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Camila
Eu estava encolhida no sofá, vestindo meu conjunto de moletom favorito e com uma manta cobrindo as pernas, enquanto navegava distraidamente pelo catálogo da N*****x. Ouvi a porta do banheiro se abrir. — Você ainda não se arrumou? Levantei os olhos e encontrei Davi ajustando os punhos da camisa azul-marinho que eu mesma havia passado naquela manhã. Suspirei, puxando a coberta um pouco mais para cima. — Acho que não vou. Ele franziu a testa, desacelerando os passos. — Como assim, não vai? Desliguei a televisão e me virei completamente para ele, encarando aquele terno impecável que parecia não combinar em nada com o meu desejo de paz. — Não estou com vontade de sair hoje. Davi deu uma risada baixa, balançando a cabeça como se eu estivesse fazendo uma piada. — Amor, a confraternização é importante. O pessoal do escritório inteiro vai estar lá. Sorri de canto, tentando puxá-lo para o meu lado. — E daí? A gente trabalha a semana toda. Faz tempo que não temos uma noite só nossa. A gente podia pedir uma pizza, comprar chocolate, colocar um filme qualquer e passar a noite debaixo da manta. Ele terminou de ajustar o relógio no pulso. — Você anda dizendo que eu só penso no trabalho. Hoje eu resolvi sair um pouco e você quer ficar em casa. Levantei do sofá e caminhei até ele, descalça, sentindo o piso frio sob os pés. — Eu não quero só ficar em casa, Davi... Eu quero ficar com você. Por um segundo, vi sua expressão amolecer. Achei que ele fosse desistir. Mas ele apenas respirou fundo e pegou a chave do carro sobre o aparador. — Camila, eu já confirmei presença. O pessoal está esperando a gente. Baixei os olhos. Desde o começo da tarde havia uma sensação estranha e sufocante dentro de mim. Um aperto no peito. Uma inquietação que não passava. — Davi... Minha voz saiu quase como um sussurro. Ele voltou a me olhar. — O que foi? Passei as mãos pelos braços, tentando afastar o arrepio que percorria minha pele. — Desde mais cedo estou sentindo uma coisa ruim. Como se... como se a gente não devesse sair de casa hoje. Ele sorriu, aproximou-se e segurou meu rosto entre as mãos. — Você está impressionada, amor. É só cansaço. Beijou minha testa. — Vamos aproveitar a noite. A gente trabalha demais. Forcei um sorriso. Talvez ele tivesse razão. Mas, quando fechei a porta do apartamento atrás de nós, aquele aperto no peito só aumentou. O caminho até a pub foi silencioso. A chuva fina deixava o asfalto brilhando sob as luzes dos postes. Eu observava as gotas escorrendo pelo vidro da janela, incapaz de afastar aquela sensação de que alguma coisa estava errada. Davi cantarolava baixinho a música que tocava no rádio. Parou o carro em um sinal vermelho, a poucos quarteirões da pub. Sorriu para mim. — Está vendo? Daqui a pouco você esquece essa sensação e vai se divertir. Tentei responder, mas as palavras morreram antes de saírem. Um forte impacto contra o vidro da janela do motorista nos fez virar a cabeça ao mesmo tempo. Um homem usando capacete batia com violência no vidro. Na mão, uma arma. — Perdeu! Passa o relógio, a aliança e o celular! Agora! Meu corpo inteiro congelou. — Davi... Ele levantou as mãos lentamente. — Calma... Eu vou entregar. Suas mãos tremiam enquanto tentava retirar o relógio do pulso. O assaltante ficou ainda mais nervoso. — Mais rápido! — Estou tentando... Tudo aconteceu em uma fração de segundo. O disparo rompeu o silêncio da noite. O estampido pareceu explodir dentro do carro. Vi o corpo de Davi ser lançado contra o banco. A mão dele foi imediatamente ao tórax. O sangue começou a escorrer entre seus dedos. — Davi! Meu grito saiu desesperado. O assaltante