Início / Fantasia / Tenebris A Herdeira do Sheol - Livro II / Capítulo XI - Colossenses 3.14

Compartilhar

Capítulo XI - Colossenses 3.14

Autor: Érika Gomes
last update Data de publicação: 2021-07-05 09:59:16

Estavam deitados sobre o pouco de tecido que havia sobrado do outro acampamento, Yekun envolvia Naiara em suas asas a aquecendo da noite fria, ela estava aconchegada a ele, deitada em seu peito, em um sono profundo.

“— Agares?

Naiara estava novamente naquele lugar, afastado dela, sentado no alto de uma grande pedra, viu Agares rindo e conversando com o que parecia ser um anjo, não conseguia ver o rosto, somente as grandes e imaculadas asas semi aberta, a cena lhe parecia errada de alguma forma, ele estava tão descontraído, relaxado, Agares estava feliz. Caminhou um pouco mais rápido e a imagem à sua frente foi se revelando, ao lado dele estava uma mulher linda, seus cabelos loiros caiam em cachos perfeitos e o sorriso, seria capaz de provocar a guerra entre os homens mais sábios. Por alguns segundos Naiara ficou parada os olhando, conversavam e trocavam pequenos empurrões em meio a risadas.

— Agares?

Ela o chamou novamente, não passou de um sussurro, mas foi o suficiente para que ele a notasse. Agares pulou da pedra e venceu a distância que os separava, tomando Naiara nos braços e a apertando contra o seu corpo em um abraço cheio de saudades. Ela apoiou as mãos nos ombros dele mas não sabia como reagir, pois seus olhos estavam presos ao lindo anjo loiro que a olhava e parecia desnudar a sua alma com aqueles olhos azuis, como se com um simples olhar, conseguisse ler todas as incertezas no coração de Naiara e sua traição.

— Nai... Ah Nai... – Era só o que ele conseguia dizer, enquanto seus lábios distribuía beijos sobre o rosto dela – Não acredito que está aqui – Colocou ela no chão, segurando seu rosto entre as mãos – Como? Com você chegou até aqui? Como deixaram você passar pelos portões?

— Calma... espere. – Quem ela era para se sentir traída? Como poderia estar sentindo tanta raiva e ciúmes, quando estava fazendo muito pior, enquanto dormia nos braços de outro.

Naiara afastou-se, soltando-se de seus braços, entre seus olhos o pequeno V se aprofundava ainda mais, ele a olhava sem entender a sua reação, dando mais um passo para frente e segurando a mão dela.

— Nai?

— Ciúmes.... hum... sentimento que jamais entendi nos humanos.

Gabriela pulou da pedra, caindo exatamente ao lado de Agares e de frente para Naiara que a olhava sem conseguir conter a fúria em seus olhos.

— Hei, calma – Gabriela levantou as mãos para cima e sorrio largamente – Baixe essa luz vermelha ai mocinha, somos amigos e mesmo ele me achando linda e sendo todo galanteador, não rolou nada. Aqui, não rolou nada. – Disse deixando bem claro que ela sabia sobre a traição.

— Eu... eu preciso ir... – Naiara puxou a mão e virou-se enquanto falava sobre os ombros – Acho que sei como te tirar daqui caso ainda queira voltar para casa.

— Nai... espera... Naiara.

Mas não adiantava, ela estava correndo. Corria como se sua vida dependesse daquele momento, não permitiu-se notar nada ao seu redor, somente a cena de Agares feliz ao lado de outra mulher, as lagrimas banhavam seu rosto e a sensação de que iria desaparecer, era esmagadora. Em meio ao seu desespero, não se deu conta para onde seus passos a levavam, chocou-se com um grande portão que brilhava ao ponto de machucar os olhos, ela chorou ainda mais, queria somente sair dali, acordar e esquecer tudo aquilo. Esmurrou o portão, praguejou e disse as palavras mais chulas que havia aprendido em seu tempo de escola, mas nada aconteceu. Naiara deixou seu desespero vencer e caiu de joelhos em frente ao grande portão, o choro rompia em soluços altos, machucando o seu peito.

