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Capítulo 3

Penulis: Bianca Celeste
Senti um frio percorrer meu corpo inteiro de uma só vez!

Droga! Eu tinha me esquecido de que Camila e eu éramos muito próximas, e cada uma tinha uma cópia da chave da casa da outra!

Assim que a porta se abriu, Camila foi direto para o quarto.

— Camila! Não abra essa porta! — Corri para tentar detê-la.

Mas, de repente, a porta do quarto se abriu sozinha. Lá dentro, Miguel abraçava os três filhos com carinho.

— Muito bem, Valentina! Agora temos provas irrefutáveis! E você, sua desavergonhada, ainda ousa negar! — Com os olhos cheios de raiva, Camila se virou, correu até a cozinha, pegou uma faca e desferiu um golpe no meu braço. — Se você disser mais uma vez que essas crianças não são suas, eu corto sua língua e dou para os cachorros!

Soltei um grito. O sangue começou a escorrer pelo chão, e a dor quase me sufocou.

— Vadia! Monstro! Como você pode rejeitar os próprios filhos? Hoje eu vou fazer você pagar por isso!

Enquanto me insultava, ela ergueu a faca outra vez. A ponta gelada da lâmina quase tocou minha garganta!

Quando eu já estava completamente desesperada, ouvi passos familiares vindos da entrada.

— Pai! Mãe! Me salvem!

Minha mãe correu para me proteger, aflita, e gritou furiosa com Camila:

— Camila! Você enlouqueceu? Com que direito trata assim a minha filha?

Meu pai também se colocou à minha frente, com o rosto sombrio:

— Não dá para conversar com calma? Precisa mesmo partir para a violência?

Ofegante, Camila apontou para o quarto:

— Perguntem a ela o que fez!

O olhar dos meus pais passou por Camila e se deteve na porta do quarto.

No instante em que viram as três crianças, a expressão de ambos mudou por completo.

Minha mãe me empurrou com força. Pega de surpresa, caí no chão.

Apontando para o meu rosto, ela berrou:

— Bateu foi pouco! Um monstro que rejeita os próprios filhos merece morrer!

Meu pai também se voltou contra mim, me encarando com profunda decepção:

— Você envergonhou toda a nossa família! Nunca imaginei que fosse uma mulher tão promíscua e sem coração!

Senti meu coração afundar em um vazio profundo.

Assim como na vida passada, bastava que vissem aquelas três crianças para que todos enlouquecessem.

Senti como se uma dor intensa atravessasse meu peito ao mesmo tempo. Era uma dor cem vezes mais intensa do que a dos meus ferimentos.

— Sua ingrata! Se eu soubesse que você se tornaria uma pessoa tão cruel, capaz de rejeitar os próprios filhos, deveria ter estrangulado você assim que nasceu!

Suportando a dor lancinante, tentei me explicar:

— Pai, mãe, voltem à razão! Miguel e eu estamos casados há apenas cinco anos e, durante todo esse tempo, quase nunca ficamos separados. Como eu poderia ter escondido dele uma gravidez de trigêmeos? O que deu em vocês para insistirem que essas crianças, que ninguém sabe de onde vieram, são minhas?

Minha mãe me chutou com desprezo e correu até as crianças, que estavam atrás de Miguel:

— Meu Deus! Como meus netinhos são lindos! Venham aqui para a vovó ver vocês de perto!

— Mãe, você enlouqueceu? Eu já disse que eles não têm absolutamente nada a ver comigo!

O rosto do meu pai se fechou.

— Sua desgraçada! Ainda se atreve a responder? Eles são idênticos a você! Foi você quem deu à luz! Deveria agradecer por Miguel não desprezar você! Sua vagabunda, teve coragem de fazer isso, mas não tem coragem de assumir!

Minha mãe pegou o vaso que estava ali perto e o arremessou contra mim.

Com os olhos injetados de sangue, meu pai agarrou o esfregão encostado em um canto, o ergueu com toda a força e o desferiu contra a minha cabeça.

Com a mão sobre a testa ensanguentada, gritei:

— Por que vocês agem como se estivessem possuídos toda vez que veem essas crianças? Se têm tanta certeza, venham comigo fazer um teste de DNA!

