MasukAzazyel já estava andando e tendo Mohini ao seu lado, o corpo de Naiara enfim ganhou vida e ela se moveu alguns passos parando os anfitriões.
— Como posso receber seus cuidados quando acabou de ameaçar me matar?
— É verdade, ameacei. – Ele sorria a olhando com uma intimidade que provocava arrepios em Naiara e despertava a proteção de Yekun que agora estava colado a menina – Mas algo me diz que essa luta será interessante e sabe o que é melhor minha jovem – Ela revirou os olhos quando o ouviu – Algo me diz que podemos vencer.
Naiara olhou para Yekun, sua face deixava claro que ele não estava entendo nada do que acontecia ali e o pequeno V se aprofundava entre seus olhos. Eles seguiram os dois, com Naiara sempre atrás de Yekun, quando pararam em frente a uma porta que mais parecia ser a entrada de uma prisão, Mohini a abriu apresentando a eles um grande quarto luxuoso, todo ele estava mobiliado com moveis modernos e cores claras, parecia que haviam entrado em outra dimensão.
— Acredito que encontrarão tudo o que precisam no guarda roupa. – Pela primeira vez Mohini falou e sua voz era doce e gentil, contrastando com a força que sua magia possuía – O banheiro fica ali. Aguardamos os dois para o jantar, enquanto isso, cuidem-se e descansem.
— Ela não é adorável? – Azazyel perguntou para ninguém em especifico, enquanto tomava Mohini pela cintura e lhe beijava intensamente, deixando Naiara e Yekun, constrangidos.
Eles saíram do quarto, fechando a porta atrás deles.
— É.... isso foi... interessante... – Naiara disse tentando conter o sorriso – Para alguém tão temido, ele me pareceu bem simpático.
— Não deixe se enganar com Azazyel, te mataria em um piscar de olhos. Lembre-se que sua mãe precisou vir ao seu encontro.
Yekun estava certo, ela sabia que se não fosse Amarantha e Élida, com certeza eles teriam morridos, envoltos a nevoa verde. Precisava entender como essa ligação com a mãe funcionava, entender como conseguiria bloquear seus pensamentos, deixar de fora as pessoas que poderiam usar a sua bagunça interna para ferir de alguma forma as pessoas que ela ama. Em meio a isso tudo, ainda teria que descobrir um jeito de levar Azazyel e Mohini com eles e tê-los como aliado, teria que entender os sinais para uma possível vinda da guarda celestial e ainda resolver a situação Agares / Yekun.
Ela estava perdida.
Afastou-se de Yekun que ainda permanecia parado no meio do quarto, sem nada dizer abriu a porta do guarda roupa e viu que o móvel estava divido exatamente ao meio, com roupas masculinas e femininas. Pegou um jeans e uma blusinha de malha com as mangas compridas e para sua surpresa, em uma das gavetas encontrou lingerie novas e meias, agradeceu em silencio aos céus por aquilo. Com as roupas nos braços foi até onde indicaram ser o banheiro.
— Preciso de um banho, prometo não demorar, para que possa se banhar também.
Ele nada respondeu, permaneceu inalterado, com os braços cruzados no peito, bem no meio do quarto. Ela sabia o quanto havia errado e a grande besteira em que se meteu, mas estava se cansando da carranca de Yekun, iria conversar seriamente com ele assim que chegassem em casa.
Mas naquele momento, tudo o que precisara, era de um bom banho.
Sentiu a água quente cair em seus cabelos, seu corpo, toda a sujeira e poeira dos dias de estrada, descia pelo ralo em uma água manchada. Era naqueles momentos, mais que todos os outros, que Naiara adorava a magia, dentro do box estava todos os produtos que usava, lavou os cabelos demoradamente, sentindo o aroma de baunilha tomando todo o lugar, passou mais tempo no banho do que pretendia. Quando saiu trocada e penteada, encontrou Yekun parado de frente a porta assustando-a.
— Céus Yekun, para que ficar assim tão perto da porta? Quase me mata do coração.
— Desculpe Vida, mas fui tomado por seu aroma e não me contive.
Entendeu que aquela situação seria muito mais difícil do que ela gostaria. Sorrio sem graça e afastou-se deixando a passagem livre para ele, que suspirou um pouco mais alto que o necessário e entrou, batendo de forma não muito educada a porta. Ela não iria ficar esperando por ele, imaginar Yekun no banho seria demais para o pouco de auto controle que dominava seu corpo. Só em pensar na água quente deslizando sobre a pele fria, escorrendo na marca em V que havia em seu abdome. Naiara sacudiu a cabeça, como se para enviar longe os pensamentos que lhe tomavam naquele momento, saiu do quarto em um rompante, deparando-se com Mohini no corredor.
