INICIAR SESIÓNLeonardo
Assim que o som dos passos da Camila desapareceu no topo da escada, encostei no carro tentando colocar minha cabeça no lugar. A pele do meu rosto ainda formigava. Aquele beijo tinha sido um terremoto. Rogério veio na minha direção, balançando a cabeça e abrindo um sorriso sacana. — Não acredito que você tá ficando com a minha cunhada, cara! Se a Liz descobre, ela te mata! Soltei uma risada abafada, tentando disfarçar a bagunça emocional no meu peito. — Não aconteceu nada demais, Rogério... Foi só um beijo. — Um beijo?! — ele debochou. — Um beijo só deixa o cara com essa cara de bobo? Menos, Leonardo. Bem menos! — É melhor eu ir embora — falei, pegando as chaves. — Vai mesmo, cuida da sua vida que o horário já avançou — brincou ele, me acompanhando até o portão. Liguei o motor e acelerei pela rua silenciosa. Minha mente não saía da borda daquela piscina. Nunca imaginei que a Camila me olhava diferente, ou que me via como homem, pensei, encarando o asfalto molhado. Eu sempre achei ela uma gata. Linda, inteligente. Só nunca tentei nada porque ela nunca me deu abertura... e tem a questão da idade. Eu com 36 anos, e ela na casa dos 20. Eu mal tinha engatado a terceira marcha quando o celular tocou no painel. Era a Lana. Tínhamos combinado de nos ver mais cedo, mas com a conversa e o churrasco, perdi totalmente a noção da hora. — Oi, Leo... Tudo bem? — a voz dela veio pelo viva-voz. — Tô te esperando. Você não vinha me buscar? Passei a mão pelo rosto, exausto. — Ah... Oi, Lana. É que acabou atrasando por aqui. Já tô cansado... Acho melhor deixarmos para outro dia. — Ah, não, Leonardo! Você já desmarcou tantas vezes! Não vamos desmarcar hoje, né? Onde você tá? Eu vou até você. Respirei fundo. A verdade? Depois de ter provado a boca da Camila, a última coisa que eu queria era encostar em outra mulher. Mas a Lana insisted tanto, jogando cobrança em cima de cobrança, que acabei cedendo por puro cansaço. — Tá bom... Tô passando aí agora. Passei para pegá-la e, sem cabeça nenhuma para levar alguém para o meu apartamento, dirigi direto para um hotel executivo no centro. Assim que entramos no quarto, Lana cruzou os braços e fez um biquinho mimado. — Você devia me levar pra sua casa, Leo... Na sua casa não mora ninguém, né? — Não é assim que as coisas funcionam, Lana — respondi, seco, tirando o relógio e jogando sobre a cômoda. Transamos, mas minha mente estava a mil quilômetros dali. Cada toque parecia mecânico, vazio. Em todos os momentos, a única imagem que invadia minha cabeça era o rosto da Camila, a maciez do cabelo dela entre os meus dedos e o tremor do seu corpo quando a puxei para o meu colo. Quando o dia amanheceu, a sensação de incômodo e remorso virou uma pedra no meu estômago. Sem esperar a Lana acordar, fui até a recepção do hotel, deixei a diária e o café pagos no meu cartão e rodei direto para o consultório. Não tive tempo nem de passar em casa para tomar um banho. Cheguei ao consultório vestindo exatamente o mesmo terno e a mesma camisa amassada do churrasco da noite anterior. Camila já estava lá, organizando a recepção. Quando me viu entrar, os olhos dela varreram minha roupa e um sorriso irônico surgiu em seus lábios. — Hum... O doutor passou a noite na rua, é? — comentou, cruzando os braços. — Tá até com a mesma roupa de ontem... Sentindo o rosto esquentar de vergonha, dei um sorriso amarelo, sem saber onde meter a cara. — Foco no trabalho, Camila... — murmurei, me esquivando e fechando a porta da minha sala o mais rápido que pude. Atendi o primeiro paciente no automático. Minha cabeça era um nó de ressaca moral. Mas o pior ainda estava por vir. Pouco tempo depois, ouvi o som alterado de saltos altos ecoando do corredor. A porta da recepção foi aberta com força. Era Lana. — Querida, chame o Leonardo pra mim. Agora! — ouvi a voz estridente dela exigir lá fora. — O Doutor Leonardo está em atendimento no momento — a voz firme da Camila respondeu. — A senhora precisa aguardar... — Eu não quero saber! Chame ele agora! Segundos depois, duas batidas rápidas soaram na minha porta. Camila colocou a cabeça para dentro, com a expressão séria e incomodada. — Leonardo... Tem uma mulher lá fora. O nome dela é Lana. Ela tá alterada e exigindo falar com você. Fechei os olhos, sentindo uma pontada de dor de cabeça. Soltei um suspiro pesado. — Diga a ela que eu já atendo. Deixa eu só concluir esse caso. Terminei a consulta às pressas e abri a porta para resolver a situação antes que piorasse. Mas não tive tempo nem de abrir a boca. Assim que pisei na recepção, sob