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CAPÍTULO 7

Penulis: Lira Celestial
Simão conteve a irritação, respondeu:

— Heloísa, ainda vai fingir pra mim, é isso?

— Não entendo o que o senhor quer dizer. Se não tem mais nada, vou desligar.

— Espera.

Simão a interrompeu.

— Tem certeza de que não tem nada pra me dizer?

Heloísa achou estranho o jeito dele, estava diferente, até meio tagarela.

Normalmente, diante dela, ele economizava cada palavra.

Na tela do elevador, passava o anúncio da nova turnê de Isadora.

Logo a imagem mudou para uma entrevista, onde Isadora sorria e dizia que o número final seria uma canção infantil, composta especialmente para seu pequeno tesouro.

O apresentador, curioso, perguntou quem era aquele tesouro.

Ela sorriu de novo, fazendo mistério.

— É o meu afilhado.

Heloísa desviou o olhar.

Percebeu que a ligação ainda estava aberta, e que, do outro lado, Simão já perdia a paciência.

— Heloísa, para de fingir que morreu.

Ela respirou fundo e respondeu num tom calmo:

— Sr. Simão, o senhor tem tempo amanhã?

Finalmente ia tentar agradá-lo?

O canto da boca de Simão, que ele mal tinha conseguido conter, voltou a se erguer, e a resposta veio cheia de arrogância.

— Não tenho.

— Então, quando tiver, me avise. Assim podemos ir juntos assinar o divórcio.

— O quê?

— Eu disse, quando o senhor tiver tempo, podemos ir assinar o divórcio.

Ela encerrou a chamada sem hesitar.

Simão ficou mudo.

Heloísa, ingênua como uma folha em branco, achava que bastava persistir para conseguir pôr fim àquele casamento.

Pouco depois, recebeu a ligação da mãe, Fabiana, sem um cumprimento sequer, só a voz carregada de censura.

— Fiquei sabendo que você fugiu de casa.

— Heloísa, será que você esqueceu quem é? Casar com Simão foi a maior sorte da sua vida, e você ainda tem coragem de fazer escândalo? Você...

— Mãe! — Heloísa a interrompeu. — Pelo menos pergunta por que eu saí de casa.

— Perguntar o quê? Não é por causa daquela Isadora, a tal sonsa? E daí se o Simão quer ela por perto? Isso muda alguma coisa na sua vida boa aí na mansão?

— Cuide do seu tratamento, sirva bem o seu marido.

— Se tem medo que a outra roube ele, arrume um jeito de engravidar de novo. Quando tiver dois filhos, quero ver quem te tira o lugar.

Heloísa ficou em silêncio.

Fabiana ainda falava, mas ela já tinha tirado o aparelho auditivo.

Não queria ouvir, nem pensar, nem deixar nada abalar sua decisão.

Senão, passaria o resto da vida presa naquele casamento sem amor.

E por ter tirado o aparelho, não ouviu o som do carro se aproximando atrás dela.

Um descuido, e foi atingida de leve, caindo no chão.

O carro parou, e do banco do motorista desceu um rapaz jovem.

— A senhorita está bem?

Era alto, e tanto o corpo quanto os traços do rosto eram incrivelmente bonitos.

Ela não ouviu o que ele disse, mas percebeu pela expressão que estava preocupado.

Ela massageou o joelho dolorido, com uma expressão de desculpa:

— Desculpe, eu que não prestei atenção.

— Você se feriu? Posso te levar ao hospital.

Ele olhou para a perna dela.

Heloísa não entendeu, mas retribuiu o sorriso com gentileza.

— Você não fala? — O homem perguntou, surpreso.

Ela recolocou de volta o aparelho auditivo com naturalidade antes de dizer:

— Desculpe, senhor, não ouvi o que disse agora há pouco.

Ah, então ela não ouvia.

O rapaz a observou, sentindo uma pontada de pena.

Tão jovem e bonita... e com uma deficiência auditiva.

— Não é nada, só... o machucado...

— Está tudo bem, não dói. — Respondeu ela, despreocupada.

Era só um arranhão, logo passaria.

— Então deixa eu passar um remédio, tenho no carro.

Ele voltou ao veículo para pegar o kit.

Heloísa não teve como recusar tanta boa vontade.

Sentou-se no degrau e deixou que ele cuidasse do ferimento.

