LOGINAs paredes eram escorregadias, como se a umidade fosse muita e a água não parasse de escorrer jamais, o espaço estreito e quase sufocante, não permitia que os dois andasse afastados, estavam tão próximos que o calor dos corpos se misturava.
— Agares, e se ficarmos andando para sempre aqui e não chegarmos a lugar algum?
— Sempre terá um lugar para chegar Nai, em algum momento.
— Está profundo. – Ela brincou.
— Não. – Ele disse sério e sem se virar para trás – Você que ainda não me conhece completamente.
Ela não respondeu, mas com cuidado, soltou os dedos que estavam presos aos dele, com a desculpa que precisavam de luz. Naiara clareou um pouco o caminho, perdida em seus próprios pensamentos. Ainda que a escolha dela fosse Agares, algo havia se quebrado e o medo que nunca mais fosse reparado estava presente entre os dois. Nada mais seria como antes, os dois conheceram pessoas que se importam com eles com uma intensidade ainda não sentida. Queria somente ter o poder de fechar os olhos e voltar para a madrugada em que estava sobre a mesa da cozinha e o demônio loiro e arrogante se apresentou da forma mais irritante possível. Ela sorrio com a lembrança.
— O que foi? – Ela esbarrou em Agares que estava parado a olhando. - Ai Agares, avisa que vai parar do nada né.
— Não parei do nada, estou falando com você e não me responde, olhei para ver o que estava acontecendo e estava com esse risinho no rosto.
Ele estava muito bravo e a forma ríspida com que falava com ela, não somente magoava, mas a irritava profundamente.
— Estava pensando nos momentos em que passou com ele. – Agares acusou.
Naiara o olhou por alguns segundos, ponderando se daria um chute em sua canela ou um tapa em seu rosto. Não fez nenhum dos dois.
— Entendo que esteja magoado comigo e não sei mais como lhe pedir perdão por ter sido uma inconsequente e ter me deixado levar por um momento de fraqueza e carência. Mas nada do que eu fiz lhe dá o direito de agir dessa forma. – Ela disparou – E não, não estava pensando nele, estava pensando em como gostaria de poder voltar no tempo e encontrar com um demônio loiro, lindo e arrogante que entrou naquela cozinha e mudou completamente a minha vida. Mas quer saber de uma coisa? – Ela continuou metralhando ele com palavras – Aquele demônio não existe mais, assim como aquela menina também não, os dois mudaram.
Ela virou-se afastando-se dele tão rápido quanto o lugar onde estavam permitia, ouvia os passos corridos de Agares atrás dela e sua voz que a chamava em desespero. Até que tudo simplesmente parou. Naiara estranhou a mudança repentina e parou também, tentando ouvir algo, mas não havia um barulho se quer.
— Agares? – Ela perguntou voltando devagar. – Agares? – Chamou um pouco mais alto.
Continuou andando pelo mesmo caminho e só quando se aproximava de uma pequena curva, viu que uma luz clareava o lugar, ela deu mais alguns passos rápido e a cena lhe tirou o ar. Gabriel estava com as asas brancas abertas o tanto que as paredes permitiam e ele parecia ter luz própria, pois clareava todo o lugar. Agares estava preso pelo pescoço e a ponta de uma adaga que brilhava na mesma intensidade, rompia levemente a sua pele.
— Solte ele agora Gabriel ou juro por tudo é que mais sagrado, vou matar você!
— Você? – Ele explodiu em risada.
— Vai Nai, saia daqui. – Agares implorava.
— Isso Nai – Ele dizia o apelido dela com sarcasmo – Corre e vá se esconder como você sempre faz.
— Não preciso correr de você. Solte ele agora!
— Ou o que?
Ela não respondeu, tudo em Naiara fervia em ódio puro, não via mais o menino que cresceu ao seu lado e foi para ela sua base e alicerce, via somente um ser mesquinho e cretino que se deixou manchar pela maldade ao ponto de não acreditar ter mais volta.
— Eu vou matar você!