correu para a moto que o aguardava alguns metros atrás e desapareceu sob a chuva. Nem percebi. Meu mundo inteiro estava dentro daquele carro. Soltei o cinto e me inclinei sobre ele. — Amor... olha para mim... por favor... Suas mãos já não conseguiam conter o sangue que encharcava a camisa azul-marinho. Respirava com dificuldade. Cada inspiração parecia uma luta. Segurei seu rosto entre as minhas mãos. As lágrimas caíam sem que eu percebesse. — Não... não faz isso comigo... Ele sorriu de um jeito tão pequeno que quase não existiu. Levantou a mão com dificuldade e acariciou meu rosto. — Me... desculpa... Balancei a cabeça freneticamente. — Não. Não fala isso. Ele fechou os olhos por um segundo, como se reunir forças para continuar fosse a tarefa mais difícil do mundo. — Você... não queria vir... Meu peito se despedaçou. — Não importa... fica comigo... por favor... Sua respiração ficou ainda mais fraca. Os dedos procuraram os meus. Entrelaçaram nossas mãos. — Eu... te amo... As palavras saíram em um fio de voz. — Eu também te amo. Muito. Então não vai embora... por favor... não vai... Seus dedos apertaram os meus pela última vez. Depois... Foram perdendo a força. Seu olhar permaneceu preso ao meu até desaparecer lentamente. A buzina do carro ecoava sem parar. A chuva castigava o para-brisa. E eu permaneci ali, abraçada ao homem que amava, coberta pelo sangue dele, implorando por um milagre que nunca aconteceu.Leonardo Enquanto o Rafael e o Gustavo continuavam me zoando, o celular do Sérgio vibrou em cima da mesa. Ele olhou para a tela, franziu a testa e viu quem era.— Esperem um segundo, rapaziada — disse ele, levantando-se da cadeira.O Sérgio se afastou da mesa, foi até a parte mais externa e silenciosa do bar e atendeu a ligação. Demorou alguns minutos conversando com um tom sério, gesticulando um pouco antes de desligar. Quando voltou para a mesa, a expressão dele estava completamente diferente: séria, tensa e pensativa. Nós nos olhamos desconfiados, mas antes que alguém pudesse perguntar alguma coisa, não deu nem dez minutos e o meu próprio celular começou a tocar alto no bolso.Olhei para a tela: era a minha pequena. Atendi na mesma hora, e logo percebi a voz dela embargada, quase chorando:— Mozão... vem para casa. Eu não tô bem, queria você aqui.Meu coração disparou na mesma hora. Despejando toda a pressa do mundo, respondi que já estava indo e desliguei.Me levantei da me
LeonardoAcordei com a claridade suave da tarde invadindo o quarto. Olhei para o lado e o espaço na cama estava vazio. Ah, verdade... A Camila tinha me avisado que passaria o dia na piscina com as meninas. Como eu tinha passado a noite em um plantão exaustivo no hospital, acabei vindo direto para o apartamento dela e dormi profundamente.Sorri sozinho, lembrando do quanto ela estava animada para esse encontro com a Maria e as amigas.Levantei com cuidado, fui direto para o chuveiro e tomei um banho revigorante. Antes de sair para o consultório para os atendimentos da tarde, decidi deixar um agrado para quando ela voltasse cansada da diversão. Fui até a cozinha, preparei um lanche caprichado, deixei um suco bem gelado na geladeira e organizei tudo com carinho na bancada, acompanhado de um bilhete colado na porta da geladeira.Com a sensação boa de cuidar de quem a gente ama mesmo à distância, peguei minhas coisas e segui direto para o consultório...Cheguei ao consultório no horário,
