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Capítulo 3

Autor: Maidu
No terceiro dia depois que me mudei para o quarto compartilhado, recebi uma ligação do setor de cobrança do hospital. Eles me informaram que não havia dinheiro suficiente na minha conta hospitalar.

Não sabia como reagir, pois papai sempre mantinha fundos na conta que havia aberto para mim.

Após verificarem, informaram que o dinheiro havia sido transferido na tarde do dia anterior.

Liguei para papai, mas ele só atendeu depois de muito tempo.

Do outro lado da linha, eles estavam discutindo o preço dos medicamentos importados contra rejeição, com Michelle ocasionalmente fazendo comentários. Papai respondia pacientemente às perguntas dela sempre que ela perguntava alguma coisa.

Só depois que terminaram de conversar papai se lembrou de que eu ainda estava na linha.

— O dinheiro da minha conta hospitalar acabou.

Papai não deu muita importância.

— Os medicamentos de que Michelle precisa após a cirurgia não são cobertos pelo plano de saúde, então transferi parte do dinheiro para cobrir essas despesas. Você está apenas fazendo tratamento conservador agora. Não vai custar muito.

Apertei o comprovante de pagamento em minha mão.

— Mas o médico disse que eu precisava ser internada na UTI.

Papai ficou em silêncio por alguns segundos. Quando voltou a falar, sua voz demonstrava impaciência.

— Lia, dinheiro não nasce em árvore. Você tem ideia de quanto gastamos para tratar você todos esses anos? Esta é a única chance de Michelle sobreviver. Você não pode ser um pouco mais compreensiva?

Eu queria dizer a ele que aquela também era minha única chance, mas Michelle de repente o chamou. Ele desligou imediatamente.

No fim, o médico providenciou para que eu pudesse adiar o pagamento.

Naquela noite, Dante foi ao meu quarto e jogou uma caixa de veludo sobre a cama.

— Você disse alguma coisa a Michelle sobre a pulseira?

Abri a caixa e vi que a pulseira estava partida em duas.

— Depois de descobrir que era isso que você queria, ela insistiu em tirá-la para dar a você e acabou quebrando-a sem querer.

Dante falava como se estivesse repreendendo uma criança imatura.

— Lia, ela está prestes a passar por uma cirurgia. Você realmente precisa fazê-la se sentir culpada por isso?

Olhei para ele, sentindo uma profunda exaustão tomar conta de mim de repente. Sempre que Michelle chorava, eu acabava sendo a culpada.

Empurrei a caixa de volta para ele.

— Leve isso embora. Não quero.

O rosto de Dante escureceu.

— Por que está fazendo birra de novo? Michelle nunca competiu com você por nada quando era saudável. Agora que está doente, você não pode ceder um pouco?

Ri, incrédula.

— Eu dei a ela meus pais, você, o quarto do hospital, os recursos para o tratamento e até a chance de viver. Isso ainda não é suficiente?

O rosto de Dante ficou rígido enquanto vários pacientes próximos se viravam para olhar.

Ele abaixou a voz.

— Não faça parecer que falhamos com você. Sem nossa ajuda todos esses anos, você não teria vivido até os 24 anos.

O quarto ficou em silêncio.

Olhei para o rosto dele enquanto as lembranças de quando minha doença se manifestou pela primeira vez, aos sete anos, ressurgiam em minha mente. Dante havia me carregado nas costas, correndo até o hospital.

Lembrei-me de chorar e prometer que nunca mais o incomodaria, mas ele me repreendeu, com os olhos vermelhos.

— Você é minha irmã. Nunca será um fardo para mim.

Mas, em algum momento, cada dia a mais que eu vivia passou a parecer uma dádiva concedida pela minha família.

Dante pareceu perceber que havia sido duro demais. Virou o rosto para o outro lado, suavizando a voz.

— Quando a cirurgia de Michelle terminar, teremos tempo para cuidar de você. Você aguentou por tantos anos. Mais alguns dias não farão diferença.

Mais uma vez, era sobre aguentar.

Só porque eu havia resistido inúmeras vezes, eles passaram a acreditar que nada poderia me derrubar. Só porque eu havia sobrevivido a inúmeras cirurgias, acreditavam que a morte era apenas uma ameaça vazia.

Depois que Dante saiu, joguei a pulseira no lixo.

...

No dia seguinte, quando a enfermeira veio coletar meu sangue, percebeu que eu estava tossindo sangue. O médico insistiu em entrar em contato com minha família, então forneci o número de Dante.

Na primeira vez, Dante não atendeu. Na segunda, desligou na cara deles. Só atendeu na sexta tentativa.

Dante interrompeu o médico assim que ele terminou de explicar meu estado.

— Ela estava perfeitamente bem há poucos dias. Como seu estado poderia piorar de repente? Michelle está fazendo exames pré-operatórios hoje. Não podemos deixá-la sozinha.

A voz do médico tremia de raiva.

— O coração de Lia está perigosamente fraco. Ela pode sofrer uma parada cardíaca a qualquer momento!

Dante ficou em silêncio.

— Por favor, cuidem dela por enquanto. Irei até aí assim que os exames de Michelle terminarem.

Esperei até a uma da manhã, quando Dante finalmente apareceu. Mas ele não estava ali para me ver. Pegou o amuleto de prata da sorte que estava no meu armário, algo que minha avó havia me deixado antes de falecer.

Ele disse que queria pegá-lo emprestado para a cirurgia de Michelle no dia seguinte.

Estendi a mão e a pressionei sobre a caixa.

— Foi a vovó que deixou isso para mim.

Dante ficou surpreso. Não esperava que eu, que já havia cedido em todas as outras questões, me recusasse a entregar aquilo. Ele explicou:

— É só por alguns dias.

— Não.

— Lia!

Sua voz acordou todos no quarto, mas não afrouxei meu aperto.

Dante afastou meus dedos um por um e pegou o amuleto.

— Michelle está prestes a passar por uma cirurgia. Como você pode se recusar a emprestar algo tão insignificante a ela? Devolverei depois que a cirurgia terminar.

No instante em que ele fechou a tampa, minha unha se partiu, e o sangue escorreu pela palma da minha mão.

Dante percebeu, mas apenas fez uma breve pausa antes de sair com aquilo que viera buscar.

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