LOGIN— Acha mesmo que foi a melhor escolha? – Azazyel perguntou a ela enquanto andavam.
E como se a pergunta fosse o gatilho para suas emoções, ela caiu de joelhos e chorou como jamais havia chorado em sua vida, sentia o corpo se mover com a força dos soluços que rasgavam seu peito, levou as mãos à cabeça e o rosto ao chão. Um grito rompeu de sua garganta e Azazyel correu para conter Naiara que resplandecia parecendo não conseguir controlar a ela mesmo. Braços fortes a envolveram e a menina se permitiu tombar de lado e deitar a cabeça no peito dele.
— Chore guerreira, tudo isso passará. – Ele dizia em um tom baixo, como um pai que acalanta um filho – Chore, deixe sair tudo o que está te fazendo mal. Coloque para fora.
Ficaram imóveis por minutos que mais pareceram horas, o único barulho que se ouvia, era dos soluços de Naiara e nada mais. Sentia-se perdida, as palavras de Gabriel cravaram fundo em seu coração, ela também desejava Lauren de volta, ver Agares pensando quem escolher, a despedaçou, não acreditou no que viu nos olhos dele, mesmo sabendo de tudo o que fizera, mesmo com Yekun a esperando, ainda assim, sentiu-se incapaz, insuficiente.
— O coração é um terreno difícil, como areia movediça, ele te enlaça, prendendo sua razão e quanto mais tenta se mexer, quanto mais tentar entender, mais afunda. – Novamente a voz paternal de Azazyel a consolava.
— Só queria deitar e dormir. Quero fechar meus olhos e não ser mais nada, não ter que fazer nada, somente dormir.
— Então vai fazer exatamente o que todos esperam?
— Como assim? – Ela se afastou um pouco e levantou a cabeça para olha-lo.
— Todos estão ao seu redor, somente esperando o dia em que tudo isso será demais para você e então desista.
— Todos? – Perguntou baixinho.
— Todos. – Ele respondeu com convicção.
— Eu não queria decepcionar vocês.
— A nós? – Ele sorrio – Guerreira, não pode decepcionar a si mesma. – Ela o olhava sem entender – É a única entre nós que tem o livre arbítrio nas mãos, use-o.
— Como?
— Quer amar seu marcado? Ame. Quer dar um pé no destino e correr atrás do loiro, vá. Quer se colocar como a outra ponta desse triangulo poderoso, coloque-se. Seja o que for que queira fazer Naiara faça, assuma suas escolhas e as consequências que elas trará.
Ela o ouvia atenta, começava a entender o que ele lhe dizia. Estava somente colhendo os frutos de suas confusões e não poderia culpar o mundo por isso. Ela amava Agares, isso jamais mudaria, mas fez sua escolha no momento em que permitiu que outro entrasse em seu coração, tentou forçar os dois a dividir o mesmo espaço e não há divisão no amor, Yekun era sua leveza. Deixaria Agares partir e torceria com todo o seu coração para ele fosse feliz, não se afastaria e estaria ao lado dele sempre. Aceitou ser a outra ponta do triangulo no momento em que decidiu dar ouvidos a pequena Elida, ali, sentada em seu quarto, conheceu seu pai e selou seu destino. Gabriel havia decidido o dele, por mais que conseguisse ainda ver, no fundo de seus olhos o amigo que ela tanta ama, ele estava travando uma batalha interna, entre o perdoar e o vingar-se, a vingança ganhava no momento. Naiara olhou para Azazyel e sorrio com carinho, colocou-se em pé o puxando com ela.
— Sabe... – Disse de forma carinhosa – Você é o melhor tio de todos os mundos.
— Ah não! – Ele gritou bagunçando os cabelos da menina – Somente Diego tem essa mania de irmandade, posso ser no máximo, seu irmão mais velho.
Os dois gargalharam com o parentesco escolhido e voltaram a caminhar, indo em direção ao futuro.
