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capítulo 6 Leandro narrando

last update Veröffentlichungsdatum: 10.09.2026 19:08:03

A Força do Amor

Autora: Edivania Rios

História ambientada na década de 2000

Protagonistas: Leandro e Raquel

Eu preciso observar muito bem tudo ao meu redor, pois o perigo está sempre ao meu lado. Agora mais do que nunca, preciso de domínio e poder: Raquel deu à luz uma menina, e eu tenho que estar esperto. Meu avô sabe como ficar rico, meu pai nunca erra um alvo — e eu preciso saber exatamente para onde ele está apontando a flecha.

Quatro meses depois…

Raquel me chamou ao seu quarto, parecendo desesperada.

— Tome a criança. Ela é sua. O seu pai quer me matar, eu vou fugir. Não posso levar essa menina comigo, não sei para onde vou, e não tenho coragem de colocar uma criança nesse mundo tão triste que eu conheço — não quero isso para ela.

Já faz duas semanas que ela deu à luz. Sinto um misto de sentimentos: vou ser pai solteiro. Ela ainda estava amamentando.

— Tudo bem — respondi, e sorri. Dei-lhe dinheiro, coloquei ela num ônibus durante a noite, para ninguém ver. Acreditei nela quando falou da armadilha que o meu pai preparava.

— Um dia eu volto para buscá-la — disse ela pela janela do veículo.

— Não vai mesmo — falei baixo para mim mesmo. Essa mulher foi um perigo para a minha vida e para a dela também; quero distância de gente perigosa.

— Não se preocupe, meu amor. Tenho uma carta na manga para quando eu voltar — completou ela. Não dei confiança, acenei e voltei para dentro. Peguei a minha filha e fui dormir com ela.

Acordei de manhã com a criança chorando muito. Entrei na sala e encontrei meu avô e meu pai ali, e a menina não parava de chorar.

— O que é isso? Onde está a mãe dessa criança? — perguntou meu pai.

— Ela fugiu e deixou a menina comigo. Disse que viu o senhor preparando a morte dela. Creusa, me ajude — chamei a empregada, uma mulher mais velha que deve entender de crianças.

— Sim, senhor!

— Maldita! Se eu correr atrás dela ainda a encontro, ela tem que morrer! — rosnou ele.

— Não vai encontrar, pois ela saiu de noite. E ela não tem que morrer de nada, papai.

— Maldita! — bateu forte na mesa de madeira. Ele está descontrolado, precisa de domínio e orientação — e eu sou esse homem.

— Pai, te espero no escritório. Precisamos encontrar uma solução para os nossos problemas.

E ele veio, como peixe no anzol. Eu vou pescá-lo.

— Pai, eu não quero mortes, não quero que o senhor procure por Raquel. Eu vou ser político, e ninguém vai atrapalhar o que eu quero. Vou dar muito orgulho para o senhor e para o vô também — falei, sabendo que tudo já estava se encaminhando para o meu bem.

— Está bem — concordou ele. Meu avô parecia tranquilo, um bando de falsos. Preparei os papéis para que os dois passassem todos os bens para o meu nome.

Um ano depois…

Agora sou o prefeito da cidade. Prometi muitas coisas que os jovens gostam de ouvir — a ilusão da diversão, tudo o que brilha aos olhos deles — e eles, iludidos, votaram em mim. Os velhos assinaram todos os papéis, inclusive o que transfere tudo para mim. Levei ao cartório, e agora é meu. Não tenho nenhum arrependimento.

Comprei uma casa em outra cidade para a minha filha crescer longe desse avô que a odeia. Fico entre uma cidade e outra. A ruiva, Nair, ainda me procura de vez em quando, mas ela teve um filho com outro homem, e a prioridade dela é a própria criança. Eu não quero perder nenhuma oportunidade no futuro — passarei por cima de quem for preciso para conseguir o que quero.

Meu avô mereceu que eu passasse a perna nele. Afinal, o vagabundo continuou fazendo negócios com o homem que matou a minha mãe. Ele é um bom ladrão, mas eu não confio: para esses homens de negócio, filhas e mulheres não acrescentam muita coisa, e esse meu avô não vai ficar perto dos meus negócios. O problema é que meu pai confiava em qualquer um, e esses quaisquer um entregavam os seus crimes para o meu avô.

Ninguém sabe que a menina é minha. Só meu avô estranhou o quanto sou apegado a ela, mas eu disse que “na minha irmã ninguém toca” — acho que convenci ele. Agora estou na outra cidade com ela. Ela começa a andar, desajeitada, vindo em minha direção. Eu a pego no colo e cheiro o seu cabelo.

— Papa! — disse ela.

Arqueei a sobrancelha, assustado. Foi a primeira vez que ela me chamou assim. Fiquei alucinado de alegria. Não quero que a mãe dela volte — é o meu segredo, e corre riscos de ser descoberto, e eu quero continuar na política.

