FAZER LOGINNoah
Apesar de não conhecer Olívia, decidi que iria insistir nela. Escolher outra mulher me daria muito trabalho, e ela tem os requisitos que procuro. Irei oferecer um acordo para ela, um acordo vantajoso, mas antes disso, preciso investigar sobre ela e entender o que a motivaria a aceitar o meu pedido ou negá-lo.
Liguei para a recepção e pedi que a recepcionista Alice viesse ao meu quarto. Sei que ela gosta de receber gorjetas gordas, e não demorou muito para Alice aparecer na porta do meu quarto.
Ela estava perfeitamente arrumada como sempre. Seus cabelos negros estavam amarrados em um rabo de cavalo, seus lábios sempre vermelhos e carnudos, e ela sorriu quando abri a porta.
— Me informaram que pediu minha presença. — Consegui perceber que ela acha que a quero para algo a mais, e apenas sorri de volta.
— Entre, por favor! — Falei, abrindo mais a porta para que ela entrasse. — Sim, tenho muita confiança em você, Alice, sei que pode me ajudar em tudo o que eu pedir e manter o total sigilo.
— Mas é claro. — Sua postura mudou, percebi que agora ela estava tensa. Ela olhou ao redor do quarto, provavelmente procurando a cena de algum crime.
— Uma das funcionárias do hotel não foi agradável comigo hoje de manhã. — Decidi mentir e manter longe de Alice as minhas verdadeiras intenções com Olívia.
— O que houve? Pedirei a demissão dela imediatamente. — Sorri para ela.
— Eu prefiro saber mais sobre a vida dela antes de chegar tão longe, até porque sabemos que as pessoas às vezes estão em algum momento difícil. — Ela me olha confusa.
— Não entendo o que o senhor deseja?
— Quero saber mais sobre essa funcionária. Quero saber se é um hábito dela ser tão inapropriada com os hóspedes ou se foi só um erro.
— Inapropriada. — Ela repete minha fala. — Claro, posso investigar isso para o senhor, mas admito que não sou de fofoca. Não sei muito sobre os outros funcionários. Como ela se chama?
— Olívia, baixinha, cabelos pretos e olhos verdes. — Falei sem pensar, nem mesmo tinha notado que sabia tanto sobre aquela garota.
— A Olívia foi desrespeitosa com o senhor? — Ela parece desacreditar, como suspeitei, Olívia é uma moça doce.
— O que pode me dizer sobre ela? — Ela dá de ombros.
— Estou aqui há dois anos, nunca houve reclamações sobre ela, mas posso falar com nosso gerente. O que ela fez de tão grave? — Ela perguntou, ainda desconfiada.
— Primeiro, quero saber mais sobre ela. — Alice parece ficar desconfortável com isso, talvez eu esteja errado sobre ela, talvez o dinheiro não seja tudo para ela.
— Olívia é muito querida por todos. Ela mora com a dona do hotel, é filha adotiva, algo assim. Ninguém explica bem a relação entre elas, mas sabemos que ela mora com a dona do hotel, embora não tenha regalias por isso. — Alice para de falar. — Dizem que ela é filha de uma camareira que acabou falecendo, e a senhora Christine decidiu terminar de criar Olívia. Mas nada é certo. A própria nunca nega nem confirma nada. O único que deve saber algo é Cairo o gerente, o funcionário mais antigo, porém esse tem um carinho por ela e não te dirá nada.
— Então ela mora no hotel, junto com a dona, mas mesmo assim é tratada como camareira? — Essa eu não esperava.
— Sim, mas é o que sabemos. A dona do hotel tem o costume de trocar os funcionários, e sei que, alguns anos atrás, os mais antigos pediram demissão. Porém, não sabemos o porquê. Olívia já estava aqui, mas ela não compartilha as informações que tem. — Ela dá de ombros.
— Acha que ela é bem tratada na casa da dona do hotel? — Alice dá de ombros.
— Não tenho certeza disso. O que acontece lá não chega até nós. Mas, seja lá o que Olívia lhe fez, peço que fale com Cairo, ele irá repreendê-la. Não precisa envolver a dona. Até onde sei, ela é tudo o que Olívia tem.
— Não irei falar, obrigada por me ajudar em minha decisão. — Falei, pegando alguns dólares do meu bolso e entregando a ela. — Que essa conversa fique entre nós.
— Se é o que deseja, senhor. — Ela disse, saindo do meu quarto.
Ainda sei pouco sobre Olívia, uma órfã que ficou sob os cuidados da dona do hotel, que, apesar de parecer ter feito uma boa ação, será que de fato o fez? Posso oferecer a Olívia um apartamento, uma quantia para ela estudar ou fazer algo. Com certeza ela tem sonhos maiores para seu futuro.
