Exílio ao Palácio da Imperatriz, sob o pretexto de restaurar a ordem no harém e esclarecer as acusações.

— Manter uma relação ilícita e desonrar o palácio... Cecília, quanta coragem você tem.

Isadora não elevou o tom, mas cada palavra parecia envenenada.

— Sua Majestade deixou o palácio há apenas um dia, e esses rumores imundos já estão por toda parte. Você não consegue suportar a solidão ou toda a família Vasconcelos é desprovida de decência?

Cecília se ajoelhou no chão gelado, mantendo as costas retas.

— Esses rumores não têm fundamento. Peço que Vossa Majestade julgue com justiça.

— Não têm fundamento?

Isadora se inclinou. A ponta de seu dedo quase tocou o nariz de Cecília.

— Nenhum rumor surge do nada! Toda aquela postura pura e superior que você exibia era apenas uma encenação para o imperador? Por dentro, guardava algum amante? Quando Sua Majestade voltar, vou relatar tudo e mandar investigar todas as mulheres da família Vasconcelos...

— Sua Majestade não fará nada contra mim.

Cecília ergueu os olhos de repente e a interrompeu. Falava baixo, mas sua certeza era clara.

Isadora ficou imóvel por um instante. Em seguida, sorriu de tanta raiva.

— O que disse?

— Sua Majestade… — Cecília sustentou seu olhar chocado e furioso. — Não é completamente indiferente a mim.

O ar do salão pareceu congelar.

Isadora se levantou de repente, como se tivesse ouvido a coisa mais absurda do mundo. Avançou até Cecília, com a voz afiada pelo ciúme.

— Pare de fingir, Cecília! Afonso e eu nos casamos jovens e enfrentamos a morte lado a lado! Ele me prometeu amar uma única mulher por toda a vida! Aceitou você como consorte apenas para conseguir herdeiros e apaziguar sua família. Para ele, você não é diferente de uma peça de decoração ou de um ventre. Como poderia sentir alguma coisa por você?

Cada palavra atingia um ponto doloroso. Era a explosão de três anos de ciúme acumulado.

Cecília ouviu tudo em silêncio. Só falou quando a última nota aguda da voz de Isadora desapareceu pelo salão.

Sua voz continuava estranhamente estável.

— O amor entre Vossa Majestade e o imperador é profundo. Eu jamais ousaria me comparar. No entanto, recentemente li nas crônicas sobre um imperador da dinastia anterior e sua primeira esposa. Eles também enfrentaram tempos difíceis juntos e eram conhecidos por seu amor e lealdade. Depois de subir ao trono, porém, ele começou a favorecer outra mulher e se afastou da imperatriz. No fim, acreditou em acusações falsas e tentou matar a esposa e o próprio filho. Se o príncipe mais velho não comandasse um exército e não tivesse voltado à capital a tempo, a imperatriz teria morrido injustiçada.

O rosto de Isadora perdeu a cor.

O olhar de Cecília passou por sua expressão pálida. Ela continuou com o mesmo tom sem emoção.

— Os registros históricos não mentem. Imperadores e imperatrizes se afastam. Maridos e esposas se voltam um contra o outro. Isso não é uma fantasia. Às vezes, nem o amor mais profundo resiste ao desgaste dos anos, ao sorriso de uma nova mulher e muito menos aos laços de sangue.

Ela fez uma pausa. Seu olhar passou casualmente pelo ventre de Isadora antes de tornar a baixar.

— Além disso, todos os filhos de Sua Majestade nasceram de mim. Seria natural que o imperador pensasse neles e perguntasse de vez em quando como estou no Palácio do Exílio.

— Se cale!

A última frase foi como uma agulha envenenada cravada no medo mais profundo de Isadora.

As crianças. Sempre as crianças.

Aquela mulher usava os dois filhos para roubar pouco a pouco a atenção de Afonso.

O exemplo dos antigos registros a deixou ainda mais aterrorizada, como se Isadora tivesse acabado de enxergar diante de si um futuro horrível.

O medo engoliu sua razão e se transformou em uma fúria descontrolada.