— Por favor... me deixe sair daqui... por favor....

Suplicou em meio as lagrimas e o portão abriu.”

— Calma Vida, por favor, acalme-se é só um sonho.

Ela estava nos braços de Yekun que limpava as lagrimas que escorriam de seus olhos como se fossem rios, demorou alguns segundos somente para que entendesse onde estava e quem a acalantava, em um salto rápido afastou-se, levantando já com as mãos estendidas para frente e seus olhos implorava para que ele não se aproximasse dela naquele momento.

— Eu só preciso de um tempo. – Disse ainda chorando – Só um tempo sozinha... por favor. – Ela sumiu.

Surgiu no alto de uma arvore, em algum lugar daquele reino totalmente cinza, não sabia como aquelas pequenas porções de verde existia, mas naquele momento, era todo o refúgio que ela poderia ter. Precisava entender o que havia acontecido, sabia que não poderia cobrar nada de Agares, pois o que viu não se comparava ao que havia feito. Sentou-se sobre o largo galho e seus pés balançavam no ar, Naiara lembrou-se de um tempo em que o telhado era seu refúgio e o maior problema em sua vida, era os sermões sem coerência de seu pai, tentou se lembrar do exato momento em que sua vida mudou, como conseguiu estar em um triangulo amoroso com dois demônios, triângulo que corria um grande risco de acabar virando um quadrado, pois um anjo estava querendo participar.

— Acha mesmo que foi justa com ele?

Naiara se desequilibrou e quase caiu do galho onde estava, sentada ao seu lado Gabriela a olhava com seriedade e de perto ela era ainda mais linda.

— O que você quer aqui? – Perguntou um pouco mais alto do que deveria – Alias, como veio parar aqui?

— “Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.

Porque Ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios”.

— Serio mesmo que vai ficar citando a bíblia? – Naiara estava fazendo um esforço sobrenatural para manter uma gota de serenidade.

— Você perguntou e eu lhe dei a resposta – Deu de ombros – Meu Pai é dono de todas as coisas o meu ir e vir é natural, não existe barreiras ou limites. Mas não vim aqui para discutirmos meus limites geográficos. Você foi injusta com ele.

Naiara olhou para o galho onde estavam sentadas e pensou se a pegaria distraída quando partisse o galho, a única coisa que queria era machucar aquele anjo de alguma forma, pois o ódio estava consumindo.

— Pare com isso, sabe que não irei cair e está sendo infantil Nai.

— Não. Me. Chame. Assim. – Disse cada palavra pausadamente, carregados de toda a raiva que sentia naquele momento.

— Mas fala ai. – Gabriela simplesmente não ligava para as reações à sua frente – Como pode pensar em exercer esse sentimento de posse sobre ele, quando na verdade estava dormindo enroscada no caído? Seria melhor encontra-lo machucado, chorando, esperando que você chegasse com sua luz vermelha e o salvasse? Que amor egoísta é esse que sente, onde prefere ver o alvo desse amor sofrendo, mas te esperando, do que bem? E mesmo bem, rindo e agora sem hematomas e machucados, ele ainda a espera e é você que toma conta de noventa por cento de seus pensamentos.

Gabriela não se intimidou diante o olhar homicida que Naiara lançava para ela a cada palavra que saia de sua boca, mesmo quando ela resplandeceu em vermelho e estava irradiando fúria, ainda assim continuou.

— Noventa por cento?

