LOGINCapítulo 5
Megan Collins Depois daquele dia de merda, veio o convite das meninas para irmos a um barzinho. Eu nem lembrava mais quando tinha sido a última vez que saí para algum lugar assim. Mas quer saber? Eu vou. Talvez estivesse na hora de parar de viver apenas entre livros, casa e trabalho. Tomei um banho, fiz uma maquiagem leve e escolhi um vestido preto, uma meia-calça grossa e uma bota de cano alto, coloquei um sobretudo por cima estava ótimo assim. Quando terminei, fui para a sacada do meu quarto esperar o táxi. Foi então que um carro escuro parou em frente à livraria. Ficou ali. Parado. Aquilo era estranho para aquele horário. Observei por alguns segundos, mas logo desviei o olhar. Minha cabeça já estava perturbada demais para me preocupar com isso. Quando o táxi virou a esquina, desci rapidamente. Assim que abri a porta da livraria para sair, tive aquela sensação incômoda de estar sendo observada. Olhei para trás. Nada. Talvez fosse apenas impressão minha. Entrei no táxi e passei o endereço da Molli's. Nem acredito que finalmente estou saindo de casa. Vinte e cinco minutos depois, eu estava em frente ao bar. Respirei fundo antes de descer. Desde que meu pai morreu, perdi boa parte da vontade de viver. Não era exatamente tristeza o tempo inteiro. Era pior. Era como se alguma coisa dentro de mim tivesse simplesmente desligado. A sensação de estar sozinha no mundo me perseguia com uma força que eu não sabia explicar. Talvez por isso eu tivesse aceitado o convite. Talvez eu só precisasse lembrar como era estar entre pessoas. Entrei no bar e logo avistei as meninas no balcão. Elas estavam acompanhadas por três rapazes. — Você veio! Bella praticamente gritou. — Meu Deus, eu não acredito! Ela veio até mim e me puxou pelo braço, praticamente me carregando até a mesa. — Essa é a nossa amiga Megan. Apontou para os três. — Esse é Apolo, Dionísio e Zeus. Olhei para eles. Depois para Bella. Um sorriso escapou. — É sério? — Sim. Ela começou a rir. — Acho que nossa mãe era meio fã dos deuses gregos. — Nossa irmã é Atena — Dionísio completou. — Caramba... Olhei para os três novamente. — Gostei. Vou pensar nisso quando tiver filhos. Todos caíram na risada. Pela primeira vez em muito tempo, eu ri sem precisar fingir. Pegamos uma mesa. Começamos a beber. A conversa estava boa. Boa demais, talvez. Depois de alguns drinks, comecei a sentir meu corpo mais leve. Ri de coisas que provavelmente nem eram tão engraçadas. E, em algum momento, perdi completamente a conta de quantos drinks tinha tomado. — Bella, preciso ir ao banheiro. Ela estava ocupada demais com Dionísio para sequer perceber que eu tinha falado. Sorri. — Deixa. Levantei. — Quer que eu vá com você? Lia perguntou. — Não. Fica aí, eu já volto. Peguei minha bolsa. — Pede mais um Sexy on the Beach para mim. Caminhei até o banheiro, mas a fila estava enorme. Cruzei os braços e esperei. Foi quando percebi que Apolo estava olhando para mim. Desde que chegamos, ele não tirava os olhos de mim. Talvez eu pudesse... Não. Balancei a cabeça. Uma noite. Talvez eu pudesse simplesmente viver uma noite. Mas não. Eu não conseguia ser assim. Só tive um namorado na vida. Fiquei anos com ele e nem sequer consegui chegar até o fim. Era ridículo. Eu tinha vinte e cinco anos e ainda era virgem. Eu sabia disso. Sabia que para algumas pessoas parecia absurdo. Mas era simplesmente quem eu era. E eu nem sabia se queria mudar. Enquanto pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo, o rosto dele apareceu novamente na minha cabeça. Justin. O babaca do sorriso bonito. Fechei os olhos. Pronto. Lá estava ele outra vez. Seu sorriso surgiu na minha memória. Senti meu corpo esquentar. Talvez fosse a bebida. É. Só podia ser a bebida. — Anda, garota! É a sua vez. Estou apertada. A voz atrás de mim me fez abrir os olhos. Olhei para frente. Era a minha vez. Entrei rapidamente. Fiquei alguns minutos sentada, tentando colocar meus pensamentos em ordem. Minha cabeça estava a mil. Até que a garota começou a bater na porta. — Anda! Tem mais gente querendo usar o banheiro. Vai dormir em casa! Revirei os olhos. Que garota escrota. Saí de lá encarando ela e voltei para a mesa. Lia estava com Zeus. Bella e Dionísio continuavam praticamente grudados. Apolo estava sentado sozinho. E segurava o meu drink. — Acho que isso é seu. Ele estendeu o copo. — Obrigada. Peguei e tomei um gole. Ele se aproximou. Perto demais. Senti o cheiro da bebida misturado ao perfume dele. Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, senti seus lábios roçarem meu pescoço. Meu corpo inteiro ficou tenso. As mãos dele passaram pela minha coxa e subiram até minha cintura. Ele me beijou. No começo, fiquei imóvel. Depois tentei acompanhar. Não porque eu queria. Mas porque não sabia como fazer aquilo parar sem transformar tudo em uma cena. Quando o beijo terminou, olhei para o lado. Lia e Bella estavam me encarando, completamente surpresas. Apolo sorriu. — Nós vamos para o apartamento do Dionísio. Vocês também vão, né? Ele respondeu por mim. — Claro. Podemos esticar a noite por lá. — Não. Minha voz saiu mais baixa do que eu queria. — Eu trabalho cedo. Acho melhor ir para casa. Apolo me encarou. — Você não vai me deixar assim, vai, Megan? Pegou minha mão. No segundo seguinte, tentou colocá-la sobre seu membro. Retirei minha mão imediatamente. Meu coração disparou. — Eu vou embora. Levantei depressa. — Tenho que ir. Acabei tropeçando na mesa e quase caí. Saí dali sem olhar para trás. Chamei um táxi e fiquei esperando na calçada. Minhas amigas vieram atrás de mim. — Megan, você está bem? — Estou. — Tem certeza? Assenti. — Só quero ir para casa. Bella segurou meu braço. — Você precisa viver um pouco mais. — Eu sei. Sorri de leve. — Mas esse não é exatamente o meu jeito de viver. — Então tenta mudar. — Talvez outro dia. Elas voltaram para o bar depois de alguns minutos. Eu fiquei esperando o táxi. Foi quando Apolo apareceu. — Você vai mesmo embora? — Vou. — Então eu vou com você. — Não. Tentei me afastar. — Eu estou falando sério, Apolo. Me deixa ir. Ele segurou meu braço. — Calma. — Me solta. Tentei puxar meu braço. Ele era muito mais forte do que eu. — Apolo, eu não quero ir com você. Ele se aproximou novamente. — Para. Encostei-me contra a parede. — Me solta ou eu vou gritar. Ele tentou me beijar. Virei o rosto. Mas ele insistiu. Foi quando mordi sua boca com força. Apolo recuou xingando. E, no segundo seguinte, foi arrancado de perto de mim. Tudo aconteceu rápido demais. Vi apenas uma silhueta escura avançar sobre ele. Um soco. Depois outro. Apolo caiu. Eu me encolhi contra a parede, assustada. O homem se virou para mim. — Você está bem, Megan? Meu coração parou. Ele sabia meu nome. Levantei os olhos. E reconheci aquele rosto. Justin. Mas como? Ele estendeu a mão. — Vem. Vou te levar para casa. Eu ainda estava tentando entender o que estava acontecendo quando ele me pegou nos braços e me colocou dentro do carro. Eu tremia. Não sabia se era pelo que tinha acabado de acontecer, pela bebida ou pela presença dele. Talvez pelos três. Enquanto ele dava a partida, percebi vários flashes do lado de fora. Fotógrafos? Meu estômago embrulhou. Justin acelerou. Uma mão permaneceu no volante enquanto a outra segurava minha perna, como se estivesse tentando me manter firme no banco. Eu queria perguntar o que estava acontecendo. Mas minha cabeça estava pesada demais. As luzes da rua começaram a ficar borradas. Depois tudo escureceu. Quando abri os olhos, a primeira coisa que senti foi a dor de cabeça. A segunda foi o enjoo. A terceira foi o desespero. Corri para o banheiro. Mal consegui chegar ao vaso antes de começar a passar mal. Quando finalmente consegui respirar, puxei a descarga. Foi então que ouvi passos atrás de mim. Levantei o rosto. Justin estava parado na porta do banheiro. Pisquei algumas vezes. Então percebi que eu estava usando apenas uma camiseta. Meu rosto esquentou imediatamente. — O