LOGIN— Entre. – Yekun disse após ouvir a leve batida.
Naiara abriu a porta, colocando somente a parte de cima de seu corpo para dentro. Yekun estava deitado sobre uma cama imensa que ficava abaixo de uma ampla janela. O quarto dele era enorme, um dos maiores da morada, mas todos os moveis eram antigos o que deixava tudo com uma visão quase medieval. Combinava com ele.
— Você está bem? – Ela perguntou ainda da porta.
— Ficarei melhor quando entrar vida. – Disse a olhando.
Naiara entrou, fechando a porta atrás de si, estava constrangida com a situação. Não que nunca tivesse estado a sós com Yekun, até mesmo dormido em seus braços em uma barraca, ela já havia dormido. Mas estar dentro do quarto dele, era intimo demais. Sentou-se em uma poltrona que ficava no canto do quarto e sorrio para ele que a olhava sem entender o que acontecia com a menina.
— O que houve? – Ele perguntou enquanto ajeitava-se na cama.
— Nada. Você sumiu e eu fiquei preocupada. – Deu de ombros – Vim te ver.
Ele ainda não conseguia entender o comportamento dela.
— Achei que aquele momento era de vocês, precisam confortar uma a outra. – Explicou sua ausência - E Amarantha, como está?
— Mohini fez um preparo de ervas e após muito custo, conseguimos convence-la a tomar e por fim, acabou pegando no sono. Estava exausta.
— Sim, posso imaginar a exaustão física e emocional dela. Entregou-se de corpo e alma para me manter vivo.
— Ela gosta muito de você. – Naiara disse baixinho, olhando pela janela, como se procurasse algo muito importante do lado de fora.
— Vida. – Ele a chamou.
— Oi?
— Vem aqui.
Ela se levantou e foi até ele, parando ao lado da cama.
— O que está acontecendo? – Quis saber.
— Nada, só vim mesmo ver como está.
— E porque está ai?
— Como assim? – Agora ela que não entendia nada.
— Longe de mim.
— Ah... – Foi tudo o que ela conseguiu dizer.
— Ah? – Yekun sentou-se na cama, apoiando as costas na montanha de travesseiros, sorrio para Naiara, batendo a mão no espaço vazio ao seu lado. – Vem aqui.
Ela engatinhou sobre a cama. Parou onde ele havia batido com sua mão, sentou-se sobre suas pernas de frente para ele e sorrio
— Estou aqui. – Disse quase em um sussurro.
— O que houve? – Ele perguntou novamente imitando o tom de voz.
Ela respirou fundo, sua cabeça estava baixa e seus olhos percorriam as linhas de costura do lençol.
— Só é estranho.
— O que é estranho?
— Estar aqui assim, é tão íntimo.
— Intimo? Mas já dormimos juntos.
— Eu sei Yekun é só que...
— É só que? – A incentivou continuar.
— Eu nunca estive com outro homem além de Agares.
Disse por fim, sentindo-se aliviada. Como se uma tonelada saísse de seu peito.
Yekun sorrio e com cuidado levantou o rosto de Naiara até que encontrou o seu olhar.
— Vida, eu jamais colocaria um único dedo em você sem ter a certeza de que está pronta e que sua escolha sou eu.
— Eu já te escolhi. – Disse sentindo-se uma criança fazendo manha.
— E serei grato eternamente por isso. Vem aqui minha vida.
Yekun puxou Naiara para o conforto de seus braços a envolvendo por inteira. Ela estava sentada no meio de suas pernas, as costas apoiadas no peito dele. As asas de Yekun se abriram e muito devagar se fecharam sobre ela, como um cobertor a protegendo do tempo frio.
— Adoro quando faz isso. – Ela disse baixo. Não queria que nada atrapalhasse aquele momento.
— Eu sei, sinto seu corpo relaxar e o turbilhão que é sua mente suavizar.
— Yekun.
— Oi Vida.
— Quando fomos resgatar Gabriel na primeira vez...