— Sua miserável! Você se atreve a me amaldiçoar, a zombar de mim por não ter filhos e ainda tenta separar o imperador de sua esposa!

O peito de Isadora subia e descia de forma violenta. Ela apontou para Cecília e gritou para as criadas mais velhas:

— Arrastem essa mulher para o pátio! Será punida por desonrar o palácio e amaldiçoar a imperatriz. Deem vinte golpes de bastão nela! Não, trinta! Batam com força! Quero que todos no palácio vejam o que acontece com uma mulher perversa que tenta seduzir o imperador!

Cecília foi arrastada brutalmente até o pátio diante do Palácio da Imperatriz.

Eles a forçaram contra o chão. Os bastões pesados caíram sobre seu corpo, produzindo golpes abafados.

Ela cerrou os dentes e não implorou uma única vez. Apenas escondeu o rosto entre os braços e suportou uma dor que se tornava pior a cada golpe.

Suor frio escorria por sua testa, e manchas de sangue logo se espalharam pelas roupas em suas costas.

Os criados que passavam observavam de longe, apavorados, antes de baixar a cabeça e se afastar depressa.

Depois dos trinta golpes, Cecília mal respirava e quase não conseguia se mover.

Isadora a observou do alto da escadaria com frieza.

— Levem essa mulher de volta ao Palácio do Exílio e a mantenham sob vigilância. Sem uma ordem escrita minha, ninguém poderá entrar nem sair! Quando Sua Majestade voltar, decidiremos sua punição final!

Dois eunucos a ergueram e a arrastaram para fora do Palácio da Imperatriz.

Seu sangue deixou marcas escuras e interrompidas pelo caminho de pedra.

De volta aos aposentos laterais e gelados do Palácio do Exílio, Dália chorou enquanto limpava seus ferimentos e passava remédio.

— Senhora, por que provocou a imperatriz...?

Cecília estava deitada de bruços sobre a cama dura. Sua voz saía entrecortada pela dor, mas cada palavra era perfeitamente clara.

— Se eu não a provocasse, como ela ficaria tão ansiosa para me fazer desaparecer?

As mãos de Dália tremeram.

— O mundo é vasto, e todos podem encontrar um caminho para a liberdade...?

Cecília curvou os lábios. Era um sorriso desolado, mas completamente lúcido.

— Isso é apenas uma mentira tola que contamos a nós mesmas. O dano já foi causado, e as cicatrizes nunca desaparecem. Falar em começar de novo não passa da fuga de um covarde.

Ela fechou os olhos e recuperou o fôlego. Quando os abriu outra vez, só restava uma escuridão gelada em seu olhar.

— Este palácio me ensinou uma coisa, se eu retribuir a crueldade com bondade, o que restará para quem me tratou bem? Só existe uma resposta... pagar sangue com sangue e dor com dor.

Naquela noite, o Palácio do Exílio estava silencioso como um túmulo.

Horas depois, um incêndio começou ali.

O fogo surgiu na ala lateral. Alimentado pelo vento, logo alcançou o salão principal.

Dentro das muralhas, gritos e chamados por água se misturaram em completo caos.

Ninguém percebeu que as chamas repentinas não apenas consumiram os aposentos abandonados. Elas também levaram para longe a Consorte Cecília, que deveria ter morrido naquele incêndio.

No acampamento militar das Colinas do Oeste, Afonso estava sentado em sua tenda, passando os dedos por um par de pulseiras de jade branco.

Tinham sido oferecidas no dia anterior pelos oficiais da região. A pedra era lisa e delicada, e o trabalho do artesão, refinado.

Assim que as viu, pensou em Cecília. Os pulsos dela eram finos, e sua pele, clara. As pulseiras ficariam bonitas nela.

Afonso percebeu que nunca lhe tinha dado uma joia de verdade.

O comandante adjunto entrou às pressas, se ajoelhou e informou:

— Majestade, chegou uma mensagem urgente do palácio. Houve um incêndio no Palácio do Exílio. A Consorte Cecília... morreu.

As pulseiras caíram das mãos de Afonso e se partiram em pedaços no chão.

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