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Capítulo 3

Author: Peachy
Na manhã seguinte, Seth já estava à mesa de jantar na casa principal. Ele não mencionou o acordo. Claramente ainda achava que era uma piada, confiante de que eu nunca ousaria sair.

— Para compensar minha 'ausência' ontem à noite — ele empurrou uma pequena caixa ornamentada pela mesa. — Isto é para o Leo.

Eu a abri. Dentro, havia um apito de prata, brilhando friamente, gravado com o brasão da alcateia Snow Fang. — Um apito de prata? — Eu o encarei, minha voz quase um sussurro.

— Não é um brinquedo, Viola. É um teste — disse Seth, sua voz plana. Seu olhar frio encontrou o meu. — A prata é o teste definitivo. Se ele não consegue superar um pouco de dor, como enfrentará um inimigo real? Ele não é digno do meu sangue!

A prata é veneno para lobisomens. Especialmente para um filhote que acabou de dar seu Primeiro Uivo. Cada toque seria como mil agulhas. Ele queria usar a dor para queimar a "fraqueza" do sangue de seu próprio filho.

— Ele acabou de completar o ritual! — Lutei para manter minha voz baixa. — Ele precisa de orientação e aceitação, não de tortura!

— Este apito vai lembrá-lo — os olhos de Seth eram como lascas de gelo, — que o preço da fraqueza é a dor. Ele precisa aprender a controlá-la.

Nesse momento, a campainha tocou. Sarah entrou, seguida por seus atendentes empurrando várias malas grandes. Ela me viu na sala de jantar principal e um lampejo de desprezo cruzou seu rosto.

— Desculpe, estou interrompendo? — ela disse com um sorriso doce, mas suas palavras eram para mim. — Curadora Viola, a gentileza do Alfa não é desculpa para deixar seu filho fazer o que quer. Com sangue Ômega como o dele, é preciso uma mão firme desde o início.

Ela bateu palmas elegantemente e deu uma ordem para sua equipe. — Livrem-se de todas essas tapeçarias tribais e qualquer coisa que pareça uma escultura de osso selvagem. Este lugar precisa refletir o gosto da alcateia Blackwood.

Um de seus atendentes pegou o brinquedo favorito de Leo, quando pequeno — uma galhada de veado que ele mesmo havia polido — e estava prestes a jogá-lo em um saco de lixo.

— Não toque nisso! — Leo desceu as escadas correndo, arrancou a galhada e encarou Sarah.

Sarah deu um passo para trás, dramática, escondendo-se atrás de Seth. — Viu, Seth? É isso que acontece com sangue misturado. Tão emocionalmente instável.

— Leo! — Seth repreendeu. — Peça desculpas à Senhorita Blackwood!

— Por que eu deveria? — O queixo de Leo se projetou para frente. — Ela estava jogando minhas coisas fora!

— Porque a partir de hoje, esta é a casa dela também — a voz de Seth estava glacial. — E eu digo.

Então ele olhou para mim, seu tom não deixando margem para discussão. — Sarah vai se mudar para cá. Ela é o futuro desta alcateia. Sua linhagem nobre é... sensível. Não posso ter a energia instável de você e do Leo perturbando-a.

Ele fez uma pausa, depois acrescentou levemente: — Não vá à enfermaria hoje. Vá fazer suas malas. Leve o Leo para a casa de hóspedes por alguns dias.

Eu o encarei. — Você quer dizer que nosso sangue 'inferior' pode contaminá-la?

A mandíbula de Seth ficou rígida. — Estou afirmando um fato, Viola. Conheça seu lugar.

Eu ri. A ironia era sufocante. Não conseguia mais olhar para ele. Peguei a mão de Leo.

— Entendido — minha voz estava plana. — Faremos as malas e partiremos imediatamente. Não vamos incomodá-lo.

Nós já estávamos indo embora. Um dia mais cedo não importava.

Seth pareceu atordoado por eu concordar tão rápido. Ele abriu a boca, como se fosse dizer algo, mas a fechou novamente.

Quando saímos da casa principal com nossas pequenas malas, passamos por Sarah sentada na sala de estar. Ela nos olhou de cima a baixo. — Alfa, você realmente vai deixar esse... órfão e sua mãe ficarem na propriedade? Estou preocupada que a presença deles afete a pureza da nossa aliança.

Órfão? Eu entendi instantaneamente o que Seth lhe havia dito. Para se proteger, ele tinha chamado seu próprio filho de filho de outro homem. Um órfão.

Instintivamente, puxei Leo para trás de mim, protegendo-o de seu olhar. — Ele não é—

Seth me interrompeu antes que eu pudesse falar. Sua mão apertou sua própria mala, não a minha. Uma faísca de desconforto cruzou seu rosto antes que ele o disfarçasse para Sarah. — O pai dele foi meu guerreiro mais corajoso. Morreu por mim. Como Alfa, é meu dever abrigá-los. É uma questão de honra.

Honra. Que mentira perfeita.

Abri a boca para discutir, mas meu filho saiu de trás de mim. Ele inclinou a cabeça para trás para olhar para o homem imponente e falou com uma clareza arrepiante, muito além de seus anos.

— Obrigado pela sua caridade, Alfa Seth.

As palavras se engasgaram em minha garganta. Olhei para os olhos avermelhados de Leo e seus pequenos punhos cerrados. Forcei um pequeno sorriso. — Vamos, Leo.

Enquanto passávamos, a mão de Seth disparou, agarrando meu braço. Seus olhos estavam arregalados, sua voz trêmula. — O que... o que ele acabou de dizer?

Eu ri. Foi um som quebrado. — Ele estava agradecendo você por sua 'honra', Alfa. — Puxei meu braço para longe. — Sua futura Luna está esperando. Solte.

Seth estremeceu como se tivesse sido atingido, e sua mão caiu. Peguei a mão do meu filho e caminhei em direção à casa de hóspedes, sem nunca olhar para trás.
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