— Ele não aguentará por muito mais tempo irmã. – A voz de Mohini soava aflita.
As três bruxas continuavam ao redor da cama onde Yekun estava, conseguiram estancar o sangue, mas ele não acordava, seu corpo convulsionava em alguns momentos, assustando as bruxas. Amarantha não poderia permitir que o responsável pela felicidade de sua filha, morresse em suas mãos, Naiara não conseguia entender ainda a profundidade de ter alguém escolhido, marcado para ser seu futuro, mas Amarantha sabia que se ela perdesse Yekun, passaria a eternidade buscando saciar o vazio em seu peito.
Ajoelhou-se ao lado da cama e com cuidado aproximou-se dele, falando baixo em seu ouvido.
— Yekun, lute. Há uma menina que ainda está se formando e está a sua espera, se te perder meu querido, ela se quebrará de tal forma que não poderemos resgata-la. Lute por Naiara.
Ela sentiu o corpo do caído se mover levemente e os olhos tremerem em um esforço para se abrir, as três sorriram.
— Ele acordou. – Élida disse animada.
O lábio de Yekun moveu-se um pouco para cima, na tentativa de um meio sorriso. E depois mais nada.
— Não!
Amarantha gritou já em pé puxando as irmãs para um novo círculo, palavras incompreendidas saiam de seus lábios, cores explodiam delas com mais intensidade e banhava o corpo do caído. Os pensamentos de Amarantha buscaram por Naiara e ela fez um clamor silencioso aos deuses.
— Ajude-a a superar os obstáculos. Corra filha, não temos muito tempo.
Pararam em frente a um grande gruta, a escuridão e o ar era diferente, quase palpavel. O peso da opressão que saia daquele lugar, sufocava Naiara.
— Tem certeza?
— Absoluta. – Disse com convicção entrando na frente.
Usou a magia para iluminar o caminho que percorriam, ouvia vozes enfurecidas e outras de lamentações, o som estava por todo lugar, mas não havia ninguém além deles. Atravessaram o tunel, que diferente do lugar apertado em que estiveram, esse era largo e bem curto, mas o ar parecia faltar.
Chegaram ao fim deparando-se com um grande lago de aguas escuras e no centro dele uma minuscula ilha com somente uma única e majestosa arvore. Seu tronco era largo e tomava quase toda a dimensão do lugar, seus galhos esbanjavam folhas de um verde jamais visto em palhetas de cores. O vento circulava ao redor dela, balançando levemente os galhos mais finos, as folhas pareciam dançar e tudo ao redor daquela arvore, exalava vida.
Naiara deu dois passos a frente, indo em direção daquilo que foi buscar, mas foi detida por Azazyel que segurava o seu braço fortemente impedindo que ela avançasse. Estava preste a protestar com ele, quando sentiu algo gelado segurar seu calcanhar, o frio subiu por sua perna e alcançou sua coluna, Naiara sentiu o peito apertar e uma angustia sufocante lhe preencheu, voltaria a chorar e dessa vez não sabia se conseguiria parar.
O corpo da menina foi puxado com força, fazendo-a chocar-se contra algo.
— Ai! – Gritou notando que havia se chocado contra o corpo de Azazyel, que com a cabeça apontou para uma mancha escura que rastejava no chão, saindo das águas escuras em direção a Naiara.
Ela agiu por reflexo, jogando uma lufada de sua luz vermelha sobre o vulto, que de imediato retrocedeu.
— O que é aquilo? – Perguntou sem tirar os olhos do lago. Somente naquele momento, reparou que as aguas escuras se moviam para todos os sentidos.
— Bem vinda ao limbo. – Azazyel falou serio, olhando a situação a frente.
— Aquilo não é agua. – Não era uma pergunta.
— Não, são condenados.
— E como vamos chegar até lá?
— Isso minha guerreira, você irá nos dizer.
Eles ficaram parados vendo e ouvindo a dor, desespero, angustia, raiva daquele mar de vultos.
