Mag-log inRafael estava parado diante do prédio de aulas.Estava muito mais abatido do que antes.Quando me viu, os olhos dele se iluminaram.— Cami!— Eu vim te procurar tantas vezes. Finalmente consegui te encontrar.Havia um leve tom choroso na voz dele.Rafael se aproximou para segurar minha mão. Recuei vários passos.— Rafael.— O que você quer agora? Ainda não cansou desse teatro?Eu tinha gostado dele por muitos anos e nunca tinha dito uma palavra dura sequer para ele.Por isso, ele ficou paralisado.— Cami... o que você está dizendo?— Você sabe o quanto eu senti sua falta?— Eu fiquei te esperando na Universidade J. Por que você escolheu a Universidade G?Olhei a hora. Minha aula estava prestes a começar.Eu não tinha paciência nenhuma para aquilo e respondi diretamente:— Porque eu não quero ver você e a Carolina.— Eu não suporto olhar pra você. Está bom assim?Passei por ele e continuei em direção ao prédio.De repente, Rafael correu e me abraçou por trás.— Cami, não faz isso.— Eu
A medalha escapou das minhas mãos e caiu no chão.Recuei repetidas vezes, tropecei em algo e acabei caindo sentada.Meus pais vieram me ajudar.As lembranças ruins, aquelas que eu quase tinha conseguido esquecer, voltaram junto com uma dor forte no peito.— Não encostem em mim! Não encostem em mim!As mãos dos dois pararam no ar. Havia amargura nos olhos deles.— Cami...— O que aconteceu com você? Eu sou sua mãe.As lágrimas caíam sem parar. Entre soluços, comecei a dizer, uma frase de cada vez, tudo o que tinha sido ignorado, tratado como se não importasse.— Pra mim, você deixou de ser minha mãe faz tempo.— Eu não tenho uma mãe que só lembra do gosto dos outros.— Eu não tenho uma mãe que nunca enxerga nenhum esforço meu e acha que eu sou pior do que os outros em tudo.Olhei para meu pai, que permanecia em silêncio, mas chorava.— E eu também não tenho um pai que sempre me deixa esquecida em algum lugar.— Vocês já têm a Carolina. Por que ainda vieram atrapalhar a nova vida que eu
Quando desci do avião e liguei o celular, as notificações começaram a pipocar sem parar, como se o aparelho estivesse infectado por um vírus.Havia mais de cem mensagens.E várias chamadas perdidas de pessoas diferentes.Minha mãe tinha deixado mensagens."Cami, como você consegue ser tão teimosa?""Você foi tão bem. Por que não contou pra gente?""Cami, onde você está? Quando vai parar de fazer sua mãe se preocupar?"Rafael também tinha me mandado várias mensagens."Camila, você foi tão bem desta vez! Que ótimo! A gente pode ir junto pra Universidade J!""Para com isso e volta logo. Você está fazendo a tia Renata se preocupar de novo.""Daqui a alguns dias a gente vai fazer a matrícula junto."Li tudo franzindo a testa.Depois bloqueei e apaguei os contatos.Quando saí do aeroporto, o vento da Cidade G bateu no meu rosto.Com a coragem de quem estava começando de novo, eu seguiria rumo ao meu próprio futuro.Na saída, eu estava procurando no aplicativo de mapas o caminho até a univers
A respiração de Rafael travou.Ele avançou de repente e tomou o celular.Olhou várias vezes para a nota na tela e para o código de verificação.Depois pegou o próprio celular e comparou os resultados.Rafael olhou para minha mãe. Seus lábios se moveram, mas ele não conseguiu dizer nada em sua defesa.Porque eu realmente tinha tirado aquela nota.E também era verdade que ele tinha dito a todos que eu precisaria tentar de novo no ano seguinte.— Tia Renata...Minha mãe ergueu a mão e o interrompeu antes de se virar para voltar ao salão.No caminho, não parou de tentar me ligar.Rafael também se agachou num canto do salão e me mandou várias mensagens.Eu estava no avião e não sabia de nada.Assim que chegou em casa, minha mãe abriu a porta às pressas.Ela chamou meu nome em voz alta por toda a casa, mas, por mais que gritasse, ninguém respondeu.Meu pai voltou logo depois.Os dois se lembraram de alguma coisa ao mesmo tempo e correram para o andar de cima.Meu quarto continuava praticamen
O celular caiu no chão com um estrondo.Minha mãe ficou imóvel, completamente atordoada.Meu pai também se assustou com a reação dela.Ele pegou o telefone e perguntou de novo, sem acreditar:— Professora Helena, será que não houve algum engano?— Até a Carolina tirou 893. Como a Camila poderia ter tirado uma nota tão alta?Dessa vez, Helena ficou ainda mais confusa.Ela realmente não conseguia entender como existiam pais tão desatentos a ponto de só descobrirem a nota da própria filha naquele momento.E, pior, depois de descobrirem, a primeira reação não era alegria, mas incredulidade.— Sr. Azevedo, eu tenho absoluta certeza. Ela foi excepcionalmente bem desta vez.— A nota dela foi mesmo 915 de 1000.Meu pai perdeu toda a força de repente e se deixou cair na cadeira.No palco, quem apresentava o evento chamou os dois para fazer um discurso como responsáveis por Carolina.As luzes do salão inteiro se voltaram para eles.Mas, naquele momento, os dois estavam completamente pálidos.Sob
Quando a cerimônia terminou, todos começaram a voltar para casa.Foi Carolina quem lembrou meus pais e Rafael de mim.— Cami, por que você saiu andando sozinha de novo?Não respondi. Entrei no carro por conta própria e fui direto para a última fileira.Ninguém deu importância.Depois que entraram, começaram a conversar animadamente sobre universidades e cursos.— Carol, você e o Rafael vão juntos para a Universidade J. Com ele cuidando de você, a gente fica mais tranquilo.Carolina assentiu, com o rosto levemente vermelho.Meus pais discutiram um pouco porque tinham opiniões diferentes sobre qual curso ela deveria escolher.No fim, decidiram deixar que ela mesma escolhesse.— A Carol é inteligente e sabe o que quer. Não é como a Cami. Com ela, a gente nem precisa se preocupar.Continuei em silêncio.Só quando já estávamos quase chegando em casa é que perceberam que eu estava sentada lá atrás.Minha mãe perguntou:— Cami, e você? O que vai fazer?Antes que eu pudesse responder, Rafael f