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capítulo 5

last update publish date: 2026-05-03 11:51:29

— Na minha opinião, você está exagerando. Disse ele finalmente.

— Como assim? Pensei ter ouvido errado. — Exagerando?

— Bem, Denis se divertiu com uma garota bonita. Você a viu? Ela é deslumbrante, eu mesmo…

— Como assim?

Petro deu uma risadinha e não disse mais nada.

— Acontece com todo mundo. No fim das contas, é a vida.

Cerrei os dentes.

— Então, infidelidade é trivial aos seus olhos? É possível que você tenha incutido esses valores familiares no seu filho?

— Não ultrapasse os limites, Eva. Fale, não exagere. Ele franziu a testa. — Sim, Denis cometeu um erro.

— Ele me traiu!

— Quem não comete erros? Ele deu de ombros, mantendo a calma. Parecia estar discutindo um roteiro de TV, não a transgressão do filho.

— Além disso, ele me humilhou publicamente.

— Concordo com você. Ele quer se divertir, que se divirta. Mas a esposa dele não pode descobrir. E a reputação vem em primeiro lugar. Essa Liza escolheu o pior momento possível para confessar, com tantas testemunhas presentes...

Eu fervia de indignação.

— Então você não se importa com o nosso casamento? Só com o que os outros dizem?

— O que vai acontecer com o casamento? Ora, vocês estão juntos há tanto tempo. Desde a universidade, inclusive.

— Então, só porque eu estou com seu filho há quinze anos, eu devo perdoá-lo automaticamente por tudo? É assim que você vê as coisas?

Petro ainda não havia se aposentado. Ele era nefrologista, respeitado em círculos próximos e distantes. Eu sempre o considerei um homem sensato, inteligente e decente, e fiquei feliz que Denis quisesse seguir seus passos na medicina. E agora meus olhos estavam bem abertos tanto para o meu marido quanto para o meu sogro.

— Então, você não se importava com o que ele estava fazendo. Parecia que ambos estavam se divertindo com as suas aventuras.

— Você é uma mulher inteligente, Eva. Por que todo esse drama? Acha que esse tipo de reação vai manter Denis ao seu lado?

Meu Deus, esse pesadelo parecia interminável.

— Por que você acha que eu quero mantê-lo por perto?

— Está planejando o divórcio? Ele se virou para mim.

Eu não sabia o que queria fazer nem o que aconteceria depois dessa catástrofe. Naquele momento, tudo fervilhava dentro de mim. A razão havia desaparecido.

— E se eu fizer isso? Ergui o queixo, desafiadora.

— Não diga isso, garota. Não é nada sério: ele vai se divertir um pouco, vai passar e você vai viver como antes.

Viver como antes? Como? Simplesmente ignorar que meu amado marido me traiu? Esquecer?

— Para você, é tudo tão simples, Petro. Eu não consigo fazer isso.

— Se você quer viver bem e que seus filhos cresçam em uma família estável, você aprenderá como. Disse ela com firmeza. — E você pensou em como isso afetará a carreira dele?

— Eu não me importo com a carreira dele!

Ele deu uma risadinha, como se tivesse ouvido algo engraçado, mas apertou o volante com mais força.

— Claro, você vive de auxílios, então não se importa com a carreira do seu marido.

— O quê? Como ousa me dizer isso? Você se esqueceu de que sou médica, assim como seu filho?

— Que médica? Você nunca trabalhou um dia sequer na vida?

— Porque eu tive um filho.

— Na época, eu estava terminando minha residência, grávida. Entrei em trabalho de parto enquanto trabalhava. Irina nasceu com saúde frágil, então o primeiro ano de vida dela foi um inf*erno para mim.

Denis estava fazendo a pós-graduação, trabalhando em plantões extras. M*al conseguíamos sobreviver.

Eu estava sempre privada de sono e ansiosa, mas mesmo assim, estava convencida de que éramos felizes. Será que eu estava enganada?

— E para evitar trabalhar, você engravidou de novo.

— Seu próprio filho me convenceu a ter outro filho. Eu disse, indignada com a injustiça. — Quem diria que seriam gêmeos?

A segunda gravidez foi complicada: o dobro do peso, além do início da pré-eclâmpsia. Quase sucumbi à pressão alta. Mas os meninos nasceram saudáveis ​​e não exigiram tanta atenção minha quanto a irmã.

Denis encontrou estabilidade no trabalho, começou a ganhar um bom salário e até conseguimos contratar uma babá. Depois, compramos um apartamento em um prédio novo e dois carros.

A vida tinha dado uma guinada: tínhamos estabelecido nossa casa, as crianças estavam crescendo e viajávamos pelo menos a cada seis meses. A paixão entre Denis e eu ainda estava viva. Embora não nos despissemos mais com a mesma intensidade, o amor ainda estava lá.

Parecia que finalmente tínhamos chegado a um período de prosperidade, uma época para aproveitar a vida. Foi por isso que a bomba que Liza me lançou destruiu tudo.

Estávamos fazendo se*xo regularmente. Meu Deus! Como eu poderia suspeitar que havia outra pessoa entre nós agora?

— Não tenho nada contra ter netos, não me interprete m*al, Eva. É só que...

É só que eles sempre vão ficar do lado do Denis. Talvez um dia eu consiga entender, mas não agora.

— Meu filho cometeu um erro. Suspirou meu sogro, adotando uma expressão que sugeria que ele estava falando comigo como se eu fosse uma criança ingênua. — Mas isso não significa que tudo está perdido. Acredito sinceramente que você pode resolver isso, se você, Eva, agir com inteligência e maturidade, em vez de se entregar à histeria.

— Resolver isso? Como eu vou conseguir? Petro parecia não estar me ouvindo, e eu já havia perdido a esperança de que ele entendesse minha dor. Talvez ele não fosse capaz de senti-la. — Denis teve um caso com outra mulher.

— E daí? Um pequeno erro vale a pena destruir um relacionamento tão bom? Petro encarava a estrada, com o rosto tenso.

— E como vamos lidar com a gravidez da sua amante? Ou está sugerindo que eu aceite um quarto filho na família?

Finalmente, Petro desviou o olhar e encontrou o meu, com uma expressão que misturava teimosia e irritação.

— Gravidez? Ele ergueu levemente as sobrancelhas.

— Não finja que se esqueceu, esse foi o ponto alto da comemoração. A cereja do bolo. Dei uma risada com um toque de histeria. — Liza está grávida. Do seu filho. Todo mundo ouviu. Vocês vão ser avós de um quarto neto!

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