— E se... – Ela começou a dizer dando um passo a frente.
— Naiara. – Azazyel repreendia o movimento dela. Mas ela não parou.
Ela se permitiu esquecer de tudo, sua mente estava vazia e seu único pensamento, era o desejo de levar a cura para Yekun e nada mais. Conforme andava, sentia o corpo esquentar, mas não se atreveu abrir os olhos, a claridade invadia o lugar e ela sabia, mesmo sem ver que a luz era ela. Sentiu os pés pisar em um terrano instável, entendeu que atravessava o lago, um passo após outro, devagar, os gritos ficaram mais alto, sentia a opressão ainda mais forte, mas não pararia, Yekun precisava dela. Em silencio clamou ao único que poderia ver a real intenção de seu coração e ajudar.
— Senhor, sei que não mereço e estou bagunçando todos os Seus planos, mas por favor, permita que eu leve uma de suas folhas.
Segundos após o pedido, ela não ouvia mais nenhum som, pisou em um terreno mais firme e quando se permitiu abrir os olhos, Naiara estava parada de frente para Azazyel que a olhava fascinado.
— Eu não me movi? – Perguntou deixando a decepção clara em sua voz.
— Você foi magnifica guerreira. – Ele sorrio pegando a mão da menina entre as suas, mostrando a ela o que sua palma escondia. Uma única folha verde.
— Lux in Tenebris. – Ela disse sorrindo.
— Sim, a luz brilha na escuridão. Vamos para casa!
A volta foi rapida, quando atingiram o local que não estava mais protegido por magia, Azazyel segurou a mão de Naiara e eles surgiram na entrada da morada. Naiara soltou sua mão e correu em direção ao seu quarto gritando por sua mãe.
Assim que abriu a porta, viu as bruxas palidas ao redor de Yekun que parecia não ter se movido desde o dia em que sairam de lá. Amarantha estava acabada, olheiras profundas moldava o rosto dela, Elida e Mohini a olhava com preocupação e estava claro na face das duas o quanto haviam se desgastado.
— Mãe. – Aproximou-se envolvendo a mãe em seus braços, sorrindo para as outras em forma de agradecimento.
— Conseguiram? – Amarantha perguntou em meio as lagrimas que não conseguiu conter.
— Sim. – Naiara abriu a mão, entregando a mãe a folha única. Enfim as três pareciam respirar novamente.
Azazyel entrou no quarto, tomando Mohini em seus braços em um abraço apertado, sem nada ser dito.
— Acho que essa é minha deixa – Élida afastou-se indo em direção a porta, falando sobre os ombros – Preciso de um bom banho e comida, estou faminta.
Amarantha sorrio e só então notou que os outros não estavam no quarto, mas estava focada em trazer Yekun de volta. Com cuidado, ela aproximou-se dele, esmagando a folha em seus dedos, colocando sobre os lábios entreabertos dele. Uma única gota de um liquido verde, escorreu na boca de Yekun e como se tivesse levado um choque, o corpo dele arqueou na cama, ele sentou em seguida.
— Oi dorminhoco. – Um largo sorriso surgiu nos lábios de Naiara.
— Ah Vida – Ele disse com a voz cristalina, como se tivesse acabado de acordar de um sono da tarde – Não me deixe nunca mais sem a sua presença por tanto tempo.
“Obrigada”
Ela agradeceu em silencio, jogando-se nos braços daquele que havia sido destinado a ser o dono de sua existencia. As asas de Yekun se abriram, envolvendo os dois. Ela afastou-se um pouco, levou as mãos ao rosto dele e os dois se olharam.
— Você é leve. – Ela disse baixinho. Yekun a olhou sem entender o que ela quis dizer, mas sorrio, pois seria tudo o que ela quisesse.
— Não é bem o “eu te amo” que estava esperando ouvir, mas acho que serve. – Riu da situação, Naiara acompanhou o riso, jogando-se em cima dele, os dois caindo da cama. Ainda com as mãos prendendo o rosto de Yekun, ela beijava cada pedacinho de sua face, fazendo com que ele risse ainda mais.
