تسجيل الدخولO livro era pesado nas mãos dela, uma edição antiga de Crime e Castigo com as bordas das páginas amareladas pelo tempo. A biblioteca do campus estava quase vazia, o silêncio interrompido apenas pelo zumbido distante de um projetor em alguma sala de aula. Foi ao folhear as páginas que o bilhete escorregou para seu colo, um pedaço de papel dobrado com uma caligrafia que ela reconheceu imediatamente.
"Hoje, sala 204. Tranque a porta. Não diga nada."
Seu coração acelerou antes mesmo que seu cérebro processasse o significado. Ele sabia que ela viria. Sabia que ela pegaria aquele livro.
Ela olhou ao redor, como se alguém pudesse estar observando, mas os corredores estavam desertos. Ainda assim, suas mãos tremeram ao guardar o bilhete no bolso do jeans.
A sala 204 ficava no segundo andar do prédio mais antigo da faculdade, onde as luzes fluorescentes piscavam e o cheiro de giz e madeira encerada impregnava o ar. Ela subiu as escadas devagar, cada passo ecoando como um batimento cardíaco amplificado. Quando empurrou a porta, viu que a sala estava vazia, as cortinas semiabertas filtravam a luz do fim de tarde, pintando as paredes de um laranja quente.
O coração martelava em seu peito quando ela girou a chave na fechadura. O clic foi decisivo.
Não houve tempo para pensar.
A porta se abriu atrás dela, e antes que pudesse se virar, um corpo quente a pressionou contra a superfície fria da lousa. Seu pulso foi agarrado, seus dedos entrelaçados aos dele enquanto ele a imobilizava. A respiração dele, quente e acelerada, queimou sua nuca.
— Você veio — ele murmurou, voz rouca, como se já soubesse que ela não resistiria.
Ela não respondeu. Não diga nada.
Os lábios dele encontraram seu pescoço, dentes afiados na pele macia, e ela arqueou contra ele com um gemido abafado. Suas mãos percorreram seu corpo com possessividade, agarrando seus quadris, puxando-a para trás até que ela sentisse o que ele queria.
— Você já estava molhada antes mesmo de entrar aqui, não estava? — ele sussurrou, mão deslizando pela sua calça, pressionando contra o tecido úmido.
Ela mordeu o lábio, mas um tremor a traiu.
Ele riu, baixo e sombrio.
— Responde.
— Sim.
A palavra escapou como uma confissão.
Foi o suficiente.
Ele a virou de frente, mãos firmes em sua cintura, e a levantou como se ela não pesasse nada. Suas costas colidiram com a lousa, o impacto abafado pelo corpo dele se encaixando entre suas pernas. Seus lábios se encontraram com fúria, línguas se entrelaçando, dentes se chocando. Ele dominava cada movimento, cada respiração, e ela se entregou, deixando que suas mãos explorassem, que sua boca reivindicasse.
Quando ele desabotoou seu jeans e puxou para baixo, junto com a calcinha, o ar gelado da sala contrastou com a pele ardente. Ele a observou, olhos escuros percorrendo seu corpo exposto, antes de fechar os dedos em seus cabelos e puxar.
— Ajoelhe.
Ela obedeceu, escorregando da lousa até o chão, entre as fileiras de cadeiras vazias. Ele despiu o cinto com movimentos lentos, deliberados, antes de abrir o zíper. Quando ele saiu de dentro da calça, já estava duro, impaciente.
— Abre a boca.
Ela o fez, língua estendida em oferenda, e ele gemeu quando envolveu seus lábios em volta dele. Suas mãos se apertaram em seus cabelos, guiando o ritmo, e ela deixou, deixou que ele usasse sua boca, que a preenchesse, que a reduzisse a isso—só isso—só ele.
Mas ele queria mais.
Puxou-a de volta para cima, virou-a de frente para a lousa e inclinou seu torso para frente.
— Segura.
Ela agarrou a borda da lousa, os dedos brancos de tanto pressionar, quando ele entrou nela de um só empurrão. Ela gritou, o som abafado pelo próprio braço, enquanto ele a preenchia completamente, cada centímetro, cada curva.
— Toda vez — ele rosnou, mãos em seus quadris, puxando-a para trás a cada investida — você fica mais apertada.
Ela não conseguia pensar, só sentir—o calor, a pressão, o jeito que ele a esticava, como se quisesse caber ainda mais fundo. Suas pernas tremiam, mas ele não a deixava cair, segurando-a com força, marcando sua pele com futuros hematomas.
Quando seus dedos encontraram seu clitóris, ela gemeu, o corpo contraindo.
— Você vai gozar — ele ordenou, voz áspera. — Agora.
E ela obedeceu, como sempre obedecia, as ondas de prazer explodindo em seu ventre, levando-a para um abismo de puro fogo. Ele a segurou enquanto ela tremia, mas não parou, continuou a se mover dentro dela, cada movimento mais intenso, mais profundo, até que seu próprio corpo enrijeceu. Ele enterrou o rosto em seu pescoço, um rugido abafado contra sua pele quando chegou ao clímax.
