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capítulo 2 Leandro narrando

last update Petsa ng paglalathala: 10.09.2026 19:03:42

consequência

Autora: Edivania Rios

História ambientada na década de 2000

Protagonistas: Leandro e Raquel

Meu nome é Leandro Slaviero Silveira, tenho vinte e dois anos e tenho uma personalidade muito forte. Não sou de me deixar conquistar fácil, e às vezes até duvido se b**e mesmo um coração dentro do meu peito.

Odeio o meu pai. Ele já tentou se aproximar de mim várias vezes, tentou me conquistar, mas eu nunca aceitei. Ele mesmo já tentou me matar quando eu era adolescente — só não conseguiu porque o meu avô lutou na justiça para obrigá-lo a me assumir como filho. Para mim, não fazia diferença nenhuma; eu sempre vivi no meio de dois gigantes perigosos.

Na minha infância, ele não me queria de jeito nenhum, não quis me assumir. Mas o meu avô é um homem cruel, perigoso, daqueles que não hesita em matar, e controlava os negócios sujos do meu pai. Hoje eu faço de tudo para esse velho se dar mal, mas nunca passo por cima da sua honra: o que é dele, é dele.

Faço festas na casa dele só para irritá-lo — e também para irritar os vizinhos ricos que se acham melhores do que todos, e que já odeiam o velho justamente por minha causa. Sou um homem feito, muito mais maduro do que aparento. Na escola eu era considerado “o tal”, por ser bonito, claro que eu gostava da atenção, mas nunca fui de bajular ninguém. Não concordo com as coisas que o meu avô e o meu pai fazem, mas as festas que eu organizo são o único momento que me traz alguma alegria.

E nesse momento, uma menina chega e me beija.

— De onde você saiu, lindeza? — pergunto surpreso.

— Vim junto com os seus amigos — responde ela.

Eu a pego pela mão e saio dali rápido. Se o meu pai voltar, eu perco essa diversão — e ela é linda demais, não vou deixar essa noite acabar antes de começar. Convenhamos: é a garota mais bonita que apareceu nessa festa, mas tem um jeito de quem ainda é muito nova.

— Vem comigo — chamo ela. — Quantos anos você tem?

— Tenho dezoito anos — diz ela.

Eu duvidei.

— Não é menor de idade, não? Tem como provar?

— Claro que sim — ela tira o documento da bolsa, eu confiro a data e faço a conta: realmente, ela tem dezoito anos.

— Vou te levar para um motel, para nós brincarmos a noite inteira — falo. Vejo que ela fica com medo, junta as mãos apertadas entre as pernas. Eu logo emendo: — Se você não quiser, é só dizer. Não vou te obrigar. Bebi um pouco, mas como o meu pai apareceu logo no começo da festa, eu estou sóbrio o suficiente para saber o que faço — e nunca forço mulher a ficar comigo.

— Eu quero que seja com você — diz ela, com uma voz que parece ser de vida ou morte. — Se não for com você, eu nunca vou me perdoar.

Na hora, um alarme toca na minha cabeça: Leandro, você está levando uma mulher assustada para o matadouro. Solta ela. Tenha dignidade. Mas alguma coisa dentro de mim não me deixa ir embora. Eu não entendi o peso das palavras dela, e também não falei nada porque a festa ainda estava agitada ao redor.

Chegamos ao hotel. A recepcionista pede os meus documentos e os dela também — e eu percebo que ainda nem sei o nome dessa menina. Chamo ela de menina, mas já é uma moça feita. Subimos para o quarto.

— Pode se servir de qualquer coisa aí — falo, apontando para o frigobar. — Tem cerveja, tem todo tipo de bebida.

— Eu quero — diz ela. Começo a beber também: não quero ser um monstro na vida de ninguém. Se ela está bebendo para criar coragem, eu também bebo, para estar preparado se ela disser “não” a qualquer momento.

