LOGINCAPÍTULO 215 COMO UM ESPECTADOR DIANTE DE UMA REALIDADE SILENCIOSA CAIO BERTONE Assim que cruzei as portas da emergência e apareci na antessala, todos se levantaram quase ao mesmo tempo. A ansiedade que emanava daquele grupo era tão intensa, tão cortante, que eles mal conseguiram esperar que eu terminasse de me aproximar. Os olhos de André, Viviane, Laura e Ariel cravaram-se em mim como lâminas. — Como ele está? — Vivian perguntou imediatamente, a voz se atropelando no ar. Eu respirei fundo, absorvendo o impacto daquela cobrança antes de responder com a sobriedade que o meu jaleco exigia: — Neste momento, ele está estável. Mas ainda precisamos dos resultados dos exames mais complexos para compreender a raiz do que aconteceu e determinar quais serão os próximos passos. Ao ouvir a palavra "estável", Viviane levou a mão ao peito, soltando um fio de ar. No entanto, eu sabia que aquele termo não trazia um alívio real; o medo continuava ali, agarrado a cada um deles como uma sombra
CAPÍTULO :214 UMA SENSAÇÃO SUFOCANTE DE IMPOTÊNCIA VIVIAN GOUVEIA Eu estava vivendo uma verdadeira montanha russa. A minha cabeça estava a mil por hora, e eu só conseguia chorar de tanta aflição. Até uma equipe de profissionais surgiu no corredor, conduzindo às pressas o pequeno berço de transporte do bebê. Por um instante, esqueci como respirar. Meu coração disparou, e senti as pernas perderem a firmeza ao reconhecer aquela criança minúscula cercada por equipamentos de monitorização. Uma das profissionais acompanhava atentamente seus sinais vitais, enquanto outra verificava os dispositivos utilizados durante o transporte. Tudo acontecia depressa demais, numa movimentação que parecia transformar o corredor inteiro em um cenário de angústia. Era o nosso neto. O filho de Ariel.– O filho que ele nem sabia que era dele. A criança que, pouco tempo antes, esteve nos meus braços, agora era conduzida por uma equipe médica, e ninguém parecia disposto a nos oferecer uma resposta cap
CAPÍTULO 213 Uma Urgência Carregada De Medo LEONEL CARMONA Observei-a por alguns segundos, admirando a serenidade que parecia acompanhá-la até nos momentos mais difíceis. E foi isso que me fez superar nossos obstáculos por muitos anos. — Você fala como se fosse fácil. — Não é fácil, meu amor. Só aprendi que nem tudo se resolve com a força dos nossos braços ou com a nossa vontade. Às vezes, precisamos dar espaço para que a verdade apareça. Baixei os olhos para nossas mãos entrelaçadas. Ela me encarou... — E pensar que você fugiu tanto... E agora onde foi parar? Ana soltou uma risadinha discreta. — É. Vamos ver o que o futuro nos reserva. Falei acariciando seu rosto Em seguida, ela olhou na direção do corredor. — Se quiser conversar com André, ele ainda deve estar com Caio e os outros. Pode ir até lá. Eu vou entrar para ver como nossa filha está. Quero ter certeza de que ela não precisa de nada. A maneira como minha esposa conseguia permanecer firme, mesmo diante de uma
CAPÍTULO 212 AS CONSEQUÊNCIAS DE SUAS ESCOLHAS LEONEL CARMONA Descobrir toda aquela sujeira estava me deixando enojado. Eu mal conseguia organizar os pensamentos diante de tantas mentiras, manipulações e decisões absurdas que haviam transformado a vida da minha filha em um verdadeiro campo de batalha. Olhava para Isabel, depois para a criança que ela acabara de trazer ao mundo, e uma única pergunta martelava na minha cabeça: como aquele canalha do Tel havia sido capaz de fazer aquilo com ela? Como conseguira se aproveitar da confiança da minha filha, manipulá-la daquela maneira e envolvê-la em uma mentira tão cruel, aproveitando da sua fragilidade? Minha vontade era encontrá-lo e exigir explicações olhando diretamente nos olhos dele. Queria saber até onde ia a sua audácia e o que pretendia ganhar destruindo a vida de Isabel. Eu estava me segurando pra não acabar com Tel. Mas, acima de toda a minha revolta, havia uma certeza. Tel iria resolver aquela situação de uma vez por
CAPÍTULO 211 SILÊNCIO ESMAGADOR CAIO GOUVEIA Tudo estava milimetricamente tramado nos bastidores daquela ala médica. O silêncio que eu mantinha diante de Isabel era o meu maior escudo, mas, por trás da porta daquele quarto, a engrenagem já operava em alta rotação. Eu, Laura e os pais de Isabel já sabíamos de toda a podridão que cercava aquele nascimento. Leonel e Ana haviam sido engolidos pelo mesmo choque que me atingira, mas a prioridade absoluta de todos nós era uma só: precisávamos de provas incontestáveis antes que o pavio daquela bomba fosse aceso. O plano era cirúrgico. Primeiro, eu precisava coletar o material genético da criança sob o pretexto dos exames de rotina da pediatria. Com o material em mãos, realizaria o teste de paternidade, cruzando os dados genéticos do menino com o mapeamento genético de Ariel — algo que eu já tinha em mãos naquele momento. Ariel ainda não sabia de absolutamente nada. Continuava alheio ao fato de que seu castelo de cartas estava prestes
CAPÍTULO 210UMA HIPÓTESE QUE EU NUNCA IMAGINEIISABEL CARMONA— Filha, a Laura me ligou. Ela não vai conseguir passar aqui hoje, mas avisou que fará uma visita amanhã — anunciou minha mãe, com a voz mansa, entrando no quarto após sair para atender o celular. — Ela pediu mil desculpas e implorou para sempre mandarmos notícias suas. Ficou muito angustiada com o que aconteceu.— Não tem problema, mãe. Diga a ela que já estou bem melhor — respondi, forçando um sorriso para tranquilizá-la.Meu pai aproximou-se do leito, envolvendo a minha mão entre as suas com um carinho que me aqueceu a alma.— A nossa filha é uma fortaleza, Ana, e tudo vai ficar bem — comentou ele, com a voz firme, direcionando o olhar para a minha mãe.— É, isso é uma verdade absoluta — concordou ela, embora houvesse uma nota de apreensão flutuando em seu tom de voz.Aproveitei a brecha para questionar sobre o assunto que vinha martelando os meus pensamentos desde que acordei da anestesia:— E o Tel, mãe? Ele ainda nã