— Ah meu Pai! – O anjo gritou jogando as mãos para o alto – Te falo um texto imenso, confronto o seu caráter, mostro diante de você os seus erros e a hipocrisia de sua atitude e a única coisa que te preocupa é o fato de que não ocupa cem por cento dos pensamentos dele? – Gabriela gritava e sua voz parecia abalar o mundo – O que te difere de Robert? Aquele há quem por tantas vezes você intitulou de hipócrita, pois falava o que não vivia, quando na verdade você cobra dele algo que você nem ao menos tentou fazer?

Naiara perdeu o controle sobre a voz, sua mente trabalhava freneticamente, mas seus lábios estavam lacrados, não conseguia emitir som algum, ser comparada a Robert foi um tapa forte o bastante para abalar todas as certezas dentro dela.

— Foi o que eu imaginei. Nada. - Gabriela levantou-se e suas asas se abriram – Diego tem um plano para libertar Agares, agora ele está bem, mas já sofreu demais nas mãos de Miguel e seu amigo recém chegado – Naiara sabia que ela falava de Gabriel – Acredito que hoje em sua “visita” meu pai lhe deu alguma ideia de como isso iria acontecer, então se ainda sente algo por ele, antes de ir resgata-lo, decida a sua vida criança e pare de brincar com o coração dos outros, ainda que demônios, os dois lhe entregou o que de melhor havia dentro deles.

E ela se foi, deixando sentada e imóvel a filha de Lúcifer, aquela que herdaria os três reinos, herdeira de Amarantha, uma das filhas da floresta mais poderosa, mas naquele momento, ela era somente Naiara, uma menina de dezoito anos que havia acabado de cometer um erro que não teria como voltar atrás.

Ela perderia Agares.

Levou o que pareceu ser uma eternidade para conseguir se mover e então voltar para onde estava acampada com Yekun, passou horas sentada pensando em tudo o que o anjo lhe disse e o quanto não poderia odiá-la, pois só havia dito verdades. Naiara fazia daquela missão um passeio ao ar livre e por mais que fosse triste assumir, gostava do tempo que passava ao lado dele, existia uma escolha, uma liberdade, não poderia continuar com nada daquilo, precisava arranjar aliados e acima de tudo, agora sabia como resgatar Agares.

Aproximou-se e viu Yekun deitado no mesmo lugar, deitado de costa e parecia dormir, ela não quis se aproximar, puxou uma das cobertas soltas e se enroscou encostada em uma pedra. O sol acinzentado do Sheol, anunciava o começo de um novo dia.

Naiara sentiu o corpo reclamar de dor devido a posição que dormiu, esticou-se espreguiçando-se enquanto alguns ossos estalavam voltando ao lugar, Yekun estava parado, diante dela, com as asas bem coladas ao corpo, os braços cruzados no peito.

— Vai me contar o que aconteceu? – Quis saber assim que ela o olhou.

— Não tem o que contar. – Respondeu séria, já se levantando e tentando arrumar a desordem nas roupas e no cabelo.

— Como não Naiara? Você acordou chorando, gritando e depois, simplesmente sumiu, quando voltou, deitou-se o mais longe possível e agora me diz que não tem o que falar?

— Yekun – Naiara endireitou sua posição e colocou-se de frente a ele, falando seriamente – Foi somente um beijo. O fato de ter te beijado não muda o significado da nossa ida até Azazyel, aconteceu algo impensado, fui levada por um momento, mas não voltara a acontecer. – Yekun a olhava e sua face revelava toda a confusão e descrença naquelas palavras – Amo Agares e mesmo reconhecendo o quanto mexe comigo, escolhi ser dele e isso não irá mudar.

Yekun ficou calado, olhando para ela por alguns segundos que mais pareciam ser a eternidade, nenhum dos dois se mexeu ou desviou o olhar.

— Ok – Ele quebrou o silencio – Vamos nos apressar em encontrar Azazyel e voltar para casa.

— Sim.

