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A Escrava do CEO - Capítulo 3

last update publish date: 2026-01-08 00:45:45

Ele continuou a andar. Lara seguia, uma sombra silenciosa, absorvendo cada palavra, cada nuance. Ele não estava apenas mostrando o andar; estava dando uma aula sobre poder, sobre percepção.

- Os andares de baixo - continuou ele, sua voz soando clara no silêncio - são fundamentais. Eles são as mãos que constroem, as vozes que vendem, as mentes que criam. Mas é fácil perder a perspectiva quando se está imerso no fazer. Ficar preso no 'como' e esquecer o 'porquê'. O sétimo andar preocupa-se com a próxima campanha. O décimo preocupa-se com o próximo ano. Os próximos cinco.

Pararam em frente a uma parede de vidro fumê que dava para uma sala de reuniões vazia. Uma mesa de cristal comprida, rodeada por cadeiras de couro preto. Uma tela que ocupava uma parede inteira.

- Esta é a sala onde sonhamos com o futuro. E onde matamos ideias. - Seu olhar era frio ao percorrer a sala vazia. - É mais importante saber o que não fazer, do que se encher de entusiasmo por projetos fadados ao fracasso. Sentimento é um luxo que não nos podemos dar com frequência. Dados. Estratégia. Lucro. Essa é a trindade.

Lara sentiu um frio percorrer sua espinha. Era um discurso brutal, mas incrivelmente claro. Ele estava lhe mostrando as regras do jogo, as regras reais, não as que estavam escritas no manual do funcionário.

- Por que está me mostrando tudo isso? - a pergunta escapou de seus lábios antes que ela pudesse contê-la. Ela imediatamente cerrou os maxilares, esperando uma reprimenda.

Calleb virou-se lentamente para encará-la. Pela primeira vez, seu olhar pareceu realmente focar nela, não como um espécime, mas como uma pessoa.

- Porque o potencial, quando cru, é uma coisa interessante. Pode ser moldado. Pode ser direcionado. Ou pode ser desperdiçado. - Ele deu um passo em sua direção. A proximidade era esmagadora. Lara podia ver os fios prateados em seus templos, a textura perfeita de sua camisa branca. - Você chegou atrasada. Estava desarrumada. Parecia uma filhote perdida. Mas seus olhos... seus olhos não pediam desculpas. Eles estavam absorvendo tudo. Avaliando. A sua resposta sobre a arte não foi treinada. Foi genuína. No mundo corporativo, a genuinidade é um bem raro e perigoso. Pode levar ao fracasso. Ou ao topo.

Ele fez uma pausa, deixando as palavras pairaram no ar carregado.

- Estou a fazer um investimento. Dez minutos do meu tempo para, talvez, ver se vale a pena manter um olho no seu desenvolvimento. Para ver se você entende que este lugar - ele fez um gesto amplo com a mão - não é sobre fazer o seu trabalho. É sobre entender o jogo.

Lara sentiu-se tonta. A situação era absurda. Um executivo de alto nível, no seu primeiro dia, a levara para uma tour privada pelo andar executivo para dar uma palestra sobre poder e potencial. Era um teste? Uma provocação? Uma demonstração de poder puro e simples?

- E... e o que o senhor vê? - ela ousou perguntar, a voz um fio de som.

Calleb a observou por um longo momento, seu rosto uma máscara impenetrável.

- Ainda não decidi. - A resposta foi fria, mas honesta. - A semente está plantada. Agora, vamos ver se você a rega com ambição e inteligência, ou se a afoga em medo e obediência cega.

Ele deu meia-volta e começou a caminhar de volta em direção ao elevador. A audiência havia terminado. Lara, atordoada, seguiu-o. O passeio pelo corredor de volta pareceu muito mais curto.

Ele pressionou o botão para chamar o elevador. As portas se abriram imediatamente, como se estivessem à sua espera.

- O sétimo andar, creio eu - disse Calleb, fazendo um gesto para que ela entrasse.

Lara entrou na cabina, seu corpo inteiro vibrando com a intensidade da experiência. As portas começaram a se fechar. Através da fenda que diminuía, ela viu Calleb de Assis, de pé, imóvel, as mãos nos bolsos do paletó, os olhos de tempestade fixos nela.

- Boa sorte, Lara - disse ele, um instante antes das portas se selarem completamente.

E então, ele se virou e desapareceu de sua vista, voltando para o seu reino de silêncio e poder.

O elevador desceu em um vácuo de som. Lara encostou-se na parede, as pernas tremendo incontrolavelmente. Ela olhou para seu reflexo borrado no aço polido da porta. O vestido ainda estava enrugado. O cabelo, ainda um pouco despenteado. Mas algo em seus olhos havia mudado. O pânico inicial tinha sido substituído por uma centelha de outra coisa, uma compreensão aguçada, um foco frio. Ele tinha razão. Era um jogo. E ele, involuntária ou deliberadamente, tinha acabado de lhe mostrar o tabuleiro.

O elevador parou suavemente. Um ding suave anunciou a chegada ao sétimo andar. As portas se abriram, revelando o mundo barulhento, colorido e familiar do Marketing. Lara endireitou os ombros. Tomou uma respiração profunda. O ar aqui era diferente, mais leve, menos carregado.

Ela deu um passo para fora, seus saltos ecoando no piso de concreto polido. O atraso, o constrangimento, a ansiedade do primeiro dia, tudo isso parecia pequeno, distante, quase trivial. Ela tinha estado no décimo andar. Tinha olhado nos olhos do leão. E, por mais aterradora que a experiência tivesse sido, uma parte minúscula, mas incipiente, de si mesma sentia-se... viva.

Caminhou em direção à recepção, um sorriso profissional, um tanto quanto frágil, mas presente, estampado no rosto.

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