— Você tem certeza mesmo? — pergunto de novo, vendo como ela está aflita.

— Sim, eu quero.

Então eu fui direto ao ponto, mas primeiro perguntei:

— Qual é o seu nome?

— Meu nome é Raquel.

— E o meu é Leandro. Prazer — sorri. — Vamos começar um momento maravilhoso, espero que fique guardado na sua memória.

— Sim — sussurrou ela.

Era como se nós fôssemos dois trens desgovernados, correndo na mesma direção, e não houvesse nada nem ninguém que pudesse evitar a colisão. Puxei ela mais para perto, abri um pouco as suas pernas — ainda estávamos de roupa. Comecei a beijá-la, e percebi que ela não sabe beijar direito, não sabe nada mesmo: o corpo dela tremia inteiro.

— Vou embora — falei, me afastando. — Você está com medo.

— Volta aqui, por favor! Termina o que começou — pediu ela.

Voltei. O meu lado homem não me deixou sair.

— O que está acontecendo, moça?

— Eu sou virgem — confessou ela, com os olhos cheios de lágrimas.

— Não acredito! Por que não me falou antes?

— Eu te vi de longe e gostei de você. Queria que fosse com você, não me abandone. Eu só estou assim porque sou inexperiente.

Então eu a peguei com todo o cuidado. Tentei tirar a roupa dela, cego de desejo, e ela me agarrava, me acariciando, como se eu também estivesse acendendo o fogo nela.

— Tire a minha roupa — pede ela.

— Claro, linda. O seu pedido é o meu prazer — respondi. Tirei toda a sua roupa, e olhei cada detalhe dela: os seios firmes, de menina de dezoito anos, os bicos que pareciam me chamar. Beijei um deles, e ouvi ela gemer baixinho; brinquei com o outro, e ela começou a apertar as pernas uma contra a outra.

— Você quer que eu entre em você? — perguntei.

Ela era linda: morena com alguns fios mais claros, cabelos longos, se curvou sobre mim com o bumbum empinado para cima, tão perfeita que daria para desenhar. Começou a tirar a minha camisa, abrindo botão por botão até me ver sem peça; depois tirou a minha calça. Eu já estava duro, sensível, quase gozando só com o toque dela — mas me segurei, não sou mais um adolescente afoito. A acariciei com carinho, e entrei devagar, com todo o jeito do mundo, tirando a sua virgindade sem causar mais dor do que o necessário. Depois, fiz ela gozar primeiro — ela merecia conhecer o que é bom antes de tudo — e só depois eu gozei também.

— Vou embora agora — falei depois de um tempo. — Quer que eu te leve para a sua casa?

— Não — respondeu ela. — Só pague o motel para mim, quero dormir aqui hoje, e deixe um dinheiro para eu pegar um ônibus ou táxi amanhã de manhã.

Assim fiz: paguei, deixei o dinheiro e fui embora. Essa noite foi maravilhosa, mas também me deixou com uma pulga atrás da orelha.

Dia seguinte…

Acordei por volta das oito horas da manhã. Quando me levantei, ouvi o meu pai brigando alto na sala. Como sou curioso, fui ver o que era.

— Eu vou descobrir onde você esteve, sua prostituta! — gritava ele. — E claro que eu vou descobrir! Chegou só agora de manhã, e eu não admito ser feito de corno!

— O senhor quer realmente saber? — ouvi a voz dela, firme e fria. — Eu dormi com um homem. Perdi a minha virgindade com ele. Tenho nojo de você, e nunca iria querer que fosse contigo.

Quando eu entrei na sala, levei um susto: a moça com quem eu estive ontem à noite está ali, brigando com o meu pai.

— Sua prostituta! O que você fez? Quem foi esse marginal? Eu te tirei daquele inferno, sua puta! — gritou ele, e bateu forte no rosto dela. Ela quase caiu, mas se segurou rápido na parede.

Apareci ali, só de roupão.

