Partager

A Primeira Suspeita

Auteur: Zaynara Rossi
last update Date de publication: 2026-11-02 00:08:10

Não sabia quanto tempo havia se passado desde a última vez que estivera naquela casa.

A sensação veio de repente.

Primeiro, senti o conhecido formigamento percorrer minha alma. Depois, aquela força invisível me envolveu antes que eu pudesse compreender para onde estava sendo levada.

Já não adiantava lutar contra ela. Todas as vezes que tentara resistir, acabara exatamente onde aquela força misteriosa decidia me deixar.

Fechei os olhos.

Quando tudo parou de girar, reconheci imediatamente o enorm
Continuez à lire ce livre gratuitement
Scanner le code pour télécharger l'application
Chapitre verrouillé

Dernier chapitre

  • Uma segunda vida para amar   A Noiva do Contrato

    Michael não se levantou de imediato. Ficou olhando para a xícara que não tinha bebido, como se a palavra que Caio acabara de dizer precisasse de tempo para atravessar a sala, e eu fiquei olhando para ele, esperando que negasse, que rissse, que explicasse. Ele não fez nada disso.— Diga que desço em cinco minutos — falou, por fim, ajeitando a gravata que já estava no lugar. — E mande pôr mais um lugar à mesa. O senhor Seixas nunca vem só para um café.— Já mandei, senhor. — Caio hesitou na porta. — E, se servir de consolo, o mensageiro confirmou a entrega. O envelope está na delegacia há meia hora. Pelo menos uma coisa hoje saiu do jeito que o senhor queria.Michael assentiu sem responder. Antes de sair, pousou a mão sobre o meu livro, que continuava na mesa ao lado da xícara, e deixou-a ali por um instante, como quem se despede de alguém. Depois desceu, e eu desci atrás dele, com aquela coisa sem nome ainda presa no peito. Eu não tinha o direito de sentir nada. Estava morta, ele não m

  • Uma segunda vida para amar   O Nome Dele

    Ninguém se mexeu depois que a mensagem apareceu. O técnico continuava curvado sobre o notebook, com as mãos suspensas acima do teclado, como se qualquer toque pudesse fazer chegar outra frase, e o assistente tinha dado dois passos na direção da janela sem perceber, do jeito que as pessoas fazem quando sentem que estão sendo observadas. Só Michael permaneceu exatamente onde estava. Leu a mensagem uma vez, devagar, e eu vi os olhos dele voltarem ao fim da frase e pararem no próprio nome.— Desconecte o aparelho — disse, por fim. — Agora. E anote o horário exato em que isso chegou, até o segundo.— Já desliguei, senhor. — O técnico afastou as mãos do teclado como quem solta um fio desencapado. — Zero hora e dezoito minutos. Mas, se me permite, isso não devia ser possível. Ninguém sabia que o aparelho estava ligado. A não ser que...— A não ser que alguém estivesse só esperando que ele acordasse. — Michael completou a frase sem levantar a voz. — Eles não precisavam saber onde estávamos, D

  • Uma segunda vida para amar   A Primeira Preocupação

    Passei a madrugada tentando lembrar uma palavra. Repeti o alfabeto, pensei em nomes, datas, apelidos, músicas da infância. Nada. No lugar onde a senha deveria estar, havia só aquele branco liso, sem marca nenhuma, como se alguém o tivesse apagado com cuidado. Tudo o que eu tinha descoberto antes de morrer estava trancado naquela pasta.— Preciso voltar para casa — eu disse, olhando para o homem que ainda dormia e para o meu livro sobre a mesa de cabeceira.Nenhuma reação. Essa era uma das coisas mais cruéis da morte: saber exatamente o que fazer e não ter controle nenhum sobre o próprio caminho.***Naquela mesma noite, na Mansão Luau, Josias tinha reunido algumas pessoas para jantar: dois diretores da empresa, um casal de sócios antigos e Samantha, apresentada a todos como "uma consultora que tem nos ajudado muito". Arthur passou o jantar quase calado, logo ele, que sempre sabia a hora exata de sorrir. Olhava o celular por baixo da mesa a cada poucos minutos, e a tela mostrava sempre

