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Capítulo 6

Auteur: Shirley
— O que você disse? — As pupilas de Darren se contraíram instantaneamente. — Impossível! Isso é absolutamente impossível!

Ele agarrou Tony pelo colarinho e quase o levantou do chão.

— Ela estava bem quando eu a deixei! Como poderia estar morta?

— Algumas injeções não matam alguém assim!

— Isso deve ser um truque! Um truque que ela armou com o amante para fugir com aquele bastardo!

Tony quase sufocava sob a fúria do chefe.

— Chefe, nossos homens viram o corpo...

— Eles a encontraram no terreno baldio nos arredores da propriedade. O DNA confirmou. Era ela.

— O corpo? — Darren zombou. — Como eu vou saber o que vocês, idiotas, realmente viram?

Ao ouvir a palavra "corpo", um pressentimento tomou conta de Darren, mas ele se recusou a acreditar.

Ele precisava ver com os próprios olhos.

Se aquela mulher ousasse enganá-lo, ele a faria pagar.

Ele pegou as chaves do carro na mesa de cabeceira.

— Me leve até lá. Se isso for mais um dos joguinhos dela, eu quero ver com meus próprios olhos.

No quarto do hospital, Angelina se sentou com dificuldade.

— Darren, para onde você vai?

— Dar um fim a um entulho. — Respondeu Darren sem olhar para trás, nem sequer lançando um olhar ao seu suposto herdeiro. — Descanse. Cuide da criança.

Em menos de vinte minutos, chegaram ao local.

O comboio de carros parou em frente a uma fábrica abandonada.

De longe, Darren podia ver uma multidão de curiosos.

Ele saltou do carro, empurrando as pessoas com brutalidade.

— Saiam da frente!

Leo estava ao lado de uma forma coberta por um lençol branco, o rosto pálido.

— Chefe... — A voz de Leo tremia. — Tem certeza de que quer ver isso?

— Levante o lençol agora. — Ordenou Darren.

Leo levantou lentamente o lençol branco.

No segundo seguinte, o mundo de Darren desmoronou por completo.

Era Scarlett.

Mesmo coberta de sangue, mesmo sem vida, ele ainda reconhecia aquele rosto.

Seus olhos, que antes brilhavam como estrelas, agora estavam fechados para sempre.

As pernas de Darren falharam, e ele caiu de joelhos na terra.

— Scarlett... — Ele se ajoelhou, a mão trêmula se estendendo para tocar sua bochecha fria.

— Não... não pode ser...

Ao lado do corpo, havia outro, menor, envolto em um pano branco.

Um instinto primitivo, profundo no sangue, despertou em Darren. Ele sabia o que era, mas não ousava olhar.

— Scarlett! Levanta! — Ele gritou de repente, agarrando os ombros do "corpo" e sacudindo-o freneticamente.

— Por quê? — Rugiu para o céu vazio. — Por que você não podia simplesmente confessar?

— Você acha que morrer te absolve dos seus pecados? Acha que eu não posso descobrir quem era aquele homem?

Tony não conseguiu mais suportar e tentou intervir com cuidado.

— Chefe, a senhora... deixe-a descansar em paz.

A chuva começou a cair do céu, mas Darren continuou segurando o "corpo", recusando-se a soltar.

A chuva lavava as manchas de sangue, e com elas, a dor e a raiva em seu coração.

Enquanto isso, na distante Sicília.

Eu estava deitada em um quarto no antigo castelo da família Moretti, meu corpo ainda fraco.

Stephan estava sentado ao lado da minha cama, o rosto sem qualquer expressão.

— A criança não sobreviveu. — Sua voz era direta, fria.

— O nível de toxinas era alto demais. Seus pulmões não estavam totalmente desenvolvidos, e ele nasceu com um defeito cardíaco.

Fechei os olhos, lágrimas silenciosas escorrendo pelo meu rosto.

Meu bebê, meu pequeno príncipe, me deixou assim, de repente.

Eu nem tive a chance de limpar o nome dele. Nem mesmo o próprio pai reconheceu sua linhagem.

Eu fui uma mãe inútil.

— Não... — Balancei a cabeça. — Não é possível... ele ainda estava chutando... ele estava vivo...

— Os médicos disseram que ele foi muito forte. Resistiu por seis horas completas. — A voz de Stephan era como uma lâmina de gelo. — Mas, no fim, não conseguiu vencer o veneno.

Abracei meus joelhos e chorei incontrolavelmente.

Aquela pequena vida, que nunca teve a chance de ver o mundo, foi assassinada pelo próprio pai.

— Eu o matei. — Engasguei. — Isso nunca teria acontecido se eu não tivesse me casado com Darren.

— Não. — Stephan interrompeu, os olhos ardendo com o fogo da vingança.

— Aqueles tolos o mataram.

Stephan colocou uma pequena urna diante de mim.

— Estas são as cinzas do seu filho.
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