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Cheiro de lar

作者: Any L.
last update publish date: 2026-09-15 23:29:03

Katy Nunes

​O toque suave dos pneus da aeronave contra a pista do aeroporto internacional anunciou o fim do voo. Assim que o sinal dos cintos se apagou, recolhi minha bolsa de mão sob o olhar atento e gélido da Valentina, que já ajeitava o casaco de grife no corredor da classe executiva, acompanhada por Fernando.

​Caminhamos juntos pelo finger de acesso em direção ao controle de passaportes e à restituição de bagagens. O clima entre nós continuava denso, reflexo direto dos últimos dias em Man
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  • Um brinde ao imprevisto    A Noite Pertence a Nós

    Ian Parker ​A sensação de ter a Katy nos meus braços depois que ela disse sim trazia uma certeza que eu não tinha há anos. Deslizar aquele anel no dedo dela não foi um impulso. Foi a única coisa certa que fiz na vida. Ela já era minha muito antes de hoje, mas agora não tinha mais volta.​Entramos no carro e fiz o caminho de volta do vilarejo para a praia sem pressa. A estrada estava calma, iluminada apenas pelos faróis do SUV. De vez em quando, eu tirava a mão direita do volante e buscava a mão da Katy no console central. Ela olhava para os nossos dedos entrelaçados e encarava o brilho do diamante com um sorriso discreto que me fazia querer acelerar ainda mais para chegar em casa.​Estacionei na garagem e descemos. O silêncio na propriedade era absoluto. Julien e Ana cumpriram a palavra e ainda não tinham voltado do bar de jazz, deixando o caminho totalmente livre.​— Você tem noção de que acabou com a minha postura de chefe durão, noiva? — murmurei perto do ouvido dela enquanto tran

  • Um brinde ao imprevisto    A Promessa Sob o Luar

    Katy Nunes ​O resto do jantar no bistrô transcorreu com uma leveza acolhedora. A brisa do mar, o vinho gelado e as risadas pareciam afastar qualquer resquício da rotina pesada do Rio. Mas, quando o garçom trouxe a conta, Julien limpou a garganta com um sorriso conspiratório no rosto.​— Bom, pessoal... eu e a Ana estávamos conversando e decidimos dar uma esticada — anunciou Julien, trocando um olhar cúmplice com ela. — Descobri que tem um barzinho com jazz ao vivo em uma praia vizinha. Queremos aproveitar a noite a dois.​— Vocês não vêm com a gente para a casa? — perguntei, surpresa.​— Nem pensar! — riu Ana, ajustando o casaco leve sobre os ombros. — Nós pegamos um táxi para lá e depois voltamos. Vocês dois deveriam aproveitar para caminhar pela orla. A noite está linda demais para ir direto para a cama.​Antes que eu pudesse protestar, os dois se despediram entre abraços e saíram animados rumo à rua principal. Fiquei olhando para a direção onde sumiram, ainda tentando assimilar a

  • Um brinde ao imprevisto    A Pista e o Veneno

    Valentina Fernandes ​O som do ar-condicionado no meu apartamento parecia um zumbido irritante, daqueles que entram na cabeça e não deixam ninguém pensar. Eu andava de um lado para o outro na sala, sentindo aquela queimação familiar no peito. A raiva.​A pessoa que me colocou na Vanguard Media não estava pagando minhas contas para eu ficar assistindo uma mosca morta do financeiro andar pela agência como se fosse dona do lugar. A Katy Nunes não podia ser tão esperta. Não era possível que ela estivesse conseguindo a atenção do Ian — um homem que eu vinha tentando cercar há meses sem sucesso.​Sentei no sofá com violência e peguei o celular, rolando a tela com força. Meu dedo parou no milissegundo em que o nome da Katy piscou no topo das atualizações de stories.​— Vejamos o que a santinha está aprontando... — mormorei, tocando na tela.​A imagem carregou. Uma taça de vinho fino perto da borda de uma mesa de madeira, luzes quentes e o mar escuro ao fundo. Sem rostos, sem alarde. Mas ali,

  • Um brinde ao imprevisto    O Jantar e a Foto Incriminadora

    Katy Nunes ​No quarto, preparei-me com todo o cuidado para aquela noite especial. Vesti um vestido off-white longo e leve em tecido plissado, com um decote profundo em V preso no pescoço por uma amarração charmosa, recortes delicados na cintura unidos por um anel rústico e uma fenda fluida na saia. Coloquei um colar com pingente dourado de estrela-do-mar em camadas, brincos de concha dourados e braceletes delicados no pulso. Ajeitei o cabelo em ondas macias caindo pelas costas e calcei sandálias de salto médio em tom marrom-café com tiras finas nos pés. Para finalizar, peguei minha bolsa de palha trançada com detalhe de estrela-do-mar na alça e óculos escuros de armação tartaruga para o início da noite. ​Quando abri a porta e saí para a sala principal, encontrei Ian encostado na mesa de centro, mexendo no celular. Ele usava uma camisa de linho clara com as mangas dobradas até os cotovelos e calça jeans. Ao ouvir meus passos no piso de madeira, ele ergueu os olhos. O olhar dele desc

  • Um brinde ao imprevisto    Entre Águas e Risos

    katy Nunes ​Assim que deixamos as malas no hall de entrada e nos acomodamos nos quartos, o ar fresco da praia pareceu nos puxar imediatamente para fora. O dia ensolarado no quintal estava convidativo demais para que ficássemos trancados.​Troquei de roupa no quarto espaçoso que Ian havia separado para nós — um ambiente iluminado, com portas de vidro que davam direto para a varanda. Vesti um biquíni leve e confortável sob uma saída de praia. Quando voltei para a área externa, o cenário era puramente descontraído.​Julien e Ana já tinham tomado conta da área gourmet. Ele usava um calção de banho colorido e óculos escuros, enquanto Ana organizava a bancada de madeira perto da churrasqueira. ​— Se o dono da casa não se incomodar, eu tomei a liberdade de assumir as bebidas! — anunciou Julien com um sotaque carregado de diversão, erguendo uma coqueteleira de inox. — Preparei um drinque especial de frutas tropicais com gin. Quem vai ser o primeiro a testar?​— Pode servir uma taça para a

  • Um brinde ao imprevisto    A chegada

    Ian Parker ​O caminho de cascalho e terra batida deu lugar à entrada privada da propriedade, cortando a vegetação nativa que parecia abraçar o terreno. Cerca de duas horas e meia depois de termos deixado o Rio de Janeiro para trás, o som seco dos pneus sobre as pedrinhas fez o veículo desacelerar.​Ao meu lado, Katy começou a se mexer devagar no banco. Ela soltou um suspiro preguiçoso, abrindo os olhos aos poucos e piscando contra a claridade forte do meio da manhã que invadia o para-brisa.​— Já chegamos? — perguntou ela, a voz rouca de sono, passando as costas da mão pelos olhos.​— Acabamos de chegar — respondi com a voz calma, reduzindo a marcha até parar totalmente na área de acesso principal.​Katy olhou através do vidro e ficou em silêncio por alguns instantes, absorvendo a cena diante de si.​A casa se revelava de forma acolhedora, perfeitamente integrada à natureza ao redor. Construída em pavimento térreo, com uma arquitetura rústica e ao mesmo tempo extremamente elegante, e

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