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Uma noite com meu enteado
Uma noite com meu enteado
Edivânia Rios

capítulo 1 Raquel narrando

last update Veröffentlichungsdatum: 10.09.2026 19:03:19

Autora: Edivania Rios

História ambientada na década de 2000

Protagonistas: Raquel e Leandro

Capítulo 1

Raquel narrando…

Meu nome é Raquel Dias Soares. Fui vendida pelo meu padrasto quando eu tinha onze anos — e ele mesmo matou a minha mãe. Ela era uma mulher sonhadora, que só queria encontrar um amor de verdade, mas acabou escolhendo um homem que não tinha nada para lhe oferecer. O meu pai biológico morreu na favela, morto por traficantes, e ainda inventaram mentiras para dizer que ele era um pedófilo.

Chegamos ao ano 2000, e eu aprendi a deixar de ser sonhadora. Agora estou com dezoito anos, prestes a ser vendida para um velho. Sou vigiada dia e noite, para que a minha virgindade não se perca antes do acordo ser fechado.

O homem que me mantém até hoje avisou: se eu não for comprada até completar vinte anos, serei entregue a um traficante perigoso. Não sei como é a vida com um homem desse tipo, mas consigo imaginar bem — afinal, o meu padrasto era um desses meia-tigelas, e mesmo assim teve coragem de tirar a vida da minha mãe.

Nesse momento, o velho que vai me levar trouxe os papéis. Estou exausta, e ele é nojento, esse homem que acabei de conhecer.

— Hoje teremos a nossa noite de amor — disse ele. — Meu nome é Joaquim. Só vou passar em casa pegar os nossos passaportes para viajarmos para a Inglaterra. Quero ser o primeiro a entrar nesse seu buraco.

— Senhor, até aqui me ajudaste — rezei baixinho. — Faça um milagre, para que eu não precise ficar com esse homem.

A minha vida sempre foi conturbada. Não quero me tornar apenas mais uma estatística de mulher morta. Dizem por aí que a minha mãe vivia se drogando, todo dia, segundo o povo. Mas eu não acredito — as pessoas sempre inventam motivos para justificar a morte de uma mulher. O erro dela foi apenas ter casado com aquele traficante. Ele me vendeu por um preço fechado. Ainda bem que ele nunca abusou de mim; pelo contrário, me mantive intacta, porque eu valia mais assim — e hoje estou sendo entregue a outro.

Esse homem que me comprou, e que agora se livra de mim, vivia dizendo que o traficante matou a minha mãe porque ela só dava prejuízo, só vivia o infernizando. Eu chorava muito todas as vezes que ele falava essas barbaridades, mas afinal, foi a vida que ela escolheu.

O meu sonho um dia foi casar, ter aquele amor doce de adolescente. Mas nunca me apaixonei — vivi trancada. Estudei até a quarta série, quando ainda era criança. Sou prisioneira desse traficante de meninas, que lucra muito ouro, prata, todo esse dinheiro sujo com a gente.

Estou aqui há sete anos. Os sonhos já não fazem mais parte do que eu espero da vida — era o que eu pensava até pouco tempo. Mas ser bonita e pobre, convenhamos, é uma vantagem para os bandidos. Talvez eu já nem sinta mais nada.

Vários homens já vieram aqui, doidos por mim, homens que deviam ter vergonha, mas pagavam pouco. Agora, parece que esse velho deu todo o dinheiro que esse interesseiro queria receber.

— Você deseja fazer alguma pergunta, mocinha? — perguntou ele, e eu olhei para aquele homem bem arrumado, com nojo.

— Quero saber se o senhor tem amantes, quantos anos tem, se tem filhos.

— Tenho sessenta anos, solteiro. Tenho um filho de vinte anos. Quis matá-lo quando soube que ele ia nascer, mas o avô dele era perigoso e me obrigou a assumir aquele monstrinho. Hoje ele só me inferniza. Nunca me amou, mesmo eu tendo tentado demonstrar alguma coisa, e ele não quer saber. Às vezes peço a Deus que ele morra. O nome desse rebelde é Leandro.