— Ah desculpa... é que eu... bem... não queria ficar no quarto...- Ela se atrapalhou na explicação.
— Calma minha querida, não se faz necessário uma explicação. Sei que estar no mesmo lugar que ele e não tê-lo é algo desafiador.
— Não entendi.
— Acredito que tenha entendido sim, sei que ama Agares, mas enfim aceitou a perfeição que existe entre os marcados. Não deveria fugir disso. Consegue imaginar o amor entre vocês? Poderia fechar seus olhos por um minuto e visualizar esse relacionamento ou os frutos dele?
Sim, ela conseguia. Ainda mais, Naiara sabia o que teria com Yekun, entendia a perfeição entre os dois, jamais haveria alguém mais amada e desejada do que ela, em nenhum mundo alguém a olharia com tanto amor e adoração como ele a olharia e ainda assim, era Agares o seu desejo.
— Entendo. – Disse Mohini baixinho.
— Ah por Deus, parem de ficar lendo a minha mente.
— Deus? – Mohini riu alto e seu riso era tão melodioso quanto de Élida – Não acredito que Ele esteja por perto para ouvir o seu desejo minha querida.
— Nisso não posso concordar com você, acredito que Ele tem o domínio sobre todas as coisas, sendo assim, caminhar até o Sheol, seria algo fácil, como um passeio ao parque.
— Interessante essa sua visão, ainda mais vindo da filha daquele que traiu seu Criador.
— Ele se chama Heylel. E ser filha de alguém que errou e busca desesperadamente a redenção, só me dá mais motivos para acreditar que Deus consegue não somente nos ouvir aqui, mas também nos atender.
— E não acha que se Ele realmente a ouvisse teria ajudado em todas as vezes que pediu por ajuda e não obteve resposta?
— Acredito que em todas as vezes em que precisei de ajuda e Ele não veio ao meu encontro, foi por que sabia exatamente até onde eu poderia ir e mais, sabia que seria capaz de resolver sozinha.
As duas travavam uma batalha educada no meio do corredor e tudo indicava que nenhuma das duas estava disposta a ceder em suas crenças.
— Agora me deixou curiosa querida.
— Naiara, me chamo Naiara.
— Ah sim, nossa pequena guerreira. Diga-me, como poderá andar com essa sua crença em Deus e não negar a magia que corre em suas veias e o pior, não negar seu progenitor?
— E porque eu teria que escolher à um e negar a outro?
— Oras, quer mesmo me fazer acreditar que aceitariam que tenha uma fé ampla em todas as coisas?
— Não quero fazer com que você ou qualquer outra pessoa acredite em minhas crenças. Não preciso que isso aconteça. Mohini, tenho em minhas veias, como você mesmo disse, a magia correndo livre, sobre minha genética, tenho a origem de Lúcifer e sou grata a isso, mas tenho em meu coração a certeza de uma fé inabalável naquele que criou todas as coisas, inclusive você.
Apontou para Mohini que a olhava com total descrença.
— Xeque Mate!
Declarou Azazyel logo atrás delas. Sua voz ecoou no corredor, assustando Naiara e encontrando Mohini ainda estática, analisando a menina a sua frente.
— Ah querida, ela foi brilhante – Disse colocando as mãos nos ombros de sua amada, sorrindo de forma orgulhosa de Naiara, como se tivesse acabado de ganhar o ouro em alguma disputa – Arrematou com classe suas dúvidas.
— Sim, ela foi. – Concordou, mas algo na forma como ela ainda olhava para Naiara, deixava claro que não concordava com aquelas palavras.
Yekun abriu a porta do quarto e surgiu ainda mais bonito do que em qualquer outro momento. Estava com uma simples calça jeans, que marcava seu corpo, mas de forma confortável, uma camiseta branca com mangas compridas que se moldavam as suas asas que estavam levemente abertas, os cabelos lavados, desciam como cortinas pretas emoldurando seu rosto. Seu olhar encontrou Naiara que estava perdida em cada detalhe dele. E quem olhasse para os dois, teria a certeza que nasceram um para o outro.
Sorrio.
— Ok. Todos lindos, cheirosos e de banho tomado. Vamos nos alimentar.