As pernas claras e delicadas dela eram longas e finas, talvez finas demais.

O homem não pôde evitar sentir uma pontada de compaixão por ela.

— Eu me chamo Miguel Gonçalves. E você, qual é o seu nome?

— Heloísa Valente.

— Trabalha por aqui?

— Sim, no prédio da frente.

— Que coincidência. Eu trabalho no prédio ao lado.

Miguel apontou com o queixo para o edifício mais alto à frente.

Seguindo o olhar dela, Heloísa percebeu que o prédio ao qual ele se referia pertencia ao Grupo Gonçalves, e ele se chamava Gonçalves…

Miguel Gonçalves?

O segundo filho do Grupo Gonçalves?

Ela encolheu um pouco a perna ferida e apressou-se em ajeitar a saia.

— Obrigada, Sr. Miguel. Já estou bem.

— Srta. Heloísa, está com pressa?

— Estou...

— Então me passa seu contato, só pra gente manter comunicação.

— Não precisa, minha perna está boa, não quero incomodar mais.

Ignorando o olhar decepcionado dele, Heloísa virou-se e entrou no prédio atrás de si.

Dentro do elevador, Heloísa olhou para si mesma, um tanto desarrumada.

A mente voltou para a noite do seu aniversário, três anos atrás.

A mãe dissera que ela andava magra demais, que precisava se cuidar, e lhe entregara um copo de leite.

Ela nunca gostava de discutir com a mãe, então tomou o leite obedientemente.

Mas logo sentiu o corpo ferver, como se uma chama a queimasse por dentro.

Perguntou à mãe se ela tinha colocado algo estranho na bebida.

Fabiana respondeu com a maior naturalidade que era para o bem dela.

O segundo filho da família Gonçalves, embora tivesse nascido de origem humilde, destinado desde o nascimento a ser apenas um banco de sangue do irmão mais velho, ainda era um Gonçalves.

Não lhe faltava comida, roupas nem dinheiro.

Além disso, os Gonçalves prezavam muito pelas aparências.

Se ela conseguisse se casar com ele, o dote certamente não a deixaria em desvantagem.

E assim, a família Valente estaria salva.

Heloísa explodira na hora, recusando-se com veemência.

Mas, drogada, não teve forças para resistir.

Foi entregue pela própria mãe e pelo irmão ao quarto do Miguel Gonçalves.

Só que, quando acordou na manhã seguinte, o homem ao seu lado não era Miguel, era Simão Franco.

Ela não sabia como isso acontecera.

Nem a mãe sabia.

Mas Fabiana ficou radiante.

Afinal, a família Franco estava muito acima da família Gonçalves.

E a posição de Simão, tanto dentro da família quanto em toda a Cidade H, era inalcançável.

Para a mãe, aquilo tinha sido uma bênção disfarçada de tragédia.

Essa confusão, até hoje, só era conhecida por Heloísa, a mãe e o irmão.

E ela agradecia por Miguel não a reconhecer.

Seria constrangedor demais.

Luís, por outro lado, começou a perceber que o humor do Sr. Simão estava cada vez mais instável e irritadiço.

Principalmente naquele dia.

Ele, que sempre teve uma capacidade de trabalho impressionante e uma percepção aguçada, já tinha sido chamado de idiota mais de dez vezes.

Se não fosse o medo de ser demitido, ele já teria aplicado um calmante no chefe.

Depois de ser chamado de idiota mais uma vez, Luís falou com cuidado:

— Sr. Franco, ouvi dizer que vai ter um show de fogos hoje à noite na Avenida Beira-Rio... Que tal o senhor levar a Sra. Heloísa e o pequeno Igor pra assistir?

Se a senhora não voltar pra casa logo, ele vai acabar ficando maluco de vez.

Mesmo que fosse só pra preservar o próprio emprego, ele tinha que arriscar a vida e dar sua opinião.

Mas, pra sua surpresa, o rosto já carrancudo de Simão escureceu ainda mais ao ouvir a sugestão, e ele o encarou como se estivesse olhando pra um completo idiota.

— Quer que eu vá atrás da Heloísa? E ainda leve ela pra ver fogos de artifício?

— Chefe… eu só quis dizer...

— Desaparece da minha frente!

Simão atirou a pasta de documentos direto no rosto dele.
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