LOGINNa manhã seguinte, munida das informações obtidas por meio de seu subordinado, Lucy dirigiu-se apressadamente a um dos grandes hospitais que, no passado, haviam atendido inúmeras vítimas de incêndios. Desde o início da manhã, um nome não parava de ecoar em sua mente: Amora. A pessoa que precisava encontrar a qualquer custo.Assim que entrou no saguão do hospital, Lucy não perdeu tempo. Foi diretamente ao balcão de atendimento. A funcionária atrás do balcão parecia ocupada, mas Lucy se aproximou dela com determinação.— Gostaria de obter informações sobre uma paciente que já esteve internada aqui — disse Lucy, sem rodeios. — O nome dela é Amora Cassidy Shane.A funcionária franziu a testa.— Amora Cassidy Shane? Quando essa paciente esteve internada aqui?— Há dois anos — respondeu Lucy com firmeza.A funcionária voltou a encará-la, dessa vez por mais tempo.— Por que a senhora está procurando informações sobre essa paciente?Lucy apressou-se em inventar uma justificativa.— Eu... sou
O relógio marcava meia-noite.O silêncio pairava por todos os cantos da luxuosa mansão de Vicktor.Amora saiu do quarto de hóspedes com passos lentos, como se temesse acordar alguém que ainda pudesse estar desperto. Desceu as escadas e seguiu para a cozinha, onde uma luz amarelada e fraca brilhava solitária. Ali, começou a preparar uma xícara de chá quente. Seus movimentos eram ágeis, como se já conhecesse de cor cada canto dos armários e das gavetas.Era natural. Aquela mansão havia sido um presente de casamento de seu pai. Uma casa que já não estava mais em seu nome, pois Vicktor havia transferido a propriedade. A lembrança a feriu por um instante, mas ela logo a afastou da mente.Dois pigarros soaram atrás dela.Amora se virou.Vicktor estava encostado no batente da porta da cozinha, com um leve sorriso nos lábios.— El, o que está fazendo? — perguntou baixinho.— Não consigo dormir — murmurou Amora enquanto despejava a água quente. — Então decidi... preparar um chá. — Ela se virou
Naquela noite, o clima na casa da família Vicktor estava tenso. O ar da sala de estar parecia prender a respiração sempre que o choro de Kelly ecoava pelo ambiente. Lucy continuava tentando se aproximar da filha, esforçando-se para suavizar a voz e evitar que a menina sentisse medo novamente.— Meu amor, sou eu, a mamãe. Não tenha medo... Venha cá, deixe a mamãe te abraçar — disse Lucy baixinho, aproximando-se de Kelly, que se escondia nos braços da empregada.No entanto, em vez de se acalmar, Kelly ficou ainda mais histérica. Seu choro se intensificou, fazendo a empregada entrar em pânico.— Senhora, é melhor não insistir por enquanto. A senhorita Kelly não está emocionalmente estável — disse a empregada com cautela.Lucy lançou um olhar furioso para ela.— Eu sou a mãe dela! O que você sabe sobre isso?! — Sua voz se elevou, carregada de mágoa e raiva.A empregada abaixou a cabeça, mas ainda reuniu coragem para falar.— Senhora, peço desculpas. Estas são as instruções do senhor Vickt
Ainda com o rosto pálido, Jessica entrou cambaleando naquela mansão. O fim de tarde estava tranquilo, e o único som que se ouvia era o da televisão na sala de estar. Seu olhar se voltou imediatamente para a jovem sentada despreocupadamente no sofá, assistindo ao seu programa favorito.— Amora... — chamou Jessica baixinho, com a voz trêmula.Ela se aproximou e, sem pensar duas vezes, abraçou a filha com força.— Mamãe, o que aconteceu? — perguntou Amora, confusa, franzindo a testa ao perceber o comportamento estranho da mãe.— Amora... me perdoe, meu amor — murmurou Jessica.Amora se afastou um pouco do abraço e encarou o rosto da mãe, que parecia extremamente aflita.— Por que você está me pedindo perdão? Aconteceu alguma coisa? Você fez algo errado?Jessica soltou um longo suspiro, com os olhos avermelhados.— Tudo o que a mamãe fez... foi por você, meu amor. Espero que consiga entender.— O que você quer dizer com isso, mamãe? Não estou entendendo — perguntou Amora, com um tom preoc
Os dois homens conduziram Jessica por um longo corredor de um restaurante luxuoso. O aroma de vinhos caros e carne assada não era suficiente para acalmar as batidas frenéticas de seu coração. Seus saltos ecoavam suavemente contra o piso de mármore a cada passo.Eles pararam diante de uma porta ornamentada com entalhes dourados, onde se lia Private Room. Um dos homens abriu a porta e fez um gesto para que Jessica entrasse.Lá dentro, uma iluminação suave iluminava um ambiente elegante, com uma grande mesa no centro. Atrás de uma poltrona comprida voltada para a janela, estava sentado um homem vestindo uma camisa preta. Seu corpo permanecia oculto pelo encosto alto da cadeira, e apenas o chapéu de estilo cowboy, que cobria parte de sua cabeça, podia ser visto.Jessica engoliu em seco e permaneceu imóvel no meio da sala. Seu olhar estava fixo na figura atrás da cadeira, repleto de apreensão.— Senhor, o alvo está diante do senhor — anunciou um dos seguranças com voz firme.Em seguida, os
Os passos apressados de Lucy ecoavam pelo chão de mármore, cada batida carregada de raiva. Ela agarrou o pulso de Amora com força e arrastou a mulher para fora do quarto de Kelly, sem lhe dar a oportunidade de dizer uma palavra.— Lucy, não seja rude com Elisha! — gritou Vicktor, que vinha correndo atrás delas, com a voz grave e aflita.Lucy, porém, não lhe deu ouvidos. Seu olhar estava fixo em uma única pessoa: Elisha, a mulher que, em sua opinião, havia ousado ultrapassar todos os limites.— Lucy, solte meu braço — pediu Amora baixinho, tentando se libertar, mas o aperto de Lucy era forte demais.Assim que chegaram à sala de estar, Lucy empurrou Amora, fazendo-a cair no sofá. Sua respiração estava ofegante, e seu rosto, vermelho de tanta raiva.— Sua vagabunda! — exclamou Lucy com aspereza. — Ah, está sonhando em se tornar a senhora Caldwell, é? — Lucy lançou-lhe um sorriso debochado. — Meu marido pode até amar você, Elisha, mas não vou permitir que uma prostituta como você entre na