CamilaDepois do lanche maravilhoso, o clima ao redor da piscina ficou ainda mais animado. A conversa fluía leve, e a energia do grupo era contagiante. Rosângela, que não conseguia deixar a mente quieta por um segundo, logo deu um pulo da espreguiçadeira com uma ideia brilhante nos olhos:— Meninas, já que estamos reunidas e o plano para a Maria já está em andamento na minha cabeça, vamos fazer uma brincadeira de esquenta! Cada uma vai ter que contar qual foi a cantada mais brega ou o encontro mais desastroso que já teve na vida!As risadas foram imediatas. Entre uma gargalhada e outra, todas participaram, relembrando histórias bizarras do passado e zoando umas às outras. Para selar a tarde perfeita, Rosângela trouxe uma garrafa de champanhe bem gelada e taças elegantes.— Um brinde à nossa amizade, ao futuro da nossa delegada e aos bons momentos! — anunciou Rosângela, levantando a taça.Todas ergueram suas taças e brindaram com entusiasmo, fazendo um "tim-tim" alegre no ar — exce
Camila — Mas pera aí, gente... Nós estamos curiosíssimas é para saber sobre a vida sentimental aqui da nossa delegada maravilhosa!A Maria não aguentou e começou a rir da cara de pau da Rosângela, balançando a cabeça dentro da água:— Meu Deus... Sim, o que é que você quer saber? Pode falar! Estou super preparada para o interrogatório.Rosângela nem piscou e mandou na lata:— Então, mulher, cadê o marido?Na mesma hora, as meninas caíram no riso com a falta de filtro dela. A Elizabeth logo interveio, rindo alto:— Meu Deus, Rosângela, para com isso, mulher! — disse a ela, se divertindo com a situação.A Maria deu mais uma risada e respondeu com toda a tranquilidade e elegância de sempre:— Gente, eu não tenho marido, não tenho namorado e, no momento, não estou conhecendo ninguém.A Estela, como boa cunhada, não deixou passar e meteu a colher de pau indignada:— Não, cunhada, pelo amor de Deus! Isso tudo aqui não pode ficar sozinha, não! Mulher, tu é muito gata, olha esse teu
Camila A conversa na mesa do almoço estava tão boa que nem vimos o tempo passar, até que o interfone e a campainha começaram a anunciar que a casa da Rosângela ia ficar ainda mais movimentada.— Chegou mais gente! — avisou Rosângela, já se levantando com aquele entusiasmo contagiante para receber as meninas.A primeira a passar pelo portão foi a Estela, esbanjando simpatia. Ela entrou sorridente, abraçando a dona da casa e correndo para dar um beijo carinhoso na Maria:— Cheguei, gente! Que delícia de lugar! Maria, você tá uma gata, viu? — elogiou Estela, já se acomodando perto da gente e pegando um copo de bebida.Logo em seguida, o clima ficou ainda mais especial com a chegada da Andreia, exibindo com todo o orgulho do mundo o seu barrigão lindo. Todas nós soltamos um "Ahhh!" em coro ao ver aquela cena.— Menina, você tá radiante! — comentei, me levantando para dar um abraço bem cuidadoso nela. — E os meninos, cadê?— Ficaram com a minha mãe hoje! — respondeu Andreia, suspira
Camila Fui para a sala e encontrei a Maria já prontíssima, usando um vestidinho super charmoso. Olhei para ela, impressionada com a elegância natural da minha amiga, e não segurei o elogiador:— Amiga, você é a coisa mais linda! Você pode estar usando até um pano de saco, mulher! Como é que alguém nasce linda desse jeito?A Maria deu uma risada, balançando a cabeça e entrando na brincadeira para me provocando:— Ah, é... e você é bem feinha, né, Camila? Não tem jeito mesmo!Nós duas caímos na gargalhada na sala, trocando brincadeiras como sempre fazemos.— Vamos embora logo antes que a gente se atrase! As meninas já devem estar quase chegando lá — falei, pegando as bolsas e a chave do carro.Trancamos a casa, entramos no carro e seguimos animadas para a casa da Rosângela, prontas para aproveitar a tarde na piscina, o champanhe e colocar o papo em dia com toda a turma.No meio do caminho, enquanto eu dirigia, a Maria me olhou curiosa e perguntou:— Camila, e o almoço? A gente v