Dia seguinte…

— Meu neto querido… você me roubou! Como pôde? Fui seu amigo, seu companheiro! — gritou o avô.

— O seu erro, meu avô, foi ter me obrigado a conviver com ladrões. Eu me transformei no que o senhor não previu — e o senhor pagou para ver.

Ele chorou e me deu um tapa no rosto.

— Isso serve para você não seguir o caminho errado!

— Vô, quem tem raiz podre, se ninguém arrumar rápido, às vezes não dá tempo. Quando o jardineiro encontra, já é tarde demais — respondi. Ele saiu chorando. Eu não me importo: perdi a minha mãe por causa das trapaças dos dois.

É claro que eu precisava me vestir de ovelha, mas sou um lobo. Tinha que parecer dócil, gente boa — coisa que não sou. Às vezes uso essa fantasia para enganar o rebanho. A única coisa que amo de verdade é a minha filha; falo palavras doces para ela e dou todo o carinho do mundo. Agora eles dois vão saber quem eu realmente sou — um já sabe.

— Vagabundo, filho de uma prostituta! Tirou a máscara! Depois de eu ter te dado um teto, roubou tudo do seu pai e do seu avô, filho ingrato! — gritou meu pai, chegando furioso.

— Vamos brindar, papai. Hoje faz vinte e três anos, quase vinte e quatro, que a minha mãe morreu. O senhor acabou com ela, e o meu avô não vingou o suficiente porque ele só pensa em dinheiro. Pode deixar: eu não faço o serviço pela metade. O meu avô foi fraco — o dinheiro que ele tirou do senhor, ele sempre deixou perto de você. Nunca concordei com isso.

Ele saiu furioso. Olhei para a minha pequena Isabela, e o coração doeu um pouco: onde estará a sua mãe? Como teve coragem de deixar essa criatura para trás e nunca mais voltar? Ganhei alguns inimigos na política, mas para mim isso é só a vida que eu sempre conheci — afinal, sempre considerei o meu pai e o meu avô como os meus maiores inimigos.

Três anos depois…

A minha menina está linda, eu a carrego para todo lado. Meu pai faleceu há três meses. Ele ainda conseguiu dar alguns golpes, mas o meu avô ficou com os restos dos bens dele. Meu avô nunca mais falou comigo. Um ano antes de morrer, meu pai descobriu que eu era o pai da Bela. Armou uma emboscada, me prendeu num quarto, comprou um chicote de tatu e me bateu muito. Disse que fui a sua pior decepção. Bateu por uma hora sem parar, depois veio outro homem, e depois ele de novo — foram quatro horas de tortura.

Para mim, aquilo não foi nada demais. Afinal, houve traição da minha parte também. Lembrei que eu dizia o tempo todo que a filha era dele — mas quem me meteu nessa confusão toda foi a Raquel. Mesmo com os meus instintos de sobrevivência gritando alto, eu me fortalecia cada vez mais.

Estou afastado da política, mas só por um tempo — penso sempre à frente. Ninguém sabe que sou o pai da Bela. Estou com Nair, a ruiva, como minha amante. Ela traz a filha dela de vez em quando, mas as duas brigam muito. Ela defende a sua, eu defendo a minha.

Estou sentado na cadeira do escritório, assinando papéis e lendo documentos. Como Nair está aqui, trouxe a minha filha comigo — não confio em pessoas que não gostam da minha menina para cuidar dela. De repente, levanto e empurro a mesa com raiva. Inferno! Peguei a minha filha e entrei no carro — vi que estava com pouca gasolina.

— Me espera, Leandro! — gritou Nair vindo atrás.

— Entra. Você trouxe a cadeirinha para a sua filha?

— Vim a pé, não trouxe. Coloca a minha no lugar da sua, eu seguro a sua no colo — disse ela, com a maior cara de pau. Olhei para ela, puxei a porta e saí em alta velocidade, deixando-a falando sozinha.

Liguei para o meu empregado:

— Fique de olho no escritório. Mande uma empregada vigiar a Nair e a filha dela. Os brinquedos da minha menina estão proibidos para a outra criança. Se Nair quer briga, vamos ter briga. Se a minha filha não pode ter os mesmos privilégios que ela dá para a dela, e ela não sabe dividir direito, a dela também não vai usufruir de nada que é da minha. Se quiser comida, que traga da casa dela — ela não dividiu nem a maçã da filha dela com a minha.

Sempre fui um homem decidido, perspicaz e severo com a minha vida. Não há espaço para comodismo, futilidades não fazem parte do meu dia a dia — tudo é bem orquestrado. O meu plano sempre foi mais importante do que qualquer laço familiar. A única pessoa a quem me apeguei de verdade é a minha filha: a única coisa que saiu de mim, que eu vi crescer, e a quem eu amo mais do que tudo.

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