Foi tudo o que ela se limitou a dizer. Arrumaram as poucas coisas que ainda tinham e quando ele se aproximou para pega-la no colo e voltarem a voar, Naiara se afastou alegando que poderiam andar, pois acreditava que estavam chegando, ele nada disse, somente acenou com a cabeça concordando e caminhou ao lado dela em silencio. O sol ainda estava alto quando o que pareceu ser uma miragem surgiu diante dos olhos deles novamente, uma floresta com a mata densa e fechada, arvores altas com as copas fartas, tantas, que pareciam um grande paredão, entre os troncos largos uma mulher surgiu, o vestido verde que usava, estava colado ao seu corpo abrindo-se somente dos joelhos para baixo, revelando as belas curvas e os pés descalços, os cabelos castanhos dividia-se ao meio e caia em largos cachos, chegando quase a cintura, seu rosto era forte e de uma expressão marcante e não havia maquiagem alguma, e ainda assim, era uma mulher linda. Yekun parou assim que a notou e segurou Naiara pelo braço, ela no entanto se soltou e como se estivesse sendo encantada com a presença daquela mulher, caminhou, indo ao encontro dela. Assim que se aproximou um pouco mais, a misteriosa mulher sorrio e seu sorriso, provocou arrepios em Yekun que apressou os passos para deter Naiara mais uma vez, no mesmo instante em que com um simples movimento de dedos daquela mulher, uma nevoa verde se levantou, sugando Naiara e Yekun.

Em um momento estavam de frente a floresta e no momento seguinte dentro do que pareceu ser um castelo. Naiara e Yekun se olharam e de forma protetora ele se posicionou ao lado dela e segurou sua mão, então ela soube pela forma como o corpo dele esteva tenso e seus dedos apertavam os dela. Estavam na morada de Azazyel. O lugar tinha o mesmo tom cinza do céu de Sheol, tudo era feito de pedra e lembrava muito um castelo medieval, a frente deles dois grandes tronos feitos de pedra e sentado neles, estava a bela mulher que viram na floresta e um ser semi nu. Naiara não conseguiu conter os lábios de se contraírem ao tentar segurar o riso com a cena a sua frente. Azazyel era alto e de uma beleza exótica, seus cabelos eram tão compridos quanto da mulher sentada ao seu lado, mas não tinham cor alguma, assim como os olhos, os cabelos eram brancos e por alguns minutos Naiara acreditou que ele fosse cego.

— Não, não sou privado de minha visão minha jovem. – Respondeu a dúvida não verbalizada.

— Não gosto de leiam a minha mente. – Disse séria dando um passo à frente.

— Hum, temos então uma jovem corajosa como Herdeira. Aprenda a bloquear seus pensamentos menina, está cercada de criaturas que fariam tudo para ler o que se passa ai dentro.

— Agradeço o conselho, mas pelo que vejo já sabe quem sou e como sabe quem sou, sabe também que não me chamo menina ou jovem. Pode me chamar de Naiara.

— Então, Naiara – Ele riu pronunciando o nome dela – para quem precisa da minha ajuda, seus modos não estão ajudando nessa possível aliança.

Azazyel arqueou a sobrancelha olhando para Naiara de forma desafiadora, a mulher ao lado dele nada dizia, parecia nem ao menos se mover, se não fosse a mão dos dois entrelaçadas e o suave movimento que o seu dedos faziam enquanto acariciavam a mão de Azazyel, poderiam dizer que ela não passava de uma estátua sentada ao lado. Yekun deu mais um passo e se colocou na frente de Naiara, tirando-a da visão deles.

— Yekun.... Yekun... – Ele cantarolou – Acredita mesmo que se eu quisesse fazer mal a Herdeira, você seria capaz de me conter?

— Não. Mas acredito também que não precisamos chegar a esse ponto Azazyel. – Disse de forma educada – Sabe que fomos atacados e que a guarda irá voltar e não podemos colocar o reino em perigo.

— Mas para resolver isso é simples meu caro amigo caído, iremos matar a menina.

