INICIAR SESIÓNGustavo é um pai solo que vive apenas para a filha, Lívia, e mantém o coração fechado para o amor. De volta à cidade natal, Vivian assume um cargo como professora de balé — sem imaginar que reencontraria alguém do passado. Unidos por Lívia e por sentimentos que nunca desapareceram por completo, eles descobrem que o amor pode renascer quando menos se espera. Uma história sobre paternidade, reencontros e um amor que chega devagar, mas fica.
Ver másO dia começou diferente.Não tinha nada de extraordinário acontecendo do lado de fora — a mesma luz atravessando as cortinas, o mesmo silêncio antes da casa acordar de vez, o mesmo cheiro de café que, de algum jeito, sempre parecia mais forte nas manhãs mais importantes.Mas, por dentro…Alguma coisa tinha mudado.Eu acordei antes do despertador. Fiquei alguns segundos encarando o teto, com as mãos apoiadas no peito, sentindo o próprio coração bater mais rápido do que o normal.Não era ansiedade ruim.Era expectativa.Daquelas que a gente tenta ignorar, mas não consegue.Passei a mão pelo rosto, respirei fundo e me levantei.A casa ainda estava silenciosa, do jeito que eu gostava — aquele intervalo curto entre a calmaria e o caos que sempre vinha com a Lívia acordando.Caminhei pelo corredor, ainda meio sonolento, até a cozinha.E antes mesmo de entrar, eu soube.Ela já estava lá.Vivian.Encostada na bancada, com uma xícara de café nas mãos, olhando pela janela como se estivesse perd
LÍVIAEu gosto quando a tia Vivian vem aqui em casa. Tipo… muito mesmo. Porque antes era só eu e o papai. Às vezes a vovó e a tia aparecem, mas elas são tipo… visita. A tia Vivi já não é mais visita. Ela chega e fica, senta no sofá e ri com a gente. Ela também me ajuda na lição e as vezes briga comigo quando faço bagunça.E me chama de bailarina.E faz coisas de gente que fica.Eu gosto disso.No começo eu achei meio estranho.Porque ela falava comigo assim, toda certinha.— Oi, Lívia.— Tudo bem, Lívia?Como se eu fosse importante.Mas eu sou importante.Só que ninguém fala assim comigo.Aí eu fiquei só olhando ela.Porque eu gosto de observar.Eu não falo nada, mas eu fico vendo.Meu pai acha que eu não vejo as coisas.Mas eu vejo tudo.Eu vi que ela ficava nervosa.Eu vi que ela olhava pro papai diferente.Eu vi que o papai também olhava diferente.E eu pensei: hmmmm.Tem coisa aí.Agora não tem mais isso.Agora é normal.Agora quando ela chega, eu só falo:— Oi, Vivian!E abraço e
VIVIANAlguns meses depois…Se alguém tivesse me contado, lá atrás, que a minha vida estaria assim, eu provavelmente teria rido. Não por desacreditar completamente, mas porque parecia improvável demais. Distante. Como uma daquelas histórias que funcionam melhor na teoria do que na vida real.E, ainda assim… Ali estava eu. Vivendo exatamente isso.Sentada no sofá da sala do Gustavo, com as pernas dobradas sob o corpo, um balde de pipoca apoiado no colo e um desenho animado passando na televisão — alto, colorido, caótico.E, surpreendentemente…Perfeito.— Vivian, presta atenção! — Lívia reclamou, indignada.Eu ri, pegando mais um punhado de pipoca.— Eu tô prestando!— Não tá não!— Tô sim!Ela cruzou os braços, me encarando com aquela expressão dramática que parecia grande demais pro tamanho dela.— Você perdeu a melhor parte!— Então me explica.Foi o suficiente.O rosto dela se iluminou na mesma hora.— Tá! Então… — começou, se ajeitando no sofá, completamente animada.E lá foi ela.
Depois daquele jantar… alguma coisa finalmente se encaixou.Não foi um encaixe perfeito, desses que parecem planejados, como se cada peça tivesse sido colocada exatamente no lugar certo. Foi mais sutil do que isso. Mais real. Como quando você encontra algo que nem sabia que estava procurando… e, de repente, faz sentido.Eu deixei Vivian em casa mais tarde do que tinha planejado. O caminho até lá foi tranquilo, mas carregado de uma sensação diferente. A gente conversou, riu, falou de coisas leves, mas havia algo por baixo de tudo — uma consciência silenciosa de que aquilo não era mais só amizade.Quando parei o carro em frente à casa dela, o motor desligou, mas nenhum de nós fez menção de sair imediatamente.Ficamos ali.Em silêncio.Não um silêncio desconfortável, mas aquele tipo de pausa que parece cheia de coisas que ainda não foram ditas.— Boa noite — ela disse, por fim, virando levemente o rosto na minha direção.— Boa noite.Ela sorriu de leve, aquele sorriso tranquilo, mas aind












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