로그인O frio que emanava das montanhas de Obsidiana nunca parecera tão cortante, tão carregado de presságios fúnebres quanto naquelas últimas semanas. O retorno de Silas com a notícia da aliança entre Evander e as Bruxas de Cinzas do Leste havia alterado irrevogavelmente o curso da guerra. O que antes era uma disputa territorial sangrenta, baseada em espadas, presas e táticas brutais, transformara-se num pesadelo de magia obscura e neblina venenosa.Nós estávamos perdendo.A palavra não era dita em voz alta nos grandes salões, pois o orgulho dos lobos do Norte proibia tal confissão, mas a verdade estava gravada nas feições de cada membro da Mesa de Obsidiana. Eu via os reflexos da derrota nas reuniões diárias. Kael, o Alpha Supremo, outrora uma estátua impassível de mármore e gelo, agora exibia sombras sob os olhos dourados; os longos cabelos pretos e lisos dele perdiam o brilho enquanto ele passava noites em claro, calculando baixas que se acumulavam nas trincheiras do Sul. O exército de O
A luz fraca e prateada do amanhecer infiltrava-se pelas frestas da pesada lona da tenda, expulsando lentamente as sombras que haviam testemunhado a nossa noite. O vento gélido das montanhas continuava zunindo do lado de fora, varrendo a Fronteira do Espinheiro com uma fúria implacável, mas sob o amontoado de peles macias, o único clima existente era o calor vulcânico do interrogador de Obsidiana.Abri os olhos devagar. A minha cabeça repousava sobre o peitoral ileso de Kai. O som do coração dele, batendo num ritmo profundo e constante, ecoava contra o meu ouvido como um tambor de guerra em tempo de paz. O gigante estava profundamente adormecido. A exaustão da batalha, combinada com a guerra interna contra o veneno da viúva-negra e o ápice brutal do nosso desejo, finalmente havia cobrado o seu preço, arrastando o monstro para um sono denso e reparador.Ergui o rosto com extremo cuidado para observar as feições dele na penumbra. O rosto rústico, forjado para inspirar terror e submissão
O vento lá fora uivava, açoitando as lonas grossas da tenda de comando com uma fúria gélida, mas o frio do inverno nortenho parecia pertencer a outro universo. Dentro daquele espaço restrito, iluminado apenas pela luz oscilante e alaranjada da lamparina de óleo, o ar fervia. A atmosfera era densa, impregnada com o cheiro rústico de couro, suor limpo, ervas cicatrizantes e o almíscar inebriante do desejo cru.O beijo que compartilháramos minutos antes mudou o eixo do meu mundo. As minhas mãos repousavam sobre os ombros largos e quentes dele, sentindo cada respiração profunda que inflava o peitoral colossal. Kai mantinha o peso do seu tronco apoiado no braço direito, criando um escudo protetor ao meu redor, garantindo que o ombro esquerdo, recém-costurado pelas minhas próprias mãos, permanecesse intacto.Os olhos dourados dele reluziam na penumbra. Não havia loucura, febre ou ódio. Havia apenas uma devoção possessiva, uma fome ancestral que ele lutava desesperadamente para conter.Eu es
O beijo na tenda médica foi um delírio febril que eu lutei desesperadamente para enterrar sob camadas de ataduras e sangue seco. Nos dois dias seguintes ao ataque na Fronteira do Espinheiro, o acampamento nortenho transformou-se num purgatório gélido.Trabalhei sem descanso. As minhas mãos estavam constantemente manchadas de vermelho e unguentos escuros, limpando feridas, suturando cortes de guerreiros que uivavam de dor sob o frio inclemente da nevasca. Eu mal dormia, mantendo a minha mente inteiramente focada na sobrevivência dos soldados e tentando ignorar a marca que os lábios do interrogador deixaram na minha alma.O veneno da viúva-negra não matou Kai. A constituição absurda do lobo alfa, somada ao antídoto que despejei nas veias dele, travou uma guerra brutal dentro do corpo colossal. A febre quase o consumiu, mas, no amanhecer do segundo dia, a letalidade natural dele venceu a toxina. Ele despertou rosnando, atirando tigelas de caldo longe e exigindo que os curandeiros se afas
O segundo mercenário não teve tempo sequer de comemorar o golpe covarde.Antes que o assassino pudesse puxar a lâmina negra de volta para desferir um segundo ataque, uma força titânica irrompeu pela lona rasgada da tenda. Torin. O Comandante de Obsidiana, com a sua pele negra reluzindo sob o suor e a fuligem, os cachos platinados grudados na testa, não hesitou. A espada dele desceu num arco perfeito e letal, separando a cabeça do sulista do corpo num único movimento.Mas o dano principal já estava feito.O veneno da viúva-negra corria nas veias do irmão mais velho dele. O recuo para o acampamento base na retaguarda foi um borrão caótico de neve, sangue e urros lupinos. Transportamos Kai numa das carroças, o corpo colossal do interrogador lutando violentamente contra os espasmos musculares enquanto o líquido escuro e sulfuroso apodrecia a sua carne por dentro.Quando finalmente alcançamos as tendas de comando, o caos apenas mudou de forma.Eu estava do lado de fora da tenda principal d
A viagem até a Fronteira do Espinheiro foi um inferno gélido.O vento do Norte castigava a caravana sem piedade, atirando agulhas de gelo contra os nossos rostos. Eu viajava na traseira da última carroça de suprimentos, espremida entre os curandeiros veteranos de Obsidiana e os meus sacos de couro com carvão ativado e ervas sulistas. O frio penetrava o pesado manto de pele de urso, entorpecendo os meus dedos e pés humanos, mas eu não proferi uma única reclamação.Durante as longas horas de marcha sob a nevasca escura, uma presença gigantesca e opressiva cavalgava lado a lado com a minha carroça.Kai não trocou uma única palavra comigo após o nosso embate no pátio do castelo. O interrogador montava um imenso cavalo de guerra ruão, a armadura negra fundindo-se com as sombras. Ele mantinha o olhar fixo no horizonte, o maxilar trincado numa linha de pura tensão assassina. Contudo, o instinto predatório dele vazava, espesso e inegável, para o ar. Eu sentia a vigilância constante dele, pesa