Ela gritou e o ar ao redor dela simplesmente explodiu, o barulho ecoou pelos tuneis, despertando todos que estavam esperando por eles, que se levantaram e correram em direção do barulho que ouviram. Gabriel perdeu o equilíbrio com o choque do golpe que recebeu, mas não afrouxou o aperto ao redor do pescoço de Agares que se debatia e se machucava ainda mais. Ela correu, usando a parede estreita de apoio pulou por sobre os dois e sem gentileza alguma segurou a cabeça de Gabriel em suas mãos.
— Solte ele agora. – Ordenou baixo em seu ouvido. Gabriel não se mexeu. – Eu disse, agora! – Ela gritou.
Muito devagar Gabriel abriu os dedos e soltou a adaga que caiu no chão e da mesma forma, soltou Agares que se virou parando de frente para os dois e o que viu nos olhos de Naiara o assustou. Já tinha visto aquele olhar e o que sobrava depois que aquele ódio todo ia embora, era devastador. Era para deter esse sentimento que Heylel lutava constantemente.
— Nai. – Agares a chamou baixinho no mesmo momento em que todos pararam atrás dele.
— O que está acontecendo? – Diego perguntou em voz alta, fazendo Agares levantar a mão em um pedido silencioso para que não fizessem ou falassem nada.
— Nai, olha para mim amor. – Ele pediu mais uma vez.
— Isso Nai, olhe para seu amor. – O tom de sarcasmos na voz de Gabriel, fazia ela rosnar de raiva.
— Vou matar você Gabriel. Por ter me tocado daquela forma, por cada palavra que disse aquela noite, por tudo o que fez ao meu namorado, vou matar você.
— Não vai. – Respondeu calmamente – Sabe que não vai, não tem coragem de fazer isso.
— Nai não de ouvidos é exatamente isso que o bonzinho quer, que seja igual a ele.
Gabriel gargalhou alto novamente arrancando de Naiara toda e qualquer gota de sensatez que ainda possuía. Ela virou os corpos dos dois rapidamente e uma lufada brilhando em vermelho atingiu o peito de Gabriel o jogando metros de distância dela. Diego gritou e tentou correr para socorre-lo, mas Naiara foi mais rápida e o atingiu jogando-o para o outro lado, ela andou até onde Gabriel estava caído e sem toca-lo tirou o corpo desfalecido do anjo do chão e caminhou de volta passando por todos os seus amigos e nem se quer olhou para Diego que estava no chão a olhando incrédulo.
— Não me sigam. – Ela ordenou passando por eles.
Como se o poder dela aumentasse com a raiva, ela andou pelos tuneis alargando as paredes a cada passo dado. A luz que radiava dela outrora, agora era um vermelho vivo e clareava tudo ao redor, o corpo de Gabriel parecia flutuar atrás dela, seria uma típica cena de filme de terror para qualquer humano que visse. Assim que chegou a fenda da rocha por onde entraram, deixou o corpo de Gabriel cair no chão e com o mover de dois dedos o fez acordar, ele sentou-se com dificuldade e a olhava com um V profundo entre seus olhos, estava completamente atordoado. Ela andou até ele, ficando de cócoras, olhando-o de muito perto. Ouviu os passos apressados vindo do corredor e bloqueou a saída com o levantar da mão. Agares estava parado, batendo em uma parede invisível e gritava para ela.
— Sabe Gabriel, acreditei mesmo que você pudesse voltar a ser o menino que chamei de amigo. – Ela dizia baixo o olhando nos olhos, sem se importar com a gritaria de todos do outro lado – Mas não. E não foi a maldade de Miguel que te mudou, foi a maldade que havia em você que aflorou usando uma desculpa qualquer.
— Você não sabe nada do que aconteceu. – Ele cuspia as palavras sobre Naiara. – Acordei em um lugar estranho, com um homem imenso e quase pelado a minha frente e com um simples toque, minha mente explodiu com lembranças. Lembranças que você apagou! – Gritou contra o rosto dela.
— E então ficou magoado e decidiu que seria um anjo mau. Tadinho do Gabriel. – Agora ela ironizava.
