LOGIN~ Summer ~
Luxo, ouro, paredes que brilham como se quisessem me cegar. Para mim, não passam de grades, o quarto é uma cela dourada. Olho pela janela; o céu está ali, azul profundo, tão perto... mas não para mim. A liberdade é um horizonte que só existe do lado de fora do vidro. Respiro fundo, empurrando coragem para dentro dos pulmões. Deus não me trouxe até aqui para morrer enjaulada. Repito o mantra, mas a fé parece pequena diante das paredes que me cercam. Espero. O silêncio da casa vai crescendo, engolindo risos e passos até restar apenas o som do meu coração. Levanto devagar; cada ruído é uma ameaça — o ranger da porta, o estalar da madeira, o roçar dos meus pés descalços no mármore frio. Tudo soa alto demais, como se a própria casa quisesse me delatar. A porta principal não cede. Trancada — claro que estaria. Engulo o choro e procuro esperança nos cantos da mente. Corro para a cozinha. — Senhor... guia meus passos... não me abandone agora... A porta dos fundos abre. O vento frio me envolve e quase desabo de alívio. Um passo. Outro. Corro. A terra arranha meus pés, mas a urgência me anestesia. Cada batida do coração é uma oração: só mais um pouco, só mais um passo... O grito corta a noite. — Peguem ela! Não. Não, não! As pernas falham; o medo consome minhas forças. Mãos me alcançam, me prendem. Eu grito, esperneio, mas eles riem — riem da minha luta, da minha fraqueza. Sou arrastada de volta, jogada no quarto como um fardo. — Não, Senhor... não me deixa aqui... A porta se abre outra vez. Ele entra. O ar muda — pesado, denso, como se até o oxigênio se curvasse diante dele. — Você achou que poderia fugir? — a voz é baixa, mas cada sílaba fere. Quero desaparecer, me encolher até virar nada. — Só quero ir embora... — minha voz é quase um fiapo. O riso dele é vazio, cruel. Sua mão segura meu rosto, seus olhos queimam os meus. — Não existe "ir embora". Você é minha. — Minha vida pertence a Deus. — Tento me agarrar à fé, como quem se segura à beira de um abismo. A raiva nele é viva, quase palpável. — Deus... — ele cospe o nome. — Vamos ver o quanto esse Deus te protege. Sou arrastada pelos cabelos. A dor me arranca lágrimas, mas não deixo escapar um som. Não darei a ele essa vitória. A porta de ferro se abre; o cheiro de mofo me invade. O chão do porão me recebe com brutalidade. Correntes apertam meus pulsos. O som ecoa — um fim anunciado. — Aqui você vai aprender. — A voz dele desce sobre mim como sentença. Ele me deixa no escuro. Tento orar, mas cada sílaba sai trêmula. A fé é a única coisa que ainda é minha — e mesmo isso ele tenta arrancar. O silêncio me aperta até eu perder a noção do tempo. Então, os passos voltam. A porta range. Meu coração se despedaça em terror. É ele. Cada degrau que ele desce é um golpe dentro da minha cabeça. Ele para diante de mim, agacha-se, toca meu rosto. Tento virar, mas ele me obriga a olhar. — Ainda acredita que Deus vai te tirar daqui? — sussurra. Minha voz sai trêmula, mas firme: — Sim. O riso dele é baixo, arranha meus ossos. Então sua boca toca a minha. Não é um beijo. É uma invasão. Um ato de poder, de domínio. Tento virar o rosto, resisto, mas as correntes me prendem. Sinto nojo, medo, fúria. O gosto metálico se mistura ao pânico, e tudo dentro de mim grita não. Quando ele se afasta, tremo da cabeça aos pés. Ele me observa, olhos escuros, cheios de algo que mistura raiva e prazer. Passa o polegar pelos meus lábios, marcando território. — Viu, Summer? Pode rezar o quanto quiser. Mas aqui, até o seu corpo sabe a quem pertence. Minha fé grita que ele mente. Minha mente sabe que preciso odiá-lo. Mas meu corpo — traído pelo trauma — ainda treme. Abraço os joelhos, soluçando. — É o medo... é só o medo... é só isso... — repito, tentando me convencer. Mas a lembrança dele continua, queimando como uma cicatriz.Pular para o conteúdo Histórico de chats Você disse: monte um texto de 700 palavas agradencendo aos leitores pela oportunidade de lerem a obra O ChatGPT disse:Claro! Segue um texto com aproximadamente 700 palavras, em tom caloroso e literário, agradecendo aos leitores pela oportunidade de lerem a obra:Aos leitores,Nenhuma obra existe sozinha. Por mais solitária que seja a escrita, por mais silencioso que seja o momento da criação, um livro só se completa quando encontra quem o leia. Por isso, este agradecimento nasce do reconhecimento mais sincero: a obra que você tem em mãos só ganhou vida porque você decidiu acolhê-la, dedicar-lhe tempo, atenção e sensibilidade. Em um mundo tão acelerado, escolher ler é um gesto de generosidade, e é a partir dele que tudo se transforma.A cada página virada, estabelece-se um diálogo invisível entre quem escreve e quem lê. Mesmo sem nos conhecermos, criamos um vínculo feito de palavras, emoções e interpret