Somente quando ouviram um grito de dor vindo da sala que se deram conta que estavam sozinhos no quarto. Naiara correu com Yekun logo atrás dela e sabia o que encontraria. A mãe estava parada e balançava a cabeça em negativa, as lagrimas escorriam em sua face. Foi envolvida pelos braços de Naiara e se permitiu buscar na filha apoio para sua dor, as duas sentiram braços fortes a envolvendo e sabiam que Yekun as acolhia.
— Vamos tira-lo de lá mãe.
— Mas onde ele está minha filha? – Sua voz saiu sem vida.
— Ainda não sei, mas seja onde for, vou descubrir e prometo que trarei meu pai de volta.
— Vocês não estão sozinhas. – Azazyel e Mohini se aproximaram. Ele colocou a mão sobre o ombro de Amarantha tentando conforta-la – Vamos traze-lo de volta.
— Ainda não sei porque veio. – Ela já havia tentando de tudo para devolver a Agares o riso. Agora, tentava irrita-lo – Se era para ficar assim, encostado pelos cantos com essa cara de depressão, deveria ter ficado lá com ela.
Agares estava sentado no meio da sala de treinamento, desde que chegaram, suas horas eram dedicadas a se fortalecer, em meio a lutas, espadas, asas e adagas, conseguia por algum momento esquecer o olhar de Naiara. Ele não faria como Gabriel, não ficaria magoado e remoendo a situação, soube no momento em que ela virou as costas, que estava deixando-o ir, dando a ele a liberdade que ele tanto queria, mas não conseguia pedir. Ele a decepcionou e isso era o que mais doía.
— Gabriela consegue dar paz a alguém? – Perguntou sem olhar para ela.
— Claro! Sou um anjo.
— Então vou pedir só mais uma vez. Preciso de paz! – Ele não levantou o tom de voz, não brigou, estava somente cansado e ela não entendia que precisava daquele tempo.
Gabriela ficou calada por tanto tempo que ele acreditou estar sozinho enfim. Até que viu ela sentando-se sorrindo e bateu ombro ao dele.
— Você tem paz Agares, só não quero que tenha solidão.
Os dois ficaram em silencio, somente sentados, olhando para o nada.
— Eu preciso.... – Não conseguiu terminar a frase, pois naquele momento, nem ele mesmo sabia o que precisava.
— Você precisa se levantar, tomar um banho. – Gabriela o olhou encenando uma cara de nojo – Está mesmo com um cheiro ruim e todo suado.
Ele sorrio.
— Sabe Gabriela, para um anjo, você é um ser bem irritante as vezes.
— Tenho outras qualidade e não pode nem se quer imaginar quais, mas ser irritante é o meu prazer.
Ele riu um pouco mais.
— Não me olha com essa cara enquanto fala comigo.
— Que cara?
— Essa de nojo.
— Claro, não quero que encoste em mim, está mesmo cheirando mal.
— Ah é?
Agares a olhou rindo, se levantando devagar, ela entendeu o que ele faria.
— Não ouse a fazer isso. – Disse já se levantando e afastando-se dele. – Agares, eu te proíbo!
— Quem disse que manda em mim.
Em um piscar de olhos os dois já corriam pela sala, ela gritava por ajuda e ele a ameaça com os braços erguidos para abraça-la. O som do riso preencheu todo o ambiente.
— Juro pelo Pai, se encostar em um fio do meu cabelo, fedendo dessa forma, jogo você daqui de cima.
Ela ameaçava, sem conseguir conter o riso. Gabriela abriu as asas e sairia voando da sala de treinamento, mas Agares foi mais rápido, com um movimento preciso, apoiou os pés na parede e saltou sobre ela a derrubando no chão. Gabriela caiu de costas com ele sentado sobre ela.