E como se prevendo o que poderia acontecer, antes que terminasse a frase, Naiara sentiu uma força invadindo-a, como se não estivesse mais sozinha, mas outras ocupassem seu corpo, multiplicando, triplicando o seu poder e ela soube exatamente quem era, Amarantha e Élida revestiam Naiara de força. Uma grande cúpula vermelha envolveu Yekun e Naiara, os separando do ataque da nevoa verde que se chocou contra eles.

— Interessante.

Azazyel se levantou e caminhou entre a nevoa, aproximando-se da cúpula que Naiara mantinha intacta, a mulher atrás dele, permanecia sentada e parecia não fazer esforço algum, enquanto Naiara, sentia o suor escorrer em seu rosto e a magia vinda de sua casa oscilar a cada instante.

— Nunca vi Mohini ser detida antes. – Ele levantou a mão e com cuidado tocou o campo avermelhado, sentindo de imediato o mal estar – Ah isso é fabuloso, não é mesmo Mohini? – Virou-se para mulher que agora ajeitava-se sobre o trono, sorrindo graciosamente.

Com um leve aceno de cabeça a nevoa retraiu e Mohini se levantou, posicionando-se de forma graciosa ao lado de Azazyel que lhe acariciava a face enquanto falava olhando diretamente nos olhos de sua companheira.

— Sabe Naiara, acredito que agora já pode desfazer o feitiço e liberar sua mãe, antes que ela e sua pequena bruxinha, sejam completamente drenadas. – Naiara olhou para Yekun, buscando nele alguma resposta, sabia que sua mãe não estava mais aguentando. Ela então desistiu. – Muito bem minha jovem, não queremos perder Amarantha e a pequena Élida, antes mesmo que a tal batalha aconteça. Vamos, fique conosco, imagino que estejam não somente famintos, mas necessitando de um banho e trajes limpos, não acredito que meu querido Heylel ficará feliz em saber que nem ao menos alimentei a sua pequena princesa.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • Tenebris A Herdeira do Sheol - Livro II   Capítulo XIX - Deuteronômio 8.5

    — O que foi que você fez? – Miguel gritou.— O que eu fiz? O que você fez? – Heylel gritava em resposta – Achou mesmo que iria continuar agindo da forma que agia e nosso Pai não o disciplinaria?— Meu Pai!— Cresce Miguel.— O único que precisa ser castigado aqui é você, traidor.Miguel esbravejava e gritava como um insano, andando de um lado para outro, sem saber o que fazer. Ele parou de súbito, iria abrir suas asas e somente voar para o mais longe possível de Heylel e daquele lugar, voltaria para casa e iria ter com o Pai. Mas nada aconteceu. Forçou o pensamento novamente, esperando sentir a expansão em sua omoplata e então a gloria de suas asas abertas. Nada.— O que a bruxa da sua cria fez comigo?— Se falar novamente da minha filha dessa forma Miguel vou matar você e deixar seu corpo aqui me

  • Tenebris A Herdeira do Sheol - Livro II   Capítulo XVIII - Mateus 19.6a

    — Entre. – Yekun disse após ouvir a leve batida.Naiara abriu a porta, colocando somente a parte de cima de seu corpo para dentro. Yekun estava deitado sobre uma cama imensa que ficava abaixo de uma ampla janela. O quarto dele era enorme, um dos maiores da morada, mas todos os moveis eram antigos o que deixava tudo com uma visão quase medieval. Combinava com ele.— Você está bem? – Ela perguntou ainda da porta.— Ficarei melhor quando entrar vida. – Disse a olhando.Naiara entrou, fechando a porta atrás de si, estava constrangida com a situação. Não que nunca tivesse estado a sós com Yekun, até mesmo dormido em seus braços em uma barraca, ela já havia dormido. Mas estar dentro do quarto dele, era intimo demais. Sentou-se em uma poltrona que ficava no canto do quarto e sorrio para ele que a olhava sem entender o que acontecia com a menina.

