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Capítulo 6 O Beijo na Fonte

Penulis: Laura Paes DIas
last update Tanggal publikasi: 2026-07-25 06:35:45

Harper viu uma pequena peça cair.

Atingiu o chão perto de seus pés.

— Harper! — gritou Maya do outro lado do salão.

Ela ergueu os olhos.

O cabo se rompeu.

Tudo aconteceu ao mesmo tempo.

A estrutura desceu.

Alguém gritou.

Convidados correram.

Harper tentou se mover, mas o salto do sapato ficou preso entre duas placas do piso.

Ela puxou o pé.

Nada.

A barra vinha em sua direção.

Então Ethan a alcançou.

Um braço envolveu sua cintura.

Ele a puxou com força.

Harper sentiu o corpo girar, o som da estrutura atingindo uma mesa e, em seguida, perdeu o chão.

A borda de mármore da fonte surgiu atrás deles.

Ethan tentou recuperar o equilíbrio.

Não conseguiu.

Os dois caíram na água.

O impacto foi gelado.

Harper mergulhou por um segundo, desorientada, até Ethan segurá-la pelos ombros e puxá-la para cima.

Ela respirou com força.

A água escorria pelo rosto, pelos cabelos, pelo vestido agora colado ao corpo.

Ethan estava diante dela, também encharcado, a gravata torta e os cabelos caindo sobre a testa.

— Você está bem? — perguntou.

Harper levou alguns segundos para responder.

— Acho que sim.

— Está machucada?

— Não sei.

As mãos dele percorreram seus braços, verificando se havia algum ferimento.

A preocupação em seu rosto era tão intensa que ela esqueceu de respirar.

— Olhe para mim — disse Ethan.

— Estou olhando.

— Harper.

— Ethan.

— Isto não é brincadeira.

— Eu sei.

Ele segurou o rosto dela com as duas mãos.

Os polegares tocaram suas maçãs do rosto.

— Tem certeza de que está bem?

A voz estava diferente.

Baixa.

Tensa.

Assustada.

Ethan Calloway estava assustado.

Por ela.

Ao redor da fonte, pessoas gritavam ordens, funcionários afastavam convidados e Avery chamava a segurança. Mas Harper quase não ouvia.

Ethan estava perto demais.

A água alcançava a cintura deles. O vestido de Harper pesava, os cabelos grudavam em seus ombros e seu coração batia tão forte que parecia querer escapar.

— Você me puxou — disse ela.

— A estrutura estava caindo.

— Poderia ter se machucado.

— Você também.

— Mas não se machucou?

— Harper.

— Preciso saber.

Ele a encarou.

— Estou bem.

— Tem certeza?

— Sim.

Ela soltou o ar.

A mão de Ethan desceu do rosto dela para a nuca, como se ainda precisasse mantê-la firme.

— Você sempre faz isso? — perguntou.

— O quê?

— Corre na direção de coisas que estão caindo.

— Eu estava tentando avisar as pessoas.

— Você ficou presa.

— Não foi planejado.

— Quase foi atingida.

— Você me salvou.

— Não diga dessa forma.

— De que forma?

— Como se fosse algo heroico.

— Você preferia que eu dissesse que tropeçamos romanticamente dentro de uma fonte?

Ethan fechou os olhos.

— É inacreditável que ainda esteja fazendo piadas.

— É inacreditável que você ainda esteja reclamando.

Ele abriu os olhos.

Harper percebeu que os dois estavam novamente discutindo.

Encharcados.

No meio de uma fonte.

Cercados por centenas de pessoas.

E, ainda assim, a tensão entre eles não parecia ridícula.

Parecia viva.

Quente.

Perigosa.

— Você poderia ter morrido — disse Ethan.

— Isso é um pouco dramático.

— Uma barra de metal caiu onde você estava.

— E agora estou aqui.

— Porque eu a tirei de lá.

— Eu já agradeci uma vez hoje. Não exagere.

— Você é impossível.

— Roubei sua frase.

— Pode ficar com ela.

A mão dele continuava em sua nuca.

Harper deveria se afastar.

Não se afastou.

Os olhos de Ethan estavam fixos nos dela. A irritação ainda existia, mas misturada a algo mais intenso. Algo que fazia a respiração dele parecer tão irregular quanto a sua.

Harper olhou para a boca dele.

Não deveria.

Olhou mesmo assim.

Os lábios de Ethan estavam entreabertos, gotas de água escorrendo pela linha do maxilar.

O mundo pareceu diminuir até restar apenas aquele espaço entre os dois.

— Harper — murmurou ele.

Ela não sabia se era um aviso.

Talvez fosse uma pergunta.

Talvez não fosse nada.

A adrenalina ainda corria por seu corpo. O medo, a raiva, o alívio e aquela atração absurda se misturaram até Harper não conseguir distinguir uma coisa da outra.

Então fez o que sempre fazia quando pensar parecia lento demais.

Agiu.

Harper segurou a frente do paletó molhado de Ethan e o beijou.

Por um segundo, ele não se moveu.

O silêncio que tomou o salão foi tão absoluto que Harper poderia jurar ter ouvido uma gota cair na água.

Então Ethan correspondeu.