— Sem asas sua trapaceira. – Prendeu as mãos dela para cima e com o peso do corpo, mantinha o anjo no chão. Ela se contorcia tentando escapar e cada vez que ele se aproximava um pouco mais, ela torcia o nariz fingindo repulsa. - Vou te abraçar apertado agora e lembre-se que isso é culpa sua.
— Não! – Ela gritou, não contendo o riso alto.
Agares a envolveu em seus braços e a apertou com carinho. Ele estava sem camisa, somente com a calça de combate, o corpo molhado com o suor de horas de treino, até mesmo os fios loiro de seus cabelos, grudavam em sua face. A princípio ela resistiu, gritou e se debateu, sentindo o top branco que usava molhar e onde a pele dela encontrou com a dele, grudou no suor.
— Que nojo! – Gritou alto se debatendo.
— Pare de falar isso ou eu juro...
- Você jura o que? – Desafiou.
Ele parou de falar e a olhou nos olhos por um momento. Gabriela viu na face de Agares muitas emoções se formando. Dor. Perda. Incerteza.
Por segundos ficaram perdidos no mar azul que era o olhar um do outro e naquela momento ela teve a certeza que não queria estar em outros braços. Devagar ele inclinou-se sobre ela, enquanto seu rosto se aproximava um pouco mais, ela conseguiu ver outras emoções se formando. Decisão. Alegria. Certeza.
Os lábios de Agares tocaram os de Gabriela levemente, como se esperasse a permissão dela para seguir. Ela sorrio.
Agares pressionou o corpo contra o de Gabriela e seus lábios buscaram os dela com mais urgência, sentindo o toque quente e a maciez das mãos, que agora soltas, percorriam o corpo de Agares, deslizando de seus ombros por seus braços. Ele afastou-se buscando ar, encostou a testa na dela e sorrio.
— Você está fedendo ainda.
— Porque me irrita tanto? – A conversa fluía leve em meio a sorrisos.
— Porque não suporto olhar para você e não te encontrar inteiro. – Ela disse enquanto acariciava o rosto dele – Se para te ver completo é preciso andar com as mãos e carregando uma melancia nos pés, eu farei.
— Conseguiria? – Ele perguntou.
— Conseguiria o que criatura?
— Andar com as mãos, levando uma melancia nos pés.
— Acabo de me declarar para esse imbecil e ele quer saber das minhas habilidades de coordenação motora.
Gabriela aproveitou a distração dele, virando o corpo, escapando de Agares, levantou-se rapidamente e já alcançava a porta quando ele a puxou pelo pulso, virando-a de frente a ele.
— Eu quero. – Ele disse a olhando.
— Se falar que quer me ver andando com as mãos e levando a melancia com os pés, juro que te mato.
Ele riu alto.
— Não sua irritante. Eu quero você.
— O que foi que você fez? – Miguel gritou.— O que eu fiz? O que você fez? – Heylel gritava em resposta – Achou mesmo que iria continuar agindo da forma que agia e nosso Pai não o disciplinaria?— Meu Pai!— Cresce Miguel.— O único que precisa ser castigado aqui é você, traidor.Miguel esbravejava e gritava como um insano, andando de um lado para outro, sem saber o que fazer. Ele parou de súbito, iria abrir suas asas e somente voar para o mais longe possível de Heylel e daquele lugar, voltaria para casa e iria ter com o Pai. Mas nada aconteceu. Forçou o pensamento novamente, esperando sentir a expansão em sua omoplata e então a gloria de suas asas abertas. Nada.— O que a bruxa da sua cria fez comigo?— Se falar novamente da minha filha dessa forma Miguel vou matar você e deixar seu corpo aqui me
— Entre. – Yekun disse após ouvir a leve batida.Naiara abriu a porta, colocando somente a parte de cima de seu corpo para dentro. Yekun estava deitado sobre uma cama imensa que ficava abaixo de uma ampla janela. O quarto dele era enorme, um dos maiores da morada, mas todos os moveis eram antigos o que deixava tudo com uma visão quase medieval. Combinava com ele.— Você está bem? – Ela perguntou ainda da porta.— Ficarei melhor quando entrar vida. – Disse a olhando.Naiara entrou, fechando a porta atrás de si, estava constrangida com a situação. Não que nunca tivesse estado a sós com Yekun, até mesmo dormido em seus braços em uma barraca, ela já havia dormido. Mas estar dentro do quarto dele, era intimo demais. Sentou-se em uma poltrona que ficava no canto do quarto e sorrio para ele que a olhava sem entender o que acontecia com a menina.