Eu tenho que planejar a minha fuga. Sei que não é fácil, não é só estalar os dedos, mas vou dar um jeito. Nunca amei essa vida. Aqui dentro também tem rivalidades: muitas meninas me odiavam, mas muitas outras foram vendidas para prostíbulos, para homens que abusam de crianças… É uma tristeza sem fim. Tudo o que vivi foi cruel, muito complicado. Penso o tempo todo se vou sobreviver. Mas agora, vou pensar positivo: eu vou sobreviver.

Fui pegar a minha bolsa, e o homem, todo eufórico, perguntou:

— O que você vai fazer?

— Vou pegar as minhas roupas, já que temos que ir — respondi. — Afinal, sou sua esposa agora.

Ele ficou me olhando, parecendo meio perdido.

— Hoje mesmo eu dou um jeito na minha vida — falei baixinho, só para mim.

Ele sentou num banco de concreto e mandou eu pegar logo a bolsa, fazendo um sinal com o dedo, e começou a beber uma bebida que eu não conhecia. Peguei a minha mochila. Eu estava confiante de que teria uma ideia — sempre fui uma pessoa que não se deixa abater. Tenho o corpo bem desenvolvido, e isso contribuiu muito para o valor alto que pagaram por mim. Mas ele vai ver quem eu sou: sou atrevida. Andei rápido, joguei o cabelo para trás e franzi a testa, mostrando toda a minha irritação por ter que me casar com um desconhecido.

Peguei a mochila e fui saindo. Ele se levantou de um pulo, me segurou pelo braço, me empurrou para dentro do carro e começou a passar a mão nas minhas coxas.

— Aguenta, Raquel. É hoje — disse ele.

Senhor meu Deus, tenha dó de mim. Será que dói? Não acreditava que aquele homem ia derrubar todas as minhas barreiras, que ia me fazer conhecer o que eu nunca tinha visto. E ele foi deslizando a mão cada vez mais para perto da minha calcinha. Eu fiquei com os olhos arregalados, do tamanho de pires.

— Por favor, vamos fazer as coisas direito — pedi. — Vamos matar os nossos desejos juntos.

Ele sorriu e concordou.

Chegamos na casa dele.

— Maldito do meu filho, fazendo festa, olha o barulho — reclamou ele. Dava para ouvir a música alta lá de fora, estava uma bagunça danada.

— Senhor, manda o seu filho baixar o som, senão eu chamo a polícia — falei.

— Se chamar a polícia, quero ver quem vai ficar morando nessa casa do lado — ameaçou ele, e entrou porta adentro, comigo logo atrás.

Ele já foi entrando gritando e xingando:

— Seu filho de uma puta! Fica aí quieto!

Mandou eu esperar ali mesmo, e eu aproveitei. Cheguei mais perto, onde os dois estavam — a casa estava cheia de gente. Escondi-me atrás de um poste e vi o tal Joaquim batendo no filho. O rapaz estava vestido de azul. Ele era lindo… não, mais do que lindo: era belo, de uma beleza que doía de ver.

— Você sabe muito bem que se a polícia vier aqui, não vai ficar legal para você, seu monstrinho! — gritou o pai, e bateu outra vez na cara do filho. Ele empurrou o velho com força.

— Sai pra lá, velho! Eu te odeio!

O velho saiu andando, deve ter ido me procurar onde me deixou. E naquele momento, eu resolvi arriscar: resolvi seduzir aquele rapaz. Empinei um pouco o corpo e caminhei até ele, chegando devagar, e beijei o rosto dele, bem nos lugares onde ele tinha levado os t***s.

— Você é lindo. Aceita sair comigo? — perguntei. Ele sorriu, um sorriso tão bonito que me deixou sem ar.

— Claro que eu aceito — respondeu ele. — Ainda mais que a minha festa acabou de ficar chata… ela tem que continuar em outro lugar.

Passei devagar, rebolando um pouco, e olhei de canto para ver a sua reação. Ele riu, mordeu os lábios e me puxou para perto, grudando o corpo no meu.

— Já estou louco de vontade — sussurrou ele. — Quero fazer amor com você a noite inteira.

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