— Você é um ser indesejado Naiara – Ele tentava atingi-la – Como algo quebrado que ninguém quer.
— Está tentando me magoar? – Ela sorrio. Levou dois dedos no queixo dele e levantou a cabeça do anjo, aproximando o rosto do dele, quase tocando seus lábios – Sou filha de Lúcifer, o caído. – Brincou passando a língua devagar no lábio superior dele e Gabriel se rendeu por completo ao desejo que sempre sentiu por ela – Sou filha de Amarantha, a matriarca. Acha mesmo que palavras vil me magoam?
Ela gargalhou levantando-se, deixando-o com um misto de constrangimento e fúria no chão.
— Nai, por favor! – Agares ainda pedia do outro lado.
Ela olhou para Agares e levantou o dedo pedindo um minuto e então sorrio.
— Você vai voltar para o seu anjinho e vai dar um recado meu a ele.
— Não sou garoto de recado. Diga você mesmo a ele.
Gabriel sorrio de forma presunçosa e seu olhar focou a entrada da fenda. Naiara se virou devagar e viu Miguel parado, com suas imensas asas abertas a olhando com nojo e desprezo.
— Tire suas mãos imundas de cima dele, cria!
— Não me chame de cria. – Ela disse baixo o olhando enfurecida.
— Heylel, precisa mesmo aprender a domar sua cria, coloque-a em uma coleira.
A figura de Heylel não era vista do outro lado da barreira invisível, somente Agares que batia furioso e Diego que tentava a qualquer custo passagem, mas foi o grito enfurecido de Heylel que quebrou a magia de Naiara. Um corpo envolto a asas negras com pontas vermelhas explodiu de dentro do túnel, passando por todos no ar como uma bala disparada, atingindo o peito de Miguel os jogando para fora da fenda. Naiara correu em direção a saída, mas caiu quando seu pé foi puxado por Gabriel, ela o olhou e aquele sorriso cínico estava em seus lábios novamente.
— Disse que poderia dar o recado pessoalmente.
— Cretino.
Ela gritou e o corpo de Gabriel voou contra a parede uma, duas, três vezes seguidas, caindo no chão. Diego e Gabriela correram para ele o protegendo de outro ataque, Naiara se levantou e correu para fora, com Agares atrás dela. A cena era surreal.
— Nunca mais chame minha filha de cria, irmão! – A voz de Heylel saiu gutural e enraivecida.
— Não sou seu irmão. – Miguel rebateu.
Os dois pularam para o ar, voando ao mesmo tempo encontrando-se e chocando-se. Heylel levou as mãos ao pescoço de Miguel e apertava com toda sua força, ele segurava as mãos dele, tentando se soltar, sem sucesso. O anjo caído mergulhou ao chão, levando com ele seu irmão, o impacto foi tão grande que o corpo de Miguel afundou, centímetros dentro do solo.
— Deveria ter te matado há séculos atrás! – Heylel gritava, afundando ainda mais a cabeça de Miguel no chão.
— Deveria mesmo.
Miguel respondeu e em um impulso, conseguiu afastar Heylel e com os dois pés, bateu no peito do caído, fazendo-o voar longe, ele projetou seu corpo no ar, como flecha sendo atirada pelo mais competente arqueiro, chocando-se contra o corpo de Heylel.
Naiara e Agares observavam a cena do chão em desespero, por mais que quisesse intervir, ficou com receio de acertar o pai, de tão colocados que os dois corpos em atrito estavam. Diego e Gabriela, sustentavam o corpo de Gabriel, que sorria da forma mais cretina possível, arrancando toda a sanidade de Naiara.
— Se uma única pena se desprender das asas de meu pai, matarei você Gabriel e jogarei seu corpo para apodrecer em meio aos bichos.
— Deveria me agradecer, sabe muito bem que Satanás não tem nada de bom para o mundo. – Ironizou, usando uma frase que Robert falava com frequência em seus sermões.
— Seu cretino arrogante.
Com um simples movimento, tomada por sua raiva, ela colocou o corpo de Gabriel dentro de uma bolha vermelha, que pulsava como se tivesse vida própria. Diego a olhou sem entender.