que aconteceu? Ele cruzou os braços. — Você desmaiou. — Eu desmaiei? — Bebeu demais. Ele apontou para minha bolsa. — Encontrei suas chaves lá dentro e trouxe você para casa. Olhei para ele. Depois para a minha roupa. Meu coração disparou. — Você... eu... nós... Ele sorriu de lado. — Claro que não. Fez uma pausa. — Pode ter certeza de que, se alguma coisa tivesse acontecido, você lembraria. Fiquei ainda mais vermelha. — Estou brincando. Ele suspirou. — Tirei sua roupa porque você estava passando mal e coloquei essa camiseta para você ficar mais confortável. Depois fiquei na sala. Seu olhar ficou sério. — Não achei certo deixar você sozinha depois do que aconteceu, e por sinal suas amigas que deviam ter te trazido, já que visivelmente você não está acostumada a beber. — Minhas amigas? Apertei os olhos. — Espera. Olhei para ele. — Como você sabe que eu estava com minhas amigas? Antes que ele pudesse responder, o celular dele começou a tocar insistentemente. Justin olhou para a tela. Sua expressão mudou imediatamente. — Merda. Atendeu. — Fala, Hudgens. Ficou em silêncio enquanto ouvia do outro lado. Seu rosto ficou cada vez mais sério. Então desligou e olhou para mim. — Pode ligar a televisão para mim? Ainda tentando entender alguma coisa, saí do banheiro e fui até a televisão da sala. Liguei. A tela acendeu. E meu sangue gelou. Fotos começaram a aparecer. Justin me colocando no carro. Justin brigando com Apolo. Eu sendo carregada nos braços dele. Os flashes que tinha visto na noite anterior. A imagem seguinte ocupou praticamente toda a tela. Uma manchete em letras enormes: “JUSTIN PARKER SE ENVOLVE EM BRIGA E É FOTOGRAFADO CARREGANDO MULHER MISTERIOSA NA SAÍDA DE BAR NO BROOKLYN.” Abaixo, outra chamada: “ASTRO DA MÚSICA ESTAVA ACOMPANHADO? IDENTIDADE DA MULHER INTRIGA FÃS E IMPRENSA.” Fiquei olhando para a televisão. Depois olhei lentamente para ele. — Astro? Justin fechou os olhos por um instante. — É. Meu coração começou a bater ainda mais rápido, o que está acontecendo aqui...Capítulo 7Justin ParkerSaí de lá cheio de problemas e mensagens no celular. Repórteres tentando marcar entrevistas, oferecendo dinheiro para ter, em primeira mão, a identidade da loira misteriosa.E, apesar de tudo estar desmoronando ao meu redor, estranhamente o que realmente estava me incomodando era o fato de Megan ter me expulsado.Ela realmente não me conhecia?Talvez fosse melhor assim.Eu já sabia que estava errado. Ela não era uma mulher para mim. Quanto mais cedo eu aceitasse isso, melhor seria.Quando cheguei à cobertura, Rodgens já estava me esperando.— Justin, que bom que chegou. Estou com mais de duzentos e-mails para responder sobre a mulher misteriosa. O que fazemos?— Ela não é importante. Abafe essa história, Rodgens.— Mas, Justin, você brigou em frente ao bar. Você realmente acha que esses abutres vão te deixar em paz? Eles vão procurar até encontrar ela.— Então não deixe isso acontecer. Ela não é desse meio. Não vou deixar que ela entre nessa sinuca.Ele ficou
Capítulo 5Megan CollinsDepois daquele dia de merda, veio o convite das meninas para irmos a um barzinho.Eu nem lembrava mais quando tinha sido a última vez que saí para algum lugar assim.Mas quer saber?Eu vou.Talvez estivesse na hora de parar de viver apenas entre livros, casa e trabalho.Tomei um banho, fiz uma maquiagem leve e escolhi um vestido preto, uma meia-calça grossa e uma bota de cano alto, coloquei um sobretudo por cima estava ótimo assim.Quando terminei, fui para a sacada do meu quarto esperar o táxi.Foi então que um carro escuro parou em frente à livraria.Ficou ali.Parado.Aquilo era estranho para aquele horário.Observei por alguns segundos, mas logo desviei o olhar.Minha cabeça já estava perturbada demais para me preocupar com isso.Quando o táxi virou a esquina, desci rapidamente.Assim que abri a porta da livraria para sair, tive aquela sensação incômoda de estar sendo observada.Olhei para trás.Nada.Talvez fosse apenas impressão minha.Entrei no táxi e p