— Acha mesmo que foi a melhor escolha? – Azazyel perguntou a ela enquanto andavam.E como se a pergunta fosse o gatilho para suas emoções, ela caiu de joelhos e chorou como jamais havia chorado em sua vida, sentia o corpo se mover com a força dos soluços que rasgavam seu peito, levou as mãos à cabeça e o rosto ao chão. Um grito rompeu de sua garganta e Azazyel correu para conter Naiara que resplandecia parecendo não conseguir controlar a ela mesmo. Braços fortes a envolveram e a menina se permitiu tombar de lado e deitar a cabeça no peito dele.— Chore guerreira, tudo isso passará. – Ele dizia em um tom baixo, como um pai que acalanta um filho – Chore, deixe sair tudo o que está te fazendo mal. Coloque para fora.Ficaram imóveis por minutos que mais pareceram horas, o único barulho que se ouvia, era dos soluços de Naiara e
As palavras era gritadas em todas as direções e ela parecia um animal encurralado, andando de um lado para outro, preste a atacar.— Posso me aproximar? – Perguntou incerto. Ela respirou fundo e então parou e o olhou.— Sempre. – Tentou desfazer a carranca, mas não obteve sucesso. Agares andou lentamente até ela e com cuidado segurou em suas mãos. – Temos que ter um plano.— Plano?— Sim, ainda temos que encontrar a arvore e levar as folhas para Amarantha. – Só nesse momento ela se lembrou do porque estavam ali.— Yekun. – Disse baixo.— Sim, ele ainda precisa de nós.Eles conversavam baixo, como se qualquer alteração na voz, fosse tirar Naiara do eixo novamente, fazendo sua ira explodir. Os três ainda choravam, mas Gabriel agora estava sentado no chão, ainda preso pelo poder de Naiara, s
As paredes eram escorregadias, como se a umidade fosse muita e a água não parasse de escorrer jamais, o espaço estreito e quase sufocante, não permitia que os dois andasse afastados, estavam tão próximos que o calor dos corpos se misturava.— Agares, e se ficarmos andando para sempre aqui e não chegarmos a lugar algum?— Sempre terá um lugar para chegar Nai, em algum momento.— Está profundo. – Ela brincou.— Não. – Ele disse sério e sem se virar para trás – Você que ainda não me conhece completamente.Ela não respondeu, mas com cuidado, soltou os dedos que estavam presos aos dele, com a desculpa que precisavam de luz. Naiara clareou um pouco o caminho, perdida em seus próprios pensamentos. Ainda que a escolha dela fosse Agares, algo havia se quebrado e o medo que nunca mais fosse reparado estava p
Naiara já estava parada de frente e pequena porção de água, os braços cruzados ao peito e o olhar perdido no horizonte rochoso e cinza a sua frente.— Não é uma das imagens mais bonitas que já viu né? – A voz de Agares rompeu o silencio do lugar.— Não é não, mas tem o seu encanto.Ele parou ao lado dela entregando o cantil cheio de agua.— Sem agua né?Naiara o olhou e pegou o cantil, voltando sua atenção para a paisagem a sua frente.— É só estranho, quase difícil te ver com outra pessoa. – Confessou baixinho.— Mas não está me vendo com ninguém. – Respondeu no mesmo tom.— A forma como a toca e ela se entrega... sei lá, só achei que seria mais fácil. Quando imaginava você com as demônias deste l