— Sim.
— Estava fraca por ter colocados todos lá dentro...
— Sim.
— Então Agares... Bem... sabe... – ela não conseguia colocar a pergunta em palavras.
— O que Agares fez? – Yekun mantinha o mesmo tom na conversa, sabia o que ela queria saber, mas precisava que ela mesmo falasse.
— Acho que me recarregou.
Com essa frase ele riu alto, constrangendo ainda mais Naiara.
— Desculpa Vida, mas foi engraçado. – Beijou o alto da cabeça dela, acalmando o riso – Trocaram energia para que conseguisse tirar vocês de lá?
— Sim. – Ela estava mesmo envergonhada.
— E está com medo de não ter mais essa ligação com alguém?
— Acho que sim.
— Naiara. – Ele a chamou, era estranho agora, ouvir o seu nome na boca de Yekun, havia acostumando-se com o apelido.
Virou-se para ele. Yekun levou as mãos na cintura dela, com a facilidade que um adulto pega um bebê, ele a levantou, colocando-a em seu colo, de frente para ele.
— Ainda não entende a ligação de um marcado, quando se permitir sentir, verá que todas as suas dúvidas e medos desaparecerão. Eu fui feito para você.
Havia um peso de adoração, amor e comprometimento em cada palavra dita por ele. Naiara queria sentir, queria ser tocada por aquela magia que destinava as pessoas, mas não conseguia.
— Me escolha. – Ele pediu.
— Eu já escolhi.
— Não. Escolheu aqui – Levou o dedo a cabeça da menina – Precisa me escolher aqui. – Apontou para o coração dela.
— Como? Me ensina então.
Ela estava tendo a conversa mais intensa de sua vida e ainda assim da forma mais leve. Yekun não alterou a voz em momento algum e mesmo quando se permitiu rir do que ela disse, ainda assim, o amor estava impresso até no som de sua risada.
— Assim.
Ele a puxou para perto, seus lábios roçaram os dela, sem pressa, o toque gelado parecia ser a temperatura ideal para o corpo quente de Naiara. Ela sentiu o ar frio escapar dos lábios dele e permitiu-se inebriar com a sensação, levou uma mão aos cabelos de Yekun, envolvendo seus dedos nos fios, acariciando, a outra mão espalmou no peito dele. Ele sorrio nos lábios dela, deixando sua língua invadir a boca da menina, procurando encontrar cada pedaço ainda não provado. O beijo foi intenso, molhado, carregando com ele todas as perguntas não feita por Naiara e todo o desejo que Yekun sentia por ela. As mãos de Yekun deslizaram pelo corpo de Naiara, parando em sua cintura, ela queria mais, queria que ele a tomasse ali, queria sentir seu corpo ser pressionado pelo dele, queria que Yekun estivesse em todas as partes de seu corpo, mas ele não moveu a mão um único centímetro a mais. Separaram-se somente quando o ar parecia não chegar aos pulmões dela. Ele selou os lábios de Naiara com carinho e não permitiu com que ela se afasta-se dele.
— Você é toda a minha existência Naiara.
— Onde está seu chefe? – Ela quis saber assim que Gabriel entrou em seu quarto.
— Sendo castigado por Deus em algum lugar por ai. – Ele respondeu secamente, fechando a porta atrás de si.
Samyaza estava deitada em sua cama, o corpo perfeito coberto somente por uma minúscula lingerie vermelha e nada mais, esperava por Miguel, mas iria divertir-se com aquela situação.
Gabriel aproximou-se um pouco mais, mas não sabia como agir naquele momento. Assim que Naiara abriu mão dele mais uma vez, havia decidido que não se guardaria mais, não esperaria mais encontrar alguém especial, se entregaria a primeira que surgisse em sua mente e quase sem perceber, seu corpo o levou até o reino de Belial. Ele voou, entrando pela janela no final do corredor onde ficava o quarto de Samyaza, ela não valia nada, mas se iria perder a virgindade, teria que ser com alguém que fosse alvo de cobiça e ela além de linda, era dona de um corpo fenomenal.
