FAZER LOGINNaquele mesmo dia, Vicktor realmente cumpriu sua palavra. Sem mais discussões, retirou a denúncia que havia complicado toda a situação. Tomou essa decisão depois do pedido de Elisha — que parecia simples, mas carregava uma pressão imensa —, feito em um tom ao qual ele não podia simplesmente ignorar.Agora, os dois estavam no mesmo carro.O interior do veículo estava silencioso, mas não era um silêncio constrangedor. Era mais como se o cansaço pairasse no ar.Lucy estava sentada no banco de trás, abraçando Kelly, que dormia profundamente em seu colo. De vez em quando, acariciava delicadamente os cabelos da menina, como se quisesse se certificar de que tudo aquilo realmente havia chegado ao fim.Um leve sorriso surgiu nos lábios de Lucy.— Minha filha... — murmurou baixinho, quase inaudível. — Pelo visto, ela também sabe ser útil.Lucy contemplou o rosto tranquilo de Kelly e soltou um longo suspiro. Pela primeira vez naquele dia, sentiu o peito um pouco mais leve.No banco da frente, o
O clima na sala de visitas ficou tão tenso quanto um fogo alimentado por gasolina. Cada palavra se transformava em uma arma, ferindo uns aos outros sem piedade. No entanto, em meio àquela confusão, Amora não podia mais ficar ali, apenas observando em silêncio.— Lucy, não se aproveite da inocência de Kelly.A voz de Amora soou firme, embora uma inquietação começasse a se insinuar em seu coração. Ela sabia que bastava um passo em falso para destruir todos os seus planos.O olhar de Lucy se voltou imediatamente para Amora. Afiado. Carregado de um ódio que já não fazia questão de esconder.— O que você quer dizer com isso? — retrucou Lucy, friamente.— Não foi você quem se aproveitou de Kelly quando ela estava com amnésia? Você fingiu ser a mãe biológica dela! Conquistou a confiança de Vicktor e destruiu nosso casamento.Aquelas palavras tornaram o ar ainda mais sufocante.Amora fechou lentamente os punhos. Porém, no instante seguinte, sua expressão mudou. Seu rosto se suavizou, e seus o
O médico, que havia chegado à residência de Vicktor quinze minutos antes, finalmente fechou sua bolsa médica, soltando um suspiro de alívio. Ele acabara de examinar Kelly — pedira à menina que abrisse a boca, iluminara seus olhos com uma pequena lanterna e fizera algumas perguntas simples.Kelly obedecera sem reclamar, embora, de vez em quando, franzisse a testa, como se achasse estranho ser examinada daquela maneira.Atrás do médico, Vicktor e Amora estavam lado a lado. Nenhum dos dois ousava dizer uma palavra. Apenas trocavam olhares cheios de expectativa.— Não há nada de anormal — declarou finalmente o médico, virando-se para eles. — Todas as respostas dela estão normais.Vicktor soltou o longo suspiro que vinha prendendo havia algum tempo.— Graças a Deus, Kelly se recuperou da amnésia — acrescentou o médico, com um tom leve, mas cheio de certeza.Os olhos de Vicktor imediatamente se encheram de lágrimas. Ele olhou para Amora, com um sorriso emocionado no rosto, antes de se aprox
O escritório do presidente estava tomado por uma tranquilidade aparente, mas escondia uma tensão invisível. Atrás da imponente mesa de design elegante, Vicktor Caldwell permanecia sentado, com uma aura de absoluto controle. Ao seu lado, Amora estava de pé, sem tirar os olhos da mesa à sua frente.Vicktor ergueu o celular e discou o número de sua secretária.— Traga imediatamente os documentos que estavam agendados para hoje ao meu escritório — ordenou, de maneira breve e firme, sem rodeios.— Sim, senhor Vicktor.A ligação foi encerrada.Ao seu lado, Amora não conseguia esconder a ansiedade. Seus dedos se entrelaçavam e, de vez em quando, ela tamborilava suavemente na superfície da mesa. Seu olhar estava repleto de expectativa e ambição.— Está ansiosa? — perguntou Vicktor, lançando-lhe um breve olhar acompanhado de um sorriso discreto.Amora ergueu ligeiramente o queixo.— Claro que estou. Esperei por este momento durante tempo demais.Antes que Vicktor pudesse responder, ouviram-se
A manhã chegou de forma surpreendente para Amora.Seus olhos se abriram lentamente, mas, em questão de segundos, seu corpo ficou rígido. Ela se sobressaltou, e seu coração disparou quando recuperou completamente a consciência. Havia algo errado. Muito errado.Sua respiração ficou presa na garganta.Ao seu lado, um homem dormia profundamente.Vicktor.O corpo dele ainda estava coberto por um edredom espesso, e seu rosto parecia tranquilo, como se a noite anterior tivesse sido apenas mais uma noite comum, sem qualquer importância. Um contraste gritante com Amora, que agora estava tomada pela confusão e pelo pânico.— O que aconteceu ontem à noite? — sussurrou baixinho, com a voz trêmula.Sua mão se moveu por reflexo, puxando o edredom, e foi então que seus olhos se arregalaram. Ela olhou para o próprio corpo, completamente nu.— Droga...! — sibilou, contendo a voz.Um calafrio percorreu sua espinha. As lembranças da noite anterior surgiram em fragmentos nebulosos — as bebidas, a tontura
O jantar romântico deveria ter terminado de maneira doce, mas a noite acabou se prolongando sem que percebessem. A luz suave, o tilintar das taças e a música delicada criavam uma atmosfera tão acolhedora — acolhedora demais, a ponto de Amora perder o controle.A garota soltou uma risadinha, com as bochechas coradas. Ergueu novamente a taça de vinho, sem hesitar.— Amora, chega — a voz de Vicktor soou mais firme do que antes.Mas Amora apenas balançou a cabeça devagar, com os olhos começando a ficar sonolentos.— Só mais um... apenas mais um, Vick — murmurou baixinho.Vicktor soltou um longo suspiro. Sabia que Amora já havia passado dos limites. Sem esperar mais, tirou a taça das mãos dela.— Não. Vamos embora agora.Amora não protestou. Seu corpo já estava fraco demais até para reclamar. A cabeça pendeu lentamente, quase tocando a mesa.Vicktor se levantou de imediato e pagou a conta rapidamente. Em seguida, passou o braço ao redor de Amora e a conduziu para fora do restaurante com cu