— O que é isso Naiara? Ele não está bem, solte-o.
— Jamais. Matarei esse insignificante com minhas próprias mãos.
Agares e Gabriela, pela primeira vez, não tinham palavras para apaziguar a situação. Diego ficou jogando explicações e suplicas baixas para Naiara que simplesmente se recusava a ouvir, pois sua atenção naquele momento estava toda em Gabriel, que ainda ria, sabendo exatamente como tira-la do eixo. Ela estava indo em direção a Gabriel e todos acreditavam que ela o mataria, pois conseguiu paralisar os três que tentaram barra-la, mas foi o estrondo que ecoou no céu que chamou a atenção da menina e o olhar de todos ali.
Um clarão se abriu e um raio cortou o céu acinzentado do Sheol, acertando o chão rochoso, abrindo um imenso buraco. Como dois marionetes, os corpos de Heylel e Miguel foram separados e uma voz ecoou por todos os lados, o poder em cada palavra dita era tanto, que os joelhos de todos cederam e caíram prostrados. Miguel tentou manter o olhar altivo e a cabeça erguida, enquanto Heylel se encolhia dentro de sua insignificância.
— Meus filhos! – O som preencheu todo o lugar e a terra tremeu – Até quando?
Somente quatro palavras e o peso que nelas havia, fez com que lagrimas escorressem dos olhos de Diego e Gabriela, que estavam com o rosto no chão e soluçavam em profunda tristeza. Naiara tentou levantar a cabeça e olhar em direção a claridade que rasgava o céu, mas era impossível e como um alto estalar de dedos, dezenas de raios se despenderam do céu no mesmo instante, o barulho foi ensurdecedor, fazendo todos ali, levarem as mãos aos ouvidos, tentando amenizar o dano. Da mesma forma que veio, se foi.
O silencio invadiu todo o lugar e a escuridão da noite prevaleceu novamente. Naiara se levantou rapidamente olhando para cima em busca de algo, mas não havia mais nada. Não havia ninguém.
— Pai! – Ela gritou para o infinito vazio acima dela.
Gabriela, Diego e Gabriel, ainda não haviam se recuperado da presença que sentiram, estavam prostrados e em lagrimas diziam palavras em uma língua jamais ouvida por Naiara.
Ela andava de um lado para outro, como se pudesse achar o corpo do pai sob alguma pedra. Ela tremia de raiva, os olhos ainda no mesmo tom vermelho e as mãos parecendo duas tochas acesas.
— Nai. – Agares chamou de longe, pela primeira vez desde que a conhecera, estava com medo de se aproximar dela – Nai.
— Para onde ele foi? – Ela gritou.
— Não sei Nai, mas você precisa se acalmar. – Dizia em voz baixa.
— Me acalmar como? Meu pai some com aquele infeliz, sem deixar rastro, como posso me acalmar?
— O que foi que você fez? – Miguel gritou.— O que eu fiz? O que você fez? – Heylel gritava em resposta – Achou mesmo que iria continuar agindo da forma que agia e nosso Pai não o disciplinaria?— Meu Pai!— Cresce Miguel.— O único que precisa ser castigado aqui é você, traidor.Miguel esbravejava e gritava como um insano, andando de um lado para outro, sem saber o que fazer. Ele parou de súbito, iria abrir suas asas e somente voar para o mais longe possível de Heylel e daquele lugar, voltaria para casa e iria ter com o Pai. Mas nada aconteceu. Forçou o pensamento novamente, esperando sentir a expansão em sua omoplata e então a gloria de suas asas abertas. Nada.— O que a bruxa da sua cria fez comigo?— Se falar novamente da minha filha dessa forma Miguel vou matar você e deixar seu corpo aqui me
— Entre. – Yekun disse após ouvir a leve batida.Naiara abriu a porta, colocando somente a parte de cima de seu corpo para dentro. Yekun estava deitado sobre uma cama imensa que ficava abaixo de uma ampla janela. O quarto dele era enorme, um dos maiores da morada, mas todos os moveis eram antigos o que deixava tudo com uma visão quase medieval. Combinava com ele.— Você está bem? – Ela perguntou ainda da porta.— Ficarei melhor quando entrar vida. – Disse a olhando.Naiara entrou, fechando a porta atrás de si, estava constrangida com a situação. Não que nunca tivesse estado a sós com Yekun, até mesmo dormido em seus braços em uma barraca, ela já havia dormido. Mas estar dentro do quarto dele, era intimo demais. Sentou-se em uma poltrona que ficava no canto do quarto e sorrio para ele que a olhava sem entender o que acontecia com a menina.
