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Capítulo 4

Author: Maidu
No dia da cirurgia de Michelle, meus pais e Dante esperavam do lado de fora do quarto dela antes do amanhecer, enquanto os primeiros flocos de neve caíam.

Mamãe penteava seus cabelos, enquanto papai continuava questionando o médico sobre os riscos.

Dante se agachou ao lado da cama dela e colocou em seu pescoço o amuleto da sorte que me pertencia. Ele lhe disse:

— Não tenha medo. Estaremos esperando lá fora.

Eu estava no outro extremo do corredor, observando-os em silêncio. Ninguém percebeu que eu também havia trocado de roupa e vestido um avental hospitalar.

Nas primeiras horas da manhã, sofri uma insuficiência cardíaca aguda e fui levada às pressas para a UTI. O médico disse que um quarto comum já não era adequado para mim e que minha família precisava assinar um formulário reconhecendo meu estado crítico.

Mas não conseguiram entrar em contato com eles, então a enfermeira me pediu que fosse procurá-los.

Eu havia dado apenas alguns passos quando uma dor lancinante me atingiu. Era como se uma faca enferrujada estivesse sendo lentamente torcida dentro do meu peito a cada respiração.

Mamãe foi a primeira a me avistar. Ela se aproximou rapidamente e agarrou meu braço.

Fiquei momentaneamente atordoada ao ouvi-la dizer:

— Lia, você chegou bem na hora. Antes de começar a cirurgia, Michelle quer ouvir você dizer que a perdoa.

Olhei para baixo e vi Michelle deitada em uma maca, segurando a mão de Dante. Ela me encarava com os olhos avermelhados.

— Lia, sei que você não queria abrir mão dessa vaga. Se eu pudesse esperar, não teria tirado isso de você.

Lágrimas de angústia escorreram pelo rosto de mamãe.

— Ah, Michelle, a culpa não é sua.

Papai franziu a testa e me incentivou:

— Lia, ela não pode entrar na cirurgia com isso na cabeça.

Meu peito doía tanto que era fisicamente impossível falar, mas de alguma forma, eles achavam que eu não estava disposta a perdoar Michelle.

Dante se levantou e me puxou bruscamente para o lado.

— Você realmente precisa fazer cena numa hora dessas?

Meu braço bateu contra a parede, e então o formulário caiu no chão.

Dante abaixou a cabeça e percebeu meu nome impresso no topo do papel. Ele ficou paralisado.

— O que está acontecendo?

Ofeguei, tentando falar em meio à agonia.

— O médico disse... que precisa da assinatura de um familiar.

Ele estava prestes a ler o documento quando Michelle de repente gritou:

— Dante, estou com medo!

Dante virou a cabeça instintivamente. O médico também os apressava para que a levassem à sala de cirurgia.

Ele dobrou rapidamente o formulário e o guardou no bolso.

— Volte primeiro para o seu quarto. Assim que Michelle estiver na sala de cirurgia, irei falar com o médico.

Olhei para ele.

— Você realmente vai?

Dante franziu a testa.

— Lia, desde quando eu menti para você?

Não o lembrei de nada.

Ele prometeu passar meu aniversário de 24 anos comigo, mas nunca apareceu. Prometeu comprar a pulseira para mim, mas no fim, colocou-a no pulso de Michelle. Disse que devolveria o amuleto da sorte, mas agora ele repousava contra o peito de Michelle.

Em algum momento, Dante havia deixado de cumprir suas promessas para mim.

As enfermeiras levaram Michelle para a sala de cirurgia. Assim que a luz vermelha se acendeu, toda a família se reuniu do lado de fora.

Quanto a mim, voltei lentamente, apoiando-me na parede. Quando virei a esquina, ouvi a voz de mamãe.

— Esse é o formulário de estado crítico da Lia?

Dante ficou em silêncio.

— Já emitiram um desses antes.

Papai soltou um suspiro.

— Ela sempre foi doente. Por pior que as coisas ficassem, sempre conseguia superar. Vamos nos concentrar em Michelle por enquanto. Lia sempre conseguiu aguentar firme.

Fiquei paralisada no lugar, e meus batimentos cardíacos começaram a despencar. Eu tinha dificuldade para respirar por causa da dor. Enquanto o desfibrilador golpeava repetidamente meu peito, minha visão ficou turva.

Naquele breve instante, tive um vislumbre de mim mesma, mais jovem, sentada em um banco do hospital, com eletrodos presos ao peito. Vi mamãe me envolvendo nos braços, chorando, enquanto papai permanecia sentado ao lado da minha cama a noite inteira, sem descansar.

Também vi Dante. Ele havia comprado um brinquedo de pelúcia para mim com todo o dinheiro que economizara durante seis meses.

Todos diziam que só queriam que eu sobrevivesse. E, por isso, vez após vez, eu realmente sobrevivia. Aos poucos, eles se acostumaram com minha doença e minha capacidade de resistir. Até se acostumaram a desistir de mim sempre que precisavam fazer uma escolha.

O monitor emitiu um longo e estridente sinal sonoro.

Dessa vez, eu não competiria mais com Michelle.

A notícia de que a cirurgia de Michelle havia sido bem-sucedida chegou. Mamãe imediatamente chorou de alegria, e papai agradeceu repetidamente ao médico.

Ainda assim, naquele momento, Dante sentiu o formulário esquecido em seu bolso. Ele o retirou e o desdobrou. Ao ver o que o médico havia escrito, seu rosto perdeu instantaneamente toda a cor.

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