Já estava anoitecendo quando finalmente consegui redigir uma proposta decente. Apesar de planejar seduzir Olívia, não quero que ela entenda que é apenas uma transação de negócios. Preciso ter certeza de que ela não irá surtar quando eu pedir o divórcio.
Pedi que mandassem Olívia para servir o meu jantar, organizei o contrato e a esperei. Ela não demorou. Ouvi a batida na porta, abri rapidamente e a vi. Ela estava claramente mais cansada do que pela manhã. Pedi que ela entrasse e fui até o quarto para dar tempo dela arrumar a mesa.
Ela foi muito rápida e, quando voltei, a vi se preparando para sair.
— Não lembro de tê-la liberado. — Falei. Ela me encara e percebo que está envergonhada.
— No que mais posso ser útil? — Ela pergunta, se ajeitando.
— Venha, sente-se à mesa. Vamos conversar sobre a proposta que fiz a você nesta manhã. — Ela parece insegura sobre se deve ou não se sentar.
— O que deseja com isso, senhor? — Ela é direta, o que a torna ainda mais qualificada.
— Não me rejeite antes de me ouvir. — A vejo me avaliar.
— Só não entendo o porquê. — Ela falou, e eu puxei a cadeira para ela.
— Venha, vamos conversar sobre o porquê nosso casamento será vantajoso para ambos. — Ela parece pensativa, mas então se senta.
— É algum tipo de aposta? — Ela pergunta, curiosa.
— Quase isso, e vamos dizer que estou perdendo, e eu odeio perder. — Decidi ser sincero. Ela me encara com seus grandes olhos verdes, o que me desconcerta um pouco. De fato, me lembra a moça de máscara no baile, mas sei que é só meu inconsciente querendo trazer aquela estranha para minha vida de alguma forma.
— Precisa se casar? — Ela perguntou, ainda desconfiada.
— Sim, preciso estar casado até o Natal. — Ela sorri para mim.
— Por que exatamente? — Olívia não é tão fácil de manipular quanto pensei. Ela é esperta.
— Como sabe, fui expulso da mansão Carter. — Ela confirma com a cabeça.
— O maluco do meu avô decidiu que me quer casado até o Natal. Só assim ele vai me colocar novamente no testamento. — É uma parte da verdade.
— E quer apresentar uma falsa esposa para seu avô? — Ela pergunta, de certa maneira indignada.
— De maneira alguma. A proposta que faço, Olívia, é verdadeira. Iremos nos casar perante a lei. Você será minha esposa. — Ela sorri como se aquilo mexesse com ela.
— E por que eu? — Ela perguntou, envergonhada.
— Preciso de uma desconhecida, bonita, inteligente e íntegra, e aparentemente, você tem os requisitos necessários. — Ela deu de ombros.
— Eu aceito. — Olhei para os papeis em minhas mãos, onde estavam todos os benefícios. — Mas tenho minhas condições.
NoahO sol da tarde filtra pelas janelas altas da mansão Carter, lançando raios dourados sobre o jardim impecável onde o casamento será realizado. O ar carrega um perfume delicado de flores frescas — rosas brancas e lírios —, misturado ao cheiro terroso da grama recém-cortada. É um dia perfeito, daqueles que parecem saídos de um sonho, mas para mim, é o começo de algo real, algo que vai além dos contratos e das ambições que me definiram por tanto tempo. Olivia e eu decidimos nos casar aqui, na mansão do meu avô Ronaldo, como um gesto de reconciliação com o passado. Ele aprovou, é claro, com aquele grunhido característico que significa "finalmente você está fazendo algo certo, garoto".Antes da cerimônia, procuro Nicholas no estudo, uma sala forrada de livros antigos e móveis de madeira escura, o cheiro de couro envelhecido pairando no ar. Ele está lá, encostado na janela, o terno impecável como sempre, mas os olhos escuros carregados de uma surpresa que não esconde. Meu irmão — ou mei
O hall do Hotel Brown brilha com uma elegância que sempre me encheu de orgulho, mas hoje, sob as luzes suaves dos lustres de cristal, sinto apenas o peso da batalha que está por vir. O aroma sutil de pinho da árvore de Natal, adornada com enfeites dourados, mistura-se ao perfume polido de cera que mantém o chão de mármore impecável. Estou de pé no centro do hall, a pasta com as provas de Mark nas mãos, o coração batendo tão forte que parece ecoar no silêncio. Noah está ao meu lado, sua presença sólida, o calor do corpo dele me ancorando enquanto enfrentamos o momento que pode mudar tudo. Cairo e o Sr. Almeida, o advogado do hotel, estão atrás de nós, seus rostos tensos, mas determinados. Hoje, vou confrontar Christine, minha madrasta, a mulher que roubou meu passado e tentou apagar meu futuro.As portas de vidro se abrem, e Christine entra, impecável em um vestido preto que abraça suas curvas com uma precisão calculada. Luana e Catarina a seguem, hesitantes, os olhos nervosos desviand