o olhar atento da Camila, Lana caminhou a passos largos na minha direção e desferiu um tapa violento na minha cara. O estalo ecoou por todo o consultório. Meu rosto queimou instantaneamente. — Como é que você faz isso comigo, Leonardo?! — Lana gritou, fora de si, sem se importar com a presença da Camila. — Você transa comigo a noite toda e depois me deixa sozinha num quarto de hotel pra sair escondido?! Você pensa que eu sou o quê?! Senti o chão sumir sob meus pés. Olhei de relance para Camila e vi o choque e a decepção estampados no rosto dela. Sem pensar duas vezes, segurando o rosto queimando da pancada, peguei Lana pelo braço com firmeza e a arrastei para dentro da minha sala, batendo a porta com força. — Você enlouqueceu?! — esbravejei, mantendo a voz baixa, mas tomada pela raiva. — Eu nunca te prometi nada, Lana! E eu saí cedo porque precisei vir trabalhar! — Eu não aceito isso! As coisas não funcionam assim comigo! — Não aceito eu! Você passou de todos os limites vindo até o meu local de trabalho fazer esse espetáculo! — respondi, apontando o dedo para a porta. — Nós não temos nada. Sério, nunca tivemos nada sério! E você vem aqui criar essa cena? Lana me encarava com o peito ofegante, os olhos ardendo de raiva. — Por favor, Lana... se retire. Vai embora agora antes que eu mande a segurança te colocar para fora. Lana ajeitou a bolsa no ombro, lançou-me um último olhar cheio de raiva e bateu a porta da minha sala ao sair, cruzando a recepção sem olhar para trás. Fiquei alguns segundos parado no meio da sala, de olhos fechados, tentando absorver o estrondo do tapa, a vergonha do barraco e o peso da lambança que eu mesmo tinha criado. Abri a porta devagar e olhei para a recepção. Camila estava de pé atrás do balcão, a postura rígida, a expressão indecifrável e o olhar sério fixo em mim. — Camila... Vem aqui, por favor — pedi, com a voz falhada pelo cansaço. Ela não hesitou. Caminhou a passos firmes, entrou na minha sala e esperou que eu fechasse a porta atrás de nós. Passei a mão pelo rosto, sentindo o local do tapa ainda formigar. — Me desculpa por isso... Me desculpa de verdade — comecei, sem conseguir olhar nos olhos dela direito. — Isso não vai mais acontecer, eu te garanto. — Olha, Leonardo... O que aconteceu ontem foi muito bom, certo? Mas não vai se repetir. Aquelas palavras bateram no meu peito como um soco. — Mas... se foi tão bom, por que não vai se repetir? — perguntei, dando um passo na direção dela, desesperado para consertar as coisas. ela deu um meio passo para trás, estabelecendo uma distância invisível, mas inabalável entre nós. — Nós vamos ser apenas secretária e patrão, tá? — disse, mantendo a voz firme. — Eu não quero me envolver nisso. Isso não vai acontecer de novo. Respirei fundo, engolindo o orgulho e o desapontamento. — Certo... Eu entendo — murmurei, assentindo devagar. Ela ajeitou a postura, deu as costas e saiu da sala, fechando a porta com suavidade. Fiquei ali, sozinho no silêncio do consultório. Passei as mãos pelo rosto amassado, soltei um suspiro derrotado e me sentei na minha cadeira, tentando me forçar a focar no trabalho e a fingir que meu coração não tinha acabado de levar uma rasteira.Leonardo Enquanto o Rafael e o Gustavo continuavam me zoando, o celular do Sérgio vibrou em cima da mesa. Ele olhou para a tela, franziu a testa e viu quem era.— Esperem um segundo, rapaziada — disse ele, levantando-se da cadeira.O Sérgio se afastou da mesa, foi até a parte mais externa e silenciosa do bar e atendeu a ligação. Demorou alguns minutos conversando com um tom sério, gesticulando um pouco antes de desligar. Quando voltou para a mesa, a expressão dele estava completamente diferente: séria, tensa e pensativa. Nós nos olhamos desconfiados, mas antes que alguém pudesse perguntar alguma coisa, não deu nem dez minutos e o meu próprio celular começou a tocar alto no bolso.Olhei para a tela: era a minha pequena. Atendi na mesma hora, e logo percebi a voz dela embargada, quase chorando:— Mozão... vem para casa. Eu não tô bem, queria você aqui.Meu coração disparou na mesma hora. Despejando toda a pressa do mundo, respondi que já estava indo e desliguei.Me levantei da me