Azazyel parecia mais um lindo bobo da corte do que uma criatura implacável, nada nele despertava o pavor que todos pareceram sentir quando seu nome foi mencionado. A mesa de jantar estava posta e como em sua casa, era tudo muito formal, requintado, mas acima de tudo, era somente uma mesa de jantar normal. Assim como as de seu pai, as asas de Azazyel não ficavam a mostra, mas algo dizia a Naiara que elas existiam. Sentaram-se dois de cada lado da mesa, mais parecendo dois casais amigos em um jantar informal, se ela mesmo não estivesse vivendo aquela situação, jamais acreditaria. A conversa beirava a banalidade e Yekun respondia com muito custo aos comentários de Azazyel, o tempo estava passando e a lembrança de Agares ao lado daquele anjo, enchia o coração de Naiara de ciúmes, queria acabar logo com aquela enrolação, voltar para sua casa, invadir o céu e pegar o seu namorado e no processo, arrancar aquele sorriso do rosto de Gabriela.
— Se não me falha a memória, ciúmes era um dos sentimentos que levaram Lúcifer a se voltar contra Deus.
A voz melodiosa de Mohini quebrou os pensamentos de Naiara a trazendo de volta. Seu olhar encontrou o da bruxa e o sorriso carregado de maldade dela despertou o pior lado de Naiara, a luta silenciosa estava travada. Nenhuma das duas desviavam o olhar, a magia crepitava entre elas, uma disputa nítida de poder, a nevoa verde contra a luz avermelhada, brigando sobre a mesa, diante de todos. Yekun se virou para Naiara, tentando de alguma forma ajuda-la, mas não havia o que ser feito, era uma disputa pessoal e pelo que podia-se ver, nenhuma das duas tinha a vantagem ou se quer pensavam em desistir.
Mohini levantou a mão com graciosidade e com um gesto muito simples e delicado, potencializou sua nevoa sobre Naiara, que sentiu uma leve tontura e o fraquejar da sua magia, mas o sorriso presunçoso da bruxa enfureceu Naiara que projetou com mais força sua magia, fazendo a nevoa verde retroceder um pouco. Uma única gota de suor escorreu pela lateral do rosto de Mohini, tirando completamente a sua atenção, a nevoa se desfez de imediato e como uma lâmina afiada, a magia avermelhada de Naiara pairou a centímetros do rosto da bruxa.
— Não esqueça jamais, sou filha da primeira, herdeira do caído, o fato de ser nova, não limita o que eu sou. – Aproveitou que o momento se tornou tenso e decidiu acabar com tudo de uma só vez – Azazyel, precisamos da sua ajuda e de sua companheira, sabe pelo que Sheol está passando e o que ainda está por vim, podemos contar com vocês?
A pergunta foi direta e sem rodeios, ela o olhava seriamente e não se ouvia nada além da respiração deles, Azazyel se levantou e caminhou ao redor da mesa, indo em direção a Naiara, Yekun fez menção de se levantar, mas ela apoiou as mãos em seus ombros e se levantou, fazendo um pedido em silencio para que ele permanecesse onde estava. Os dois ficaram frente a frente, Naiara quase dois palmos menores que ele, mas não se intimidou, levantou a cabeça o olhando de igual para igual.
— Podemos contar com você? – Perguntou novamente.
— Sabe menina, são poucas as pessoas que me conquistam, na verdade, somente uma me conquistou – Disse olhando para Mohini e lançando para ela um sorriso carinhoso – Até agora.
Ele se virou indo em direção ao corredor e falando sobre os ombros.
— Vamos minha querida, temos malas a fazer, vamos passar um tempo com o meu querido Heylel e sua adorável família.
