Se connecterOs gritos abafados e o som dos golpes ressoavam por todo o calabouço. Lia movia o chicote uma e outra vez com absoluta precisão, enquanto Giancarlo mal conseguia se manter consciente. Cada vez que o couro silvava no ar, um sorriso satisfeito aparecia no rosto da Mamba Negra.A um lado, Giorgio observava a cena sentado confortavelmente em uma poltrona de couro. Um copo de whisky descansava sobre a pequena mesa ao lado dele. Não desviava os olhos de Lia; mais do que a tortura, o que contemplava era a felicidade com que ela descarregava toda a raiva acumulada durante aqueles meses.Jean, por outro lado, tinha uma expressão completamente diferente.Olhou para Giorgio.— Você percebe que, quanto mais dano ela causa... mais ela aproveita?— Sim... percebo.Jean bebeu um gole de whisky sem deixar de observar Lia.— E percebe que, se algum dia fizer algo ruim com ela, essa mulher vai te esfolar vivo?— Também percebo.Jean virou lentamente para ele.— E isso não te dá medo?Giorgio sorriu com
A manhã chegou tranquila. Já haviam se passado cinco dias desde o Conselho dos Dons, onde Giancarlo havia sido colocado oficialmente à disposição de Giorgio e Lia. A duras penas, Giorgio conseguiu fazer Lia guardar repouso pelo tempo suficiente para que a ferida em suas costas cicatrizasse corretamente. Durante esses dias, praticamente não a deixou caminhar sozinha, revisou pessoalmente seus curativos, obrigou-a a tomar cada medicamento no horário e não permitiu que ela se aproximasse do escritório nem de nenhum assunto relacionado à organização.Assim que o médico confirmou que ela podia voltar a fazer sua vida normalmente, Lia não perdeu um só minuto.A primeira coisa que fez foi ordenar que levassem Giancarlo ao velho calabouço da mansão Bellamonte. O homem pendia das correntes com a cabeça baixa quando a porta metálica se abriu lentamente, e o som dos saltos ressoou por todo o lugar.Giorgio caminhava ao seu lado com as mãos nos bolsos, enquanto Jean, Mark e Will os seguiam alguns
Ao chegar à mansão, Lia permaneceu completamente em silêncio. Giorgio notava que algo havia mudado; havia uma tensão diferente no ambiente. Pensou que fosse consequência de tudo o que havia acontecido durante a reunião do Conselho e de ter precisado enfrentar novamente Giancarlo, então decidiu não dizer nada por enquanto.Assim que cruzaram a porta principal, Fiorella continuava instalada no sofá da sala. Tinha uma manta sobre as pernas, uma enorme tigela de petiscos e a televisão ligada.Assim que os viu entrar, levantou-se de um salto.— O que aconteceu? Você acabou com ele? Eu disse para ela não sair... e ela não me obedeceu.Lia mal olhou para ela. Fiorella se virou para Giorgio.— Está vendo? Ela não obedece ninguém.— Eu sei, Fio.Lia apenas respondeu com um seco:— Mmm...E começou a caminhar em direção às escadas. Não conseguiu dar dois passos antes que Giorgio voltasse a levantá-la nos braços.— Vamos, amore... para a cama.Ela não protestou.Simplesmente apoiou a cabeça em s
O olhar de Giancarlo começou a se encher de verdadeiro pânico. Girou lentamente a cabeça ao redor da mesa procurando apoio, convencido de que pelo menos algum daqueles homens com quem havia feito negócios durante tantos anos votaria por ele.Mas uma mão se levantou, depois outra e mais outra.Uma após a outra, as nove mãos ficaram erguidas, nem uma só permaneceu abaixada.O rosto de Giancarlo perdeu completamente a cor.— Malditos! Fomos sócios durante anos! E agora me dão as costas por uma vadia e pelo meu sobrinho!Um dos Dons apoiou ambos os braços sobre a mesa e o olhou com absoluta tranquilidade.— Senhor Bellamonte... não sei se ainda não entendeu o que aconteceu.Giancarlo se virou para ele.— A “vadia” de quem o senhor fala o deixou completamente na rua em apenas duas semanas. Queimou seu patrimônio e o do seu querido amigo Paulino Weiss em menos tempo do que qualquer Don desta mesa teria precisado para fazer isso. Essa mulher incendiou praticamente metade da Itália unicamente
Jean entregou a pasta ao Don Di Lucca sem dizer uma única palavra. Quando o homem começou a revisar os documentos, fez um pequeno sinal com a cabeça.A porta voltou a se abrir.Mark e Will entraram segurando uma mulher jovem vestida com um uniforme de enfermeira. O branco da roupa estava sujo e amassado, o cabelo desalinhado e as mãos tremiam sem controle. Assim que levantou o olhar e percebeu que estava rodeada pelos homens mais poderosos e perigosos da Itália, sentiu as pernas deixarem de responder.Will a soltou suavemente diante da mesa, e a mulher caiu de joelhos. Lia a observou por alguns segundos.— Fale.A enfermeira engoliu em seco várias vezes antes de encontrar a voz.— Eu... eu trabalhava para o médico que estava encarregado da recuperação do senhor Bellamonte.Sua respiração ficava cada vez mais agitada.— Ele... ele nos disse que devíamos mantê-lo em coma até que a senhorita Weiss pudesse tirá-lo do país. Esperamos o momento exato em que sua esposa saiu do quarto... ela
A assembleia ficou completamente em silêncio.As palavras de Giorgio haviam caído como uma bomba sobre a mesa do Conselho. Silvano se inclinou apenas em direção a Lucien e murmurou algo em seu ouvido. Seu amigo soltou uma risada baixa enquanto ambos olhavam para Giorgio com evidente diversão.Giorgio simplesmente devolveu a eles um sorriso cheio de suficiência e piscou um olho. Lucien negou com a cabeça.— Está completamente apaixonado.— Perdido.Respondeu Silvano sem deixar de sorrir. Giancarlo, por outro lado, golpeou a mesa com as duas mãos.— Você não pode fazer isso, Giorgio! Não pode passar por cima das normas do Conselho! Isso o deixaria automaticamente fora dele. Além disso, você não tem nenhuma prova de que Paulita o sequestrou ou de que eu tentei te machucar.Giorgio cruzou as mãos sobre a mesa.— Não?Olhou fixamente para ele.— Mas, tio... você tentou me matar na França. Não se lembra? Queria ficar com toda a organização e tentou me assassinar. Minha esposa acabou receben