Capítulo 4Justin ParkerMegan está em busca de um príncipe encantado.Literalmente.Algo que eu nunca seria.E talvez esse tenha sido o verdadeiro motivo de eu ter ido embora daquela livraria daquele jeito.Vir até aqui hoje foi um erro.Deixei o dinheiro sobre a mesa e saí antes que pudesse fazer alguma coisa ainda mais estúpida.Meu motorista estava do outro lado da rua, esperando.— Parker, direto para o restaurante?— Sim. Já estou atrasado.Entrei no carro e me joguei no banco traseiro.Fechei os olhos.Foi um erro.Porque meus pensamentos voltaram imediatamente para ela.Para aquele sorriso tímido.Para o jeito como ficava corada quando eu a pegava desprevenida.Para a maneira como desviava os olhos sempre que nossos olhares se encontravam por tempo demais.Megan não fazia ideia do efeito que estava causando em mim.E eu não podia permitir que descobrisse.Não podia pensar nela.Muito menos desejar ela.Ela não fazia parte do meu mundo.E o meu mundo era sujo demais para alguém
Capítulo 3Megan CollinsFiquei olhando para ele por alguns segundos.Ele abriu um sorriso que simplesmente me tirou o fôlego.— Sim, claro. Temos vários exemplares.Falei quase no automático, sem saber exatamente como responder.Ele estava flertando comigo?Ou será que eu estava vendo coisas onde não existia absolutamente nada?Meu Deus, eu sabia que passar tanto tempo presa no meu próprio mundo de imaginação, sem sair para nada, um dia acabaria causando algum problema.E aparentemente o problema tinha um sorriso bonito, olhos perigosamente encantadores e estava parado na minha frente.— Me acompanha em um café?Olhei ao redor.A livraria estava relativamente tranquila, e então olhei para o relógio no meu pulso.— Acho que está na hora de uma paradinha mesmo.Ele sorriu e segui com ele até a mesa do fundo.A mesma onde ele havia sentado da outra vez.— Vou de chocolate quente hoje.Ele disse enquanto olhava o cardápio.— Vou pegar para nós. Quer comer alguma coisa?— Um sanduíche. Po
Capítulo 2Justin ParkerMal desci do táxi procurando um lugar onde pudesse tomar café em paz, e já vi alguns flashes.Se fossem fãs, tudo bem. Eu sempre paro, tiro fotos, cumprimento, converso quando posso.Mas paparazzi?A história é completamente diferente.Eles distorcem absolutamente tudo o que faço. Uma foto fora de contexto vira uma manchete, um sorriso vira um romance, uma simples conversa vira um escândalo.Isso me tira do sério, e não posso mais aparecer em escândalos ou Mark me mata.Apurei os passos e, quando avistei uma porta de madeira e vidros coloridos, pensei que aquele parecia um lugar improvável para me encontrarem.Quando vi a placa de aberto, entrei rapidamente, fechando a porta atrás de mim com uma força até exagerada.Encostei-me nela, recuperando o fôlego da corrida, e observei o lugar.Era tranquilo.Muito tranquilo.Quando meus olhos encontraram a garota atrás do caixa, já esperei pelo grito, pelo pedido de foto ou pela reação que eu já conhecia tão bem.Mas
Capítulo 1Megan CollinsO fato de morar literalmente no trabalho é uma das minhas maiores alegrias diárias. É só descer as escadas, destrancar a porta da frente e virar a plaquinha.Hoje ainda dei uma olhada lá fora. O inverno este ano não está tão rigoroso, mesmo assim, a rua está vazia. As manhãs de sábado normalmente são calmas. Hoje não seria diferente.Fui até a cafeteria, preparei um chocolate quente, cumprimentei Leon, que já estava na ativa desde as seis, e voltei para trás do balcão.Abri meu exemplar de Como Eu Era Antes de Você, que estou lendo, no mínimo, pela décima vez, e continuei a leitura.Era quase dez da manhã quando o sino da porta tocou, seguido pelo som forte da porta se fechando.Olhei na direção da entrada.Um homem alto, usando uma jaqueta de couro e um boné que parecia mais um disfarce do que um simples acessório, respirava fundo. Parecia cansado.Estava correndo?De quem?— Está tudo bem? Posso ajudar em algo?Ele me olhou por algum tempo, como se esperasse