Por um momento, só houve respirações ofegantes e o som distante de passos no corredor.
Ele se afastou primeiro, arrumando a roupa com movimentos precisos, como se nada tivesse acontecido. Ela ainda estava encostada na lousa, pernas fracas, pele marcada.
Foi então que ele pegou sua calcinha do chão, dobrou com cuidado e guardou no bolso da camisa.
— Vai querer isso de volta? — ele perguntou, um desafio nos olhos.
Ela sabia a resposta. Sabia que não.
Quando saiu da sala, ainda tremendo, o bilhete no bolso parecia queimar contra sua coxa.
Não diga nada.
Ela não precisava.
Ele já sabia.
O corredor estava vazio quando ela saiu, a luz do fim de tarde agora dourada, quase melancólica. Seus passos ecoavam no silêncio, e ela pressionou as coxas uma contra a outra, ainda sentindo-o nela, como uma marca que não poderia ser apagada.
Ele já tinha ido embora.
Sempre assim—ele sumia depois, como se nada tivesse acontecido, como se ela não fosse nada além de um segredo entre quatro paredes.
Ela respirou fundo, ajustou a blusa e passou os dedos pelos lábios inchados. Ainda podia sentir o gosto dele, salgado e intenso, na sua boca.
O celular vibrou no bolso.
Ela hesitou antes de olhar, sabendo muito bem quem seria.
"Biblioteca. Agora."
A mensagem não tinha assinatura, mas ela não precisava. Seu estômago embrulhou, mas suas pernas já a levavam de volta, quase sem pensar.
A biblioteca estava ainda mais vazia agora, a maioria dos alunos já tinha ido para casa ou para os bares próximos. As estantes altas criavam sombras alongadas, e o ar cheirava a papel envelhecido e poeira.
Ele estava sentado em uma das mesas no fundo, um livro aberto à sua frente, os óculos repousados na ponte do nariz como se estivesse estudando. Mas ela conhecia aquele olhar—frio, calculista—e sabia que ele não estava lendo nada.
Ela se aproximou em silêncio, parando a poucos centímetros da mesa.
Ele não ergueu os olhos.
— Senta.
Ela obedeceu, deslizando para a cadeira em frente a ele. Seus joelhos se tocaram por baixo da mesa, e ela viu o canto da boca dele se erguer levemente.
— Você gostou? — ele perguntou, voz baixa, quase acadêmica, como se estivesse discutindo um problema de filosofia.
Ela engoliu seco.
— Você sabe que sim.
Ele finalmente olhou para ela, os olhos escuros queimando sob as lentes dos óculos.
— Quero ouvir você dizer.
Ela sentiu o rubor subir pelo pescoço, mas não desviou o olhar.
— Eu gostei.
Ele sorriu, lento, predatório, e então deslizou algo para ela por cima da mesa.
Era sua calcinha.
— Guarda.
Ela hesitou, mas pegou o tecido macio, ainda levemente úmido, e o enfiou no bolso sem quebrar o contato visual.
— Por que você faz isso? — ela sussurrou.
Ele inclinou-se para frente, tão perto que ela podia sentir seu hálito quente contra seus lábios.
— Porque você deixa.
E então ele se afastou, fechou o livro e levantou, como se a conversa tivesse terminado.
— Amanhã. Sala 108. — Ele ajustou os óculos, olhando para ela como um professor dando uma tarefa. — E dessa vez, venha de saia.
Antes que ela pudesse responder, ele já estava saindo, seus passos silenciosos desaparecendo entre as estantes.
Ela ficou ali, os dedos apertados em volta da calcinha no bolso, o coração batendo forte demais.
Sabia que iria.
Sempre ia.