LeonardoAcordei com a claridade suave da tarde invadindo o quarto. Olhei para o lado e o espaço na cama estava vazio. Ah, verdade... A Camila tinha me avisado que passaria o dia na piscina com as meninas. Como eu tinha passado a noite em um plantão exaustivo no hospital, acabei vindo direto para o apartamento dela e dormi profundamente.Sorri sozinho, lembrando do quanto ela estava animada para esse encontro com a Maria e as amigas.Levantei com cuidado, fui direto para o chuveiro e tomei um banho revigorante. Antes de sair para o consultório para os atendimentos da tarde, decidi deixar um agrado para quando ela voltasse cansada da diversão. Fui até a cozinha, preparei um lanche caprichado, deixei um suco bem gelado na geladeira e organizei tudo com carinho na bancada, acompanhado de um bilhete colado na porta da geladeira.Com a sensação boa de cuidar de quem a gente ama mesmo à distância, peguei minhas coisas e segui direto para o consultório...Cheguei ao consultório no horário,
CamilaDepois do lanche maravilhoso, o clima ao redor da piscina ficou ainda mais animado. A conversa fluía leve, e a energia do grupo era contagiante. Rosângela, que não conseguia deixar a mente quieta por um segundo, logo deu um pulo da espreguiçadeira com uma ideia brilhante nos olhos:— Meninas, já que estamos reunidas e o plano para a Maria já está em andamento na minha cabeça, vamos fazer uma brincadeira de esquenta! Cada uma vai ter que contar qual foi a cantada mais brega ou o encontro mais desastroso que já teve na vida!As risadas foram imediatas. Entre uma gargalhada e outra, todas participaram, relembrando histórias bizarras do passado e zoando umas às outras. Para selar a tarde perfeita, Rosângela trouxe uma garrafa de champanhe bem gelada e taças elegantes.— Um brinde à nossa amizade, ao futuro da nossa delegada e aos bons momentos! — anunciou Rosângela, levantando a taça.Todas ergueram suas taças e brindaram com entusiasmo, fazendo um "tim-tim" alegre no ar — exce
Camila — Mas pera aí, gente... Nós estamos curiosíssimas é para saber sobre a vida sentimental aqui da nossa delegada maravilhosa!A Maria não aguentou e começou a rir da cara de pau da Rosângela, balançando a cabeça dentro da água:— Meu Deus... Sim, o que é que você quer saber? Pode falar! Estou super preparada para o interrogatório.Rosângela nem piscou e mandou na lata:— Então, mulher, cadê o marido?Na mesma hora, as meninas caíram no riso com a falta de filtro dela. A Elizabeth logo interveio, rindo alto:— Meu Deus, Rosângela, para com isso, mulher! — disse a ela, se divertindo com a situação.A Maria deu mais uma risada e respondeu com toda a tranquilidade e elegância de sempre:— Gente, eu não tenho marido, não tenho namorado e, no momento, não estou conhecendo ninguém.A Estela, como boa cunhada, não deixou passar e meteu a colher de pau indignada:— Não, cunhada, pelo amor de Deus! Isso tudo aqui não pode ficar sozinha, não! Mulher, tu é muito gata, olha esse teu
Camila A conversa na mesa do almoço estava tão boa que nem vimos o tempo passar, até que o interfone e a campainha começaram a anunciar que a casa da Rosângela ia ficar ainda mais movimentada.— Chegou mais gente! — avisou Rosângela, já se levantando com aquele entusiasmo contagiante para receber as meninas.A primeira a passar pelo portão foi a Estela, esbanjando simpatia. Ela entrou sorridente, abraçando a dona da casa e correndo para dar um beijo carinhoso na Maria:— Cheguei, gente! Que delícia de lugar! Maria, você tá uma gata, viu? — elogiou Estela, já se acomodando perto da gente e pegando um copo de bebida.Logo em seguida, o clima ficou ainda mais especial com a chegada da Andreia, exibindo com todo o orgulho do mundo o seu barrigão lindo. Todas nós soltamos um "Ahhh!" em coro ao ver aquela cena.— Menina, você tá radiante! — comentei, me levantando para dar um abraço bem cuidadoso nela. — E os meninos, cadê?— Ficaram com a minha mãe hoje! — respondeu Andreia, suspira
Camila Fui para a sala e encontrei a Maria já prontíssima, usando um vestidinho super charmoso. Olhei para ela, impressionada com a elegância natural da minha amiga, e não segurei o elogiador:— Amiga, você é a coisa mais linda! Você pode estar usando até um pano de saco, mulher! Como é que alguém nasce linda desse jeito?A Maria deu uma risada, balançando a cabeça e entrando na brincadeira para me provocando:— Ah, é... e você é bem feinha, né, Camila? Não tem jeito mesmo!Nós duas caímos na gargalhada na sala, trocando brincadeiras como sempre fazemos.— Vamos embora logo antes que a gente se atrase! As meninas já devem estar quase chegando lá — falei, pegando as bolsas e a chave do carro.Trancamos a casa, entramos no carro e seguimos animadas para a casa da Rosângela, prontas para aproveitar a tarde na piscina, o champanhe e colocar o papo em dia com toda a turma.No meio do caminho, enquanto eu dirigia, a Maria me olhou curiosa e perguntou:— Camila, e o almoço? A gente v







