登入As pesadas portas do centro cirúrgico se fecharam mais uma vez com um baque surdo, deixando para trás apenas o brilho implacável da luz vermelha no teto.Liliana virou o rosto pálido na direção de Yuri, que continuava parado ali perto, e forçou a garganta seca a emitir algum som, dizendo:— Muito obrigada, Sr. Yuri. O senhor salvou a vida da minha avó e juro que vou encontrar um jeito de retribuir esse favor imenso.Yuri manteve os olhos fixos nela, com o rosto esculpido em uma expressão indecifrável, sem demonstrar qualquer emoção.Liliana abriu a boca para tentar falar mais alguma coisa, murmurando:— Sr. Yuri, o senhor pode ir...A frase morreu pela metade. De repente, uma queimação insuportável subiu pelo peito dela, rasgando a sua garganta com uma força que ela não conseguiu controlar. Todo o peso psicológico dos últimos dias, somado ao esgotamento físico e emocional, pareceu ferver nas suas veias de uma só vez. O rosto de Liliana perdeu o resto de cor que ainda tinha. Ela curvou
Sem esperar por uma resposta, Duarte encerrou a chamada.Liliana gritou contra o aparelho, desesperada:— Alô? Duarte! Me escuta!O único som que preencheu o ouvido dela foi o bipe contínuo e sem vida da ligação encerrada. Liliana ficou paralisada no meio do corredor, segurando o celular perto do rosto enquanto um zumbido ensurdecedor tomava conta da sua cabeça. Era como se alguém tivesse aberto um buraco enorme no seu peito, deixando um vento gelado e cortante invadir a sua alma. O frio paralisou cada músculo do seu corpo.Mas ela não tinha o luxo de se entregar à tristeza ou de alimentar a raiva contra o marido. A vida da sua avó estava por um fio. Ela precisava ser forte e encontrar uma saída. A Vera era a única pessoa no mundo inteiro que a amava de verdade e se importava com ela."Quem mais eu posso procurar?", pensou ela, com a mente trabalhando a todo vapor. "A Sra. Patrícia!"Agarrando-se a essa ideia como um náufrago se agarra a um pedaço de madeira, Liliana procurou o número
O som abafado e pesado do crânio batendo contra o piso de mármore ecoou pelo ambiente, um barulho terrível e nítido que fez o tempo parar.Liliana se jogou no chão como se tivesse perdido a razão, caindo de joelhos com tanta força que o impacto irradiou pelos ossos. Ela abraçou o corpo mole e desfalecido da avó, com as mãos tremendo sem parar.— Vó, fala comigo! Como a senhora está? Olha para mim, por favor...A voz dela saía entrecortada, irreconhecível pelo desespero, enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto sem controle. Ela precisava do celular para chamar uma ambulância o mais rápido que pudesse. Liliana revirou os bolsos da calça com urgência, puxou o aparelho e discou o número de emergência com os dedos trêmulos, implorando:— Alô? É da emergência? Por favor, mandem uma ambulância para o condomínio Bela Vista, casa número um. Uma idosa caiu da escada e está desacordada. Imploro, venham rápido, por favor...No topo da escada, o corpo de Rebeca ficou rígido. Ela apertou o corrimã
Liliana olhou para ela com uma expressão vazia, fazendo o melhor papel de desentendida do mundo, e respondeu em um tom monótono:— Não estou ouvindo nada do que você está falando. Você é louca? Solta o meu braço agora.Rebeca soltou uma risada de escárnio, sem afrouxar o aperto, e disparou:— Ah, Liliana, poupa o meu tempo. Acabei de ver com os meus próprios olhos você atendendo o celular lá fora sem usar o aparelho auditivo. Acha que me engana com esse teatrinho? Qual é o seu plano sujo, hein? Uma coisa enorme dessas, voltar a ouvir do nada, e você esconde do seu próprio marido?Liliana abaixou o olhar, deixando os cílios longos tremerem de leve. Um sorriso quase imperceptível surgiu no canto dos seus lábios. Com a mão livre, ela empurrou os dedos de Rebeca com nojo e retrucou:— Ficar tagarelando sem parar no ouvido de uma pessoa surda... A sua vida deve ser muito triste e solitária para você não ter um único amigo com quem conversar, né?Rebeca arregalou os olhos, encarando Liliana
Liliana forçou uma expressão de quem acabava de perceber um grande mistério, assentindo com a cabeça.— Ah, então é por isso.Douglas concordou com um murmúrio, acompanhando Liliana e o pequeno Lucas até a porta do consultório. Ele manteve o tom profissional, mas fez questão de ressaltar:— Esse aparelho foi feito sob medida para a senhora, e o Sr. Duarte gastou uma fortuna com ele. Se nem esse modelo de última geração resolver o seu problema, temo que nenhum outro aparelho disponível no mercado vá servir. Tente usar por mais um tempo para ver se o seu corpo se adapta. Se o desconforto continuar insuportável, a gente marca um novo retorno e pensa em uma alternativa.Liliana concordou com um aceno e saiu da sala, segurando a mãozinha de Lucas com firmeza. Antes de virar as costas por completo, ela cravou os olhos no médico e disparou:— Muito obrigada, Dr. Douglas. A minha avó sempre diz que a gente colhe aquilo que planta. O senhor tem um coração tão bom, e Deus lá em cima está vendo t
Douglas assinou a papelada com pressa e devolveu a prancheta para a colega, avisando:— Pronto, está resolvido.A médica agradeceu e saiu da sala, batendo a porta atrás de si. Sem perder tempo, Douglas pegou o celular no bolso do jaleco com a maior calma do mundo e discou um número conhecido. Assim que a ligação foi atendida, ele mudou o tom de voz para um jeito bajulador e informou:— Senhor Duarte, bom dia. A sua esposa acabou de chegar aqui na clínica com o menino para fazer os exames pré-operatórios do implante coclear."Ele está falando com o Duarte!", pensou Liliana, sentindo o coração dar um salto no peito. Sem fazer nenhum movimento brusco que pudesse levantar suspeitas, ela deslizou o dedo pela tela do celular e ativou o gravador de voz. Em seguida, continuou brincando com Lucas usando a linguagem de sinais, fingindo estar alheia a tudo, enquanto prestava atenção em cada palavra que saía da boca do médico.Douglas andava de um lado para o outro atrás da mesa, argumentando ao
Duarte aproveitou o momento para segurar a mão de Liliana. O tom de voz dele, antes exaltado, de repente se tornou mais brando, carregando uma estranha hesitação:— Pede desculpa para a Rebeca, vai. A gente encerra esse assunto por aqui e fica tudo bem.Liliana abaixou o olhar, deixando escapar um s
Após preparar o jantar e compartilhar a refeição com o filho, Liliana observava Lucas. O menino estava com o rosto colado no vidro da janela, os olhos brilhando de expectativa enquanto encarava o céu noturno.— Mamãe, os fogos de artifício do seu estúdio vão brilhar hoje à noite, não é? — Perguntou
Era o mesmo homem que a havia salvado no clube na noite anterior. Para sua total surpresa, ele pertencia à inatingível família Castro. Sem pensar duas vezes, Liliana deu alguns passos apressados na direção dele, mas os guarda-costas agiram rápido, bloqueando sua passagem como uma muralha impenetráv
Na entrada principal do salão de leilões, um segurança vestindo um uniforme impecável estendeu a mão, bloqueando a passagem.— Por favor, apresente o seu convite e o cartão VIP. — Pediu ele, com um tom burocrático e olhar altivo.— Sou Liliana, esposa de Duarte. — Respondeu ela, mantendo a voz seren






