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Costurando o Monstro

last update publish date: 2026-09-18 23:01:17

O segundo mercenário não teve tempo sequer de comemorar o golpe covarde.

Antes que o assassino pudesse puxar a lâmina negra de volta para desferir um segundo ataque, uma força titânica irrompeu pela lona rasgada da tenda. Torin. O Comandante de Obsidiana, com a sua pele negra reluzindo sob o suor e a fuligem, os cachos platinados grudados na testa, não hesitou. A espada dele desceu num arco perfeito e letal, separando a cabeça do sulista do corpo num único movimento.

Mas o dano principal já est
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  • Vendida ao Monstro do Norte   Terapia do Caos

    O beijo na tenda médica foi um delírio febril que eu lutei desesperadamente para enterrar sob camadas de ataduras e sangue seco. Nos dois dias seguintes ao ataque na Fronteira do Espinheiro, o acampamento nortenho transformou-se num purgatório gélido.Trabalhei sem descanso. As minhas mãos estavam constantemente manchadas de vermelho e unguentos escuros, limpando feridas, suturando cortes de guerreiros que uivavam de dor sob o frio inclemente da nevasca. Eu mal dormia, mantendo a minha mente inteiramente focada na sobrevivência dos soldados e tentando ignorar a marca que os lábios do interrogador deixaram na minha alma.O veneno da viúva-negra não matou Kai. A constituição absurda do lobo alfa, somada ao antídoto que despejei nas veias dele, travou uma guerra brutal dentro do corpo colossal. A febre quase o consumiu, mas, no amanhecer do segundo dia, a letalidade natural dele venceu a toxina. Ele despertou rosnando, atirando tigelas de caldo longe e exigindo que os curandeiros se afas

  • Vendida ao Monstro do Norte   Costurando o Monstro

    O segundo mercenário não teve tempo sequer de comemorar o golpe covarde.Antes que o assassino pudesse puxar a lâmina negra de volta para desferir um segundo ataque, uma força titânica irrompeu pela lona rasgada da tenda. Torin. O Comandante de Obsidiana, com a sua pele negra reluzindo sob o suor e a fuligem, os cachos platinados grudados na testa, não hesitou. A espada dele desceu num arco perfeito e letal, separando a cabeça do sulista do corpo num único movimento.Mas o dano principal já estava feito.O veneno da viúva-negra corria nas veias do irmão mais velho dele. O recuo para o acampamento base na retaguarda foi um borrão caótico de neve, sangue e urros lupinos. Transportamos Kai numa das carroças, o corpo colossal do interrogador lutando violentamente contra os espasmos musculares enquanto o líquido escuro e sulfuroso apodrecia a sua carne por dentro.Quando finalmente alcançamos as tendas de comando, o caos apenas mudou de forma.Eu estava do lado de fora da tenda principal d

  • Vendida ao Monstro do Norte   A Fronteira do Espinheiro

    A viagem até a Fronteira do Espinheiro foi um inferno gélido.O vento do Norte castigava a caravana sem piedade, atirando agulhas de gelo contra os nossos rostos. Eu viajava na traseira da última carroça de suprimentos, espremida entre os curandeiros veteranos de Obsidiana e os meus sacos de couro com carvão ativado e ervas sulistas. O frio penetrava o pesado manto de pele de urso, entorpecendo os meus dedos e pés humanos, mas eu não proferi uma única reclamação.Durante as longas horas de marcha sob a nevasca escura, uma presença gigantesca e opressiva cavalgava lado a lado com a minha carroça.Kai não trocou uma única palavra comigo após o nosso embate no pátio do castelo. O interrogador montava um imenso cavalo de guerra ruão, a armadura negra fundindo-se com as sombras. Ele mantinha o olhar fixo no horizonte, o maxilar trincado numa linha de pura tensão assassina. Contudo, o instinto predatório dele vazava, espesso e inegável, para o ar. Eu sentia a vigilância constante dele, pesa

  • Vendida ao Monstro do Norte   A Primeira Neve Ensanguentada

    As palavras de Kai ainda reverberavam nas paredes da biblioteca, gravadas na minha mente como uma promessa letal. Isso não acabou, humana. As minhas pernas tremiam enquanto eu caminhava de volta para a ala residencial, os meus lábios formigando com o fantasma daquele quase beijo. Passei o resto da tarde tentando apagar a memória do corpo colossal dele prensando o meu contra a estante, mas a fortaleza tinha outros planos para manter a minha sanidade por um fio.O som não foi o do grande berrante de guerra, mas três toques curtos e agudos da trombeta da torre de vigia. O sinal de emergência dos batedores.Encontrei Valera nos pátios inferiores. A Princesa de Obsidiana descia as escadarias apressadamente, ladeada por guardas, o vestido pesado varrendo a neve fina que começava a cair. O pátio estava um pandemônio. Guerreiros corriam, afivelando armaduras e selando cavalos com uma urgência brutal.Torin estava no centro do pátio, supervisionando a preparação de um esquadrão de resgate rápi

  • Vendida ao Monstro do Norte   Encurralada na Biblioteca

    A Biblioteca Oeste da Fortaleza de Obsidiana parecia um mausoléu esquecido pelo tempo. Diferente dos grandes salões onde as lareiras rugiam e os guerreiros brindavam, aquele lugar cheirava a pergaminho envelhecido, poeira milenar e cera fria. As estantes colossais, esculpidas em madeira escura e pedra vulcânica, erguiam-se até o teto abobadado, formando um labirinto sombrio onde a luz do sol lutava para penetrar através das janelas estreitas e altas.Eu caminhava pelos corredores silenciosos, segurando um candelabro de ferro forjado que emitia uma luz fraca. O meu vestido de seda escura roçava contra o chão de pedra, produzindo um farfalhar suave que ecoava na quietude opressiva.Valera havia me enviado numa missão simples. A Princesa precisava de um tomo antigo sobre táticas de cerco na neve, escrito pelo primeiro Alpha Supremo de Obsidiana, para preparar os seus argumentos para a próxima reunião da Mesa de Obsidiana. Ela confiava em mim. E eu precisava desesperadamente daquela distr

  • Vendida ao Monstro do Norte   Vinho

    Enquanto Silas desenrolava pergaminhos sobre a imensa Mesa de Obsidiana e as vozes dos lordes ecoavam nas paredes vulcânicas, eu caminhava pelas bordas do recinto. Segurava uma pesada jarra de prata cheia do denso vinho rubi do Norte. Mantinha a minha postura ereta, o tecido de seda escura sussurrando contra as minhas pernas, contrastando com a minha pele bronzeada de sol. Eu não era uma criada; era uma dama da Corte de Prata. Mas o serviço me oferecia o disfarce perfeito para o observar.Kai estava sentado no extremo oposto da mesa. O interrogador parecia ter emergido das profundezas de um pesadelo violento.A cabeça completamente raspada, que escondia as raízes naturalmente loiras dele, reluzia com um suor frio sob a luz pálida das tochas azuis. Ele era colossal, uma montanha de músculos letal que fazia a própria cadeira de carvalho parecer frágil. Os nós dos dedos gigantescos descansavam sobre a mesa de pedra, abertos em feridas recentes e ensanguentadas, provando que ele passara a

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