— Vai ficar parado ai ou vai me fazer companhia? – Ela perguntou com a voz carregada de sensualidade.
Gabriel engoliu em seco, dando mais dois passos à frente, parando ao lado da cama. Samyaza sorria o olhando, estava se divertindo com aquela situação, engatinhou sobre a cama da forma mais sensual que uma mulher poderia engatinhar, movendo o quadril, olhando diretamente para os olhos de Gabriel, que não respirava. Assim que o alcançou, ela levantou o tronco, ficando sobre os joelhos de frente para ele, as unhas cumpridas e vermelhas, deslizavam sobre o peito nu do jovem anjo, marcando sua pele e aguçando sensações até então desconhecida por ele. Devagar, aproximou-se do rosto de Gabriel, pairando seus lábios sobre os dele e gentilmente prendeu o seu lábio inferior entre seus dentes puxando um pouco e chupando-o antes de soltar.
— Hum... – Ela parecia se deliciar com a mais fina sobremesa – Virgem... – Falou baixinho, levando Gabriel ao cumulo do constrangimento. – Então é mentira o que falam ao seu respeito.
— O que?
— Que andava se divertindo pelo Sheol.
Ele não respondeu, estava somente a olhando e sentindo todas as reações despertada em seu corpo, Samyaza deslizou a mão no peito dele, sentindo os musculo que o menino havia ganhado nos últimos meses, gostava do que via a sua frente.
— Abra as asas. – Ela pediu quase ronronando. Ele assim o fez.
Devagar, Samyaza levantou uma das mãos e tocou com os dedos o alto da asa esquerda de Gabriel, deslizando suavemente, arrancando um gemido baixo do menino, que não tinha ideia do que estava acontecendo com seu corpo naquele momento. Ela sorrio largamente olhando sua reação.
— Não sabia né? – O tom da conversa era baixo e carregado da mais pura luxúria.
— Sobre o que?
— O prazer que poderia sentir com esse toque. – Novamente os dedos dela deslizaram sobre as penas macias e um som gutural escapou do peito de Gabriel.
Gabriel estava completamente arrepiado, claro que já havia sentido tesão e em sua adolescência já havia se masturbado inúmeras vezes, mas jamais seu corpo experimentou uma sensação igual, um prazer que poderia mata-lo. Os dedos finos e delicados de Samyaza se aprofundaram entre as penas fazendo seu corpo arquear de tanto prazer.
— Vou adorar essa noite – Ela disse levando as mãos ao quadril de Gabriel o puxando para seu corpo – Prometo cuidar muito bem de você.
— O que foi que você fez? – Miguel gritou.— O que eu fiz? O que você fez? – Heylel gritava em resposta – Achou mesmo que iria continuar agindo da forma que agia e nosso Pai não o disciplinaria?— Meu Pai!— Cresce Miguel.— O único que precisa ser castigado aqui é você, traidor.Miguel esbravejava e gritava como um insano, andando de um lado para outro, sem saber o que fazer. Ele parou de súbito, iria abrir suas asas e somente voar para o mais longe possível de Heylel e daquele lugar, voltaria para casa e iria ter com o Pai. Mas nada aconteceu. Forçou o pensamento novamente, esperando sentir a expansão em sua omoplata e então a gloria de suas asas abertas. Nada.— O que a bruxa da sua cria fez comigo?— Se falar novamente da minha filha dessa forma Miguel vou matar você e deixar seu corpo aqui me
— Entre. – Yekun disse após ouvir a leve batida.Naiara abriu a porta, colocando somente a parte de cima de seu corpo para dentro. Yekun estava deitado sobre uma cama imensa que ficava abaixo de uma ampla janela. O quarto dele era enorme, um dos maiores da morada, mas todos os moveis eram antigos o que deixava tudo com uma visão quase medieval. Combinava com ele.— Você está bem? – Ela perguntou ainda da porta.— Ficarei melhor quando entrar vida. – Disse a olhando.Naiara entrou, fechando a porta atrás de si, estava constrangida com a situação. Não que nunca tivesse estado a sós com Yekun, até mesmo dormido em seus braços em uma barraca, ela já havia dormido. Mas estar dentro do quarto dele, era intimo demais. Sentou-se em uma poltrona que ficava no canto do quarto e sorrio para ele que a olhava sem entender o que acontecia com a menina.
