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Capítulo 24/ Ares

last update Data de publicação: 2026-10-17 12:06:04
Eu encarava meu próprio reflexo no espelho do quarto, abotoando os botões da camisa social azul-marinho. Tecido pesado, corte ajustado nos ombros. Por cima, vesti o paletó preto e ajeitei a calça de alfaiataria escura, finalizando com os sapatos sociais.

Curvei o corpo sobre a bancada, passei a mão pelos cabelos ainda levemente úmidos e borrifei um pouco do perfume no pescoço. Peguei a gravata preta sobre a cama, cheguei a alinhá-la sob o colarinho, mas desisti. Não estava com paciência para fo
Merida Lonson

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Último capítulo

  • Vendida ao REI da MÁFIA    Capítulo 24/ Ares

    Eu encarava meu próprio reflexo no espelho do quarto, abotoando os botões da camisa social azul-marinho. Tecido pesado, corte ajustado nos ombros. Por cima, vesti o paletó preto e ajeitei a calça de alfaiataria escura, finalizando com os sapatos sociais. Curvei o corpo sobre a bancada, passei a mão pelos cabelos ainda levemente úmidos e borrifei um pouco do perfume no pescoço. Peguei a gravata preta sobre a cama, cheguei a alinhá-la sob o colarinho, mas desisti. Não estava com paciência para formalidades sufocantes. Tirei a gravata, joguei-a de qualquer jeito na poltrona e abri o primeiro botão da camisa, soltando o ar devagar. Minha cabeça ainda teimava em voltar para a cena da cozinha, minutos atrás. Lívia de joelhos, tentando juntar os estilhaços de vidro no chão. A gota de sangue vermelho pingando do dedo mindinho dela. Eu passei a vida inteira cercado por violência, vi homens agonizarem no asfalto e fiz Inimigos sangrarem sem piscar. Mas, por algum motivo absurdo e irritante, v

  • Vendida ao REI da MÁFIA    Capítulo 23

    O som da porta do jardim de inverno batendo suavemente ao fechar deixou-me sozinha com o eco das minhas próprias batidas cardíacas. Fiquei parada por alguns segundos encarando o espaço vazio onde Ares estivera há pouco. A frase dele — "Eu apostaria a minha vida que você não vai fazer isso" — ainda ecoava na minha cabeça, junto à imagem nítida da P226 preta escondida no cós da calça dele, bem na linha dos rins. Soltei um suspiro longo, passando as mãos pelo rosto. Eu não sabia exatamente como me sentir em relação a tudo aquilo. Minha mente era um turbilhão de confusão. Por um lado, o ódio e o rancor pelo que ele fizera ao me manter prisioneira continuavam ali, intactos; por outro, havia uma nova camada de tensão, uma gravidade invisível que me puxava para a órbita dele de um jeito que eu não conseguia controlar. A forma como ele me defendera, o olhar intenso... nada daquilo fazia sentido no meu plano de sobrevivência. Eu estava me acostumando a um monstro, e isso era terrivelmente per

  • Vendida ao REI da MÁFIA    Capítulo 22

    A mansão parecia respirar de um jeito diferente depois daquela madrugada no banheiro de Ares. Não que ele tivesse ficado mais brando ou que eu tivesse esquecido quem ele era, mas a distância entre nós mudara. O rastro de pele quente, o cheiro de sangue limpo e a precisão do nó de sutura que fiz em sua coxa pareciam ter marcado um território invisível entre nós dois. Eu sabia que algo dentro de mim tinha se deslocado. Não era afeto — eu me recusava a chamar de afeto —, mas uma consciência constante, quase física, da presença dele. Sempre que ouvia passos no corredor, minha pele formigava. Era irritante e perigoso sentir que a linha entre a repulsa e a fascinação pela fera estava ficando cada vez mais tênue. Para escapar do peso abafado dos quartos, decidi ir até o Jardim, uma estrutura ampla de ferro trabalhado e vidro nos fundos da casa, repleta de plantas nativas e uma pequena fonte de pedra. O som da água corrente era o único refúgio silencioso que encontrei. Eu estava parada per

  • Vendida ao REI da MÁFIA    Capítulo 21

    O silêncio daquela mansão de madrugada não trazia paz; parecia apenas uma pausa estratégica antes que a próxima tragédia desabasse. Eu estava acordada, andando de um lado para o outro sobre o tapete escuro do meu quarto. A mensagem do meu pai no vídeo não saía da minha mente. A voz cansada dele, a menção ao Sentinela Branco, a dor de saber que ele se fora... tudo aquilo se misturava ao pavor sufocante de me ver trancada em uma gaiola de ouro sob a custódia do homem mais frio e imprevisível que já cruzei na vida. Quando o relógio de parede indicou quase quatro da manhã, um rosnado grave de motor ecoou no pátio dos fundos. Fui até a janela e vi o SUV blindado de Ares estacionar sob a chuva fina. Ele tinha saído há horas sem dar explicações a ninguém. Curiosa — e movida por um instinto constante de sobrevivência —, abri a porta do meu quarto e coloquei a cabeça para fora. Passos pesados e apressados subiam a escadaria. Não era apenas Ares. — Chamem o médico logo, droga! — era a vo

  • Vendida ao REI da MÁFIA    Capítulo 20

    O hálito de Ares estava a poucos centímetros do meu rosto, quente e perigosamente calmo, contrastando com a raiva contida que faiscava naqueles olhos escuros. A presença dele me sufocava, mas me recusar a ceder era a única coisa que me mantinha de pé.— Eu não sei — repeti entre os dentes, sustentando o queixo erguido mesmo com a visão embaçada pelas lágrimas. — Você pode me pressionar o quanto quiser, pode me trancar neste escritório ou apontar aquela arma para mim de novo. A resposta vai ser a mesma: eu não sei o que é o Sentinela Branco.Ares me encarou por mais um segundo interminável, a mandíbula travada, calculando se valia a pena continuar me prensando contra a cadeira. Soltou os braços da minha poltrona num movimento brusco, afastando-se dois passos e enfiando as mãos nos bolsos da calça.— Você é inacreditável — soltou ele, a voz carregada daquele deboche frio que me dava ânsia. — Seu pai te deixou uma pista de ouro e você está agindo como uma garotinha assustada.— O meu pai

  • Vendida ao REI da MÁFIA    Capítulo 19/ Ares pt 2

    O cheiro de pólvora queimada e o impacto seco de cada disparo contra os alvos de madeira no estande de tiro eram o mais próximo que eu chegava de uma terapia. Eu estava na área externa da propriedade, usando abafadores de ruído e com o peso da minha P226 firme nas mãos. POW. POW. POW. Três perfurações limpas, exatamente no centro da silhueta de papel. Ajustei o pulso e descarreguei o resto do pente sem piscar. O tranco da arma nos meus braços trazia uma clareza abençoada que a presença de Pâmela — que eu já tinha despachado de volta no jatinho duas horas atrás — jamais conseguiria me dar. Travei a pistola e a recoloquei no cos da calça, nas costas, quando o celular no meu bolso começou a vibrar. Tirei o abafador, deixando-o pendurado no pescoço. Era Lucas, o cara do meu TI e especialista em invasão de sistemas. — Fala logo, Lucas. Se me interrompeu para dizer que achou fotos da infância da garota, eu te mato— soltei, seco, caminhando de volta em direção à mansão. — Não, chefe. De

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