تسجيل الدخولIan Parker O caminho de cascalho e terra batida deu lugar à entrada privada da propriedade, cortando a vegetação nativa que parecia abraçar o terreno. Cerca de duas horas e meia depois de termos deixado o Rio de Janeiro para trás, o som seco dos pneus sobre as pedrinhas fez o veículo desacelerar.Ao meu lado, Katy começou a se mexer devagar no banco. Ela soltou um suspiro preguiçoso, abrindo os olhos aos poucos e piscando contra a claridade forte do meio da manhã que invadia o para-brisa.— Já chegamos? — perguntou ela, a voz rouca de sono, passando as costas da mão pelos olhos.— Acabamos de chegar — respondi com a voz calma, reduzindo a marcha até parar totalmente na área de acesso principal.Katy olhou através do vidro e ficou em silêncio por alguns instantes, absorvendo a cena diante de si.A casa se revelava de forma acolhedora, perfeitamente integrada à natureza ao redor. Construída em pavimento térreo, com uma arquitetura rústica e ao mesmo tempo extremamente elegante, e
Ian Parker Às cinco e quarenta e cinco da manhã, o céu do Rio de Janeiro ainda desbotava lentamente do azul-escuro para tons suaves de lilás e rosa-pálido. A cidade dormia em um silêncio raro, quase irreal para quem estava acostumado ao ritmo frenético do mundo corporativo. Estacionei o veículo na guia em frente ao edifício de Katy, desliguei o motor e me encostei na porta do motorista, cruzando os braços para espantar o ar frio da madrugada. Olhei para o relógio no meu pulso. Faltavam quinze minutos para as seis.Eu mal tinha terminado de conferir as horas quando a pesada porta de vidro do prédio se abriu. Katy apareceu no hall, puxando uma mala de bordo leve e carregando uma bolsa de praia ajeitada no ombro. Ela vestia um vestido fluido de algodão claro que se movia suavemente a cada passo e rasteirinhas simples. O cabelo estava preso num coque descontraído, deixando alguns fios soltos moldando seu rosto.No instante em que seus olhos encontraram os meus do outro lado da calçada
Ana Albuquerque Pousei o celular sobre a mesa de cabeceira logo após desligar com a Katy, ainda sentindo o calor leve da conversa. A perspectiva de dias de sol e mar na Região dos Lagos parecia um respiro abençoado no meio do ritmo sufocante do hospital. Caminhei até a cozinha para pegar um copo d'água, pronta para apagar as luzes e deitar, quando o visor do meu telefone voltou a acender, vibrando sobre o balcão.Era o Julien.— Julien? Aconteceu alguma coisa? — perguntei assim que atendi, franzindo o cenho enquanto olhava para o relógio na parede.— Aconteceu que eu sou um homem sem paciência, Ana — a voz dele veio com aquele sotaque suave, carregada de uma vibração divertida. — E a ideia de esperar até as seis da manhã para te ver me pareceu um erro absurdo.Soltei uma risada baixa, encostando a cintura na bancada da cozinha.— Como assim? Onde você está?— Na sua garagem. O porteiro me deixou entrar com o carro, mas preciso que você libere o acesso ao elevador.Pisquei, su
Katy Nunes A porta do meu apartamento ainda parecia guardar o calor do abraço de Ian e a intensidade do seu último beijo. Fiquei alguns segundos encostada à madeira, com a mão repousando sobre a fechadura, sentindo o sorriso bobo teimando em se desenhar nos meus lábios. Mas o som do relógio de parede no hall me trouxe de volta à realidade: já passava das nove da noite e eu precisava organizar tudo antes que o dia seguinte amanhecesse.Caminhei até o quarto, acendi a luz e puxei a mala de bordo de cima do maleiro do armário.Ajeitei o espaço sobre a cama e separei biquínis, saídas de praia, shorts de linho, vestidos leves de algodão e rasteirinhas. O clima na Região dos Lagos prometia dias ensolarados e quentes, ideais para desligar a cabeça da rotina da agência.Enquanto dobrava uma blusa amarela, meus olhos bateram na agenda sobre a mesa de cabeceira, aberta na folha do fim de semana. Um aperto sutil no peito me pegou de surpresa.Domingo. 19h30. Jantar com o pai.Era a nossa
Ian Parker Quando nossos lábios finalmente se separaram, a respiração de Katy ainda estava descompassada. Segurei o rosto dela por mais alguns instantes, apreciando a entrega e o brilho suave nos olhos dela antes de me afastar a contragosto.— Bom, eu preciso ir — falei baixinho, deslizando os polegares pela linha do queixo dela. — Vim direto do aeroporto para cá quando cheguei de Nova York, então preciso ir até a minha casa organizar minhas malas de verdade. Tirar os casacos pesados e pegar roupas adequadas para o sol da Região dos Lagos.Katy sorriu, concordando com a cabeça enquanto se levantava do sofá comigo.— Faz sentido. Você não vai querer passar o fim de semana de praia usando terno — ela brincou, acompanhando-me até a porta de entrada.— Com certeza não — respondi, rindo fraco. Parei no hall da porta e olhei para ela. — Amanhã bem cedo eu venho te buscar aqui na porta do seu prédio. Nós vamos no meu carro. O Julien e a Ana vão no dele, aí nos encontramos todos na estr
Katy Nunes Quando a porta do apartamento da minha mãe se fechou atrás de nós, deixei meus ombros caírem. O silêncio do corredor parecia subitamente alto demais em comparação com o falatório, as risadas e o som de xícaras da tarde na casa da minha mãe. Entramos no elevador e subimos de volta para o meu andar em silêncio. Minha mão continuava firme na de Ian, com os dedos entrelaçados nos dele, sentindo o calor constante da sua pele.Ao entrarmos no meu apartamento, girei a chave na fechadura, tirei as sapatilhas logo no hall de entrada e andei descalça até o sofá. Joguei meu corpo no estofado macio, soltando um suspiro longo que parecia estar preso no meu peito há horas.Ian fechou a porta com calma. Ele tirou as chaves do bolso, deixou-as sobre o aparador e desabotoou os dois primeiros botões da gola da polo, num gesto simples que pareceu aliviar a tensão do dia. Ele parecia perfeitamente integrado àquele espaço pequeno, uma presença imponente que preenchia a sala de forma quase h







