LOGINDebbie WardO aroma de comida e o gosto estavam perfeitos. Mas, em questão de sabores e o conforto que a casa de Nicholas carrega, nunca poderíamos reclamar. Ele gasta bem para viver bem. Observar os dois homens ao meu lado trazia uma sensação estranha de paz. Uma paz que eu não sentia há semanas.Thomas estava encostado na ilha da cozinha, mangas dobradas até os cotovelos, taça de vinho na mão. O semblante tenso e cansado da noite anterior tinha evaporado. Ele ria, contava histórias banais e provocava Nicholas a cada oportunidade, como se precisasse provar que ainda sabia ser leve.— Devo admitir, Butler — disse, girando o vinho — Até que não foi uma má ideia gastar algumas dezenas. Valeu a pena. Um jantar simples, e Nicholas fez questão de contratar um chef profissional.— Fica mais gostoso, porque não sai do seu bolso.Thomas concorda, dando um sorrisão.— Com toda certeza!Eu acompanhei o diálogo, sentindo o calor do vinho subir a cada gole que dou. Era incrível como eles se enca
Nicholas ButlerMarquei a reunião para a parte da tarde. No primeiro horário. Há duas salass de reuniões no andar em que fica o meu escritório. A intenção é fazer reuniões menores e que não chamem tanta atenção como no andar que é próprio para as reuniões, que tem um entra e sai grande.Thomas estava ao meu lado, gravata perfeita, expressão fechada. A sua aparência está melhor do que quando chegou na minha sala hoje mais cedo. Do outro lado da mesa longa de madeira escura, os advogados da NexTech já estavam sentados com as pastas abertas. Eu pedi que trouxessem o contrato original do shopping e todos os aditivos. Queria que Tom visse o papel às claras.Ele chegou quinze minutos atrasado, como sempre. Entrou com dois advogados e um assistente que carregava uma pasta preta. O sorriso fácil que ele costumava usar com Thomas não apareceu. Olhou para mim, depois para Thomas, e a mandíbula apertou.— Butler — cumprimentou, a voz controlada. — Não esperava ser chamado com tanta urgência. Ach
Nicholas ButlerEu não costumo perder tempo com explicações quando a traição já está desenhada e exposta às claras para mim. Thomas e eu descemos para o departamento jurídico sem alarde. Quando empurrei a porta da sala de Milla, ela estava com os óculos de leitura apoiados na ponta do nariz, analisando uma pilha de contratos. Ela ergueu o olhar, surpresa com a nossa entrada sem aviso, e ajustou o blazer cinza com a calma impecável de sempre.— Nicholas? Thomas? — Ela tirou os óculos, repousando-os sobre a mesa. — Aconteceu alguma coisa? Não tínhamos nenhuma reunião agendada para este horário.Milla foi uma das minhas primeiras funcionárias. Não vou mentir e dizer que estou em paz com a decisão que tomei. Dói, mas vou sobreviver.A vida é feita de escolhas e ela fez a dela.Tranquei a porta atrás de mim. Thomas se encostou na parede ao lado, de braços cruzados, a expressão fechada.— Vamos economizar o seu tempo e o meu, Milla — falei, caminhando até parar diante da mesa dela. — Arrum
Nicholas ButlerMinha mesa estava coberta por três relatórios financeiros e um parecer do departamento jurídico, que eu pretendia liquidar antes das nove da manhã. O silêncio do meu escritório era o único momento de paz do dia; infelizmente, durou pouco.A porta abriu sem avisos. Thomas passou pela porta com os ombros curvados, a gravata desalinhada e uma palidez que me fez soltar a caneta sobre a madeira antes mesmo que ele dissesse uma palavra.Na ligação, a situação não parecia tão ruim.Ele fechou a porta e encostou a testa na madeira por dois segundos, respirando fundo.Apertei o botão do interfone na minha mesa.— Debbie? — chamei.— Pois não, Sr. Butler?Sei que Martina estava ali também, então tínhamos que manter a formalidade.— Desmarque todas as minhas reuniões e compromissos desta manhã. Não me interrompa por nada. Se o mundo estiver caindo lá fora, mande esperarem.Ouço ela soltar o ar devagar.— Perfeito, senhor. Já estou ajustando a agenda.Soltei o botão e inclinei o c
Thomas JenkinsO trânsito da manhã parecia andar na mesma velocidade da minha cabeça: arrastado, pesado e prestes a colapsar. Eu não tinha pregado o olho na noite anterior e como conseguiria dormir? Quando reconhecemos o nosso erro, é mais difícil de lidar do que quando é a pessoa que faz conosco.Ontem, depois de sair do apartamento de Debbie, considerei ir até Nicholas, mas esse assunto não pertencia a ele. Não agora. Não antes de olhar nos olhos do desgraçado que assumo ter escolhido fechar os meus olhos e deixado com que se aproximasse mais do que devia. Passei a madrugada repassando cada peça desse tabuleiro que haviam montado à nossa volta.Estacionei o carro de qualquer jeito na garagem do edifício comercial onde funcionavam os escritórios centrais do Tom Roiz. O ar-condicionado do saguão me atinge como um golpe frio, mas o calor do sangue que ferve nas minhas veias me mantém aquecido pela raiva que sinto. Passei direto pela recepcionista, ignorando o "Senhor Jenkins, ele está
Debbie WardO relógio na parede marcava quase sete da noite quando eu finalmente salvei o último arquivo e fechei o notebook. O vigésimo andar estava quase vazio. Martina já tinha ido embora sem nem se despedir direito, só um “até amanhã” seco que ainda martelava na minha cabeça.O clima estranho do dia inteiro não tinha melhorado. Olhares que se desviavam, conversas que morriam no meio da frase, o sorriso vazio da Milla pela manhã… tudo isso pesava nos meus ombros como se eu carregasse um saco de pedras.Peguei a bolsa, o casaco e a pasta. Só queria chegar em casa, tomar um banho quente, talvez eu esteja com a cabeça cheia de mais. Estava a dois passos do elevador quando ouvi a voz feminina.A porta da sala de reuniões pequenas, a que quase ninguém usava àquela hora, estava entreaberta. A luz interna estava acesa. E a voz da Milla saía clara e baixa, mas nítida demais para eu ignorar.— …não me importa o que o jurídico diga, Tom. Hu, ok, Sr. Roiz. Eu preciso desses documentos antes