A chuva batia contra as janelas da sala como tambores anunciando o que estava por vir. Marina se aconchegou no sofá, seus pés descalços encolhidos sob o shorts de seda que subia a cada movimento. O filme na TV era apenas ruído de fundo — ela escolhera aquela comédia romântica clichê de propósito, sabendo que Ricardo jamais assistiria sozinho.— Passa o controle — ele pediu, estendendo a mão sem tirar os olhos da tela.Marina se esticou exageradamente, deixando o shorts subir mais um pouco. — Não alcanço.Ricardo suspirou e se inclinou, seu braço roçando em suas pernas. Quando seus dedos se encontraram no controle, Marina não soltou.— Marina... — sua voz soou como um aviso.— O quê? — ela puxou o controle, trazendo-o junto. Seus rostos ficaram a um palmo de distância.Ele recuou como se tivesse levado um choque.Meia hora depois, Marina deu o golpe final. Bocejou teatralmente e deixou a cabeça cair no ombro dele.— Cansada? — Ricardo perguntou, rígido como uma tábua.— Muito — ela mur
O vapor do banho ainda envolvia o corpo de Marina quando ela saiu do box, as gotas escorrendo por sua pele cor de mel. A toalha branca, pequena demais para cobri-la decentemente, mal conseguia envolver seu torso. Ela se secou com movimentos lentos, deliberados, sabendo que o som da água parando certamente chamaria sua atenção.Com um último olhar no espelho embaçado, Marina deixou a porta do banheiro entreaberta, apenas o suficiente para que, se alguém passasse pelo corredor no momento certo, pudesse ter uma visão privilegiada.E então ela esperou.O corredor estava silencioso, apenas o tic-tac do relógio na sala ecoando na casa vazia. Marina começou a se enxugar com cuidado extra, passando a toalha pelos seios com movimentos circulares, alongando o corpo como um gato ao sol. Foi então que ouviu um passo hesitante no corredor, seguido por uma pausa que dizia tudo.Ricardo estava lá.Ela podia sentir seu olhar como um toque físico percorrendo suas costas nuas, parando na curva de suas
O táxi da mãe de Marina mal havia desaparecido no fim da rua quando um novo tipo de eletricidade tomou conta da casa. Marina permaneceu na varanda, os dedos enroscados na grade ainda quente do sol da tarde, observando até o último instante em que o carro dobrou a esquina. Três dias. Setenta e duas horas de liberdade perigosa.Dentro de casa, Ricardo já havia se trancado no escritório - seu refúgio desde aquela noite no sofá. Marina sorriu ao ouvir a porta se fechar com um clique mais alto que o necessário. Ele estava se protegendo. Mas ela não pretendia deixá-lo escapar tão fácil.O vestido deslizou por seu corpo como um segundo pele quando ela se trocou no quarto. Vermelho. Justo. O tecido tão fino que quase transparente sob a luz certa. Marina se observou no espelho, ajustando as alças para deixar os ombros completamente à mostra, puxando o decote um pouco mais para baixo. Satisfeita, deslizou os dedos entre as pernas por um instante, imaginando as mãos dele no lugar dos seus. Já es
O calor do verão parecia ter se instalado para sempre naquela casa. O ar-condicionado quebrado há semanas transformava os cômodos em estufas úmidas, e Marina, de 22 anos, já não sabia mais como se refrescar. Vestindo apenas um shorts curto e um top de alcinha que deixava seus ombros dourados pelo sol à mostra, ela se esticou no sofá da sala, tentando captar algum vento da janela aberta.Era sua segunda semana de volta à casa da mãe após o término com Lucas. Dois anos de relacionamento tinham ido por água abaixo quando ele confessou que a traía com uma colega de trabalho. Marina jurou que nunca mais confiaria em homem algum—mas, nos últimos dias, havia um olhar que a fazia questionar essa decisão.Ricardo, seu padrastro, estava sentado na poltrona ao lado, fingindo ler um livro. Ele tinha 45 anos, o corpo ainda firme de quem nunca abandonara o hábito de levantar pesos na garagem, e um jeito calmo que sempre a tranquilizara. Nos cinco anos desde que ele se casara com sua mãe, Marina nun
A espera tinha sido um suplício calculado. Três dias. Setenta e duas horas de abstinência programada. Quatro mil trezentos e vinte minutos de tortura deliberada. Ela contara cada um.Seu apartamento parecia ter se transformado numa cela de prisão, cada objeto banal - a escova de cabelo sobre a pia, a xícara de café pela manhã, a cama desfeita - lembrando-a de sua ausência. Até seus sonhos tinham se tornado cúmplices, trazendo visões úmidas que a faziam acordar com os lençóis entre as pernas e seu nome nos lábios.Quando o celular finalmente vibrou na mesa de cabeceira às 2h47, ela já estava acordada. O coração disparou antes mesmo de ler a mensagem. Seus dedos tremiam ao desbloquear a tela."Escritório. Agora."Nada mais. Nunca mais. Ele nunca desperdiçava palavras quando ações falariam mais alto.O prédio da faculdade estava deserto àquela hora, os corredores iluminados apenas pelas luzes de emergência que lançavam sombras alongadas sobre as paredes. Seus passos ecoavam no silêncio,
A mensagem chegou às 3:17 da manhã."Você sonhou comigo hoje?"Ela acordou com o som da notificação, o celular iluminando seu quarto escuro. O coração disparou antes mesmo de ler. Não precisava checar o remetente. Ninguém mais mandava mensagens nesse horário. Ninguém mais falava com ela daquele jeito.Ela digitou uma resposta antes que o sono a deixasse pensar direito."Sim."Três pontinhos apareceram. Sumiram. Voltaram."O que eu fiz com você no sonho?"Seus dedos congelaram sobre a tela. Porque ele sabia. Claro que sabia. No sonho, ele a tinha encurralado na sala de arquivos da biblioteca, a mão dele tapando sua boca enquanto a outra—O celular vibrou novamente."Amanhã. Sala de arquivos. Meia-noite."Ela não respondeu. Não precisava.O dia seguinte passou em um borrão. Ela atravessou as aulas como um fantasma, a pele sensível onde ele a tinha marcado na véspera. Quando o professor de Literatura mencionou Crime e Castigo, ela quase derrubou a cadeira ao se levantar rápido demais.Às