~ Summer ~Cinco anos se passaram desde aquele primeiro aniversário de Lucas e Alice. Cinco anos desde que começamos a construir nossa família, passo a passo, tropeço a tropeço, sempre juntos. Agora, enquanto observo a luz suave da manhã entrar pela nossa casa, sinto meu coração cheio de gratidão e amor.Lucas e Alice estão correndo pelo jardim, cheios de energia, rindo e brincando de esconde-esconde. Eles já falam perfeitamente, contam histórias e discutem pequenas aventuras do dia a dia com uma alegria contagiante. Cada sorriso deles é um lembrete de tudo que conquistamos juntos.— Mamãe, olha! Eu encontrei o Lucas! — grita Alice, correndo em minha direção, com os cabelos ao vento.— Eu vou te pegar, Alice! — responde Lucas, rindo, enquanto corre para se esconder atrás de um arbusto.Eu rio e observo a cena, sentindo um amor que não cabe no peito. E então sinto um movimento diferente dentro de mim: um pequeno empurrão, um sinal da nova vida que está crescendo. Meu ventre já mostra qu
O entardecer chega devagar, como tudo que é verdadeiro depois de um ano inteiro de aprendizado. O céu se abre em tons de dourado e lilás sobre a fazenda, e o vento atravessa os milharais altos, fazendo as folhas sussurrarem como se a terra respirasse junto com a gente.Alice corre pela varanda com passos ainda desajeitados, rindo alto, o cabelo preso num pequeno laço que insiste em cair. Lucas vem logo atrás, determinado, segurando um brinquedo de madeira como se fosse um troféu. Eles tropeçam, se levantam, se empurram, se abraçam — tudo no mesmo segundo. Um ano de vida, e já carregam o mundo inteiro dentro deles.— Devagar! — aviso, rindo, mesmo sabendo que é inútil.Eles não escutam. Nunca escutam. E isso, curiosamente, me traz paz.Gael surge pelo caminho de terra, vindo da lavoura. As mangas da camisa estão dobradas, as botas cobertas de poeira, o rosto marcado pelo sol e pelo cansaço bom — aquele que não cobra a alma, só o corpo.Quando Alice o vê, solta um gritinho animado:— Pap
~ Gael ~O sol da manhã entra pela janela, iluminando a sala de estar e refletindo nos olhinhos curiosos de Lucas e Alice. Eles estão sentados no tapete, pequenos e cheios de energia, tentando alcançar brinquedos espalhados ao redor. Hoje é especial: vamos tentar ensinar os primeiros passos.— Estão prontos, meus pequenos exploradores? — pergunto, ajoelhado na frente deles, segurando Lucas pelas mãozinhas.Alice observa cada gesto, seus olhinhos brilhando de expectativa, e Lucas balança os bracinhos, impaciente para se levantar. Summer está atrás deles, pronta para amparar cada tropeço, e Elza sorri do sofá, observando a cena com ternura e orgulho.— Gael… lembra de ter ensinado o Hades a andar? — ela brinca, provocando um leve sorriso no meu rosto — Acho que você está começando de novo, mas de um jeito muito melhor.— Hades não existirá aqui — respondo, com um leve tom de humor, mas o coração dispara ao pensar no passado — Aqui só existe Gael. E esses pequenos vão aprender comigo.Col
~ Summer ~Acordo cedo, o sol entrando pela janela e iluminando cada canto da casa. Hoje não é um dia qualquer. Hoje celebramos um ano de nossas vidas transformadas. Um ano de Lucas e Alice. Um ano de risadas, choros, descobertas e amor infinito.Alice mexe os bracinhos no berço, e seus olhinhos curiosos me encaram. — Bom dia, minha pequena — digo, sorrindo, acariciando seu rosto delicadamente. Ela solta um murmúrio, e eu aperto a mãozinha dela com cuidado.Lucas, já inquieto, balança as pernas e ri, balançando as mãos em direção a mim. — Bom dia, meu pequeno explorador — digo, pegando-o no colo. Mesmo sem palavras, eles comunicam tanto com gestos, risadas e olhares. É incrível como cada movimento deles transmite amor e alegria.Gael aparece na porta, cabelo bagunçado, mas com aquele sorriso intenso que me faz suspirar. — Bom dia, minha família — ele diz, aproximando-se e beijando minha testa — Hoje é o grande dia, não é?— É sim — respondo, sorrindo — E eu quero que seja perfeito.A c
~ Summer ~O carro desliza pela estrada, e vejo o horizonte se aproximando enquanto deixamos para trás a praia. Lucas está adormecido no meu colo, respirando suavemente, e Alice dorme apoiada no peito de Summer. O silêncio dentro do carro é confortável, quase sagrado. Depois de dias intensos na viagem, sinto um misto de alívio e ansiedade ao pensar em voltar para casa.— Acho que eles aproveitaram bastante, não é? — digo, olhando para Summer, que sorri suavemente enquanto acaricia Alice.— Sem dúvidas — responde ela, olhando pelo retrovisor para os gêmeos — Mas vai ser bom voltar. A rotina, a nossa casa… nós precisamos disso também.Sorrio, concordando, mas sei que a vida que nos espera não será tão simples quanto imaginamos. A volta significa reencontrar nossa rotina, conciliar trabalho, tarefas domésticas e cuidados constantes com os gêmeos. Mas, pela primeira vez, sinto que estamos prontos para isso.Quando chegamos à nossa casa, sou tomado por uma sensação familiar de segurança. As