A mão em sua nuca apertou suavemente, aproximando-a. O outro braço envolveu sua cintura.

O beijo, que deveria ter sido apenas um impulso, mudou.

Tornou-se mais profundo.

Mais lento.

Ethan inclinou o rosto, e Harper sentiu a firmeza de seus lábios, o calor impossível em contraste com a água gelada e a forma como ele a segurava como se o mundo ainda estivesse caindo ao redor deles.

Ela esqueceu os convidados.

Esqueceu o pagamento.

Esqueceu Sloane, Richard, as câmeras e o fato de que aquele homem era o motivo de sua raiva desde o início da tarde.

Por alguns segundos, existiam apenas o gosto de champanhe nos lábios dele, a mão firme em sua cintura e a certeza assustadora de que Ethan Calloway beijava exatamente como fazia todo o resto.

Com controle.

Até perder o controle.

Harper percebeu isso quando ele aprofundou o beijo, puxando-a ainda mais para perto.

Seu coração disparou.

Ela se agarrou aos ombros dele.

O som de uma câmera explodiu.

Depois outra.

E outra.

A realidade voltou de uma vez.

Harper abriu os olhos.

Afastou-se.

Ethan permaneceu imóvel, ainda segurando sua cintura.

Os dois respiravam com dificuldade.

— Meu Deus — sussurrou Harper.

Os olhos dele estavam escuros.

— Essa é sua reação?

— Eu beijei você.

— Percebi.

— Na frente de todos.

— Também percebi.

Harper olhou ao redor.

Centenas de rostos os observavam.

Algumas pessoas sorriam.

Outras pareciam chocadas.

Maya estava com as duas mãos sobre a boca.

Avery segurava o tablet contra o peito como se houvesse acabado de testemunhar uma catástrofe administrativa.

Richard Calloway parecia estar a segundos de sofrer um colapso.

Sloane permanecia completamente imóvel.

Seu rosto estava pálido.

Os fotógrafos, porém, pareciam encantados.

— Harper Bennett! — gritou alguém. — Você e Ethan Calloway estão juntos?

Ela tentou se afastar, mas o sapato continuava preso.

Ethan percebeu e a ergueu pela cintura, libertando o salto.

O gesto provocou outra sequência de flashes.

— Pare de me pegar no colo — sussurrou ela.

— Pare de cair.

— Esta foi a primeira vez.

— A segunda.

— A escada não conta.

— Conta para mim.

Ele a colocou em pé dentro da fonte.

Harper tentou ajeitar o vestido, mas desistiu. Não havia dignidade possível depois de beijar um bilionário encharcado diante da imprensa.

Ethan passou a mão pelos cabelos molhados.

— Por que fez isso?

— Eu não sei.

— Você costuma beijar todos os homens que pretende processar?

Harper o encarou.

— Só os mais irritantes.

O canto da boca dele se ergueu.

Ela viu.

E ficou ainda mais furiosa.

— Não sorria.

— Não estou sorrindo.

— Está, sim.

— Talvez eu esteja em choque.

— Eu também.

Um jornalista se aproximou da fonte.

— Senhor Calloway, esse relacionamento começou durante a contratação da Wild Bloom?

A expressão de Ethan mudou imediatamente.

O homem que havia acabado de beijá-la desapareceu.

O presidente da Calloway Hotels voltou.

— Afastem-se da área — ordenou. — A estrutura precisa ser inspecionada.

— Mas o beijo—

— Não haverá declaração neste momento.

Avery entrou em ação.

— A inauguração será temporariamente transferida para o salão norte. Por favor, sigam as instruções da equipe.

Seguranças começaram a afastar os jornalistas.

Harper saiu da fonte com a ajuda de Maya.

— Você beijou Ethan Calloway — disse a amiga, num sussurro estrangulado.

— Eu sei.

— Com a boca.

— Maya.

— Na frente da imprensa.

— Eu estava lá.

— Pareceu durar bastante.

Harper fechou os olhos.

— Por favor, pare de falar.

Maya tirou o próprio xale e colocou sobre os ombros dela.

— Você está tremendo.

— A água estava gelada.

— Claro.

Harper olhou para Ethan.

Ele conversava com a segurança perto da estrutura caída, mas seus olhos voltaram para ela.

O olhar era indecifrável.

Ainda assim, Harper sentiu o beijo novamente.

Nos lábios.

Na pele.

Em algum lugar inconvenientemente profundo.

Sloane passou por ela.

Parou por um segundo.

— Isso foi uma estratégia interessante — disse.

Harper estava cansada demais para fingir calma.

— Não foi estratégia.

— Então foi pior.

— Para quem?

Sloane a encarou.

— Você ainda vai descobrir.

Ela se afastou.

Maya segurou o braço de Harper.

— Precisamos tirar você daqui.

— Minha equipe—

— Está tudo sob controle.

— O pagamento—

— Harper, você quase foi atingida por uma estrutura e depois beijou o dono do hotel dentro de uma fonte. Talvez possamos resolver uma crise de cada vez.

Harper deixou que Maya a conduzisse para o corredor.

Antes de sair, voltou a olhar.

Ethan ainda a observava.

Dessa vez, não desviou.

Harper foi a primeira a romper o contato.

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