— Acha mesmo que foi a melhor escolha? – Azazyel perguntou a ela enquanto andavam.E como se a pergunta fosse o gatilho para suas emoções, ela caiu de joelhos e chorou como jamais havia chorado em sua vida, sentia o corpo se mover com a força dos soluços que rasgavam seu peito, levou as mãos à cabeça e o rosto ao chão. Um grito rompeu de sua garganta e Azazyel correu para conter Naiara que resplandecia parecendo não conseguir controlar a ela mesmo. Braços fortes a envolveram e a menina se permitiu tombar de lado e deitar a cabeça no peito dele.— Chore guerreira, tudo isso passará. – Ele dizia em um tom baixo, como um pai que acalanta um filho – Chore, deixe sair tudo o que está te fazendo mal. Coloque para fora.Ficaram imóveis por minutos que mais pareceram horas, o único barulho que se ouvia, era dos soluços de Naiara e
As palavras era gritadas em todas as direções e ela parecia um animal encurralado, andando de um lado para outro, preste a atacar.— Posso me aproximar? – Perguntou incerto. Ela respirou fundo e então parou e o olhou.— Sempre. – Tentou desfazer a carranca, mas não obteve sucesso. Agares andou lentamente até ela e com cuidado segurou em suas mãos. – Temos que ter um plano.— Plano?— Sim, ainda temos que encontrar a arvore e levar as folhas para Amarantha. – Só nesse momento ela se lembrou do porque estavam ali.— Yekun. – Disse baixo.— Sim, ele ainda precisa de nós.Eles conversavam baixo, como se qualquer alteração na voz, fosse tirar Naiara do eixo novamente, fazendo sua ira explodir. Os três ainda choravam, mas Gabriel agora estava sentado no chão, ainda preso pelo poder de Naiara, s
As paredes eram escorregadias, como se a umidade fosse muita e a água não parasse de escorrer jamais, o espaço estreito e quase sufocante, não permitia que os dois andasse afastados, estavam tão próximos que o calor dos corpos se misturava.— Agares, e se ficarmos andando para sempre aqui e não chegarmos a lugar algum?— Sempre terá um lugar para chegar Nai, em algum momento.— Está profundo. – Ela brincou.— Não. – Ele disse sério e sem se virar para trás – Você que ainda não me conhece completamente.Ela não respondeu, mas com cuidado, soltou os dedos que estavam presos aos dele, com a desculpa que precisavam de luz. Naiara clareou um pouco o caminho, perdida em seus próprios pensamentos. Ainda que a escolha dela fosse Agares, algo havia se quebrado e o medo que nunca mais fosse reparado estava p
Naiara já estava parada de frente e pequena porção de água, os braços cruzados ao peito e o olhar perdido no horizonte rochoso e cinza a sua frente.— Não é uma das imagens mais bonitas que já viu né? – A voz de Agares rompeu o silencio do lugar.— Não é não, mas tem o seu encanto.Ele parou ao lado dela entregando o cantil cheio de agua.— Sem agua né?Naiara o olhou e pegou o cantil, voltando sua atenção para a paisagem a sua frente.— É só estranho, quase difícil te ver com outra pessoa. – Confessou baixinho.— Mas não está me vendo com ninguém. – Respondeu no mesmo tom.— A forma como a toca e ela se entrega... sei lá, só achei que seria mais fácil. Quando imaginava você com as demônias deste l