— O que foi que você fez? – Miguel gritou.— O que eu fiz? O que você fez? – Heylel gritava em resposta – Achou mesmo que iria continuar agindo da forma que agia e nosso Pai não o disciplinaria?— Meu Pai!— Cresce Miguel.— O único que precisa ser castigado aqui é você, traidor.Miguel esbravejava e gritava como um insano, andando de um lado para outro, sem saber o que fazer. Ele parou de súbito, iria abrir suas asas e somente voar para o mais longe possível de Heylel e daquele lugar, voltaria para casa e iria ter com o Pai. Mas nada aconteceu. Forçou o pensamento novamente, esperando sentir a expansão em sua omoplata e então a gloria de suas asas abertas. Nada.— O que a bruxa da sua cria fez comigo?— Se falar novamente da minha filha dessa forma Miguel vou matar você e deixar seu corpo aqui me
— Entre. – Yekun disse após ouvir a leve batida.Naiara abriu a porta, colocando somente a parte de cima de seu corpo para dentro. Yekun estava deitado sobre uma cama imensa que ficava abaixo de uma ampla janela. O quarto dele era enorme, um dos maiores da morada, mas todos os moveis eram antigos o que deixava tudo com uma visão quase medieval. Combinava com ele.— Você está bem? – Ela perguntou ainda da porta.— Ficarei melhor quando entrar vida. – Disse a olhando.Naiara entrou, fechando a porta atrás de si, estava constrangida com a situação. Não que nunca tivesse estado a sós com Yekun, até mesmo dormido em seus braços em uma barraca, ela já havia dormido. Mas estar dentro do quarto dele, era intimo demais. Sentou-se em uma poltrona que ficava no canto do quarto e sorrio para ele que a olhava sem entender o que acontecia com a menina.
— Acha mesmo que foi a melhor escolha? – Azazyel perguntou a ela enquanto andavam.E como se a pergunta fosse o gatilho para suas emoções, ela caiu de joelhos e chorou como jamais havia chorado em sua vida, sentia o corpo se mover com a força dos soluços que rasgavam seu peito, levou as mãos à cabeça e o rosto ao chão. Um grito rompeu de sua garganta e Azazyel correu para conter Naiara que resplandecia parecendo não conseguir controlar a ela mesmo. Braços fortes a envolveram e a menina se permitiu tombar de lado e deitar a cabeça no peito dele.— Chore guerreira, tudo isso passará. – Ele dizia em um tom baixo, como um pai que acalanta um filho – Chore, deixe sair tudo o que está te fazendo mal. Coloque para fora.Ficaram imóveis por minutos que mais pareceram horas, o único barulho que se ouvia, era dos soluços de Naiara e
As palavras era gritadas em todas as direções e ela parecia um animal encurralado, andando de um lado para outro, preste a atacar.— Posso me aproximar? – Perguntou incerto. Ela respirou fundo e então parou e o olhou.— Sempre. – Tentou desfazer a carranca, mas não obteve sucesso. Agares andou lentamente até ela e com cuidado segurou em suas mãos. – Temos que ter um plano.— Plano?— Sim, ainda temos que encontrar a arvore e levar as folhas para Amarantha. – Só nesse momento ela se lembrou do porque estavam ali.— Yekun. – Disse baixo.— Sim, ele ainda precisa de nós.Eles conversavam baixo, como se qualquer alteração na voz, fosse tirar Naiara do eixo novamente, fazendo sua ira explodir. Os três ainda choravam, mas Gabriel agora estava sentado no chão, ainda preso pelo poder de Naiara, s
As paredes eram escorregadias, como se a umidade fosse muita e a água não parasse de escorrer jamais, o espaço estreito e quase sufocante, não permitia que os dois andasse afastados, estavam tão próximos que o calor dos corpos se misturava.— Agares, e se ficarmos andando para sempre aqui e não chegarmos a lugar algum?— Sempre terá um lugar para chegar Nai, em algum momento.— Está profundo. – Ela brincou.— Não. – Ele disse sério e sem se virar para trás – Você que ainda não me conhece completamente.Ela não respondeu, mas com cuidado, soltou os dedos que estavam presos aos dele, com a desculpa que precisavam de luz. Naiara clareou um pouco o caminho, perdida em seus próprios pensamentos. Ainda que a escolha dela fosse Agares, algo havia se quebrado e o medo que nunca mais fosse reparado estava p
Naiara já estava parada de frente e pequena porção de água, os braços cruzados ao peito e o olhar perdido no horizonte rochoso e cinza a sua frente.— Não é uma das imagens mais bonitas que já viu né? – A voz de Agares rompeu o silencio do lugar.— Não é não, mas tem o seu encanto.Ele parou ao lado dela entregando o cantil cheio de agua.— Sem agua né?Naiara o olhou e pegou o cantil, voltando sua atenção para a paisagem a sua frente.— É só estranho, quase difícil te ver com outra pessoa. – Confessou baixinho.— Mas não está me vendo com ninguém. – Respondeu no mesmo tom.— A forma como a toca e ela se entrega... sei lá, só achei que seria mais fácil. Quando imaginava você com as demônias deste l