— Acha mesmo que foi a melhor escolha? – Azazyel perguntou a ela enquanto andavam.E como se a pergunta fosse o gatilho para suas emoções, ela caiu de joelhos e chorou como jamais havia chorado em sua vida, sentia o corpo se mover com a força dos soluços que rasgavam seu peito, levou as mãos à cabeça e o rosto ao chão. Um grito rompeu de sua garganta e Azazyel correu para conter Naiara que resplandecia parecendo não conseguir controlar a ela mesmo. Braços fortes a envolveram e a menina se permitiu tombar de lado e deitar a cabeça no peito dele.— Chore guerreira, tudo isso passará. – Ele dizia em um tom baixo, como um pai que acalanta um filho – Chore, deixe sair tudo o que está te fazendo mal. Coloque para fora.Ficaram imóveis por minutos que mais pareceram horas, o único barulho que se ouvia, era dos soluços de Naiara e
As palavras era gritadas em todas as direções e ela parecia um animal encurralado, andando de um lado para outro, preste a atacar.— Posso me aproximar? – Perguntou incerto. Ela respirou fundo e então parou e o olhou.— Sempre. – Tentou desfazer a carranca, mas não obteve sucesso. Agares andou lentamente até ela e com cuidado segurou em suas mãos. – Temos que ter um plano.— Plano?— Sim, ainda temos que encontrar a arvore e levar as folhas para Amarantha. – Só nesse momento ela se lembrou do porque estavam ali.— Yekun. – Disse baixo.— Sim, ele ainda precisa de nós.Eles conversavam baixo, como se qualquer alteração na voz, fosse tirar Naiara do eixo novamente, fazendo sua ira explodir. Os três ainda choravam, mas Gabriel agora estava sentado no chão, ainda preso pelo poder de Naiara, s
As paredes eram escorregadias, como se a umidade fosse muita e a água não parasse de escorrer jamais, o espaço estreito e quase sufocante, não permitia que os dois andasse afastados, estavam tão próximos que o calor dos corpos se misturava.— Agares, e se ficarmos andando para sempre aqui e não chegarmos a lugar algum?— Sempre terá um lugar para chegar Nai, em algum momento.— Está profundo. – Ela brincou.— Não. – Ele disse sério e sem se virar para trás – Você que ainda não me conhece completamente.Ela não respondeu, mas com cuidado, soltou os dedos que estavam presos aos dele, com a desculpa que precisavam de luz. Naiara clareou um pouco o caminho, perdida em seus próprios pensamentos. Ainda que a escolha dela fosse Agares, algo havia se quebrado e o medo que nunca mais fosse reparado estava p
Naiara já estava parada de frente e pequena porção de água, os braços cruzados ao peito e o olhar perdido no horizonte rochoso e cinza a sua frente.— Não é uma das imagens mais bonitas que já viu né? – A voz de Agares rompeu o silencio do lugar.— Não é não, mas tem o seu encanto.Ele parou ao lado dela entregando o cantil cheio de agua.— Sem agua né?Naiara o olhou e pegou o cantil, voltando sua atenção para a paisagem a sua frente.— É só estranho, quase difícil te ver com outra pessoa. – Confessou baixinho.— Mas não está me vendo com ninguém. – Respondeu no mesmo tom.— A forma como a toca e ela se entrega... sei lá, só achei que seria mais fácil. Quando imaginava você com as demônias deste l