O escritório de Mark está no topo de um arranha-céu no coração da cidade.. Olivia está ao meu lado, sentada em uma cadeira de design ergonômico, a pasta de Cairo apertada contra o peito como se fosse sua tábua de salvação. Seus olhos verdes estão fixos na tela de um tablet de última geração que Mark usa para organizar os documentos, mas sinto a tensão no corpo dela, o peso da suspeita que a consome: Christine, sua madrasta, pode ter envenenado Victor, seu primeiro marido, e Robert Brown, o pai dela. A ideia é um punhal no meu peito, porque sei que minha mãe, Elizabeth, ajudou Christine a roubar o testamento, pensando que isso me protegeria contra Nicholas. Minha cabeça gira, dividida entre a lealdade a Olivia e as correntes do nome Carter.Mark, um homem na casa dos cinquenta, com cabelo grisalho impecavelmente penteado e um terno sob medida que rivaliza com os meus, é o melhor detetive que o dinheiro dos Carter pode comprar. Sua reputação é impecável, e seu escritório reflete isso —
Sento-me na cadeira de couro macio, o estofado acolhendo meu corpo com um conforto que contrasta com o peso no meu peito. Cairo está atrás da mesa de mogno, ajeitando a gravata listrada com dedos calejados, os olhos negros me observando com uma preocupação que me faz lembrar do meu pai — seu jeito de inclinar a cabeça quando me contava histórias sobre os primeiros dias do hotel, quando ele e minha mãe o transformaram no coração pulsante da cidade. Meu coração está apertado, esmagado pela perda dos papéis do testamento, roubados no assalto que quase me custou mais do que posso suportar. Meu braço enfaixado lateja, um lembrete constante do que Christine e seus aliados são capazes de fazer.Perdi tudo, ou pelo menos é assim que parece. O testamento, a única prova de que o Hotel Brown é meu por direito, foi levado, e com ele, a esperança de recuperar o legado do meu pai. Sento-me ereta, tentando respirar fundo, mas o ar parece pesado, carregado com o perfume sutil de cera de chão que os f
O ar na mansão Carter é denso. Estou na sala de estar, de pé, encarando minha mãe, Elizabeth, que segura um copo de cristal com a calma de quem está acostumada a manipular o mundo ao seu redor. Meu peito aperta, uma mistura de raiva e decepção. Olivia está na minha cabeça, o braço enfaixado, os olhos verdes brilhando com dor e desconfiança na suíte do Hotel Brown. Ela não merece o que minha família fez. Eu não mereço o que ela me faz sentir.— Você mentiu para mim, mãe — digo, minha voz firme, mas tremendo nas bordas. — Ajudou Christine a apagar o passado de Olivia, roubou a herança dela. Como pôde? Acha que isso me faz querer o cargo de CEO?Elizabeth toma um gole lento do uísque, o líquido âmbar capturando a luz do fogo. Seus olhos, frios como o mármore do chão, me analisam com desdém. Ela ajeita o colar de pérolas, um gesto calculado, e inclina a cabeça.— Aquele bastardo, Nicholas, é uma ameaça — ela retruca, a voz afiada como uma lâmina. — Ele quer roubar o lugar que é seu por di
A suíte do Hotel Brown está silenciosa, exceto pelo som suave da respiração de Olivia, que descansa na cama, o braço enfaixado repousando sobre o lençol. O perfume de lavanda dos lençóis me envolve, misturado com o cheiro de antisséptico que ainda paira nela, um lembrete cruel do que aconteceu hoje. A neve cai lá fora, um véu branco contra a janela, e o letreiro do Hotel Brown brilha, um farol que parece zombar da minha impotência. Eu falhei com ela. Quando aqueles bandidos a seguraram, quando arrancaram a bolsa com o testamento das mãos dela, quando o tiro rasgou o ar e a feriu, eu não fui rápido o suficiente. Pulei na frente, mas a bala ainda a atingiu, mesmo que de raspão. O sangue dela na neve, o grito dela, a forma como seus olhos se fecharam por um momento no táxi... tudo isso está gravado em mim, como uma marca que não sai.Sento-me na cadeira ao lado da cama, as mãos apertando os joelhos, a culpa me sufocando. Olivia é mais do que o acordo, mais do que o Hotel Brown, mais do qu







