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Tese Sobre o Prazer - Capítulo 3

مؤلف: Janne Vellamour
last update آخر تحديث: 2026-01-07 20:31:42

A sexta-feira chegou com a cidade abafada, como se o ar se recusasse a circular. Os corredores da universidade estavam mais vazios do que o habitual. Última aula da manhã, poucos professores no campus. A movimentação era quase silenciosa — ideal para quem procurava não ser notado.

O nome na plaquinha de madeira entalhada ainda reluzia na porta:

Prof. Dr. D. A. Moretti — Literatura Contemporânea

Dentro do gabinete, o ambiente era denso. As janelas altas deixavam entrar luz suave, mas as persianas fechadas quebravam o excesso. Prateleiras cobriam quase todas as paredes, abarrotadas de livros grossos, alguns com marcas de uso intenso. No centro, uma mesa de madeira maciça e duas cadeiras de couro. E, atrás dela, ele — paletó pendurado no encosto, mangas dobradas, os dedos segurando uma caneta, o olhar mergulhado em papéis.

A batida na porta foi sutil.

— Entre — disse, sem levantar os olhos.

O som da maçaneta girando foi seguido pelo clique da porta sendo fechada. Quando ele olhou, encontrou Luna parada à frente da mesa, vestida com uma camisa preta abotoada até o meio, deixando o sutiã de renda vermelho à mostra num descuido calculado. A saia era justa, o suficiente para revelar as coxas ao caminhar. Ela carregava um caderno pequeno e uma expressão contida demais para ser inocente.

— Vim tirar uma dúvida — disse, simples.

— Sobre o quê?

— Sobre linguagem ambígua. — Um sorriso lento curvou seus lábios. — E interpretações duplas.

Ele apontou a cadeira à sua frente com um gesto. Ela sentou-se com calma, cruzando as pernas, apoiando o caderno no colo.

— Fale — disse ele, mantendo a voz neutra, o corpo relaxado apenas na aparência.

Ela olhou em volta antes de responder, como se avaliasse o ambiente, absorvendo cada centímetro do lugar onde agora estavam sozinhos. A porta estava fechada. Sem janelas visíveis da parte de fora.

— Em certos textos, algumas palavras só revelam seu sentido real para leitores experientes. — Ela o olhou diretamente. — O senhor acredita que todo texto tem uma camada secreta?

— Os melhores têm.

Ela mordeu o lábio inferior, como se processasse a resposta.

— E quando o autor escreve só para um leitor específico?

Ele pousou a caneta. Estava cansado daquele jogo feito de eufemismos e metáforas. Ou talvez estivesse à beira de ceder.

— O autor corre riscos — disse, enfim. — Especialmente quando o leitor entende demais.

Ela inclinou-se ligeiramente para a frente. O decote agora mais visível. O perfume — doce e penetrante — tomou o espaço entre os dois.

— Às vezes, entender é inevitável — sussurrou. — Mesmo quando não é permitido.

Silêncio. O tempo parecia expandir ali dentro, pressionando contra os dois corpos.

Ele se recostou na cadeira, olhos fixos nela.

— Você entende de limites, Luna?

Ela piscou devagar. A pergunta cortou como um bisturi.

— Depende de quem os impõe — respondeu. — E de como.

A tensão entre os dois se condensou, como nuvens carregadas prestes a explodir. O som do ar-condicionado era o único ruído no ambiente. A mesa entre eles parecia simbólica — distância física que já não sustentava a emocional.

— O que você está fazendo aqui? — ele perguntou, agora com a voz mais grave.

— Me perguntando o que o senhor faria... se eu ultrapassasse alguns desses limites.

Ela o provocava com maestria. Nada soava desesperado ou vulgar. Cada palavra era escolhida, calculada, com a elegância de uma personagem que sabia que o autor estava assistindo.

Ele levantou-se.

Contornou a mesa devagar. Seus passos ecoaram como batimentos cardíacos.

Ela o seguiu com os olhos, mas não se moveu.

Ele parou ao lado dela. Perto demais. A respiração dele agora podia ser sentida, quente, com um leve aroma de café e desejo contido.