  • Uma segunda vida para amar   O Que Eu Guardei

    Por que você ainda não conseguiu partir? A pergunta ficou no quarto depois que a figura sumiu, como um perfume que não vai embora. O homem misterioso dormia, o meu livro continuava na mesa de cabeceira e eu, pela primeira vez desde a minha morte, não pensei no beco. Pensei no que veio antes dele. Talvez algumas respostas não estivessem na noite em que me mataram, e sim nos meses em que eu fingi não ver.***Meses antes de morrer, eu quase terminei com Arthur. Não houve uma grande descoberta, nenhuma mensagem comprometedora, nenhum flagrante. Foi pior: num dia qualquer, percebi que já não reconhecia o homem com quem ia me casar. Ele vivia ocupado, entre reuniões, viagens e problemas na empresa. Quando eu reclamava, dizia que eu precisava entender as responsabilidades dele; quando eu perguntava onde estava, dizia que eu queria controlá-lo; quando eu ficava triste, dizia que eu fazia drama. Até a noite em que eu não aguentei.Estávamos no jardim da minha casa, debaixo da figueira onde o

  • Uma segunda vida para amar   A Última Mensagem

    Voltamos para a mansão tarde da noite. O homem misterioso levava a pasta de couro debaixo do braço, com o meu livro dentro, e no banco da frente o assistente segurava um saco escuro e lacrado, onde o meu celular viajava isolado de qualquer sinal. Ninguém o ligaria antes que os técnicos o examinassem; essa tinha sido a ordem. Eu olhava para aquele saco como quem olha para um caixão pequeno demais.O assistente quebrou o silêncio quando o carro parou num sinal vermelho.— O técnico disse que consegue abrir o aparelho até amanhã à noite. Se tiver alguma coisa apagada, ele acha. Ele conversa com celular do jeito que a minha avó conversava com as plantas.— Diga a ele que trabalhe numa rede isolada. Nada desse telefone encosta na internet sem que eu saiba.— Já disse. Ele ficou ofendido por eu achar que precisava dizer.O homem misterioso quase sorriu, e eu quase sorri com ele. Mas a frase da figura não me deixava em paz e voltava a cada poste que passava pela janela: algumas respostas têm

  • Uma segunda vida para amar   O Sinal

    A figura não voltou naquela noite, embora eu passasse horas olhando para o vidro. Quando o dia clareou, o assistente entrou com dois cafés, deixou um sobre a mesa do chefe e reparou no relógio parado.— Engraçado. Trocaram a pilha desse relógio na semana passada. — Tirou-o da parede, desconfiado. — Ou a pilha veio com defeito, ou esta casa está começando a ter opinião própria.O homem misterioso nem ergueu os olhos. Eu ergui: os ponteiros continuavam nas nove e quarenta e sete. O assistente trocou a pilha, o ponteiro voltou a correr como se nada tivesse acontecido, e só eu sabia que alguma coisa tinha acontecido.***Mais tarde, o assistente espalhou fotografias sobre a mesa: o galpão antes e depois do fogo, o tecido, o mapa da região.— Revisamos tudo, e tem uma coisa que não fecha. Temos o tecido, o sangue e a câmera destruída. Mas não temos bolsa, sapato, documento nem celular. Se fosse um assalto, por que alguém se daria ao trabalho de incendiar um galpão inteiro e apagar as câmer

Plus de chapitres
Découvrez et lisez de bons romans gratuitement
Accédez gratuitement à un grand nombre de bons romans sur GoodNovel. Téléchargez les livres que vous aimez et lisez où et quand vous voulez.
Lisez des livres gratuitement sur l'APP
Scanner le code pour lire sur l'application
DMCA.com Protection Status