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Sob a Lua, Só Restou a Mágoa

Sob a Lua, Só Restou a Mágoa

By:  Rosa CarmesimCompleted
Language: Portuguese
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— A imperatriz quer outro filho. Afonso Alencar disse enquanto desatava a camisola de Cecília Vasconcelos: — Já que você engravida com facilidade, tenha mais um. Nove meses depois, Cecília deu à luz uma menina. Assim que a parteira cortou o cordão umbilical, levou a bebê às pressas, sem sequer deixá-la tocar no embrulho. Era a segunda vez. Todos no palácio diziam que, se a imperatriz não tivesse perdido a capacidade de ter filhos por causa dos ferimentos sofridos ao acompanhar Sua Majestade em batalha, nenhuma outra mulher teria entrado no harém. Cecília, filha legítima do chanceler imperial, não passava de alguém que tinha surgido na hora certa, um ventre usado para garantir a continuidade da linhagem imperial.

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Chapter 1

CAPÍTULO 1

Três anos antes, quando tinha dado à luz o primeiro príncipe, ela também não tinha tido a chance de olhar para o filho. Afonso Alencar o tinha levado pessoalmente, deixando apenas uma frase:

— A partir de hoje, esta criança será reconhecida como filho legítimo da imperatriz. Não pense mais nisso.

Naquela época, Cecília ainda tinha forças para chorar e implorar. Tentou sair da cama e correr atrás deles, mas as criadas do palácio a seguraram com todas as forças.

Depois, ela aprendeu as regras.

Todos os dias, ia cumprimentar a imperatriz apenas para ouvir, atrás de um biombo, os sons indistintos do filho pequeno.

No início, o imperador permitia. Mais tarde, Isadora alegou que o príncipe precisava de repouso, e Cecília nunca mais teve permissão para vê-lo.

Agora, sua segunda filha também tinha sido levada.

Ela permaneceu imóvel na cama de parto suja, como uma carcaça vazia de onde toda a alma tivesse sido arrancada. Nem lágrimas lhe restavam.

Antes mesmo de terminar o resguardo, a governanta-chefe da imperatriz apareceu com a ordem de que ela comparecesse diante de Isadora Montenegro todas as manhãs e noites.

Cecília forçou o corpo ainda debilitado a chegar ao Palácio da Imperatriz.

Isadora brincava com a pequena princesa nos braços. Ao erguer os olhos e ver o rosto pálido de Cecília, curvou os lábios num sorriso.

— A Consorte Cecília chegou? Seu rosto está tão abatido... Por acaso está descontente comigo?

— Eu jamais ousaria.

— Ainda bem.

Isadora entregou a criança à ama de leite e ajeitou lentamente a manga.

— Já que entrou no palácio, precisa entender qual é o seu lugar. O imperador se casou com você por causa da influência do Chanceler Vasconcelos entre os ministros civis. Ele precisava que sua família ajudasse a estabilizar a corte. Quanto a você...

Ela fez uma pausa, e seu sorriso se aprofundou.

— Não passa de uma coisa feita para dar à luz. Sua única utilidade é gerar príncipes e princesas para mim.

Começou a nevar do lado de fora.

Isadora apagou o sorriso de repente.

— Quando entrou, você franziu a testa. Isso foi uma falta de respeito comigo. Vá se ajoelhar no pátio e esfrie a cabeça.

A neve foi formando uma camada sobre as pedras azuladas.

Cecília foi forçada a se ajoelhar no frio. Dali, viu Isadora segurar sua filha, que tinha acabado de completar um mês, e cantarolar baixinho. Seus movimentos eram tão naturais que ela parecia ser a verdadeira mãe da criança.

A dor aguda nos joelhos virou dormência, até que Cecília deixou de senti-los por completo.

Quando sua visão começou a escurecer, ouviu o anúncio estridente de um eunuco:

— Sua Majestade chegou!

A barra amarelo-dourada do manto passou por ela e seguiu direto para o interior do palácio.

— Por que ela está ajoelhada na neve? — Perguntou Afonso.