Inclinou-se levemente. A mão pairando no ar, sem tocar.

— Você j**a bem. Mas há jogos perigosos demais.

— E excitantes demais para abandonar — ela sussurrou, virando o rosto em direção à voz dele.

Seus rostos estavam próximos. Centímetros. Ele podia ver cada cílio dela, o brilho úmido nos lábios.

A mão dele subiu devagar, até alcançar o queixo dela. Com um gesto leve, mas firme, ergueu seu rosto.

O toque era quase imperceptível, mas sua intensidade sacudiu ambos.

— Vá — disse, num tom entre comando e súplica. — Antes que eu faça algo que não posso desfazer.

Ela não respondeu.

Apenas encarou-o por um segundo longo demais. Um silêncio cheio de sim.

E então, obedeceu.

Levantou-se com leveza, ajeitou a alça da bolsa no ombro e caminhou até a porta.

Antes de sair, virou-se uma última vez, encostada no batente:

— Só para constar, professor... não sou boa em parar no meio.

Ele não respondeu. Apenas a olhou. Como quem contempla uma linha que já foi cruzada.

Ela fechou a porta atrás de si. E com ela, levou o ar inteiro do gabinete.

Naquele fim de tarde, o gabinete parecia suspenso no tempo.

O ar parado, as luzes amareladas lançando sombras nas paredes forradas de livros. Ele permanecia de pé, mãos mergulhadas nos bolsos da calça social, os ombros tensos, o maxilar rígido. Seus olhos estavam fixos na cadeira onde, minutos antes, Luna estivera sentada, cruzando as pernas, inclinando o corpo, soltando palavras como iscas para algo que ele mal se permitia nomear.

Mas agora não havia mais espaço para disfarces.

O cheiro suave do perfume dela ainda pairava no ambiente, misturado ao calor do próprio corpo que ele mal percebera suar. A pele do dedo indicador — o mesmo que tocou de leve o queixo dela — ainda parecia em brasa. Tão pouco contato, mas a memória era física, vívida, indelével.

A frase que ela deixara flutuava na sua mente como um feitiço sussurrado:

"Depende de quem os impõe."

Ele repetia mentalmente, e cada vez soava mais perigosa. Mais sedutora. Era uma rendição? Um desafio? Ou ambos? Talvez ela soubesse exatamente o que dizer. Talvez estivesse testando até onde ele iria.

Talvez ele já tivesse ido longe demais.

Andou até a cadeira onde ela se sentara, como se precisasse confirmar que ela de fato estivera ali. A ponta dos dedos tocou o encosto. Depois, ele se sentou no mesmo lugar, os cotovelos nos joelhos, as mãos entrelaçadas sob o queixo.

E ficou assim por longos minutos. Pensando. Sentindo.

Tentando, inutilmente, controlar a respiração.

O silêncio foi quebrado apenas pelo som suave de uma notificação.

Do outro lado do campus, Luna encostava-se ao próprio carro. A luz do pôr do sol pintava reflexos avermelhados na lataria, e ela olhava a tela do celular como quem escreve não uma mensagem, mas um segundo capítulo.

Os dedos digitaram com precisão, sem hesitação.

“Obrigada pela consulta.

Me sinto… estimulada a continuar o estudo.

Até a próxima aula.”

Sem emoticon. Sem nome.

Ela sabia que ele reconheceria.

Sabia que não precisava assinar o próprio desejo.

Pressionou “enviar” e sorriu. Um sorriso pequeno, controlado. Mas havia fogo atrás dele.

Enquanto isso, de volta ao gabinete, o celular dele vibrou sobre a mesa. Ele estendeu a mão, desbloqueou a tela. Leu a mensagem devagar, uma vez. Depois outra. O coração disparou — não de surpresa, mas de confirmação.

Ela tinha entendido o jogo. E estava dentro.

Ele apagou a tela, encostou-se à cadeira e fechou os olhos.

Não havia mais dúvida. A tensão entre eles agora era só o prenúncio.

Porque, a partir dali, nenhum dos dois sairia inteiro.

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