— Teste para quê? Só vai gastar dinheiro à toa! — Minha mãe continuou me batendo e me xingando. — Basta olhar para saber que são seus filhos! Para que fazer um teste?

Não sei quanto tempo se passou até que finalmente se cansaram de me espancar e se voltaram para o meu marido:

— Miguel, nós apoiamos você. Ponha essa ingrata para fora daqui sem deixar que leve nada! A casa, o carro e todo o dinheiro ficam com você!

Miguel assentiu com docilidade:

— Obrigado, sogro. Obrigado, sogra.

Ao contemplar aquela cena, senti meu coração esfriar por completo.

Na vida passada, eles me mataram a golpes de enxada. Nesta, estavam tentando me espancar até a morte outra vez.

Para eles, eu não importava. Só enxergavam aquelas três crianças de origem desconhecida. Sem forças para continuar discutindo, fui direto ao ponto:

— Aceito o divórcio, mas primeiro vocês terão que provar minha inocência. Não vou assumir a responsabilidade por essas crianças.

Miguel esboçou um sorriso estranho.

— Está bem.

Ele fez um gesto com a mão, e Camila avançou em minha direção, tomada por uma raiva incontrolável.

Ela me levantou à força, me jogou no porta-malas e me levou de carro até o laboratório de testes de DNA.

O médico me lançou um olhar carregado de desprezo. Era evidente que me considerava uma mulher que havia traído o marido.

Miguel deu um soco na parede, com os ombros tremendo levemente.

Meu coração se apertou. Me aproximei, querendo consolá-lo.

Assim que minha mão o tocou, ele recuou, como um coelho assustado, e me deu um tapa no rosto:

— Sua vadia, você nem sequer reconhece os próprios filhos! Não encoste em mim! Fique longe!

Fiquei paralisada diante da violência de sua reação e, por instinto, tentei segurá-lo pela manga:

— Miguel, você...

Mas ele se desvencilhou do meu toque como se tivesse sido queimado e soltou um rosnado sufocado:

— Saia de perto! Você me dá nojo!

Vê-lo daquele jeito me causava uma dor profunda e, ao mesmo tempo, uma sensação esmagadora de impotência:

— Miguel, o que está acontecendo com você? Nós nos amávamos tanto... Por que está fazendo isso?

Ele ergueu a cabeça e me encarou:

— Meu amor, é justamente porque eu amo tanto você... Por que... Por que você não pode me escutar só desta vez? — Assim que terminou de falar, ele se ajoelhou e se curvou, prestes a bater a cabeça no chão diante de mim. — Meu amor, eu imploro, reconheça as crianças! Estou suplicando! Me escute só desta vez, está bem?

No instante em que ele se ajoelhou, a comoção ao nosso redor explodiu!

— Meu Deus! Coitado desse homem, chegou até a se ajoelhar...

— Aquela mulher parece tão decente, mas como pode ser tão cruel?

— As crianças já estão tão grandes. Como uma mãe consegue rejeitá-las?

— Esses jovens de hoje são capazes de qualquer atrocidade!

— Para mim, ela certamente tem outro homem!

— Claro! Caso contrário, por que abandonaria os próprios filhos?

— Gravem! Gravem tudo e publiquem na internet para o povo julgar!

— O mundo está mesmo perdido. Existe todo tipo de gente!

As acusações e os insultos me engoliram como uma onda gigantesca.

Tentei explicar:

— Não! Não é nada disso que vocês estão pensando!

Mas minha voz foi sufocada pelos gritos da multidão.

— E ainda quer se justificar! Batam nela!

Não sei quem começou. Um punho atingiu minhas costas, depois veio o segundo, o terceiro...

A multidão enlouqueceu. Socos e chutes caíam sobre mim como uma tempestade. Encolhida no chão, tentei proteger as partes vitais do corpo, mas, em meio ao caos, recebi um golpe brutal na nuca.

No instante em que a dor explodiu, tudo escureceu diante dos meus olhos, e perdi completamente a consciência. Quando despertei, estava deitada em uma cama de hospital.

A enfermeira que estava no quarto me observava com terror nos olhos. Em seguida, me entregou um envelope com documentos. Me apoiei na cama para me sentar e, com os dedos trêmulos, abri o envelope.

No instante em que vi o que havia lá dentro, finalmente compreendi por que todos estavam me obrigando a reconhecer aquelas três crianças.

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