— Que isso, pai? — falei firme.

— Essa aqui é a esposa que eu arrumei! Ela me traiu, e agora se diz uma prostituta!

— Pai, converse com ela, peça o divórcio ou resolva do jeito que for — mas bater não resolve nada.

— Não posso pedir divórcio! Já mandei cartas para todos os meus amigos, todos conhecem o meu “tesouro” — um tesouro arranhado, que outro já provou antes de mim!

— Mas com esses t***s, todos vão ver que ela é uma mulher espancada — argumentei.

— Maldita! Você está de castigo! E lembre-se: sábado temos um jantar com a alta sociedade.

Olhei para Raquel com seriedade, deixando claro que não gostei de ter sido usado nesse plano, e muito menos de ter me envolvido com a mulher do meu próprio pai.

— Não bata nela, pai — falei. — Como o senhor vai apresentar para a sociedade uma mulher com o rosto machucado?

— Só para a apresentação não vou bater — ameaçou ele. — Mas o inferno dela começou no momento em que me traiu.

Eu sei muito bem do que o meu pai é capaz. Tenho certeza até hoje que foi ele quem matou a minha mãe.

— Pai — falei baixo —, quando o senhor vai crescer? Quando vai tentar ser um homem de família de verdade?

— Filho maldito! Quem é você para querer me ensinar alguma coisa?

— Eu acho o senhor uma criança velha, que não sabe pensar — respondi sem medo.

— Ah, é? E você, filho de bandido, pensa? Fazendo essas festas para me desafiar, se achando melhor do que eu? Você vai acabar com os meus negócios!

— O senhor já está velho demais para querer ser bandido, e mais velho ainda para querer fingir que é playboy.

— Chega, Leandro! Pare de fingir o que não é. Lembre-se que eu conheço todas as suas trapaças, drogadinho de meia-tigela!

Na verdade, ele não sabe de nada — eu só estou tentando ganhar tempo para que ela não apanhe mais. Apertei os lábios, não respondi, e deixei ele pensar que eu concordava com o seu ego inflado.

— Está bem, pai — falei por fim. — O senhor venceu. Mas pense bem: vale a pena mostrar para todo mundo quem o senhor realmente é?

— Esse assunto de novo, Leandro? — pegou um charuto na mesa e se recostou na poltrona. A moça ainda estava ali, em pé, nos olhando. — Pegue um charuto para você, sei que quer.

Peguei o charuto — eu amo os charutos bons que ele tem, e como não posso comprar, tenho que “roubar” de vez em quando. Comecei a fumar, e evitei olhar para ela. Por dentro, eu estava fervendo de raiva: como ela pôde me fazer tirar a sua virgindade sabendo que eu era o filho do homem que ela ia se casar? Me escolheu a dedo, e eu caí direitinho no golpe.

Meu pai mandou ela sair da sala. Quando vi que ele já estava mais calmo, peguei as chaves do meu carro e saí. Ela não tem nem ideia do mal que me fez. A minha consciência não para de me culpar. Eu sei muito bem quem é o homem com quem ela esteve — mas se eu me entregar, o meu pai não vai ter piedade dela, ele vai matá-la. Comigo não vai fazer nada, porque o meu avô já avisou: se alguma coisa acontecer comigo, ele vai destruir tudo o que o velho tem. Desde que a minha mãe morreu, e o meu avô fez ele perder uma fortuna, ele só me suporta.

Entrei no carro e continuei fumando aquele charuto. Tudo o que acontecer com ela agora vai doer em mim mais do que uma facada no peito. Engulo a raiva e baixo a cabeça. Mas eu vou cobrar essa conta dela, sim. Ela não pode sair por aí fazendo o que quer, achando que ninguém vai se machucar — porque eu já estou machucado. E ela é a esposa do meu pai, a mulher que eu… a mulher que eu toquei.

Liguei o motor e saí em alta velocidade.

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