  • Tenebris A Herdeira do Sheol - Livro II   Capítulo XVII - Eclesiastes 3.8

    — Acha mesmo que foi a melhor escolha? – Azazyel perguntou a ela enquanto andavam.E como se a pergunta fosse o gatilho para suas emoções, ela caiu de joelhos e chorou como jamais havia chorado em sua vida, sentia o corpo se mover com a força dos soluços que rasgavam seu peito, levou as mãos à cabeça e o rosto ao chão. Um grito rompeu de sua garganta e Azazyel correu para conter Naiara que resplandecia parecendo não conseguir controlar a ela mesmo. Braços fortes a envolveram e a menina se permitiu tombar de lado e deitar a cabeça no peito dele.— Chore guerreira, tudo isso passará. – Ele dizia em um tom baixo, como um pai que acalanta um filho – Chore, deixe sair tudo o que está te fazendo mal. Coloque para fora.Ficaram imóveis por minutos que mais pareceram horas, o único barulho que se ouvia, era dos soluços de Naiara e

  • Tenebris A Herdeira do Sheol - Livro II   Capítulo XVI - João 10.10a (continuação)

    As palavras era gritadas em todas as direções e ela parecia um animal encurralado, andando de um lado para outro, preste a atacar.— Posso me aproximar? – Perguntou incerto. Ela respirou fundo e então parou e o olhou.— Sempre. – Tentou desfazer a carranca, mas não obteve sucesso. Agares andou lentamente até ela e com cuidado segurou em suas mãos. – Temos que ter um plano.— Plano?— Sim, ainda temos que encontrar a arvore e levar as folhas para Amarantha. – Só nesse momento ela se lembrou do porque estavam ali.— Yekun. – Disse baixo.— Sim, ele ainda precisa de nós.Eles conversavam baixo, como se qualquer alteração na voz, fosse tirar Naiara do eixo novamente, fazendo sua ira explodir. Os três ainda choravam, mas Gabriel agora estava sentado no chão, ainda preso pelo poder de Naiara, s

  • Tenebris A Herdeira do Sheol - Livro II   Capítulo XVI - João 10.10a

    As paredes eram escorregadias, como se a umidade fosse muita e a água não parasse de escorrer jamais, o espaço estreito e quase sufocante, não permitia que os dois andasse afastados, estavam tão próximos que o calor dos corpos se misturava.— Agares, e se ficarmos andando para sempre aqui e não chegarmos a lugar algum?— Sempre terá um lugar para chegar Nai, em algum momento.— Está profundo. – Ela brincou.— Não. – Ele disse sério e sem se virar para trás – Você que ainda não me conhece completamente.Ela não respondeu, mas com cuidado, soltou os dedos que estavam presos aos dele, com a desculpa que precisavam de luz. Naiara clareou um pouco o caminho, perdida em seus próprios pensamentos. Ainda que a escolha dela fosse Agares, algo havia se quebrado e o medo que nunca mais fosse reparado estava p

  • Tenebris A Herdeira do Sheol - Livro II   Capítulo XV - Deuteronômio 10.20 (continuação)

    Naiara já estava parada de frente e pequena porção de água, os braços cruzados ao peito e o olhar perdido no horizonte rochoso e cinza a sua frente.— Não é uma das imagens mais bonitas que já viu né? – A voz de Agares rompeu o silencio do lugar.— Não é não, mas tem o seu encanto.Ele parou ao lado dela entregando o cantil cheio de agua.— Sem agua né?Naiara o olhou e pegou o cantil, voltando sua atenção para a paisagem a sua frente.— É só estranho, quase difícil te ver com outra pessoa. – Confessou baixinho.— Mas não está me vendo com ninguém. – Respondeu no mesmo tom.— A forma como a toca e ela se entrega... sei lá, só achei que seria mais fácil. Quando imaginava você com as demônias deste l

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status