Isadora respondeu num tom manhoso:

— Eu só estava ensinando algumas regras, e ela já ficou com essa aparência doentia. Vossa Majestade me conhece. Cresci numa família de militares, sou direta e não tenho maldade nem sei fazer intrigas.

A última coisa que Cecília ouviu antes de desmaiar foi a resposta do imperador:

— Está bem. Levem Cecília de volta.

Quando despertou, já era fim de tarde.

Afonso estava sentado à beira da cama. Ao vê-la abrir os olhos, relaxou a expressão.

— Acordou? O médico imperial disse que você ainda está fraca por causa do parto e também passou frio. A imperatriz não fez por mal. Não leve isso a sério.

Cecília apenas o observou.

Aquele homem já tinha sido o herói que cavalgava pelos campos de batalha em seus sonhos de menina. Ela tinha escrito poemas para ele e tinha pintado seu retrato.

Agora, ele estava diante dela, vestido com o manto imperial e dizendo as palavras mais cruéis que ela já tinha ouvido.

— Eu entendo. — Sua voz não tinha qualquer oscilação. — A imperatriz é a esposa que acompanha Vossa Majestade desde o início. É meu dever respeitá-la. Jamais guardaria qualquer ressentimento.

Cada palavra saiu calma e obediente.

Afonso ficou surpreso.

A Cecília de que se lembrava não era assim.

Ela costumava implorar, com lágrimas nos olhos, para ver o filho. Quando ele recusava, mordia os lábios em silêncio, enquanto o brilho de seu olhar se apagava pouco a pouco. Agora, porém, não havia mais nada em seus olhos. Eram como água parada e sem vida.

— Quanto à criança... — Começou ele, procurando algo para dizer. — Ser criada como filha da imperatriz significa que terá uma posição legítima. No futuro...

— É uma bênção para a princesa.

Cecília completou a frase e chegou a curvar levemente os lábios. O sorriso era perfeito, mas frio.

— Sou de posição inferior. Permitir que a imperatriz crie a princesa é uma benevolência de Vossa Majestade e da imperatriz.

Benevolência.

A palavra ficou presa na garganta de Afonso.

A voz de um eunuco veio do lado de fora:

— Majestade, a imperatriz preparou pessoalmente um caldo revigorante. Disse que a neve deixou o tempo frio e pediu que Vossa Majestade fosse se aquecer. O pequeno príncipe também está esperando.

Afonso se levantou e olhou para a mulher na cama.

Cecília já tinha fechado os olhos, como se tivesse voltado a dormir.

Ele chegou à porta, mas se virou.

— Cecília, a imperatriz não pode ter filhos. Sempre vou me sentir em dívida com ela. Você é sensata. Tente ser mais compreensiva.

— Descanse e se recupere. — Uma irritação sem motivo aparente surgiu em sua voz. — Caso engravide de novo, poderá criar a criança ao seu lado.

Cecília não respondeu. Apenas fitou o dossel da cama enquanto os passos se afastavam.

Muito tempo depois, perguntou baixinho a Dália, que permanecia ao lado:

— Já faz três anos que Sua Majestade subiu ao trono, não é?

— Sim, senhora.

— O império está em paz?

— A fronteira norte está estável, e as enchentes no sul já foram controladas. Na corte, o chanceler lidera os ministros civis. Embora haja algumas divergências com a facção militar, a situação geral está estável.

Cecília sorriu devagar.

Era um sorriso tão desolado quanto a última folha seca do inverno.

— Que bom.

E então disse:

— Finalmente posso morrer.

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Cybelle Avanci
Cybelle Avanci
q historia boa! mto bem contada e sem aquele final meloso, so pra agradar o leitor!
2026-09-29 00:05:39
0
0
Simone Santos
Simone Santos
Livro muito bem narrado, gostei muito, mas queria um final diferente
2026-08-10 11:36:26
1
0
Kemilly Rianna
Kemilly Rianna
qual o nome da autora ?
2026-08-15 21:08:36
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